Vote. Ou cale-se para sempre!


Porque hoje é dia de reflexão, aqui fica a minha contribuição.

Pelo direito ao voto livre, democrático, o general Humberto Delgado sacrificou a vida – ele que vinha das hostes da ditadura salazarista. Pelo direito ao voto e à democracia, milhões de homens, ao longo da História, sacrificaram carreiras profissionais, sacrificaram a harmonia familiar, sacrificaram a sua liberdade individual, sujeitaram-se à clandestinidade e à prisão, à tortura, à morte.

Se mais não fosse, por estas razões, nenhum homem, nenhuma mulher tem o direito moral de desprezar as eleições.

Outra coisa é manifestar o seu protesto contra a organização ou o funcionamento do Estado, contra a incompetência ou a hipocrisia ou a crueldade dos políticos, mesmo que entenda generalizar esse juízo. Que para isso tem o voto em branco ou o voto nulo.

O voto em forças minoritárias que representam uma oposição clara e radical aos partidos mais fortes, seria outra forma de protesto.

Mas abster-se arrogantemente, não revela inteligência nem autoridade moral. Pelo contrário, revela desprezo pelo regime democrático ganho com o sangue dos seus antecessores; contribui, objectivamente, para a restauração de regimes autoritários. Triste ideia de superioridade.

Futuramente, quando as decisões fiscais, laborais, económicas, sociais ou políticas voltarem para atormentar a sua vida ou a sua consciência, não se queixe, cale-se. E cale-se para sempre!

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