Cuba reprime liberdade de informação

21NOV2009
Enquanto escrevo este post, a polícia cubana persegue Yoani Sanchez e outros numa acção intimidatória e repressiva violenta contra a liberdade de opinião e de informação. (Detalhes AQUI)

Yoani Sánchez é uma jovem cubana que criou e mantém um blogue a partir de Havana. Foi escrevendo muitos artigos (post) sobre coisas aparentemente banais do dia a dia, tal como acontece com grande parte dos blogues em toda a parte. Era inevitável e certamente intencional que aqueles textos fossem dando conta das dificuldades com que vive a população e os modos como o regime lida com isso.

Num país onde “a falta de papel obriga” a que haja apenas jornais do Governo, este blogue foi-se tornando numa espécie de “jornal de parede” inacessível à polícia. Não pelo caracter que a autora lhe dava, tanto quanto fui apreciando, mas pela afluência de comentários que às centenas, aos milhares afluiam de outros tantos cubanos e cubanas entusiasmados com a oportunidade de exprimir as suas experiências e opiniões.

O que assim se foi construindo, pela pressão das circunstâncias e que Yoani decerto não imaginaria à partida, foi um documento onde fica registada a realidade cubana e o modo como é sentida pela população – testemunhos espontâneos, não organizados, não controlados.

Nada disto foi pacífico. Decorrem acções repressivas. Mas o fenómeno ganhou uma dimensão e uma projecção mundial que tem inibido o regime de aplicar punições ainda mais graves... até agora.


Yoani sentiu-se animada a propôr duas entrevistas, uma a Obama e outra a Raúl Castro, colocando perguntas no mesmo sentido, isto é, no sentido de aproximar aqueles dois presidentes de uma solução para as relações entre os dois países. Em qualquer país democrático, trata-se uma iniciativa jornalística ou, se quiserem, pessoal, sobre a qual não recai qualquer censura e muito menos acusação criminal.

Barack Obama já respondeu às perguntas, o que está publicado NESTE POST que reune, além disso, 151 comentários na altura em que escrevo este artigo. Raúl Castro “ainda” não respondeu mas as perguntas também estão publicadas AQUI.

Claro que nesta fase já não há ninguém ingénuo ou desinteressado na forma como lida com o assunto, desde o aproveitamento discutível de Obama até ao distanciamento discutível de Castro, passando pela iniciativa de Yoani. Tampouco se desconhece que, aqui como em todo o lado, os partidários do regime e os opositores fazem o seu papel.


Mas nada disso desmente os factos nem desqualifica o trabalho de grande mérito e coragem da jovem autora de Generation Y. Um trabalho histórico e que o é muito especialmente para a História da Internet quando alguém a escrever.

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1 Comments:

Blogger intimidades said...

Os meus parabens, a realidade precisa de ser mostrada, e entendida, as vezes temos preguica, ou nao nos e comodo entende-la, vai dai teriamos de fazer algo, mais vale nao entender.

Porque sera que regimes comunistas totalitarios, teem tanto medo da liberdade de expressao? Sera porque se somos todos "iguais" na sociedade ningum pode reclamar desigualdades, nao gostam de ouvir que o sistema falhou? ou sera que teem medo de perder o poder?

Jokas
Tem um fim de semana malandro

Joaks
Paula

21 novembro, 2009  

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