Os fantasmas de Israel

No passado dia 5 de Março, o primeiro-ministro israelita, Binyamin Netanyahu encenou com Barack Obama um drama de mau gosto. Foi no teatro da Casa Branca.

A peça era para se chamar “Os fantasmas de Israel”, mas para evitar conotações com o holocausto da segunda guerra mundial que foi demasiado real, resolveram chamar-lhe “Agarra-me! Se não, eu mato-o”.

Em cena, além das duas personagens já mencionadas, um gasoduto – e lá voltam as conotações indesejadas – que aqui nos remetem para o tubo que abastece de gás, Israel e a Jordânia, e que tem sofrido muitos ataques por egípcios, alegadamente.

Alegadamente é palavra que Netanyahu dispensa quando desenvolve a intriga sobre a criação de armas nucleares no Irão. Na sua ingenuidade, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos por engano, concorda amavelmente com o colega israelita, alegando que o Irão, se quer ter armas atómicas, pode comprar… a Israel, daquelas que este não conseguiu vender à África do Sul no tempo do apartheid - lembram-se? Os Estados Unidos também as tem à vista… desarmada, mas não há que tratar de forma igual o que é desigual e tal.

Pois é isso mesmo – confirmou Netanyahu. – A diferença é que nós somos países confiáveis e eles não.

Em todo o caso – retorquiu o presidente americano – os EEUU não estão interessados em desencadear agora um ataque ao Irão…

Que não tinha importância – anuiu o outro. – Desde que os EEUU continuem a subsidiar-nos anualmente com os biliões do costume, a gente trata de tudo. Afinal Israel deve assumir as suas decisões independentemente das posições dos outros estados.

Aqui, Obama tem uma representação brilhante quando engole em sêco. Nem Putin a chorar com a aclamação eleitoral. O público explode em aplausos e o espectáculo termina. Ouvem-se brados: Yahu, yahu...! Netanyahu vem à boca de cena agradecer.

NOTA:
Qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência.

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Solução para a crise

O que se faz actualmente na União Europeia, a pretexto de eliminar o prejuízo ("défice") e combater o desemprego, não alcança um objectivo nem o outro – aumenta as dívidas dos países membros, cria e aprofunda a recessão económica, favorece o desemprego, degrada as remunerações e condições dos trabalhadores.

Mas, se não tivesse vantagens para ninguém, este caminho não seria iniciado ou prosseguido. Por alguma razão os seus autores e actores lhe chamam política responsável!

O facto é que esta estratégia configura uma nova etapa, uma segunda vaga no projecto CEE/União Europeia.

A primeira vaga tratou de construir uma muralha ideológica para defesa do capitalismo contra o socialismo. Como afirmava na sua imprudência verbal, a ex-ministra Manuela Ferreira Leite, «O chamado “estado social” surgiu como necessidade da Europa fazer frente a um bloco comunista que era necessário combater, sendo que não era possível fazê-lo criando riqueza e não dar protecção social aos trabalhadores. Isto ocorreu a seguir à 2ª Guerra Mundial, na Europa em geral, e em Portugal depois da instauração da Democracia». (1)

Esgotados os recursos artificiais e virtuais com que o capitalismo pagava a sua propaganda de bem-estar, houve que iniciar um novo ciclo estratégico: assumir a crise económico-financeira como um efeito incontornável do devir histórico, da Globalização, e culpabilizar directamente os países pobres da região e os seus trabalhadores – os PIGS, os preguiçosos e, na linguagem de Passos Coelho, os “piegas”. Foi assim como amarrar um tipo e, depois, acusá-lo de não sair do sítio. No essencial, enfim, tratou-se de encobrir a fraqueza do sistema.

A estratégia foi facilitada, há que mencioná-lo, com a derrota do domínio soviético que não teve a mesma habilidade ou capacidade de sobrevivência à crise mundial dos anos oitenta. Mas também é verdade que o processo gerou de facto um nível de desenvolvimento económico e de vida das populações que deixou a experiência do “socialismo real” sem argumentos convincentes para defender-se, resistindo apenas, politicamente, na medida da repressão interna.Se a derrocada soviética abria espaço, aparentemente, para a expansão dos interesses da União Europeia, já os interesses nacionais e até as raízes do socialismo – os interesses da classe trabalhadora - continuavam a opor-se às suas pretensões desmesuradas. E para arrefecer ainda mais a ambição da nova europa, assiste-se com pasmo à rápida emergência de novas potências, os BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China).

