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2023/05/20

Poesia revolução

Se Abril ficar distante,
desta terra e deste povo,
a nossa força é bastante
p’ra fazer um Abril novo.

Ary dos Santos

2014/04/25

Nem tudo é Abril

A Revolução do 25 de Abril de 1974 foi realizada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para derrubar a ditadura e acabar com a guerra colonial.


Da esqª: Vasco Lourenço, Victor Alves e Otelo

Embora o programa do MFA preconizasse desde logo a extinção dos poderes políticos e das instituições repressivas existentes, bem como "a amnistia de todos os presos políticos" e a "convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte", a concretização destes objectivos e as suas formas viriam a ser impostas posteriormente pela dinâmica do processo revolucionário, isto é, pela correlação política das forças militares e civis intervenientes. 

Já por aqui se vê que as comemorações do 25 de Abril propriamente dito, não devem incluir o 25 de Novembro, ao contrário do que é frequente ouvir em personagens da direita, a menos que tudo o que sucedeu posteriormente a 1974 possa ser atribuído à Revolução – incluindo o engavetamento do socialismo, por Mário Soares, e o regime cavaquista em curso. Estes factos históricos posteriores, decorrem do regime instituído pela Constituição de 1975, nos termos em que os políticos a conformaram; não decorrem do Programa do Movimento das Forças Armadas.

O Movimento dos Capitães, como foi informalmente conhecido, foi germinando ao longo do ano de 1973. Em Dezembro desse ano elegeu um Secretariado Executivo constituído por Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves (tríptico ao cimo).

Formaram-se então várias comissões que iniciaram a preparação do golpe militar. As tropas foram comandadas no terreno por diversos capitães, sendo as operações dirigidas superiormente pelo major Otelo Saraiva de Carvalho. 

Nestas operações destaca-se o capitão Salgueiro Maia (na foto, à esqª), pela importância da sua missão e pela coragem com que enfrentou pessoalmente a ameaça de morte diante de um tanque de guerra.

Meu artigo anterior sobre o 25 de Abril foi publicado AQUI

2012/04/27

Depois de Abril

Em Abril de 1974, ocorreu o golpe militar que derrubou a ditadura que dominava o país havia mais de 40 anos.

Não só derrubou o poder político e militar mas também as suas instituições repressivas e de propaganda: a PIDE (polícia política), a Legião Portuguesa, a Mocidade Portuguesa, a Comissão de Censura e toda a administração pública formatada pelo regime persecutório e repressivo.
Foto recolhida do documentário de Ina.fr sobre a Guiné

Depois houve que pôr cobro à guerra colonial que Portugal travava em Angola, Moçambique e Guiné, dando-se então lugar à descolonização e à integração em Portugal, das famílias daqui originárias ou para aqui fugidas dos conflitos associados à descolonização.

Ao mesmo tempo e por iniciativa dos cidadãos progressistas, foram ocupados os sindicatos dependentes do regime e substituidas as respectivas direcções por novos elementos então eleitos democraticamente.

Cada uma destas operações, desde o golpe militar até à integração dos ex-colonos, passando sobretudo pela liquidação das instituições da ditadura, foi uma conquista concreta resultante da luta política de cada momento, contra resistências activas no seio da sociedade; não foi como aprovar um decreto num qualquer gabinete ou assembleia.

Desde os ataques violentos contra as sedes do Partido Comunista, até à marcha da chamada "maioria silenciosa" sobre Lisboa (ver foto de cartaz), em nome da "fidelidade ao programa do MFA", o processo revolucionário evoluiu passo a passo, combate a combate, contra as forças reaccionárias que se moviam fora e dentro das novas instituições.


Mas é na questão da guerra colonial que me quero centrar neste momento para trazer a quem não conhecer ainda, o excelente trabalho que um ex-combatente, Manuel Bastos, vem desenvolvendo sob a forma de blogue, depois na forma de livro e, finalmente, também sob a forma de leitura do livro em registo gravado de som e acessivel informaticamente.

Está AQUI e dele recorto apenas esta dedicatória inicial: «A todos os homens com coragem para lutar, a todos os homens com coragem para desertar, a todas as mulheres com coragem para perdoar a ambos» …