Mostrar mensagens com a etiqueta TVI. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta TVI. Mostrar todas as mensagens

2010/02/26

Desabafo político

Já cansa esta enxurrada de lixo politiqueiro, esta falsa intifada com pedradas verbais, este pingue-pongue de adormecer. Já ninguém quer saber (ou já se sabe) como é que o PS ou o PSD se apoderam do poder, da riqueza e da Comunicação – sabido o resultado, o jogo não interessa.


Claro que o presidente disto e o daquilo não andam a roubar, não fazem fraudes, não enganam ninguém. Basta-lhes o lugar que têm para ganhar as fortunas que ganham. Para que haveriam de sujar as mãos?

Faz bem Pedro Soares que “aos costumes” diz nada e noutros casos manda perguntar. É evidente que um homem com tantos cargos, tantos pelouros, tantas responsabilidades, não tem tempo para se informar de coisa alguma. Querem saber quem sou? – diria ele. – Perguntem ao meu pai !

Mas o que eu queria perguntar, senhor presidente da república, senhor primeiro-ministro, senhor presidente da assembleia, senhoras e senhores deputados, é se temos a alimentação e a protecção social, o ensino e a educação, a cultura e o desporto, as casas e os transportes de que precisamos...

Não me venham falar mais de esmolas, de percentagens, do futuro tecnológico, de incentivos às empresas e outras maquinações que nos passam sempre ao lado. Falem-nos do aquecimento nas escolas, das esquadras a cair, dos auditórios culturais abandonados, dos desportos esquecidos (os que não dão figos), das taxas de juro que os bancos cobram aos cidadãos para a compra de casa, do direito ao emprego estável e ao tempo livre, da riqueza nacional ao serviço da nação.

Ou calem-se de vez. Se faz favor

2010/02/14

(Ex)citações televisivas

1.
«A característica principal da Neo-TV é que ela fala cada vez menos do mundo exterior. Ela fala de si própria e do contacto que está estabelecendo com o seu público». (Umberto Eco, “Viagem na Irrealidade Quotidiana”, Difel 1986)

Por falta de tempo não insiro aqui fotos de Mário Crespo, Manuela Moura Guedes, Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino, Pacheco Pereira, o Polvo, a Enguia e o Cavalo-Marinho.

2.
Na publicação de 1994 cuja capa se apresenta acima, é possível ler frases como estas sobre “a guerra de canais” de televisão:
- uma guerra com os seus espiões, os seus transfugas e a sua dose de intoxicação e de subterfúgios;
- uma guerra com as suas frentes, as suas vítimas, os seus decapitados e os seus heróis;
- uma guerra em que os altos protagonismos têm tendência a fazer mais estrondo do que os conflitos do planeta.

“Dinheiro, poder e audiências” são os três elementos inseparáveis desta guerra, segundo o autor, Erik Emptaz.

Por respeito às autoridades também não insiro aqui as fotos de José Sócrates e Berlusconi – além de serem já sobejamente conhecidas, a sua junção poderia sugerir inapropriadas associações de ideias.

2009/09/06

A rainha vai nua

Já não pelo caso mas pelo que dele fizeram jornalistas e políticos, volto ao assunto para recomendar ESTE divertido artigo onde se faz um making-off do filme em produção sobre a Rainha Santa Manuela. A que eu acrescento apenas que a rainha vai nua no pior sentido. E não vai longe. Que nem o CDS a vai querer de volta como aconteceu em 1996, quando foi deputada.

2009/09/03

Rainha Santa Manuela

Eu tinha chegado da RTP-Porto havia menos de um ano, mas já era suficientemente crescido para reter “para memória futura” a imagem de Manuela Moura Guedes, deslumbrante e deslumbrada, a visitar as instalações do Lumiar na companhia de Fernando Pessa.

Fernando Pessa, de quem se continuavam a fazer rasgados elogios públicos, seria literalmente encostado a uma parede da redacção, lá onde encontrou a sua secretária, um dia, estávamos já na Cinco de Outubro. Manuela ia fazendo o seu percurso que completou às costas de José Eduardo Moniz.

Depois, foi o que se viu: “do alto inacessível das suas alturas”, por razões de que não tem que se gabar, ascende a todos os lugares que podia reclamar ao marido. Vendo-se ao espelho, não se achou bonita – como se veio a perceber - mas achou-se raínha. Julgou que lhe vinha do sangue, digo do sangue de seus ascendentes, a nobre condição a que as circunstâncias a guindaram. Sentiu-se com direitos e competências que não tinha – é uma doença própria des estrelas de televisão, com que eu fui obrigado a lidar profissionalmente.

Demitida (do cargo de editora e apresentadora do jornal das sextas-feiras, da TVI) por indecente e má figura, jornalisticamente falando, devido à sua arrogância e domínio indecoroso das opiniões no jornal que geria, mais parecendo uma bandeira que uma jornalista, suscita uma geral hipocrisia nacional que nunca tendo apreciado o seu “estilo”, de rainha a convocam para santa. Nasce assim a lenda da Rainha Santa Manuela Moura Guedes, a que não dá pão aos pobres nem engana o marido com flores.

Que o Mário Crespo tenha dedicado horas dos seus espaços noticiosos e dos seus convidados, a tratar da canonização da sua colega, desiludiu-me. Mas jornalista é assim.