Nas eleições autárquicas recentes, os eleitores do Porto não escolheram Rui Moreira contra Filipe Menezes, escolheram sobretudo um candidato que representa a oposição mais fracturante ao partido do Governo. Luis Filipe Menezes não aprendeu com a derrota de Mário Soares em relação a Manuel Alegre nas presidenciais.
A acusação de endividamento da Câmara de Gaia durante a presidência de Menezes, cuja dimensão está por apurar, pesa menos no critério dos eleitores do que a incriminação de Isaltino Morais em Oeiras - este que foi apoiado nestas eleições por interposto candidato.
Esperava o PSD que votassem no partido do Governo os funcionários públicos em geral, os médicos e os enfermeiros, os professores e os juízes, os polícias e os roubados, os falidos e os desempregados, os pensionistas e os reformados?
É claro que os portugueses não deviam precisar das eleições autárquicas para exprimir o seu repúdio pela política nacional, mas precisam! Quando as suas reclamações, os seus protestos, as suas lutas são desprezadas pelo poder central, os cidadãos encontrarão sempre forma de lembrar que é neles que reside a soberania e são eles que escolhem os governos. Ou os rejeitam.
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2013/10/03
2013/09/19
Ideias para o Porto e disparates
Em Lisboa, a Avenida de Roma não fica nada atrás da Avenida da República e o bairro de Telheiras (na foto) não é menos simpático do que Alfama ou o Bairro Alto – são espaços, arquitecturas, atmosferas e até culturas diferentes. Mas cada um deles vale por si mesmo sem substituir nenhum dos outros.
A criação e desenvolvimento dos bairros periféricos, é a melhor solução contra o congestionamento do trânsito, contra a especulação imobiliária e contra a asfixia geral dos centros históricos. Pólos dispersos de atracção de moradores através de infraestruturas satisfatórias, resolvem mais problemas nas grandes cidades do que estratégias de circulação que sempre se traduzem em constrangimentos, e mais do que parques de estacionamento em espaço exíguo e com grandes custos de implementação e de utilização.
Com acessos e transportes adequados – e pouco há que gastar, porventua, para isto – viver no centro da cidade é uma vantagem duvidosa. Hospitais, escolas, mercados e empresas fora do centro satisfazem melhor do que o congestionamento insolúvel a que se assiste geralmente no desenvolvimento concentracionário da cidade.
O Porto merece um Douro fascinante como tem, e um centro vivo, é certo, como merece e necessita da recuperação do parque edificado e dagradado, mas também precisa de pólos habitacionais dispersos pelas zonas periféricas, dotados de serviços e comércio, de lazer e transportes que os tornem atractivos especialmente para os habitantes locais, compensando assim o congestionamento da cidade.
Conheço pessoas que vivem em bairros periféricos de metrópoles ou até em subúrbios, que perderam o hábito de frequentar o centro ou mesmo a cidade, uma vez que encontram tudo o que precisam, perto de casa.
Londres, um velho caso de estudo
Este conceito é antigo e é bom que tenha sido defendido por um ou mais autarcas do Porto na campanha eleitoral; assim haja capacidade para implementá-lo na estratégia de um “Porto Forte” ou de um “Porto de Futuro”, de uma candidatura “Por Todos” ou de outra que reivindica “Mudar o Porto”…
Já a proclamação para “Virar o Porto ao Contrário” é um mero exibicionismo verbal de quem não troca uma frase “bombástica” por um gesto simplesmente útil, ou, segundo Lenine, a expressão de um “radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”.
A criação e desenvolvimento dos bairros periféricos, é a melhor solução contra o congestionamento do trânsito, contra a especulação imobiliária e contra a asfixia geral dos centros históricos. Pólos dispersos de atracção de moradores através de infraestruturas satisfatórias, resolvem mais problemas nas grandes cidades do que estratégias de circulação que sempre se traduzem em constrangimentos, e mais do que parques de estacionamento em espaço exíguo e com grandes custos de implementação e de utilização.
