Da crise de 73 e do resto

A guerra Israelo-Árabe de 1973 que opôs a Síria contra Israel e respectivos aliados, nomeadamente a União Soviética, de um lado, e os EEUU, do outro, levou ao embargo do fornecimento de petróleo aos países ocidentais, por parte dos países árabes membros da OPEC*

Isto fez com que, no Ocidente, os preços do petróleo subissem para o quádruplo, criando custos insuportáveis para a produção e para o consumo, logo, a quebra abrupta do investimento e do emprego, acompanhados de inflação. Mas também fez com que os países produtores de petróleo aumentassem de forma extraordinária os seus rendimentos.

Se os efeitos desta crise começaram a deixar de se fazer sentir a partir de 1983, o que há a reter é que o desemprego, esse, continuou elevado por mais alguns anos. E se os países produtores de petróleo enriqueceram muito naquele período, isso nem sempre beneficiou a respectiva população mas sim a sua classe dirigente. Isto é, tanto a crise como a sua superação podem ser vistas como oportunidades, sim, mas não para todos, é para a minoria que detém o poder.

Há qualquer coisa de fatalista nesta lição da História, mas que pode ser vista de outra maneira: as classes exploradas só ganham as crises económicas quando ganham o poder político e não quando ajudam os outros a mantê-lo! Estas são as suas oportunidades.

Falar sobre as formas como estes ganham poder – se não o poder – já seria ocioso para um universo de leitores com acesso à Informação e à intervenção cívica. A questão é saber se merecemos esses acessos quando vemos, na tal Síria, como lutam por ele, morrem por ele, tantos sírios.

*OPEC: Organization of Arab Petroleum Exporting Countries. À época, faziam parte o Irão, Iraque, Kuwait, Arabia Saudita e Venezuela, fundadores, e ainda o Qatar, Indonésia, Líbia, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Nigéria e Equador.

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