No domínio da Informação não só deturpar ou mentir é desinformação ou a contra-informação, também "esquecer", ignorar, censurar.
É sabido que a Humanidade sofre geralmente de amnésia histórica. Mas é muito estranho que jornalistas, analistas e comentadores, convidados nesta altura a nomear figuras e acontecimentos relevantes do ano, não se recordem de nada que tenha ocorrido há mais de dois ou três meses...
A greve dos motoristas de matérias perigosas, em Portugal, o recrudescimento dos distúrbios em França com os Coletes Amarelos e em Espanha com os movimentos independentistas, o Brexit no Reino Unido, os incêndios na Amazónia, o golpe de estado na Bolívia e a tentativa fracassada de invasão da Venezuela, foram acontecimentos históricos importantes no ano de 2019.
A tomada de posse de Jair Bolsonaro, no Brasil, e de Boris Johnson no Reino Unido, a proposta de destituição de Donald Trump, a eleição de Zelensky na Ucrânia e o regresso ao poder de Cristina Kirchner, na Argentina, devido à eleição de Alberto Fernández para a presidência, apresentam nomes com uma importância muito significativa que se destacaram em 2019 pela importância para o futuro dos seus países e da ordem mundial. E como ignorar, abandonar, Assange e Rui Pinto?
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
2019/12/23
Balanço de 2019
Etiquetas:
2019,
Assange,
censura,
contra-informação,
História,
informação,
Jornalismo
2017/01/08
Porque hoje é domingo (83)
Seria difícil pregar alguma coisa sobre o tema católico deste domingo, sem repetir muito do que já escrevi em Paradoxos Cristãos, nomeadamente sobre a frustração do povo judaico relativamente à missão de Jesus: libertar a Palestina da dominação romana.
Em vez de liderar a revolta de libertação, de espada em riste, o “Salvador” quis afastar-se da política, atribuindo “a Deus o que é de Deus e a César o que é de César” – o que deixou muitos judeus indignados, outros admirados e o próprio César muito satisfeito certamente.
Durante várias semanas, esta frase foi capa de jornais e tema de discussão na rádio e na televisão, com muitos comentadores, analistas e politólogos debruçados sobre a resposta genial, disseram uns, ou a resposta habilidosa, outros disseram.
É claro que o Presidente dos Afectos e o Ministro da Geringonça fizeram oportunas declarações, assim como os diferentes partidos com assento no templo parlamentar.
E para que eu próprio não ficasse de fora desta vez, é que escrevi o que aqui fica registado.
Em vez de liderar a revolta de libertação, de espada em riste, o “Salvador” quis afastar-se da política, atribuindo “a Deus o que é de Deus e a César o que é de César” – o que deixou muitos judeus indignados, outros admirados e o próprio César muito satisfeito certamente.
Durante várias semanas, esta frase foi capa de jornais e tema de discussão na rádio e na televisão, com muitos comentadores, analistas e politólogos debruçados sobre a resposta genial, disseram uns, ou a resposta habilidosa, outros disseram.
É claro que o Presidente dos Afectos e o Ministro da Geringonça fizeram oportunas declarações, assim como os diferentes partidos com assento no templo parlamentar.
E para que eu próprio não ficasse de fora desta vez, é que escrevi o que aqui fica registado.
Etiquetas:
evangelho,
História,
homilia,
Igreja Católica
2014/12/24
O Papa e este outro mundo
O Mundo está mudado, o mundo social. Não falo das diferenças
circunstanciais como haver mais ou menos pobres, mais ou menos analfabetos, mais ou menos acesso aos cuidados de saúde; falo do controlo dos poderes, da transparência dos capitais, da independência da Justiça, da participação dos cidadãos nas decisões dos estados.
A denúncia e o combate que o Papa Francisco faz em relação aos comportamentos reprováveis que observa nos doutores do Vaticano, além de real é simbólico destas mudanças porque ocorre na mais conservadora instituição do mundo ocidental.
O discurso e a atitude do Papa, dirigido aos bispos nas vésperas do Natal de 2014,fez lembrar Jesus a expulsar, do Templo de Jerusalém, os cambistas e comerciantes que usavam a “casa do Pai” para fazer os seus negócios, chamando-lhes “salteadores”…
Quando o Papa exaltou os homens e mulheres “invisíveis”, os trabalhadores anónimos, e fez notar que o cemitério está cheio de figuras prestigiadas que se consideravam insubstituíveis, é toda a mensagem social dos evangelhos que emerge do bafiento discurso tradicional e contemporizador em que a Igreja se tem acobardado e beneficiado materialmente.