Com acessos e transportes adequados – e pouco há que gastar, porventua, para isto – viver no centro da cidade é uma vantagem duvidosa. Hospitais, escolas, mercados e empresas fora do centro satisfazem melhor do que o congestionamento insolúvel a que se assiste geralmente no desenvolvimento concentracionário da cidade.
O Porto merece um Douro fascinante como tem, e um centro vivo, é certo, como merece e necessita da recuperação do parque edificado e dagradado, mas também precisa de pólos habitacionais dispersos pelas zonas periféricas, dotados de serviços e comércio, de lazer e transportes que os tornem atractivos especialmente para os habitantes locais, compensando assim o congestionamento da cidade.
Conheço pessoas que vivem em bairros periféricos de metrópoles ou até em subúrbios, que perderam o hábito de frequentar o centro ou mesmo a cidade, uma vez que encontram tudo o que precisam, perto de casa.
Londres, um velho caso de estudo
Este conceito é antigo e é bom que tenha sido defendido por um ou mais autarcas do Porto na campanha eleitoral; assim haja capacidade para implementá-lo na estratégia de um “Porto Forte” ou de um “Porto de Futuro”, de uma candidatura “Por Todos” ou de outra que reivindica “Mudar o Porto”…
Já a proclamação para “Virar o Porto ao Contrário” é um mero exibicionismo verbal de quem não troca uma frase “bombástica” por um gesto simplesmente útil, ou, segundo Lenine, a expressão de um “radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”.
2013/09/11
O Porto está morto, viva o Porto
Escurece, e o Porto desaparece, foge do centro. As ruas principais vão-se tornando sombrias, ameaçadoras. Deserto, mais parece um cemitério. Quais mausuléus, também tem majestosos monumentos de granito trabalhado que se erguem para o céu e ali se perdem.
O Porto, à luz do dia, mostra-se esventrado e desfigurado; à luz da noite, é um labirinto de ruelas pardas e assustadoras por onde se arrastam vagabundos sombrios e prostitutas de carnes suadas.
O Porto foi entregue à indignidade.
Rua Sá da Bandeira
Senhores gestores do que resta da cidade: convido-os a descer as ruas da baixa, o ex-libris da cidade, ao que se diz. Desçam Santa Catarina de noite, quando o comércio está fechado. Mas não vão em cortejo porque assustam os fantasmas. Um hoje, outro amanhã, sem escolta, sem cão e sem BMW. A pé, abandonados à cidade que inventaram.
Se tiverem a coragem de seguir mesmo até ao fundo da rua que oferecestes aos vossos eleitores, ireis desaguar na Praça da Batalha onde dorme tudo quanto de dia é ouro: o café Chave d’Ouro, o cinema Águia d’Ouro e o mijadouro que existia por baixo da Igreja e já não há porque foi soterrado.
Era suposto ser o "hall" de entrada sul, da cidade que fizestes, a Praça da Batalha, mas nem o Cine-Teatro S. João lhe empresta respeitabilidade; está para ali, entre os tremoços e as cervejas das esplanadas terceiro-mundistas que rodeiam a praça. Experimentem sentar-se a uma mesa dessas chafaricas. E como prémio pelo esforço, ficam dispensados de conhecer o resto da cidade, a pé. Que, de carro, eu sei, conhecem tudo. Pode-se conhecer o mundo até de avião; viver lá é que não.
Depois, há aquelas duas zonas onde uma juventude estudantil se estuda, faz o seu curso nocturno para a vida adulta: entre o "Piolho" que não por acaso fica junto da Reitoria da Universidade, a Rua Galeria de Paris, José Falcão e Praça Filipa de Lencastre – um rodopio de gente linda e subsidiada que nos faz esquecer a outra gente, as outras famílias. Se não fossem os carros do lixo a importunar, limpando o que a gente linda suja, nem se dava por que há outra realidade. Mas "está-se bem": seja feliz quem pode e nos contagie com a sua alegria. "Do tipo. Tás a ver?"
