Para ser mais rigoroso, o título devia dizer "O lado oculto e obscuro das campanhas em Portugal contra o MPLA".
Sempre foi claro para quem quisesse ver, que as motivações de João Soares ou Maria Antónia Pala, Torres Couto e Manuel Monteiro, entre outra gente, não era a corrupção ou a falta de democracia, mas sim as cumplicidades ideológicas destes activistas.
Independentemente dos pretextos que o regime angolano de José Eduardo dos Santos ofereça às campanhas que se desenvolvem em Portugal contra ele, são motivações anti-progressistas que movem este conluio, tal como se passa com a Venezuela.
O recente artigo do Expresso sobre Savimbi, ajuda involuntariamente a esclarecer estes meandros da militância anti-MPLA que decorre em Portugal desde o início das lutas de independência de Angola. Recomenda-se por esta razão!
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2017/09/02
2014/08/05
PS bom e PS mau
É inevitável fazer uma leitura do que se passa no Partido Socialista português, à luz do que se passa no Banco Espírito Santo. A ideia de que existe um BES BOM e um BES MAU pode ser comparado à percepção que os "socialistas" têm do seu partido.
Neste sentido existe um PS BOM e um PS MAU - a ideia de um NOVO PS não é totalmente descartável mas a História desaconselha-a.
Sim, existe um PS Seguro e um PS Costa, ou vice-versa, para contentar a populaça. Mas de uma coisa não se livrará o PS que vingar nas eleições internas: a contaminação das suas bases predominantemente conservadoras.
Os comportamentos políticos de Mário Soares na história da nossa democracia, são talvez a forma mais simbólica de representar a ambivalência do Partido Socialista, em que um certo pragmatismo, digamos assim, rivaliza despudoradamente com as pulsões revolucionárias, em desfavor destas.
Soares em 1975, com Frank Carlucci (director da CIA)
Soares em 2014, nas comemorações não-oficiais do 25 de Abril
P.S. (post-scriptum):
Ao falar do "pragmatismo" de Mário Soares, é justo sempre lembrar o seu papel na resistência à ditadura, para evitar confusões com outros pragmatismos.
Neste sentido existe um PS BOM e um PS MAU - a ideia de um NOVO PS não é totalmente descartável mas a História desaconselha-a.
Sim, existe um PS Seguro e um PS Costa, ou vice-versa, para contentar a populaça. Mas de uma coisa não se livrará o PS que vingar nas eleições internas: a contaminação das suas bases predominantemente conservadoras.
Os comportamentos políticos de Mário Soares na história da nossa democracia, são talvez a forma mais simbólica de representar a ambivalência do Partido Socialista, em que um certo pragmatismo, digamos assim, rivaliza despudoradamente com as pulsões revolucionárias, em desfavor destas.
Soares em 1975, com Frank Carlucci (director da CIA)
Soares em 2014, nas comemorações não-oficiais do 25 de Abril
P.S. (post-scriptum):
Ao falar do "pragmatismo" de Mário Soares, é justo sempre lembrar o seu papel na resistência à ditadura, para evitar confusões com outros pragmatismos.
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2013/10/03
Soares e Menezes, a mesma luta
Nas eleições autárquicas recentes, os eleitores do Porto não escolheram Rui Moreira contra Filipe Menezes, escolheram sobretudo um candidato que representa a oposição mais fracturante ao partido do Governo. Luis Filipe Menezes não aprendeu com a derrota de Mário Soares em relação a Manuel Alegre nas presidenciais.
A acusação de endividamento da Câmara de Gaia durante a presidência de Menezes, cuja dimensão está por apurar, pesa menos no critério dos eleitores do que a incriminação de Isaltino Morais em Oeiras - este que foi apoiado nestas eleições por interposto candidato.
Esperava o PSD que votassem no partido do Governo os funcionários públicos em geral, os médicos e os enfermeiros, os professores e os juízes, os polícias e os roubados, os falidos e os desempregados, os pensionistas e os reformados?