Se o “conclave” que elegeu o argentino Bergoglio, em Março de 2013, esperava dele o mesmo papel que desempenhou João Paulo II, levando desta vez a uma reversão do curso progressista da América Latina, enganaram-se. O que acabámos de ver há escassos dias, foi uma aproximação entre os EEUU e Cuba com intermediação do Papa Francisco. A favor do regime político cubano? Não. A favor da paz mundial e do bem-estar das populações “invisíveis” que são as vítimas das guerras quentes e frias.
A denúncia e o combate que o Papa Francisco faz em relação aos comportamentos reprováveis que observa nos doutores do Vaticano, além de real é simbólico destas mudanças porque ocorre na mais conservadora instituição do mundo ocidental.
O discurso e a atitude do Papa, dirigido aos bispos nas vésperas do Natal de 2014,fez lembrar Jesus a expulsar, do Templo de Jerusalém, os cambistas e comerciantes que usavam a “casa do Pai” para fazer os seus negócios, chamando-lhes “salteadores”…
Quando o Papa exaltou os homens e mulheres “invisíveis”, os trabalhadores anónimos, e fez notar que o cemitério está cheio de figuras prestigiadas que se consideravam insubstituíveis, é toda a mensagem social dos evangelhos que emerge do bafiento discurso tradicional e contemporizador em que a Igreja se tem acobardado e beneficiado materialmente.
Se o “conclave” que elegeu o argentino Bergoglio, em Março de 2013, esperava dele o mesmo papel que desempenhou João Paulo II, levando desta vez a uma reversão do curso progressista da América Latina, enganaram-se. O que acabámos de ver há escassos dias, foi uma aproximação entre os EEUU e Cuba com intermediação do Papa Francisco. A favor do regime político cubano? Não. A favor da paz mundial e do bem-estar das populações “invisíveis” que são as vítimas das guerras quentes e frias.
2014/04/25
Nem tudo é Abril
A Revolução do 25 de Abril de 1974 foi realizada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para derrubar a ditadura e acabar com a guerra colonial.

Embora o programa do MFA preconizasse desde logo a extinção dos poderes políticos e das instituições repressivas existentes, bem como "a amnistia de todos os presos políticos" e a "convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte", a concretização destes objectivos e as suas formas viriam a ser impostas posteriormente pela dinâmica do processo revolucionário, isto é, pela correlação política das forças militares e civis intervenientes.
Já por aqui se vê que as comemorações do 25 de Abril propriamente dito, não devem incluir o 25 de Novembro, ao contrário do que é frequente ouvir em personagens da direita, a menos que tudo o que sucedeu posteriormente a 1974 possa ser atribuído à Revolução – incluindo o engavetamento do socialismo, por Mário Soares, e o regime cavaquista em curso. Estes factos históricos posteriores, decorrem do regime instituído pela Constituição de 1975, nos termos em que os políticos a conformaram; não decorrem do Programa do Movimento das Forças Armadas.
O Movimento dos Capitães, como foi informalmente conhecido, foi germinando ao longo do ano de 1973. Em Dezembro desse ano elegeu um Secretariado Executivo constituído por Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves (tríptico ao cimo).
Nestas operações destaca-se o capitão Salgueiro Maia (na foto, à esqª), pela importância da sua missão e pela coragem com que enfrentou pessoalmente a ameaça de morte diante de um tanque de guerra.
Meu artigo anterior sobre o 25 de Abril foi publicado AQUI

Da esqª: Vasco Lourenço, Victor Alves e Otelo
Embora o programa do MFA preconizasse desde logo a extinção dos poderes políticos e das instituições repressivas existentes, bem como "a amnistia de todos os presos políticos" e a "convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte", a concretização destes objectivos e as suas formas viriam a ser impostas posteriormente pela dinâmica do processo revolucionário, isto é, pela correlação política das forças militares e civis intervenientes.