Nada que leve a entornar o caldo da UE quando a sua missão evangelizadora pode manter-se intacta. Afinal, nada disto põe em perigo o capitalismo e a hegemonia dos países do Norte da Europa. Pelo contrário, a chegada da China ao casino vem até reforçar o prestígio do sistema. Mais, vem até favorecer as políticas de degradação das condições de remuneração e trabalho dos europeus – muito conveniente!.

Até que, de repente, alguém repara nos cadáveres apinhados pelas ruas, isto é, nas filas de desempregados, nas filas de empresas falidas, nas filas de casas à venda, nas filas de pobres envergonhados…, e pergunta: e agora quem é que compra os produtos que nós temos para vender, quem é que deposita as suas poupanças nos nossos bancos, quem é que paga os nossos juros, quem é que paga impostos?

Ufa, estas reflexões deprimem-me. Que diabo, nós não estamos em 1929. Para esquecer tudo, entro no hotel mais alto de onde espero desfrutar  uma vista relaxante, e peço um quarto no último andar. O empregado, com irrepreensível  profissionalismo, quer saber:
- É para dormir ou para se atirar da janela?

Só então compreendi que, afinal, há uma solução para a crise do capitalismo.

(1) Março 2012 TVI – Programa “Olhos nos Olhos” 

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Greve contra o mêdo

Para imaginar o futuro da europa e do mundo, no ano 2012, faz-se aqui um exercício despretencioso a partir das expectativas eleitorais em países influentes.

No domínio da União Europeia ocorre-me que haverá eleições em França em 20 de Maio, onde François Hollande tem fortes probabilidades de ganhar ao recandidato Sarkozy

Nas sondagens actuais, Hollande está com 30% de votos e Sarkozy está com 23%. Seria o Partido Socialista a substituir o partido conservador chamado “União por um Movimento Popular”, resultado que não cairia mal embora se saiba o que são estas alternativas no contexto actual. Apesar de tudo, talvez fosse um amaciador para a arrogância de Merkel, sobretudo quando a subserviência à chanceler começa a ter alguma resistência na União Europeia.

Fora da União, o país com mais influência é certamente os Estados Unidos da América. Com eleições presidenciais apenas em 6 de Novembro que trarão a reeleição de Obama, nada faz antever grandes novidades. O país estará empenhado em gerir um orçamento menos ambicioso do que estava habituado, e preocupado com a gestão de danos na política internacional.

Na Rússia, já a 4 de Março, é dado como certo que Medvedev dará lugar a Putin. As sondagens nesta altura indicam que este terá mais de 60% dos votos, o que deixará o líder do Partido Comunista Ziuganov afastado apesar de uns significativos 15%. A dupla Putin-Medvedev segue, portanto, o caminho que vem traçando.

Continuando a falar de eleições, vale a pena trazer a esta reflexão a Venezuela onde Hugo Chavez tem praticamente assegurada a vitória em 7 de Outubro, contra o candidato da “Mesa Unida” que reúne toda a oposição. A Venezuela apresenta especialmente duas facetas interessantes no panorama mundial: a riqueza em petróleo e a liderança de um movimento importante da América do Sul, assente na “integração” de todos os países da região centro-sul americana num projecto independentista e de desenvolvimento.

Tanta estabilidade no mundo é ilusória, como se sabe. Não basta garantir a alternância social-democrata no jogo eleitoral da Europa e dos EEUU, para acalmar os povos. É preciso garantir condições de vida. E isso está ameaçado pela aventura em que uns e outros se meteram. Ameaçado e comprometido. Donde a alternância de estilos já não segura os interesses do mundo capitalista.

Para complicar bastante as coisas, a aliança de interesses que junta a Rússia com a China, a Síria e o Irão, colocam limites à sede de hegemonia dos tradicionais donos do mundo. E uma nova guerra-fria entre estes e os EEUU, não deixam a Europa tranquila.

Será que voltamos ao “equilíbrio do terror”, no plano mundial, e à “segurança” das ditaduras, no plano político?  Ou fazemos uma greve geral… contra o medo de mudar a sério?

