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2018/07/16

A estupidez

"Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez do ser humano, mas não estou seguro sobre o primeiro". 



Não é por ter sido Albert Einstein a dizê-lo, é porque esta ideia me anda a zumbir no cérebro a cada passo. Saio à rua e confronto-me com transeuntes estúpidos, condutores estúpidos, comerciantes estúpidos, empregados estúpidos, médicos estúpidos. 

Há um grupo social que costuma ser menos estúpido do que os restantes: os políticos! Infelizmente é pelas piores razões: porque a animosidade  dos seus clientes e o escrutínio dos seus concorrentes os obriga a cuidarem permanente das palavras e das acções - é daqui que nasce o conceito de "politicamente correcto". Mas é indisfarçável que até na política há excepções, uma pelo menos, como se revela em Donald Trump. 

Para ser rigoroso, no entanto, deveria analisar com objectividade se não há uma lógica de fundo nas suas posturas estúpidas. Quanto mais não seja a ideia de que o que importa não é dizer a verdade mas sim "as verdades" que a clientela quer ouvir. Ressalve-se que a clientela é a que forma a opinião pública e não a opinião publicada - nunca é demais lembrá-lo.

2018/04/01

Porque hoje é domingo (94)

Que perigo representava Jesus para as autoridades da época, que as levou a persegui-lo até à morte? Afinal, profetas como ele que se diziam ser o Messias anunciado no Antigo Testamento, havia e houvera muitos. E ele nem sequer ambicionava tomar o poder – o poder político, entenda-se. Ou sim?

Cabe lembrar que já naquela altura a Palestina lutava contra um ocupante – não Israel, como agora, mas o Império Romano. E que Jesus nasceu na pátria ocupada.

Jesus, com mais legitimidade do que Trump, dirigia-se para Jerusalém, no dia que hoje se celebra, sendo então proclamado Rei. Não é de estranhar que isto tivesse um significado político se nos lembrarmos que o rei David, de quem Jesus era descendente, a seu tempo conquistou Jerusalém! – a fazer fé no que diz a Bíblia.

Se existe uma cidade que possa designar-se capital da violência religiosa, talvez seja Jerusalém. Donald Trump, esse profeta apocalíptico tal como Jesus e João Baptista, proclamou por estes dias, ele próprio, que Jerusalém é capital de Israel.

Esforça-se a Igreja em interpretar que no caso de Jesus se tratava de um reinado meramente espiritual – o reino de Deus. Um Jesus político destinado a resgatar a independência dos judeus, como sugere a inscrição que será afixada sobre a sua cruz “JNRJ” (Jesus Nazareno Rei dos Judeus), entraria em contradição com a sua afirmação “a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”. Isto para já não falar do descontentamento que causaria aos republicanos (futuros) a ideia de que o Filho de Deus era monárquico...

Fosse por razões políticas ou religiosas ou ambas, andavam os sacerdotes e os escribas atarefados em perseguir Jesus. Foi então que Judas Iscariotes, traindo aquele que seguia até aí como apóstolo, se prestou a indicar aos perseguidores quem eles procuravam. Nada que o perseguido não tivesse previsto e anunciado: "Em verdade vos digo: Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me".

Portanto, o que ficou sempre a intrigar alguns entre os quais me incluo, é se esta morte, que veio a ocorrer, se deveu a razões religiosas ou políticas, como já referi. Mas certamente que Donald Trump nos virá esclarecer no seu twitter.

(Este post foi refeito às 23h00 de 1 de Abril de 2018)

2017/04/13

2017/04/08

Trump é bruxo?

Quem não se lembra da galhofa universal que Donald Trump provocou em Fevereiro quando se referiu a um ataque terrorista na Suécia? O homem estava drogado como sugeriu então o ex-primeiro ministro sueco, ou apenas profetizou o que veio acontecer agora?



O caso faz-nos pensar que Donald Trump tem dotes adivinhatórios, sobretudo se lhe juntarmos a informação de origem desconhecida segundo a qual a Síria terá usado armas químicas proibidas, num ataque realizado na terça-feira e que terá causado a morte a dezenas de pessoas.

Também há quem diga que as alusões exageradas ao terrorismo e as acusações sem prova acerca do uso de armas químicas são pretextos para as políticas anti-imigração e anti-Assad. Mas vá lá a gente adivinhar, a gente que não é bruxa...

Para quem não aprecia textos sarcásticos sobre matérias tão sensíveis, recomendo a abordagem de Bernie Sanders, AQUI, sobre o assunto. Entre outras questões, o ex-candidato à Casa Branca pergunta qual é o contributo desta intervenção de Trump para a resolução diplomática do conflito, pergunta que ecoa em manifestações que ocorrem em pelo menos 35 cidades dos EUA.