É claro que os portugueses não deviam precisar das eleições autárquicas para exprimir o seu repúdio pela política nacional, mas precisam! Quando as suas reclamações, os seus protestos, as suas lutas são desprezadas pelo poder central, os cidadãos encontrarão sempre forma de lembrar que é neles que reside a soberania e são eles que escolhem os governos. Ou os rejeitam.
A acusação de endividamento da Câmara de Gaia durante a presidência de Menezes, cuja dimensão está por apurar, pesa menos no critério dos eleitores do que a incriminação de Isaltino Morais em Oeiras - este que foi apoiado nestas eleições por interposto candidato.
Esperava o PSD que votassem no partido do Governo os funcionários públicos em geral, os médicos e os enfermeiros, os professores e os juízes, os polícias e os roubados, os falidos e os desempregados, os pensionistas e os reformados?
É claro que os portugueses não deviam precisar das eleições autárquicas para exprimir o seu repúdio pela política nacional, mas precisam! Quando as suas reclamações, os seus protestos, as suas lutas são desprezadas pelo poder central, os cidadãos encontrarão sempre forma de lembrar que é neles que reside a soberania e são eles que escolhem os governos. Ou os rejeitam.
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2010/10/06
Mário Soares dixit
Mário Soares deixou duas notas bem destacadas que hão-de marcar o seu discurso até às próximas eleições presidenciais, na entrevista de ontem, 5 de Outubro, a Mário Crespo.
Imagem de outra entrevista
Primeiro: que a grave situação económico-social em que Portugal se encontra é devida à crise internacional e à incompetência da União Europeia, face ao que ninguém teria melhor política do que tem José Sócrates.
Segundo: que Cavaco Silva é um bom presidente. Entenda-se esta nota, sempre dita de forma indirecta através de elogios pontuais, como a sua luta contra a candidatura de Manuel Alegre que foi seu opositor nas eleições anteriores. Só quem não conheça Mário Soares pode estranhar que ele ponha o seu orgulho pessoal acima da sua coerência ideológica.
Mas há dois aspectos formais que gostaria de realçar à margem do conteúdo desta entrevista.
O primeiro, é que a figura socialmente mais importante é quem pode tomar a iniciativa de estender a mão ao interlocutor e não ao contrário como temos visto proceder, não só a animadores pouco convencionais, mas também a jornalistas menos educados. E nisso Mário Soares comportou-se de forma elevada no fim da entrevista, ao estender a mão ao jornalista – e não falo, neste caso!!!, em sentido figurado.
O segundo aspecto formal é que, em Televisão, a figura mais importante – como é o entrevistado em relação ao entrevistador – deve ser sentada à direita da imagem e não o contrário. Há quem admita haver programas em que o apresentador é assumidamente “a figura” do programa, o que poderia justificar a troca de posições. Esteve bem, enfim, a realização da entrevista ao reservar o lugar da direita para Soares.
Não são regras de mera etiqueta, são normas de convivência e comunicação social tão razoáveis como não deitar lixo na via pública – quando temos tantos canais para fazê-lo, o que não é de todo o caso da Sic Notícias.
Imagem de outra entrevistaPrimeiro: que a grave situação económico-social em que Portugal se encontra é devida à crise internacional e à incompetência da União Europeia, face ao que ninguém teria melhor política do que tem José Sócrates.
Segundo: que Cavaco Silva é um bom presidente. Entenda-se esta nota, sempre dita de forma indirecta através de elogios pontuais, como a sua luta contra a candidatura de Manuel Alegre que foi seu opositor nas eleições anteriores. Só quem não conheça Mário Soares pode estranhar que ele ponha o seu orgulho pessoal acima da sua coerência ideológica.
Mas há dois aspectos formais que gostaria de realçar à margem do conteúdo desta entrevista.