Já por aqui se vê que as comemorações do 25 de Abril propriamente dito, não devem incluir o 25 de Novembro, ao contrário do que é frequente ouvir em personagens da direita, a menos que tudo o que sucedeu posteriormente a 1974 possa ser atribuído à Revolução – incluindo o engavetamento do socialismo, por Mário Soares, e o regime cavaquista em curso. Estes factos históricos posteriores, decorrem do regime instituído pela Constituição de 1975, nos termos em que os políticos a conformaram; não decorrem do Programa do Movimento das Forças Armadas.
O Movimento dos Capitães, como foi informalmente conhecido, foi germinando ao longo do ano de 1973. Em Dezembro desse ano elegeu um Secretariado Executivo constituído por Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves (tríptico ao cimo).
Formaram-se então várias comissões que iniciaram a preparação do golpe militar. As tropas foram comandadas no terreno por diversos capitães, sendo as operações dirigidas superiormente pelo major Otelo Saraiva de Carvalho.
Nestas operações destaca-se o capitão Salgueiro Maia (na foto, à esqª), pela importância da sua missão e pela coragem com que enfrentou pessoalmente a ameaça de morte diante de um tanque de guerra.
Meu artigo anterior sobre o 25 de Abril foi publicado AQUI
Etiquetas:
25 de Abril,
História,
revolução portuguesa
2014/03/02
Manuel Valadares ainda
O documentário sobre Manuel Valadares já pode ser encontrado (temporariamente) no seguinte endereço electrónico:
http://www.rtp.pt/rtpmemoria/?article=1236&visual=2&tm=8&layout=5
Aproveito para prestar aqui a minha homenagem à Diana Andringa, então responsável pelo departamento de documentários da RTP, a quem devo a oportunidade para fazer este trabalho.
http://www.rtp.pt/rtpmemoria/?article=1236&visual=2&tm=8&layout=5
Aproveito para prestar aqui a minha homenagem à Diana Andringa, então responsável pelo departamento de documentários da RTP, a quem devo a oportunidade para fazer este trabalho.
Etiquetas:
documentários,
História,
Manuel Valadares
2012/12/23
Porque hoje é domingo (29)
Naquele tempo, uma espécie de abelha mágica andava pela região. Depositava um pólen que fecundava virgens e mulheres estéreis.
Foi assim que Maria engravidou apesar do seu corpo nunca ter sido tomado pelo companheiro ou por outro qualquer até então! (Mateus 1,25) Foi assim que o sacerdote Zacarias foi contemplado com a gravidez da sua Isabel quando a idade já não fazia crer que isso acontecesse.
De tal abelha não falam as escrituras mas sim de um tal Gabriel que terá andado de um lado para o outro a levar a notícia, primeiro a Zacarais e depois a Maria - desse Gabriel dizem as escrituras que era um anjo… O próprio S. José foi avisado por um anjo do Senhor. Isto é: sonhou que foi! (Mt 1, 20).
Não admira que as duas primas se encontrassem um dia para falar sobre o assunto. Conta S. Lucas (1,39-45) baseado em pesquisas a que procedeu mais tarde, que Nossa Senhora foi visitar a prima Isabel e, para além daquelas coisas que se dizem nestas circunstâncias, “ Ó prima, por aqui? Mas que surpresa!”, a mulher de Zacarias terá acrescentado: «Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?». Modéstia de Isabel se pensarmos que aquele que se agitava na sua barriga não era uma criatura insignificante, era João Batista, o que viria a ser profeta e a batizar o próprio Cristo.
Hoje sabemos como foi inútil a vida atribulada de Jesus que Deus mandou à Terra pela forma como vimos, para trazer a paz e o amor entre os homens, a caridade e a equidade, por assim dizer, que ao fim de dois mil anos o que temos é porrada e injustiça, egoismo e corrupção.
Não é ainda Natal, este domingo; é apenas o dia em que as duas primas se encontraram a falar daquilo que lhes aconteceu e cuja conversa deve estar tão bem retratada por S. Lucas como as datas (erradas!) que ele atribui aos acontecimentos. Nem será por mal; são as contingências de todo o historiador.
Foi assim que Maria engravidou apesar do seu corpo nunca ter sido tomado pelo companheiro ou por outro qualquer até então! (Mateus 1,25) Foi assim que o sacerdote Zacarias foi contemplado com a gravidez da sua Isabel quando a idade já não fazia crer que isso acontecesse.