2017/03/23

Matriz populista

De Hitler a Estaline, de Péron a Fujimori, de Marine Le Pen a Donald Trump, e outros, o populismo não é mais que personalismo e autoritarismo - o que importa é o líder, não a lei.

O populismo vai buscar a sua legitimidade à "vontade popular" que mais não é do que a convicção incutida nas massas por meios retóricos, e assenta o seu funcionamento num sistema unipartidário de facto. É uma forma de ditadura consentida, um regime em que a fé dos cidadãos nas promessas do caudilho dispensa liberdades e direitos.

Lá onde as estruturas convencionais e democráticas se mostram incapazes de satisfazer os anseios das populações, o messianismo emerge para adiar o desespero. Lá onde a corrupção descredibiliza a "classe política", o messianismo emerge para tomar conta do Poder.

GÉMEOS POPULISTAS

«Considera-se que, não sendo estadista mas o líder de uma empresa cujo único objectivo é manter os equilíbrios precários dentro da sua coligação, Fulano não se apercebe de que à segunda-feira diz uma coisa, e à terça diz precisamente o contrário; que, não tendo experiência política nem diplomática, é dado a gafes; que fala quando não deve falar; que deixa escapar afirmações que é obrigado a negar no dia seguinte; que confunde os assuntos privados com os públicos a tal ponto que já se permitiu fazer gracejos de péssimo gosto sobre a sua própria esposa na presença de ministros estrangeiros – e assim por diante.

Neste sentido, a figura de Fulano predispõe-se à sátira; os seus adversários consolam-se muitas vezes pensando que ele perdeu o sentido das proporções, e esperam que Fulano vá correndo atrás da sua própria destruição sem se dar conta».

Não, o Fulano a que se refere Umberto Eco no texto acima, não é Trump, é Berlusconi. E o texto é datado de 2006!
(A Passo de Caranguejo, Ed. Gradiva).

A propósito: já repararam como ambos, Trump e Berlusconi, dominam a Televisão? E como ambos se escondem atrás de um sorriso permanente - um encenado optimismo?



Dir-se-ia que há qualquer coisa de politicamente genético no populismo. Mas não se trata de uma corrente ideológica, trata-se de uma técnica, trata-se de mimética. Trata-se de um método de comunicação inspirado na experiência de vendedor, como Eco refere em relação a Berlusconi e poderia agora referir em relação a Trump se o filósofo não tivesse falecido um ano antes de Donald Trump ser eleito para presidente dos Estados Unidos da América.

2017/02/07

Contradições insuperáveis



O recrudescimento do terrorismo nos conflitos internacionais alimenta juízos e estratégias que podem extravasar a racionalidade e tornar-se, elas próprias, perigosas para as vítimas do terrorismo.

As medidas de Donald Trump bastariam para ilustrar e demonstrar esta tese. A perversidade a que levam tais juízos e estratégias é-nos relatada nos noticiários: são as novas “medidas de segurança interna” em suposta alternativa à “segurança mundial”, e os seus efeitos para os próprios americanos, nomeadamente em matérias económicas e dos direitos individuais.

Por outro lado, e com as notícias actuais sobre a contestação das grandes multinacionais americanas, ficam à vista as contradições insuperáveis de profetas imperiais como Trump.


Cruzando uma sentença de Jesus Cristo com uma tese de Karl Marx, diria que “é mais fácil a um camelo passar no buraco de uma agulha” do que os interesses dos povos – onde for o caso – passarem no crivo dos exploradores, corruptos, negociantes de armas…

Qualquer coisa me diz que Trump chegará a uma espécie de concertação social em que… as multinacionais sairão satisfeitas e tudo voltará à "normalidade" - numa primeira fase.

2017/02/06

Os inimigos dos meus inimigos

Será que os inimigos dos meus inimigos estão a enganar-me, fazendo-se passar por meus amigos?

Será que eu estou a ser manipulado na justa aversão a Trump, ao ignorar a expressão eleitoral dos negros e da camada trabalhadora que o elegeu? Será que o discurso contra a política americana anterior e até contra o seu próprio partido, é apenas populista? Será que a desconstrução da estratégia belicista baseada na diabolização de Putin, é reprovável? Será que a Rússia e a Síria não são mesmo indispensáveis numa estratégia antiterrorista consequente?

O que é lamentável é que tais mensagens não tivessem encontrado em Bernie Sanders, candidato do Partido Democrata, o seu profeta - mesmo que isso lhe valesse tantos ódios do “sistema” como vale a Donald Trump… Mas se temos Trump onde podiamos ter Sanders, isso é culpa da presumida Hillary Clinton.


Por tudo isto sou levado a perguntar se não estou a deixar-me levar na onda dos meus inimigos que se fazem passar por amigos invocando Trump no que tem de odioso.