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Pero...

«El Gobierno español tiene un “compromiso absoluto” con el recorte presupuestario. Pero considera un suicidio pasar de un déficit del 8% del PIB en 2011 al 4,4% este año (lo que supone un tremendo tijeretazo, de unos 40.000 millones), tal y como marca el calendario aprobado por la Comisión Europea. Tras amagar varias veces con un golpe parecido, el Ejecutivo ha diseñado ya una estrategia encaminada a presionar para que esa cifra se renegocie.

(...)12 países, entre los que están Italia, Reino Unido y España suscribieron el lunes una carta que supone una especie de desafío a la posición alemana respecto a que los recortes deben anteponerse a la reactivación económica. Monti, el inspirador de esa misiva, ha asegurado que si incumple sus objetivos de déficit como consecuencia de una recesión más profunda no planteará un nuevo paquete de austeridad».
(El Pais 2012-02-22)

Pero…
Alemania, Francia y Portugal no subscrevieron!

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Porque hoje é domingo (13)

Naquele dia, chegou e disse: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2, 5). O povo ficou frustrado e os doutores ficaram indignados. O que se esperava era que a Troica perdoasse a dívida, não os "pecados"; que curasse Portugal da paralisia, da demagogia política, da corrupção, e não da "preguiça" dos trabalhadores.

Neste episódio, o evangelista Marcos revela a verdadeira natureza da trindade (FMI, BCE e CE) que é mais espiritual do que física, mais psicológica do que material, mais política do que económica. «Quem me vê, vê o Pai», diz o senhor do FMI. E com isto queria significar que ele era a autoridade, o que manda, o que dispõe sobre o futuro das suas ovelhas e dos seus... carneiros.

Habituados a ouvir que a Trindade tinha poder para curar os enfermos, para os salvar, os portugueses puseram aí a sua fé. Esperavam milagres. Mas tiveram que compreender, uns cedo e outros tarde, que tudo o que a Troica lhes trazia era uma via-sacra que conduzia à crucificação.

NOTA:
“Troica” é um aportuguesamento de “troika” que em russo significa um carro conduzido por três cavalos

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Deslocalização geo-trágica

RTP. “Radiotelevisão Portuguesa” - para que não haja dúvidas. Creio que já falei da forma imbecil como foi tratado o Fernando Pessa antes de sair da empresa apesar de todos os louvores públicos: um dia chegou à Redacção e tinha a secretária encostada a uma parede como se encosta um caixote de lixo.

Não vou falar agora do "open-space" no 5º andar da 5 de Outubro, a que eu chamava o espaço dos sem-abrigo. Apesar de ter que levar com o D.O. a pavonear-se pelo salão, de telemóvel na mão para que toda a gente o visse e ouvisse, foi meu privilégio partilhar aquela feira da ladra com figuras gratas como o discreto Joaquim Furtado a falar baixinho pelo telefone fixo (o telefone e ele) com testemunhas e autoridades ligadas ao seu documentário sobre a guerra colonial, ou o inigualável Carlos Santos Pereira, sempre justo nas suas desbragadas críticas às autoridades pardas.

RTP. Administrações do bloco… central PSD/PS. Estava em curso o “saneamento” de trabalhadores do Lumiar. Já não eram critérios ideológicos como pode ter sido o meu caso uns tempos antes. Agora bastava que não satisfizessem o gosto de algumas chefias de direito ou de facto. Agora bastava que fossem um obstáculo aos carreiristas políticos e aos… (Ok, a partir daqui corro o risco de não haver provas, quando muito testemunhas amedrontadas).
Eu via-os chegar, via-as chegar, condenadas a passar oito horas por dia numa sala mais ou menos deprimente a esvaziar dossiers, resmas de papéis inúteis, para… tirar os agrafes! Eram profissionais dos mais competentes até então em funções operacionais raras. Os seus nomes constavam e constam de muitas fichas técnicas de programas exigentes de televisão. (Por aqui me fico para não correr o risco de prejudicar ainda mais alguns deles que possam continuar a trabalhar na empresa).

Depois fui ouvindo de trabalhadores de outras empresas, como isto era um método que se praticava na "gestão de pessoal" em muitos outros locais.

