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2021/08/27

Fugiram do Afeganistão

Os EUA não se retiram do Afeganistão por razões estratégicas; fugiram, derrotados e humilhados, incapazes de proteger sequer os seus próprios soldados e colaboradores. Sendo senhores da NATO, arrastaram consigo países aliados que nem sempre tinham outros interesses no assunto que não fosse a dependência do Estado mais forte.
O discurso de Joe Biden em 26 de Agosto é politicamente comprensível para agregar uma população desconfiada da política externa norte-americana, em torno do nacionalismo exacerbado que domina a cultura política do país. Mas o que releva nesse discurso é a tentativa de desculpar o erro político dos presidentes, com a insistente atribuição das decisões aos comandos militares.
Quanto à vingança de que fala Joe Biden, o que é de recear é que ele vá ter ainda muito mais de que se vingar, apostado como está em defender “os interesses dos Estados Unidos na região”. Terminada mais esta cruzada intervencionista, que não é de Biden nem sequer de Donald Trump, a maior obrigação dos EUA é apoiar aqueles que comprometeu na sua aventura colonizadora.

2015/09/11

A Síria segundo Trump

“Porque não os deixamos lutar e depois eliminamos o que sobrar?”, perguntou Donald Trump. (Expresso)

Que é como quem diz: que se matem uns aos outros; nós iremos depois pelos despojos.

O que diz o polémico candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América, na sua estúpida franqueza, é o que pensa e faz de facto a administração norte-americana, na sua relação com a Síria.

Disto se dão conta algumas vozes críticas a que modestamente me junto, denunciando a estratégia de facilitar a vida ao “Estado Islâmico” para destruir a Síria – não por ter um regime autoritário mas por ser insubmisso ao programa imperialista dos Estados Unidos da América. 

Trata-se de apoiar o terrorismo mais cruel desde Hitler, em nome da Democracia! Nada que nos surpreenda se tivermos em conta as alianças político-militares dos EUA na região, desde Israel até à Arábia Saudita, aqui onde o autoritarismo do regime é simpático à América do Norte.

É o petróleo, estúpidos! – parafraseando uma conhecida frase da campanha eleitoral de Bill Clinton em 1992.

A Síria, além de ser uma resistência militar à colonização norte-americana, é a segunda maior fonte de reservas provadas de petróleo bruto depois da Venezuela – outro inimigo artificial dos EUA:

Quantos litros de sangue. pelos  milhões de barris de petróleo e biliões de metros cúbicos de gás da Síria? – é a questão.

“Assad não é o principal problema, dado que está neste momento a lutar contra  o Estado Islâmico” – diz Trump. Será que nem Obama assume isto?

2014/04/05

As empresas na política



NOTÍCIAS

«A cadeia de fast-food McDonald's encerrou "temporariamente" a actividade dos três restaurantes que existiam na península da Crimeia.

A cadeia vai mais longe e oferece aos trabalhadores das lojas agora encerradas a "oportunidade" de trabalharem noutro restaurante McDonald's situado na Ucrânia».

«A Universal Postal Deutsche Post's, com sede em Genebra, anunciou que já não aceita distribuir cartas da Crimeia nem assegura a entrega na península».

COMENTÁRIOS

Qualquer semelhança com as estratégias da ITT na política interna dos países anti-imperialistas, isto é, dos países soberanos, não é pura coincidência.

Esse foi justamente o tema do meu tríptico recente neste blogue: “América Latina na mira dos EUA 1/2/3”.

Dívida pública, credores, ajustamento económico, etc., são armadilhas da sua "guerra fria" mundial, do boicote económico. É o imperialismo capitalista de peito aberto.

No caso do confronto com a Rússia, porém, é só fumaça. Mais: a Crimeia deve até agradecer, quer por razões de higiene, quer por razões de concorrência económica.