De tal abelha não falam as escrituras mas sim de um tal Gabriel que terá andado de um lado para o outro a levar a notícia, primeiro a Zacarais e depois a Maria - desse Gabriel dizem as escrituras que era um anjo… O próprio S. José foi avisado por um anjo do Senhor. Isto é: sonhou que foi! (Mt 1, 20).
Não admira que as duas primas se encontrassem um dia para falar sobre o assunto. Conta S. Lucas (1,39-45) baseado em pesquisas a que procedeu mais tarde, que Nossa Senhora foi visitar a prima Isabel e, para além daquelas coisas que se dizem nestas circunstâncias, “ Ó prima, por aqui? Mas que surpresa!”, a mulher de Zacarias terá acrescentado: «Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?». Modéstia de Isabel se pensarmos que aquele que se agitava na sua barriga não era uma criatura insignificante, era João Batista, o que viria a ser profeta e a batizar o próprio Cristo.
Hoje sabemos como foi inútil a vida atribulada de Jesus que Deus mandou à Terra pela forma como vimos, para trazer a paz e o amor entre os homens, a caridade e a equidade, por assim dizer, que ao fim de dois mil anos o que temos é porrada e injustiça, egoismo e corrupção.
Não é ainda Natal, este domingo; é apenas o dia em que as duas primas se encontraram a falar daquilo que lhes aconteceu e cuja conversa deve estar tão bem retratada por S. Lucas como as datas (erradas!) que ele atribui aos acontecimentos. Nem será por mal; são as contingências de todo o historiador.
Etiquetas:
História,
homilia,
Igreja Católica,
menino Jesus,
Natal,
Religião
2012/11/19
"Ainda" há homens com
«Este portal destinava-se a ajudar os alunos do segundo ano de uma licenciatura de escola pública universitária, numa disciplina com o nome de História do Presente. Acabei hoje, dia 10 de Maio, por ter que renunciar à respectiva coordenação e regência, por questões de dignidade pessoal e brio académico. Vou tentar utilizar o investimento feito noutras unidades orgânicas onde haja ideias de obra, manifestações e cumprimento das regras do Estado de Direito. E mais não digo. Porque tenho vergonha».
Quem fala assim é José Adelino Maltez, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com o grau de doutor em ciências sociais, na especialidade de ciência política, pela Universidade Técnica de Lisboa . Alguém que nos habituámos a ouvir com atenção na Televisão, menos vezes do que gostariamos.
E de cujo “Cosmopolis” transcrevo, quase aleatoriamente, esta referência desempoeirada e certeira, ao ano de 1991:
«O Expresso elege como homens do ano um tal sindicalista Torres Couto, um tal intelectual Mega Ferreira, um tal secretário de Estado Santana Lopes e um tal tarimbeiro da política laranja, chamado Luís Filipe Meneses. Todos ilustres homens de sucesso sem obra-prima mas com muitas promessas de obra feita e, sobretudo, detentores daquele eficaz sentido de oportunidade que lhes permite saber apostar no vencedor».
Para "não citar" este seu comentário na Televisão, ele próprio uma invocação: «Nem tudo o que é lícito é honesto!».
Quem fala assim é José Adelino Maltez, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com o grau de doutor em ciências sociais, na especialidade de ciência política, pela Universidade Técnica de Lisboa . Alguém que nos habituámos a ouvir com atenção na Televisão, menos vezes do que gostariamos.
E de cujo “Cosmopolis” transcrevo, quase aleatoriamente, esta referência desempoeirada e certeira, ao ano de 1991:
«O Expresso elege como homens do ano um tal sindicalista Torres Couto, um tal intelectual Mega Ferreira, um tal secretário de Estado Santana Lopes e um tal tarimbeiro da política laranja, chamado Luís Filipe Meneses. Todos ilustres homens de sucesso sem obra-prima mas com muitas promessas de obra feita e, sobretudo, detentores daquele eficaz sentido de oportunidade que lhes permite saber apostar no vencedor».
Para "não citar" este seu comentário na Televisão, ele próprio uma invocação: «Nem tudo o que é lícito é honesto!».
Etiquetas:
História,
José Adelino Maltez,
Televisão
Subscrever:
Mensagens (Atom)