Mas o que eu queria dizer é que sei bem o que são “deslocalizações voluntárias” e “rescisões amigáveis”, reestruturações e flexibilizações. Era só isso que eu queria dizer.

NOTA: Dêmos de barato o pleonasma em curso, "deslocalização geográfica".

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"Inimigo" ao meu serviço

Na passada sexta-feira, 2012-02-10, decorreu em Havana um encontro de Fidel Castro com mais de cem intelectuais de 22 países que se fazem representar na Feira Internacional do Livro, de Cuba.
Ali intervieram alguns desses estrangeiros, com perguntas e comentários. Entre eles, um elemento que se deslocava da Tunísia mereceu a Fidel Castro especial atenção. Depois do ex-presidente de Cuba fazer, ele próprio, algumas perguntas sobre o país norte-africano, o tunisino reconheceu que não sabia responder a algumas das questões de natureza económica mas disponibilizou-se para fazer chegar a Fidel Castro, em poucas horas, as informações que pedia.

Se já era ridículo que Fidel fizesse perguntas que facilmente se esclarecem com uma simples consulta no Google ou na Wikipedia, mais se tornou quando Fidel Castro, depois de vários alertas sobre o poder conspirativo da Internet, perguntou com ironia se o outro mandava a resposta … pela Internet.

Desta mesma sessão vale a pena contar outra passagem. Aquela em que o interlocutor chamava a atenção de Fidel Castro ou por seu intermédio, para que não é prestigiante para os meios de comunicação “progressistas”, nomeadamente a Telesur, simplificar a crítica aos meios opositores usando o método de inverter simplesmente o ponto-de-vista destes. É que, segundo o participante, por vezes o inimigo usa algumas verdades a fim de tornar credível a mensagem, e então o efeito da simples negação torna-se perverso.

Chama-se a isto, na minha terra, "ensinar o padre-nosso... ao vigário".

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Onde está a Democracia?

Sem concessões a regimes formalmente autoritários, mas a propósito da Grécia, de Portugal, das conversas ao ouvido e dos mansos que se acomodam muito bem aos sacrifícios desiguais...


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Quem julga os juízes ?

A corte suprema espanhola declarou Baltazar Garzón culpado do prevaricação, e condenou-o a 11 anos de incapacitação para o exercício da sua profissão, por ter ordenado escutas às conversas que mantiveram na prisão o réu e advogados do caso Gürtel, em que Garzón investigava uma rede de corrupção financeira… afecta a antigos altos cargos do Partido Popular!

Segundo o juiz Garzón « … Esta sentencia, sin razón jurídica para ello ni pruebas que la sustenten, elimina toda posibilidad para investigar la corrupción y sus delitos asociados abriendo espacios de impunidad y contribuye gravemente, en el afán de acabar con un concreto juez, a laminar la independencia de los jueces en España …»


Enquanto Carme Chacón, do PSOE, comentava “Algo falha, neste país!”, Esperanza Aguirre, do PP, dizia que “hoje é um dia muito alegre para o estado de direito e para a Democracia”.

Enfim, se existe objectividade e rigor nos tribunais – o que é discutível quando vemos juízes a condenar métodos de outros juízes – já em política a coisa parece mais subjectiva. E aqui aparece a dúvida: será este um caso eminentemente jurídico ou político?

Não há-de ser impunemente que se leva Pinochet a tribunal, que se investigam as torturas durante a ditadura na Argentina e que se investigam os crimes do franquismo.

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Eles compram países

O problema da dívida soberana dos países da União Europeia, já não é uma questão financeira, é uma questão política e social.

Os grandes credores representados pela “Troica” não se limitam a exigir o pagamento dos empréstimos… e dos juros; exigem mudanças na legislação e na cultura dos países, exigem perda de soberania e degradação da vida dos cidadãos. Não são credores, são ocupantes.

A proposta de criar um comissário internacional para acompanhar as medidas tomadas pelos governos nacionais, não é uma fantasia passageira, é um elemento coerente com o papel que a "troica" se reserva.