A questão é que nada desta animação se deve aos autarcas do Porto. O que se lhes deve é a degradação das ruas centrais: Santa Catarina, Sá da Bandeira, Avenida dos Aliados…
Ah, sim, eu sei: a ribeira, a histórica e deslumbrante ribeira que embalou gerações de tripeiros e foi descoberta, finalmente, pelos estrangeiros. Aqui há algum mérito das Câmaras de Porto e Gaia no desenho das luzes que discretamente pontuam como estrelas, como luas, a paisagem sombria dos velhos casarios.
O resto, a animação, foi puxada pelo comércio local - com as virtualidades e as indigências locais. Animação que é feita mais uma vez pelos próprios frequentadores, um palhaço pobre, uma estátua humana e um cantor de bom gosto que à sua custa e do restaurante que o patrocina, entretém os circunstantes mais próximos.
Espanta-me, portanto, que um candidato a presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, venha declarar que não quer que o Porto se transforme numa Disneylândia para turistas. O que vale é que já ninguém quer saber o que pensa Moreira desde que Menezes vê legitimada a sua candidatura.
Nota:
A última foto é de Carlos Albuquerque e foi copiada de olhares.sapo.pt
O Porto, à luz do dia, mostra-se esventrado e desfigurado; à luz da noite, é um labirinto de ruelas pardas e assustadoras por onde se arrastam vagabundos sombrios e prostitutas de carnes suadas.
O Porto foi entregue à indignidade.
Rua Sá da BandeiraSenhores gestores do que resta da cidade: convido-os a descer as ruas da baixa, o ex-libris da cidade, ao que se diz. Desçam Santa Catarina de noite, quando o comércio está fechado. Mas não vão em cortejo porque assustam os fantasmas. Um hoje, outro amanhã, sem escolta, sem cão e sem BMW. A pé, abandonados à cidade que inventaram.
Se tiverem a coragem de seguir mesmo até ao fundo da rua que oferecestes aos vossos eleitores, ireis desaguar na Praça da Batalha onde dorme tudo quanto de dia é ouro: o café Chave d’Ouro, o cinema Águia d’Ouro e o mijadouro que existia por baixo da Igreja e já não há porque foi soterrado.
Era suposto ser o "hall" de entrada sul, da cidade que fizestes, a Praça da Batalha, mas nem o Cine-Teatro S. João lhe empresta respeitabilidade; está para ali, entre os tremoços e as cervejas das esplanadas terceiro-mundistas que rodeiam a praça. Experimentem sentar-se a uma mesa dessas chafaricas. E como prémio pelo esforço, ficam dispensados de conhecer o resto da cidade, a pé. Que, de carro, eu sei, conhecem tudo. Pode-se conhecer o mundo até de avião; viver lá é que não.
Depois, há aquelas duas zonas onde uma juventude estudantil se estuda, faz o seu curso nocturno para a vida adulta: entre o "Piolho" que não por acaso fica junto da Reitoria da Universidade, a Rua Galeria de Paris, José Falcão e Praça Filipa de Lencastre – um rodopio de gente linda e subsidiada que nos faz esquecer a outra gente, as outras famílias. Se não fossem os carros do lixo a importunar, limpando o que a gente linda suja, nem se dava por que há outra realidade. Mas "está-se bem": seja feliz quem pode e nos contagie com a sua alegria. "Do tipo. Tás a ver?"
A questão é que nada desta animação se deve aos autarcas do Porto. O que se lhes deve é a degradação das ruas centrais: Santa Catarina, Sá da Bandeira, Avenida dos Aliados…
Ah, sim, eu sei: a ribeira, a histórica e deslumbrante ribeira que embalou gerações de tripeiros e foi descoberta, finalmente, pelos estrangeiros. Aqui há algum mérito das Câmaras de Porto e Gaia no desenho das luzes que discretamente pontuam como estrelas, como luas, a paisagem sombria dos velhos casarios.
