16/09/2009

Jerónimo de Sousa e a sua ilusão

Domingos Lopes (com tristeza):
«Acreditei, até há tempos, que poderia haver outra saída. Verifiquei que se iam fechando todas as portas».

Jerónimo de Sousa (sorridente):
«Sai um, saem dez, entram mil; estamos bem».

E eu pergunto :
Somos números?

E ainda:
Porque é que só sabemos os nomes dos que saem? Porque é que os congressos só dão conta (do número) dos que “entram”? Suspeito!

Em relação a Domingos Lopes, Jerónimo coloca “a questão folosófica” de saber se «se pode sair de um sítio onde já não se está». E eu pergunto, filosoficamente, se Jerónimo ainda não percebeu que está num partido que já não existe – do PCP histórico, fundado na convicção e na generosidade dos seus dirigentes, resta-lhe a cultura sindical e a ilusão-de-optica eleitoral que as circunstâncias favorecem como nunca antes.

Assim como quem contempla uma estrela que morreu há milhares de anos, mas cuja reflexão luminosa ainda permanece no espaço. Como ensina o esquecido Materialismo Dialectico de Engels e Marx, é assim na natureza e na sociedade.

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