2017/02/04

Trump aterroriza o mundo

O mundo parece aterrorizado por Donald Trump. Afinal, terrorismo é o quê?

2017/01/28

Rituais populistas

Habituei-me a ver o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e mais tarde Nicolás Maduro, assinarem as suas leis com transmissão directa na televisão. A atitude e até o estilo de Donald Trump copiam-nos de forma descarada até ao pormenor, mutatis mutandis.

Serão rituais populistas ou simplesmente americanos?

2017/01/18

Trump que se cuide

Quatro presidentes dos Estados Unidos da América foram assassinados. Lincoln foi vítima de um movimento independentista dos estados do sul; James Garfield foi baleado por um advogado a quem o presidente faltou com uma promessa de emprego; William McKinley foi vítima de um anarquista isolado em nome “da boa gente, dos bons trabalhadores”; John Kennedy terá sido alvejado por um louco – segundo a versão oficial…

Conclusão: os inimigos mais perigosos dos presidentes norte-americanos…, são norte-americanos.

Quando Donald Trump souber disto, vai expulsar do país os seus compatriotas e trocá-los por imigrantes.

2016/11/17

As 7 diferenças

Tenho para mim que Donald Trump não é pato. Nem pato Donald. É mais Tio Patinhas.

Com quem não se parece é com Obama, como este acaba de dizer na oportunidade da visita à Grécia. Isso desafia-nos para o tradicional passatempo de descobrir "as 7 diferenças" mais relevantes.

Imagem composta para este blogue

2016/11/16

Por uma Web Summit política

Assim como um polícia que leva um criminoso algemado, está, ele próprio, preso ao criminoso, também os EUA, libertando-se da Europa deixariam a europa mais livre.

Quanto do envolvimento europeu em conflitos não resulta exactamente da dependência política em relação à América do Norte? A autonomia geopolítica europeia permitiria ficar de fora da estratégia imperialista dos EUA e assim do seu campo de batalha permanentemente activo. E permitiria uma política de alianças mais conforme aos nossos próprios interesses.

Eu sei que uma tal autonomia europeia seria mais complexa do que uma “simples” redução de verbas atribuídas pelos norte-americanos à NATO, mas se “o mundo mudou” realmente, talvez se torne pertinente pensar sobre o assunto. Mais tarde ou mais cedo, o impossível torna-se inevitável – veja-se o eurocepticismo! – e quem vai à frente vê melhor.

O pior de tudo, convenhamos, é esta cobardia intelectual que nos mantém presos a ideias dominantes. Para quando uma "Web Summit" dedicada ao progresso político?

2016/11/15

Trump contra Trump

A expulsão dos imigrantes nos Estados Unidos da América mais parece uma falsa questão, por muito respeitáveis que sejam as preocupações dos próprios e de quem por eles se atravessa no caminho de Donald Trump.

Este tem duas razões para levar à prática o seu “compromisso” eleitoral, e outras duas, pelo menos, para não o fazer.

Ter-se comprometido tão enfaticamente com esta medida e ser normal (em qualquer país) expulsar imigrantes ilegais, são dois argumentos a favor da sua promessa. Mas, por outro lado, a vantagem das empresas norte-americanas em explorar mão-de-obra tão barata e tão servil, pode voltar-se contra os aliados económicos de Trump. Além de que, expulsar mais de dois milhões de pessoas ou mesmo deter a continuação de entradas, teria tanto sucesso, provavelmente, como tem o combate à entrada na Europa de refugiados da Síria e da região.

Eu imagino que seria mais eficaz um plano de desenvolvimento do México com ajuda dos EUA, de modo que os mexicanos não tivessem tanta necessidade de emigrar, mas isto não cabe certamente na cabeça de um “republicano” norte-americano. Duvido até que caiba na cabeça de um “democrata” liberal.

2016/11/12

A razão irracional dos americanos


Quando todos tentam descobrir a "razão irracional" da vitória eleitoral de Trump nas eleições dos EUA, ocorrem-me algumas ideias menos abordadas, porventura.

Antes de mais é preciso lembrarmo-nos que Trump beneficia do eleitorado do Partido Republicano, o mesmo que elegeu George Bush filho antes de Obama Se é verdade que o discurso de Trump incomoda muita gente até no seu partido, o eleitorado fecha os olhos aos seus defeitos em nome das supostas qualidades e não vê em Hillary Clinton uma figura convincente ou mobilizadora.

O espectáculo esteve longe de apresentar A Bela e o Monstro. Por outro lado, ele aparece como o candidato de protesto contra a classe política, o marginal contra a profissional de carreira.

O sistema eleitoral não oferece aos cidadãos uma oportunidade real de escolher o seu presidente - isto explica a vitória de Trump apesar de ser menos votado do que Hillary, mas também o facto de ser esta e não outro o candidato do Partido Democrata.