O resto, a animação, foi puxada pelo comércio local - com as virtualidades e as indigências locais. Animação que é feita mais uma vez pelos próprios frequentadores, um palhaço pobre, uma estátua humana e um cantor de bom gosto que à sua custa e do restaurante que o patrocina, entretém os circunstantes mais próximos.
Espanta-me, portanto, que um candidato a presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, venha declarar que não quer que o Porto se transforme numa Disneylândia para turistas. O que vale é que já ninguém quer saber o que pensa Moreira desde que Menezes vê legitimada a sua candidatura.
Nota:
A última foto é de Carlos Albuquerque e foi copiada de olhares.sapo.pt
2013/09/04
Autárquicas 2013
Zangam-se as comadres… do PSD
Luís Filipe Menezes diz que uma das vantagens da candidatura de Carlos Abreu Amorim é que «este é quem manda na sua candidatura e não creio que seja isso que aconteça nos outros principais adversários: são outras pessoas, outras motivações e outros interesses que mobilizam essas candidaturas!
E não me consta que nesta candidatura, quando se abre uma sede de campanha de outro adversário, se ponha alguém de binóculos para ver quem está a entrar e a sair, para no dia seguinte o perseguir nos corredores da Câmara, nos corredores da Junta ou em qualquer sítio». (1)
Guilherme Aguiar, outro candidato do mesmo partido, diz que o PSD, «cedeu a interesses mesquinhos e egoístas em detrimento dos interesses de Gaia»(2) ao preterir a sua candidatura a favor de Abreu Amorim,
Esta exibição de roupa suja, enfim, não pesará muito nas opções do eleitorado e Abreu Amorim vai ganhar as eleições como ganharia um calhau que se apresentasse com o apoio de Luís Filipe Menezes, de tal modo este "lavou" a cidade . E se a qualidade das obras, em Amorim, for tão diferente da qualidade do seu discurso, quanto acontece com Menezes, até pode ser que se escreva direito por linhas tortas! (3). Mas o percurso político de Carlos Abreu Amorim, bem como o seu populismo rasteiro, não deviam deixar indiferente quem gosta de laranjas mas separa as que estão "tocadas".
Fontes: (1) Folheto de candidatura; (2) JN 2013-05-06 (3) iOnline
Luís Filipe Menezes diz que uma das vantagens da candidatura de Carlos Abreu Amorim é que «este é quem manda na sua candidatura e não creio que seja isso que aconteça nos outros principais adversários: são outras pessoas, outras motivações e outros interesses que mobilizam essas candidaturas!
E não me consta que nesta candidatura, quando se abre uma sede de campanha de outro adversário, se ponha alguém de binóculos para ver quem está a entrar e a sair, para no dia seguinte o perseguir nos corredores da Câmara, nos corredores da Junta ou em qualquer sítio». (1)
Guilherme Aguiar, outro candidato do mesmo partido, diz que o PSD, «cedeu a interesses mesquinhos e egoístas em detrimento dos interesses de Gaia»(2) ao preterir a sua candidatura a favor de Abreu Amorim,
Esta exibição de roupa suja, enfim, não pesará muito nas opções do eleitorado e Abreu Amorim vai ganhar as eleições como ganharia um calhau que se apresentasse com o apoio de Luís Filipe Menezes, de tal modo este "lavou" a cidade . E se a qualidade das obras, em Amorim, for tão diferente da qualidade do seu discurso, quanto acontece com Menezes, até pode ser que se escreva direito por linhas tortas! (3). Mas o percurso político de Carlos Abreu Amorim, bem como o seu populismo rasteiro, não deviam deixar indiferente quem gosta de laranjas mas separa as que estão "tocadas".
Fontes: (1) Folheto de candidatura; (2) JN 2013-05-06 (3) iOnline
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