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2024/01/21

Porque hoje é domingo (138)

A religião é uma forma de exercer a política. Fá-lo sem escrutínio democrático – é dogmática. E quando o faz sem exército próprio, apoia-se num exército aliado.

No domínio da retórica, segue os mesmos padrões da política - ou esta segue os padrões da religião: um discurso cheio de formalismos e promessas vãs

“Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: ‘O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!’ Convertei-vos ao meu partido e acreditai nos meus dirigentes – diz-se em política. Vale aquela outra citação bíblica: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7,16). Quem diz uvas e figos, diz democracia e progresso; quem diz espinheiros e abrolhos, diz chegueiros e parceiros.

“Pelos frutos os conhecereis”. O problema é que, nessa altura, já muito esforço e recursos foram gastos e perdidos.

2023/03/17

Lagarde e assim

Lá vem a Lagarde
Toda sorridente
Decide a pobreza
Para muita gente
No salão dourado
Evidente mente.

Lá vai a Lagarde
Feliz e contente
De boca fechada
Não lhe caia um dente.

À noite adormece
A sua consciência
Certa de que o Povo
Tem muita paciência

Sonha com Zelensky
A matar Putin
E o Banco Central
No centro de Pequim

E assim…

2019/09/29

O medo em política


Se “a fé move montanhas”, é algo que nunca se provou. O que está provado é que o medo, esse sim, pode mover montanhas de votos. Foi assim com a queda eleitoral dos partidos de direita que integraram o governo de Passos Coelho. Que este tenha aprendido à sua custa, digamos assim, a importância do medo no processo eleitoral, pretendendo utilizá-lo na ameaça sobre “a vinda do diabo”, não surtiu o efeito pretendido porque encontrou nos cidadãos uma enorme desconfiança – o medo de serem enganados!

O medo da maioria absoluta do PS, o medo do radicalismo do BE, o medo do comunismo do PCP, o medo de perder as reposições de rendimentos, o medo!, é talvez o mecanismo  mais recorrente da estratégia política . Outra coisa é saber geri-lo.

Não há nesta constatação uma censura ao sentimento do medo, muitas vezes legítimo e até prudente, mas há que ter em conta que este sentimento é explorado no discurso político (não mais que na estratégia militar e muito menos que na estratégia religiosa) como instrumento de manipulação sobretudo em contexto eleitoral. Isto é: há que ter medo dos nossos próprios medos assim como duvidar dos exageros da fé. 


2018/12/30

Faço votos

Faço votos para que se fale mais do México em 2019. E que não seja apenas a propósito do muro de Trump.


Neste sentido transcrevo o seguinte:

«MÉXICO ROMPE COM O NEOLIBERALISMO

O discurso de Lopez Obrador no dia 1 de Dezembro (2018)marca uma ruptura com o neoliberalismo que devastou o México nas últimas décadas. Pronunciado na Praça do Zocalo, na presença de dezenas de milhares de pessoas e durante mais de duas horas, o novo presidente mexicano reafirmou as suas ideias quanto à regeneração do México, ao combate à corrupção e à governação junto com o povo e não contra ele».


(Imagem de Globo.com)

2017/08/16

O mito da imparcialidade

Os partidos de esquerda não seriam bem mais agressivos contra o Governo se este fosse de direita? – perguntam recorrentemente os jornalistas a propósito disto e daquilo.

A pergunta pode ser pertinente mas a resposta, digo a resposta adequada é óbvia: “claro que sim!”

A razão está em que uma coisa é criticar os erros de um governo que genericamente prossegue uma política louvável e outra coisa seria criticar um governo que genericamente prossegue uma política reprovável.

Será preciso um desenho para explicar?

2012/03/30

Há riscos - dizem eles.

Finalmente as artes têm lugar no discurso político.
Vamo-nos habituando a ouvir os governantes dizerem que a política seguida é boa mas "há riscos". E eu penso em Nadir Afonso (em cima) e Vieira da Silva (em baixo).

2012/01/26

Adivinha

Quem disse:
“Quando me apercebi de que o navio estava inclinado, fui-me” ?

A. Guterres, primeiro-ministro português, em 2001?
Durão Barroso, primeiro-ministro português, em 2004?
José Sócrates, primeiro-ministro português, em 2011?
Francesco Schettino, comandante do navio Concordia, em 2012?

2011/11/27

Porque hoje é domingo (11)

A passagem do Evangelho invocado neste dia pela Igreja Católica (Marcos 13, 33-37) apela à vigilância: «Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento».

Manifestamente, estas palavras são dirigidas aos banqueiros e capitalistas em geral, no sentido de preveni-los para o juízo final em que terão de responder por todas as malfeitorias que fizeram ou mandaram os governantes de direita fazer.

Mas também há quem interprete de outra maneira. A mensagem seria dirigida aos espoliados para que estejam atentos à oportunidade que tanto desejam de “mudar de paradigma” e não se deixem adormecer pelos comentadores nem se deixem embriagar pelos políticos no poder.

Mas é o próprio Jesus que esclarece:
- O que vos digo, digo a todos: Vigiai!

Que as razões de uns e outros sejam diferentes, não é preciso que Deus perca tempo a dizê-lo. Que a oportunidade seja aquela ”em que estejam reunidas as condições objectivas e subjectivas necessárias”, já esclareceu Karl Marx.

Mas porque nem um nem outro sobreviveram à “esperança de vida” do seu tempo, não tenho que ser eu a completar a tese. As condições objectivas estão aí todos os dias nas páginas dos jornais, nos noticiários da rádio e da televisão.

As condições subjectivas, isto é, o grau de descontentamento e a vontade de arrasar o muro, a gota de água que fará transbordar a taça dos sacrifícios, aquele grau de calor que fará a água em vapor, há-de resultar da força de cada um de nós em gestos consequentes.


Voluntários, precisa-se! Para encher a taça, para aquecer a água... e para iluminar o caminho. É preciso gente de coragem porque “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”, como se lê neste domingo (Mc 14,17). Isto é, porque a razão pede acção mas o medo impede.

Este é o primeiro Domingo do Advento – diz a Igreja cristã. Tempo de expectativa com a vinda do “Salvador”. Que Deus a ouça!