Mostrar mensagens com a etiqueta crise. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crise. Mostrar todas as mensagens

2015/09/21

A Grécia está com Tsipras


O povo grego compreendeu o que muitos analistas políticos não entenderam e o que detractores fingiram que não entendiam: que a rendição é um gesto de dignidade e de humanidade, quando a alternativa é o suicídio.

Na U.E., bastaria que um ou dois países se juntassem à Grécia, como era seu dever histórico, e o flagelo económico e social podia ter sido evitado, a razão e o interesse dos povos poderia ter vencido. 

A renegociação da dívida, a partir de Outubro, vai evidenciar melhor a estratégia de Alexis Tsipras e as suas vantagens – será tempo de negociações num contexto de autoridade reforçada do Syrisa. Enquanto isso, o “programa de ajustamento” da troika colocará outros países na eminência de mudar de posição de forma mais ou menos discreta.

Já tarda em reconhecer que a crise da Grécia é a crise de Portugal e que as duas, entre outras, são a crise da Europa - uma “toika” de crises: da dívida, da economia e da política.

Escarnecendo dos fantasmas apontados pelos governos neo-liberais da Europa, o povo grego elegeu corajosamente o Syrisa, em Janeiro, para defender os seus interesses. Compreendendo as circunstâncias em que o governo negociou com os credores, cerca de um mês depois, o povo grego mostrou o seu desprezo pela demagogia “esquerdista” – no sentido leninista do termo – e confirmou a sua confiança em Alexis de Tsipras, nas eleições do passado domingo, 20 de Setembro. É caso para falar da "superioridade moral... dos gregos".

Os nossos políticos e analistas de direita continuarão a dizer mal do Syrisa, ora porque é tolerante ora porque é arrogante - é a luta ideológica. Alguns políticos de esquerda coincidirão nessas críticas - é a luta de concorrência. Outros fazem a História - que não acaba aqui!

2015/01/31

Porque hoje é domingo (67)

Desta vez não vou referir-me à homilia que a Igreja trás hoje à nossa reflexão. Falo de outra narração do Evangelho, em que se conta um milagre de Jesus, porque me parece uma verdadeira alegoria à crise que alastra actualmente pela Europa e pelo mundo.

"Jesus seguia com os seus discípulos numa embarcação quando ocorreu uma tempestade" (Lucas 8:24). Só nesta descrição já está representada a turbulência da crise, a instabilidade e o medo.

Nestas condições, os discípulos voltam-se para o Mestre e alertam-no para a situação, pedindo que os livre do perigo iminente de se afundarem. Então Jesus pede-lhes fé e manda acalmar as águas

Até aqui não fez mais do que faria qualquer político a quem a população pedisse para suster a crise. Mas queas ondas e os ventos lhe tenham mesmo obedecido, já transcende a comparação entre o Filho de Deus e alguns filhos de… outros progenitores.

2013/10/25

Que se lixe a troika


Os objectivos financeiros vêm sendo penosamente prosseguidos através de cortes nos salários, nos subsídios de férias e de natal e nas pensões, e no aumento brutal dos impostos, muitas vezes disfarçados em taxas de solidariedade, taxas adicionais, etc.

Todas estas medidas são apresentadas como provisórias, mas tudo voltará à primeira forma se forem eliminadas, tornando as finanças públicas insustentáveis.

Isto demonstra que é preciso fazer face aos problemas financeiros com soluções económicas, além de ser incontornável a renegociação da dívida pública. Que o caminho da troica é um beco sem saída.

2012/03/16

Da crise de 73 e do resto

A guerra Israelo-Árabe de 1973 que opôs a Síria contra Israel e respectivos aliados, nomeadamente a União Soviética, de um lado, e os EEUU, do outro, levou ao embargo do fornecimento de petróleo aos países ocidentais, por parte dos países árabes membros da OPEC*

Isto fez com que, no Ocidente, os preços do petróleo subissem para o quádruplo, criando custos insuportáveis para a produção e para o consumo, logo, a quebra abrupta do investimento e do emprego, acompanhados de inflação. Mas também fez com que os países produtores de petróleo aumentassem de forma extraordinária os seus rendimentos.