2013/04/22

paradoxo norte-americano

Criticando as propostas legislativas de Obama contra o acesso indiscriminado de armas, para combater a criminalidade violenta nos Estados Unidos da América, oinsurgente.org  “recomenda” que, nessa ordem de ideias, “os legisladores norte-americanos deverão impor aos comerciantes a obrigatoriedade de verificarem os antecedentes judiciais e psiquiátricos dos seus clientes antes de venderem… panelas de pressão".

Vale pelo humor, mas como as panelas de pressão só são usadas como armas, quando associadas a explosivos, o controlo destes continua a fazer sentido.


Porém há um aspecto que valeria a pena considerar, acima de tudo: é que as armas não se disparam sozinhas, são disparadas por pessoas. Isto é, os norte-americanos que revejam a sua cultura  do “salve-se quem puder”, do egoismo, da concorrência, da arrogância, do culto das armas e do intervencionismo, que são a pólvora da sua insegurança.

No dia em que a solidariedade dos povos valer mais para os mentores da política norte-americana, do que o domínio militar, começará o combate eficaz à violência.

2011/07/22

Como fazer impérios

John Perkins diz que ajudou os EUA a roubar os países pobres, concedendo-lhes empréstimos que não pudessem pagar. Descreve o método:

1. INVESTIGAR
O “investidor” descobre uma fonte natural de riqueza; seja, por exemplo, petróleo.

2. CORROMPER
Manda o seu “diplomata económico” negociar com o dirigente desse país um investimento para extracção do petróleo, em troca de um grande empréstimo do Banco Mundial ou de uma das suas organizações. O dinheiro do empréstimo não é dirigido para aquele Estado mas sim para as corporações do "investidor", a fim de construírem grandes projectos de infra-estruturas naquele país. Só uma pequena parte será atribuída a uns poucos e ricos cidadãos do país fornecedor.

3. ENDIVIDAR
A população em geral não só não beneficia do negócio como fica com o encargo de pagar os juros do empréstimo – valor tão elevado que não terá capacidade para pagar de facto.

4. EMPOBRECER
Para fazer face à dívida, o Estado reduzirá a quantidade e a qualidade dos serviços prestados à população – saúde, educação, transportes, justiça, segurança social, etc..

5. CHANTAGEAR
O investidor manda uma delegação de “técnicos” para “ajudar”o país a solver os seus compromissos vendendo o petróleo do país (a preços irrisórios) ás companhias do “investidor” ou/e votando a favor dos interesses do “investidor” nas Nações Unidas ou/e mandando tropas para os países onde os EUA estão a intervir... (Lembrando entretanto que são eles, os donos das grandes companhias, que controlam as decisões do Banco Mundial, do FMI e, em certa medida, da ONU, para que “tudo” seja legal).

6. BURLAR
Os EUA deixam de aceitar o pagamento “das dívidas” em ouro como até 1971 e passam a exigir o pagamento na sua moeda, o dólar, cujo valor eles manipulam. O petróleo, mais importante que o ouro actualmente, passou a ser negociado em dólares com os países árabes. Um aspecto desta questão é que os EUA, eles próprios, não estariam em condições de pagar a sua enorme dívida sem ser em dólares, visto que podem desvalorizar a moeda.

7. ASSASSINAR
Sadam Hussein ameaçou vender o petróleo do Iraque noutra moeda e... correu-lhe mal. A questão é que “o investidor” abandona a táctica da corrupção quando esta não resulta, e passa então ao segundo recurso: o assassínio dos dirigentes insubmissos. São enviados os “chacais” para derrubar os Governos ou matar os líderes como aconteceu no Panamá, com Omar Torrijos, ou no Equador com Ramir Roldós.

8. FAZER A GUERRA
Se a táctica da corrupção falhar e falhar também a tentativa de derrubar os Governos ou de matar os dirigentes, há um terceiro e definitivo recurso: enviar tropas e fazer a guerra.

O texto reproduz de forma muito aproximada as declarações de John Perkins no vídeo que (ainda) pode ser visto AQUI.