O primeiro, é que a figura socialmente mais importante é quem pode tomar a iniciativa de estender a mão ao interlocutor e não ao contrário como temos visto proceder, não só a animadores pouco convencionais, mas também a jornalistas menos educados. E nisso Mário Soares comportou-se de forma elevada no fim da entrevista, ao estender a mão ao jornalista – e não falo, neste caso!!!, em sentido figurado.O segundo aspecto formal é que, em Televisão, a figura mais importante – como é o entrevistado em relação ao entrevistador – deve ser sentada à direita da imagem e não o contrário. Há quem admita haver programas em que o apresentador é assumidamente “a figura” do programa, o que poderia justificar a troca de posições. Esteve bem, enfim, a realização da entrevista ao reservar o lugar da direita para Soares.
Não são regras de mera etiqueta, são normas de convivência e comunicação social tão razoáveis como não deitar lixo na via pública – quando temos tantos canais para fazê-lo, o que não é de todo o caso da Sic Notícias.
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2009/09/10
Mário Soares e os papões
Mário Soares faz esta brilhante revelação, na VISÃO: «Nos últimos 20 anos assistimos a duas implosões pacíficas significativas:
o comunismo soviético e o capitalismo especulativo-financeiro».
Se Mário Soares, no uso de todas as suas faculdades, garante que o capitalismo especulativo-financeiro implodiu, fica agora a História do futuro avisada. Se Mário Soares (já) não sabe o que quer dizer implosão, visto que fala de «duas implosões que resultaram de dentro para fora», temos que dar-lhe um desconto.
o comunismo soviético e o capitalismo especulativo-financeiro».
Se Mário Soares, no uso de todas as suas faculdades, garante que o capitalismo especulativo-financeiro implodiu, fica agora a História do futuro avisada. Se Mário Soares (já) não sabe o que quer dizer implosão, visto que fala de «duas implosões que resultaram de dentro para fora», temos que dar-lhe um desconto.
Mas estariamos apenas a rir, se as declarações ficassem por aí. Infelismente, não. «Infelizmente, não tive ocasião de ver o debate entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, de que estava particularmente curioso – escreve Soares. - Mas, segundo me disseram - um jornalista que considero isento -, foi inesperadamente bem-comportado ou, mesmo, consensual, como se quisessem guardar as suas respectivas baterias contra os partidos do chamado eixo do poder: PS e PSD».
Para concluir: « Para mim é estranho, quase incompreensível, essa preocupação em partidos que se reclamam da Esquerda. É a política do "quanto pior, melhor", que em tempo de crise - como a que vivemos ainda - pode ser perigosíssima. Temos a memória da experiência ocorrida nos anos 30 do século passado, com a ascensão de Hitler, que conduziu à hecatombe da II Guerra Mundial... Deixou-se caminhar o nazismo porque a luta era contra a social-democracia, a rival mais próxima... E acabaram todos nos campos de concentração: democratas-cristãos, socialistas, comunistas e trotskistas, perante um Hitler megalómano, omnipotente e implacável...»
Moral desta história imoral: a esquerda portuguesa (pelo menos) conduz ao nazismo; a memória conduz a dizer que « deixou-se caminhar o nazismo porque a luta era contra a social-democracia»; Mário Soares é fixe.
2009/07/24
Soares tem dias
«Na última legislatura europeia os socialistas europeus foram mais ou menos "colonizados" pela ideologia neoliberal, em moda nos mandatos de Bush e mesmo antes, abandonaram alguns dos seus valores tradicionais, envergonharam-se da própria palavra socialismo»
Assim falava... Mário Soares na revista VISÃO. Sim, esse! Sério! Isto é, a sério!
E ainda...
«As consequências deste procedimento estão à vista de todos: a crise global que nos afecta (...) só pode ser vencida, sem estragos maiores, se formos capazes de mudar de paradigma»
Mude, setôr. Mude.
Assim falava... Mário Soares na revista VISÃO. Sim, esse! Sério! Isto é, a sério!
E ainda...
«As consequências deste procedimento estão à vista de todos: a crise global que nos afecta (...) só pode ser vencida, sem estragos maiores, se formos capazes de mudar de paradigma»
Mude, setôr. Mude.
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