Conversa privada

sobre liberdade de expressão


O PM de cu para cima está metido de cu para baixo num processo de cu para cima sobre a compra de cu para baixo de um canal de cu para cima de televisão de cu para baixo.


Era assim (mutatis mutandis) que brincava a "canalhada" da minha infância quando a Televisão era ainda uma coisa de que se falava que havia na América... E também quando ela veio para o Café Novo Mundo ali à esquina de Costa Cabral com a Rua das Mercês, que era lá que eu via esse mundo novo, isto é, eu na rua, a televisão lá dentro e os vidros pelo meio a demonstrar o que a vida profissional me confirmaria mais tarde: que o som é o aparente pobre do audio-visual.

De vez em quando éramos enxotados porque dava mau aspecto a canalha ali a espreitar para dentro do café... Uma relação de amor-ódio que se manteria muitos anos mais tarde quando fiz da televisão a minha profissão.

Amor-ódio porque escolhi um emprego onde ganhava quase metade do que poderia ganhar noutro sítio, porque tive oportunidade de seguir jornalismo de que tanto gostava mas renunciei para não ser cúmplice da Censura; porque lutei romanticamente pela democracia, lá dentro, mas sacrifiquei aspectos importantes da vida particular; porque escolhi o caminho da solidariedade e fui rastejado muitas vezes pelo oportunismo. Porque conheci as tripas das vedetas, a indignidade dos vendidos e a injustiça dos "maquiaveis à moda do Minho". Não fui um caso raro, decerto, mas dou o meu testemunho.

É a televisão política, a televisão que faz brilhar ou apagar partidos e figuras políticas, que cria presidentes da República.

Ouço queixas do PSD e do PS sobre o controlo das estações de televisão, e é tanta a hipocrisia, é tal o cinismo sobre isenção de cu para cima e transparência de cu para baixo, que já não há... paciência.


O que fizeram eles e de que forma mais escandalosa, desde 1974, senão usurpar a Televisão, desde as nomeações de quadros a todos os níveis,até à atribuição fraudulenta dos canais, assentes em critérios e acordos políticos?! Uma sujeira de que o PS de Mário Soares foi o campeão, há que ser justo. Uma gestão mafiosa que fez escola como se tem visto nas polémicas sobre os “isentos” Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, e no que não se vê mas que faz os conteúdos da informação e da programação.
Um charco que aconselharia algumas figuras mais credíveis a não chafurdar muito para não se sujarem. E a aceitarem o seu “divórcio” profissional com a mesma facilidade com que aceitaram o seu “casamento”, deixando para o público o juízo social.

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