Alguns aceitarão a justificação de que os credores têm o direito de controlar a forma como os países estão a garantir o pagamento das suas dívidas… e dos juros. Alguns aceitam tudo. Mas é altura de nos perguntarmos se os credores não têm responsabilidade na avaliação dos riscos que correm quando emprestam dinheiro. Porque não desconfiaram dos países, antes de lhes emprestarem o dinheiro? Porque aceitaram correr riscos de incumprimento?

Eles podem não recuperar algum do capital emprestado, ou não cobrar todos os juros que estabeleceram, mas com esse preço estão a submeter as economias e as políticas, os governos e as soberanias dos países devedores, estão a comprar barato a independência das nações e os seus recursos próprios. Tudo sem ter que dar um tiro. Nem receber.

Afinal eles não emprestam dinheiro, eles compram países!
Assim vale a pena "correr riscos" !

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As vistas curtas da Direita

O jovem Marco António, feito secretário de Estado da “Solidariedade e Segurança Social”, do PSD, afirmou que o Governo "não aceita lições de moral" da Esquerda sobre "sensibilidade social" pois foi com este Governo que se "falou de economia social pela primeira vez desde o 25 de Abril ".

O menino Marco nasceu para Portugal há meia dúzia de anos, logo, não sabe do que fala.

O Marco finge que não enxerga à esquerda para além do PS, logo, não fala do que sabe .


O senhor Marco António Costa, desde que caíu no salva-vidas em que navega, está em segurança... pessoal, ao lado dos seus irmãos adoptivos - e nem estou a falar da Maçonaria. Para trás fica um barco encalhado na dívida soberana, tombado nas águas revoltas, arrombado pelas políticas liberais, e as suas vítimas indefesas.

Desemprego e empobrecimento é tudo o que se pode esperar da "solidariedade e segurança social" do Governo de Marco António. E palavras.

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Vai uma bala, amigo?

O recém-empossado presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), Vasco Graça Moura, fez distribuir ontem à tarde uma circular interna, na qual dá instruções aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico e para que os conversores – ferramenta informática que adapta os textos ao Acordo Ortográfico – sejam desinstalados de todos os computadores da instituição.


A propósito e em homenagem sincera à decisão de Vasco Graça Moura, conto um episódio relacionado com as diferenças entre o português de Portugal e o português do Brasil.

A amiga Paula Oliveira, brasileira, professora na Universidade de S. Paulo, estava em Lisboa com uma amiga para fazerem um “pós-doc”. O  trabalho da Paula era sobre Filosofia com Crianças e o trabalho da outra amiga estava relacionado com educação para crianças em espaços problemáticos.

À parte da amizade, nada me ligava a elas pelo que a minha colaboração para o pós-doutoramento se limitava a orientá-las nas ruas de Lisboa e a trocar dicas sobre as diferenças de vocabulário entre o Brasil e Portugal. Foi assim que aprendi que sumo é “suco”, chávena é “xícara”, caixa é “boceta e rebuçado é “bala”. Que cueca é “calcinha” já eu sabia das telenovelas, ?

No âmbito do seu trabalho, elas quiseram participar numa actividade que estava a ser desenvolvida com crianças no bairro da Cova da Moura, conhecido sobretudo por ser um espaço problemático onde a droga circula com mais facilidade do que as pessoas, segundo consta.

Acompanhei-as de táxi. Os motoristas não aceitam geralmente fazer serviços para ali mas nós pedimos que nos deixasse num ponto da estrada que ficava perto. Ainda assim o motorista exprimiu o seu medo, através de maus modos e interjeições ilegíveis. Interjeições e maus-modos que se foram acentuando no percurso. As relações estavam tensas e todos percebemos que o silêncio seria a melhor forma de chegar ao fim da viagem.

 Eis senão quando, saído do silêncio pacificador, a amiga da Paula abre um saquinho de rebuçados e dirige-se ao motorista com esta:
- Você quer bala?

Agora sim, um silêncio sepulcral caiu sobre aquelas quatro almas até o carro parar no ponto combinado, pagarmos e sairmos sem mais “chus nem mus”! Ou “bus”?

Nota final:
Na sequência desta notícia, a Secretaria de Estado da Cultura (SEC), a cargo de Francisco José Viegas, assegurou hoje que aplica o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em todos os seus organismos.
Suponho que o Francisco J. Viegas terá escrito: "Eu tô nem aí"

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