É nisto que o cristianismo faz toda a diferença do comunismo. Vejam a parábola de Jesus que a Igreja invoca este domingo, fazendo fé em S. Mateus (Mt 20,1-16) e que eu passo a citar de forma abreviada.
Um homem saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha. (Logo aqui, marxista que se preze, como eu, identifica uma divisão de classes!).
Como foram contratados a horas diferentes mas o trabalho terminou à mesma hora para todos, uns trabalharam mais que outros – no caso, a diferença chega a ser de onze horas, pelas minhas contas. Assim, os que mais trabalharam, reclamaram por tão clamorosa injustiça.
«Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? (…)Toma o que é teu, e retira-te».
Aqui, Jesus caiu na armadilha do proprietário. É que, mesmo se dermos por válido que aquelas terras eram propriedade legítima do homem, já a "mais-valia" produzida é fruto inequívoco do trabalho dos contratados. Esse rendimento não é dele porque não é da terra apenas – a terra sem trabalho continua a ser terra, apenas, e não vinha! A vinha é, portanto,” de quem a trabalha” até ao momento em que a cede contra um salário.
«Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu?» devia merecer outra avaliação por parte de Jesus, mas reconheço que era difícil para quem não tinha lido ainda o Capital e as teses do seu autor sobre a "mais-valia".
A imagem a preto e branco refere-se à luta dos trabalhadores dos EEUU (Chicago 1886)pelo horário de oito horas diárias.
Sem comentários:
Enviar um comentário