Como fazer impérios

John Perkins diz que ajudou os EUA a roubar os países pobres, concedendo-lhes empréstimos que não pudessem pagar. Descreve o método:

1. INVESTIGAR
O “investidor” descobre uma fonte natural de riqueza; seja, por exemplo, petróleo.

2. CORROMPER
Manda o seu “diplomata económico” negociar com o dirigente desse país um investimento para extracção do petróleo, em troca de um grande empréstimo do Banco Mundial ou de uma das suas organizações. O dinheiro do empréstimo não é dirigido para aquele Estado mas sim para as corporações do "investidor", a fim de construírem grandes projectos de infra-estruturas naquele país. Só uma pequena parte será atribuída a uns poucos e ricos cidadãos do país fornecedor.

3. ENDIVIDAR
A população em geral não só não beneficia do negócio como fica com o encargo de pagar os juros do empréstimo – valor tão elevado que não terá capacidade para pagar de facto.

4. EMPOBRECER
Para fazer face à dívida, o Estado reduzirá a quantidade e a qualidade dos serviços prestados à população – saúde, educação, transportes, justiça, segurança social, etc..

5. CHANTAGEAR
O investidor manda uma delegação de “técnicos” para “ajudar”o país a solver os seus compromissos vendendo o petróleo do país (a preços irrisórios) ás companhias do “investidor” ou/e votando a favor dos interesses do “investidor” nas Nações Unidas ou/e mandando tropas para os países onde os EUA estão a intervir... (Lembrando entretanto que são eles, os donos das grandes companhias, que controlam as decisões do Banco Mundial, do FMI e, em certa medida, da ONU, para que “tudo” seja legal).

6. BURLAR
Os EUA deixam de aceitar o pagamento “das dívidas” em ouro como até 1971 e passam a exigir o pagamento na sua moeda, o dólar, cujo valor eles manipulam. O petróleo, mais importante que o ouro actualmente, passou a ser negociado em dólares com os países árabes. Um aspecto desta questão é que os EUA, eles próprios, não estariam em condições de pagar a sua enorme dívida sem ser em dólares, visto que podem desvalorizar a moeda.

7. ASSASSINAR
Sadam Hussein ameaçou vender o petróleo do Iraque noutra moeda e... correu-lhe mal. A questão é que “o investidor” abandona a táctica da corrupção quando esta não resulta, e passa então ao segundo recurso: o assassínio dos dirigentes insubmissos. São enviados os “chacais” para derrubar os Governos ou matar os líderes como aconteceu no Panamá, com Omar Torrijos, ou no Equador com Ramir Roldós.

8. FAZER A GUERRA
Se a táctica da corrupção falhar e falhar também a tentativa de derrubar os Governos ou de matar os dirigentes, há um terceiro e definitivo recurso: enviar tropas e fazer a guerra.

O texto reproduz de forma muito aproximada as declarações de John Perkins no vídeo que (ainda) pode ser visto AQUI.

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