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2010/02/09

Conversa privada

sobre liberdade de expressão


O PM de cu para cima está metido de cu para baixo num processo de cu para cima sobre a compra de cu para baixo de um canal de cu para cima de televisão de cu para baixo.


Era assim (mutatis mutandis) que brincava a "canalhada" da minha infância quando a Televisão era ainda uma coisa de que se falava que havia na América... E também quando ela veio para o Café Novo Mundo ali à esquina de Costa Cabral com a Rua das Mercês, que era lá que eu via esse mundo novo, isto é, eu na rua, a televisão lá dentro e os vidros pelo meio a demonstrar o que a vida profissional me confirmaria mais tarde: que o som é o aparente pobre do audio-visual.

De vez em quando éramos enxotados porque dava mau aspecto a canalha ali a espreitar para dentro do café... Uma relação de amor-ódio que se manteria muitos anos mais tarde quando fiz da televisão a minha profissão.

Amor-ódio porque escolhi um emprego onde ganhava quase metade do que poderia ganhar noutro sítio, porque tive oportunidade de seguir jornalismo de que tanto gostava mas renunciei para não ser cúmplice da Censura; porque lutei romanticamente pela democracia, lá dentro, mas sacrifiquei aspectos importantes da vida particular; porque escolhi o caminho da solidariedade e fui rastejado muitas vezes pelo oportunismo. Porque conheci as tripas das vedetas, a indignidade dos vendidos e a injustiça dos "maquiaveis à moda do Minho". Não fui um caso raro, decerto, mas dou o meu testemunho.

É a televisão política, a televisão que faz brilhar ou apagar partidos e figuras políticas, que cria presidentes da República.

Ouço queixas do PSD e do PS sobre o controlo das estações de televisão, e é tanta a hipocrisia, é tal o cinismo sobre isenção de cu para cima e transparência de cu para baixo, que já não há... paciência.


O que fizeram eles e de que forma mais escandalosa, desde 1974, senão usurpar a Televisão, desde as nomeações de quadros a todos os níveis,até à atribuição fraudulenta dos canais, assentes em critérios e acordos políticos?! Uma sujeira de que o PS de Mário Soares foi o campeão, há que ser justo. Uma gestão mafiosa que fez escola como se tem visto nas polémicas sobre os “isentos” Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, e no que não se vê mas que faz os conteúdos da informação e da programação.
Um charco que aconselharia algumas figuras mais credíveis a não chafurdar muito para não se sujarem. E a aceitarem o seu “divórcio” profissional com a mesma facilidade com que aceitaram o seu “casamento”, deixando para o público o juízo social.

2009/09/01

Guantánamo entre nós

Um artigo de Mário Crespo (JN 31 JUL 2009) abanou em mim algumas ideias e é bem possível que abane outros. Por isso e por mais, tomo a liberdade de transcrever uma passagem a seguir.

Com os meus cumprimentos ao autor de quem recordo com respeito os penosos passos perdidos pela 5 de Outubro durante o seu conflito com a RTP.

... «Sabe-se que Portugal participou nesse horror. Não se sabe até que ponto. Será esta concessão de asilo uma forma de pagamento a Washington pelo silêncio? Pode muito bem ser. Os americanos, seja qual for a administração do momento, são impiedosos e oportunistas nestas questões.

Claro que a obrigação do governo de Obama era encerrar o campo de concentração de Guantanamo ressarcindo as vítimas e acolhendo-as no seu próprio território se elas assim o desejassem. Mas não, a América de Obama decidiu tratar os indesejáveis que raptou e que "militam em organizações radicais" como trata resíduos tóxicos. É mais cómodo e barato mandar para o outro lado do mar do que assumir responsabilidades.
Assim, este acolhimento não é resultado de uma preocupação humanitária do Governo de Portugal. Houve, tudo o sugere, oportunismo e conveniência de parte a parte.

Como cidadãos, temos o direito de saber tudo sobre esta transacção. Há mais. Na noite de sexta-feira, ao noticiar a chegada a Lisboa dos dois sírios, a Rádio France não referiu o Governo de Portugal. Disse que a vinda dos detidos era resultado de um "acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos". Esta sucinta maneira de descrever o que se está a passar ilustra a transferência real de soberania dos governos portugueses para os seus credores e patrões em Bruxelas e Washington. De dívida em dívida as exigências são já imposições».

A foto acima foi "surripiada" do blogue «Praça Stephans» num POST de Dez de 2008 que vale a pena ler.