Matriz populista

De Hitler a Estaline, de Péron a Fujimori, de Marine Le Pen a Donald Trump, e outros, o populismo não é mais que personalismo e autoritarismo - o que importa é o líder, não a lei.

O populismo vai buscar a sua legitimidade à "vontade popular" que mais não é do que a convicção incutida nas massas por meios retóricos, e assenta o seu funcionamento num sistema unipartidário de facto. É uma forma de ditadura consentida, um regime em que a fé dos cidadãos nas promessas do caudilho dispensa liberdades e direitos.

Lá onde as estruturas convencionais e democráticas se mostram incapazes de satisfazer os anseios das populações, o messianismo emerge para adiar o desespero. Lá onde a corrupção descredibiliza a "classe política", o messianismo emerge para tomar conta do Poder.

GÉMEOS POPULISTAS

«Considera-se que, não sendo estadista mas o líder de uma empresa cujo único objectivo é manter os equilíbrios precários dentro da sua coligação, Fulano não se apercebe de que à segunda-feira diz uma coisa, e à terça diz precisamente o contrário; que, não tendo experiência política nem diplomática, é dado a gafes; que fala quando não deve falar; que deixa escapar afirmações que é obrigado a negar no dia seguinte; que confunde os assuntos privados com os públicos a tal ponto que já se permitiu fazer gracejos de péssimo gosto sobre a sua própria esposa na presença de ministros estrangeiros – e assim por diante.

Neste sentido, a figura de Fulano predispõe-se à sátira; os seus adversários consolam-se muitas vezes pensando que ele perdeu o sentido das proporções, e esperam que Fulano vá correndo atrás da sua própria destruição sem se dar conta».

Não, o Fulano a que se refere Umberto Eco no texto acima, não é Trump, é Berlusconi. E o texto é datado de 2006!
(A Passo de Caranguejo, Ed. Gradiva).

A propósito: já repararam como ambos, Trump e Berlusconi, dominam a Televisão? E como ambos se escondem atrás de um sorriso permanente - um encenado optimismo?



Dir-se-ia que há qualquer coisa de politicamente genético no populismo. Mas não se trata de uma corrente ideológica, trata-se de uma técnica, trata-se de mimética. Trata-se de um método de comunicação inspirado na experiência de vendedor, como Eco refere em relação a Berlusconi e poderia agora referir em relação a Trump se o filósofo não tivesse falecido um ano antes de Donald Trump ser eleito para presidente dos Estados Unidos da América.

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