Se os efeitos desta crise começaram a deixar de se fazer sentir a partir de 1983, o que há a reter é que o desemprego, esse, continuou elevado por mais alguns anos. E se os países produtores de petróleo enriqueceram muito naquele período, isso nem sempre beneficiou a respectiva população mas sim a sua classe dirigente. Isto é, tanto a crise como a sua superação podem ser vistas como oportunidades, sim, mas não para todos, é para a minoria que detém o poder.

Há qualquer coisa de fatalista nesta lição da História, mas que pode ser vista de outra maneira: as classes exploradas só ganham as crises económicas quando ganham o poder político e não quando ajudam os outros a mantê-lo! Estas são as suas oportunidades.

Falar sobre as formas como estes ganham poder – se não o poder – já seria ocioso para um universo de leitores com acesso à Informação e à intervenção cívica. A questão é saber se merecemos esses acessos quando vemos, na tal Síria, como lutam por ele, morrem por ele, tantos sírios.

*OPEC: Organization of Arab Petroleum Exporting Countries. À época, faziam parte o Irão, Iraque, Kuwait, Arabia Saudita e Venezuela, fundadores, e ainda o Qatar, Indonésia, Líbia, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Nigéria e Equador.

2012/01/27

Retrato da crise

Tá tudo aí:

«Anestesiados pelo mantra da inevitabilidade do empobrecimento, aliás muito bem orquestrado pelos canais de televisão no horário nobre, os portugueses estão a viver estoicamente o seu papel de cobaias de uma política económica comprovadamente errada, no essencial inspirada pela teoria económica dominante no período anterior à Grande Depressão do século passado. Governados por uma elite política comprada por interesses privados de diferente natureza, ou representados por uma oposição incapaz de produzir uma alternativa mobilizadora, os portugueses parecem cordeiros a caminho do matadouro. É enorme a responsabilidade daqueles que percebem o que está em causa».

Jorge Bateira no Jornal "I" e em "Ladrões de Bicicletas"

2011/11/08

Cobradores de impostos

De Sócrates para Passos Coelho, de Zapatero para Rajoy, de Papandreou para Samaras ou de Berlusconi para Bersani a Europa não substitui as políticas desastrosas que prossegue, substitui os cobradores de impostos.

2011/08/13

Ensaio sobre a nossa cegueira

Somos um país de cegos que se deixa governar por outros cegos.

E nesta cegueira nos benzemos. E nesta cegueira nos coçamos. E nesta cegueira nos sentamos, nos ajoelhamos, pedindo esmola, humildemente, digo humilhadamente, cúmplices, fingidos, mansos - a culpa não é minha, é da minha vizinha; pois, o que vocês queriam era ir para o poleiro, cacaracá, cocorocó, cocó não paga IVA, ainda há quem se queixe, deixe mas é o homem governar que já nem se pode ir de férias descansado... Roma e Pavia não se fizeram num dia. "Mansos, a tua tia". Os homens estão lá há meia dúzia de semanas e já querias o quê? Deixem-nos trabalhar que eles lá sabem o que estão a fazer. Já agora somos todos economistas, não? Vocês andaram a comprar casas sem dinheiro e agora queriam o quê? Não comprassem. Quem não tem dinheiro não tem vícios. Vícios, sim! Se “o país” deve, paga. Ainda bem que há as instituições internacionais para nos ajudarem. Se não fossem eles a terra não dava batata espanhola, uvas de Itália e alho francês... da Bélgica. O alho, é que dava! E o mar dava o quê? Alguma vez se comeu peixe em Portugal antes da ajuda internacional?

Fico por aqui. Tudo o mais já disse o José Saramago no "Ensaio Sobre a Cegueira" de que transcrevo apenas esta passagem:

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”