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2010/07/10

Betancourt e o dinheiro


Lembram-se daquelas imagens «comoventes» de Ingrid Betancourt, há 2 anos, elogiando as forças armadas colombianas pelo seu resgate das mãos das FARC(em que os militares de Uribe se fizeram passar por elementos da Cruz Vermelha)? E lembram-se do afectuoso aperto de mão dado a Álvaro Uribe, o presidente da Colômbia e autor de inúmeros «desaparecimentos» de sindicalistas e opositores políticos?

Agora a ingrata Ingrid vem exigir um rio de dinheiro, ao estado colombiano, pelas responsabilidades deste no sequestro de que foi alvo pelas FARC, ela que insistiu em desafiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia numa parte do território controlada por estas, mesmo depois de prevenida pelas autoridades oficiais sobre os riscos que corria. E quando «la propia doctora Ingrid Betancourt calificó como “perfecta”» a operação de resgate, como lembra agora um Comunicado oficial do governo colombiano.

Ela... e a família reclamam a indemnização por prejuízos morais e materiais que avaliam em mais de 15.400 milhões de pesos !

Será que Uribe vai desviar este dinheiro dos cofres do Estado – dinheiro dos contribuinte colombianos! – e merecer pelo menos mais um caloroso aperto de mão ? Claro que não, que isto não faz sentido em termos jurídicos (e menos ainda em termos morais).

Mas não é de crer que este gesto seja... gratuito. Ficamos à espera de sabê-lo.

Passo a transcrever dois recortes da notícia publicada no jornal colombiano Semana.com desta sexta-feira 9 de Julho de 2010.

«... Camilo Sánchez León - abogado e investigador del Centro de Estudios de Derecho, Justicia y Sociedad (Dejusticia) - aseguró que ningún juez en Colombia, ni en el mundo, puede responsabilizar al Estado por el tiempo que duró secuestrada Ingrid Betancourt. “Un juez no le puede decir al Estado cómo debió haber procedido”».
«... Jairo Libreros (experto en temas de seguridad )califica la postura de Ingrid Betancourt y su familia “de tener tintes oportunistas y de enriquecimiento personal” y que esta intención de demanda “puede ser asumida como su renuncia a la vida pública y a sus aspiraciones políticas”».

No mínimo – digo agora eu - o que se pode perceber é que não é a sorte dos colombianos perseguidos, torturados e mortos pelo estado, o que a preocupa!



Para este folhetim já dei alguns textos noutras oportunidades:
"A outra face","like a virgin", "Chamem a Betancourt", "DONDE ESTÁN ???"

2009/11/16

Como acabar com as guerras

Daniel Samper Ospina, colombiano, explica porque não se importa que haja uma guerra entre a Venezuela e a Colômbia. E convida os presidentes a acabarem cada um com o seu próprio país, para evitar o trabalho de destruir o outro...

«Soy pacifista. Invito a los dos presidentes a que cada uno acabe con su país, como lo han hecho con gran éxito, para evitarse la fatiga de destruir al otro.

... Sé que no es fácil reconocerlo, pero voy a tomar impulso: la verdad sea dicha, no me parece tan grave que haya guerra con Venezuela. No me parece preocupante, de verdad. ¿Qué puede dañar un misil si cae por acá? ¿La Caracas? ¿El Monumento de los Héroes? ¿Mesitas del Colegio? Seamos francos: nadie notaría si cae una bomba en la autopista norte: desde hace 35 años está como si le hubiera caído la bomba atómica.

... Digámonos la verdad: en términos generales, Colombia es un país de irresponsables. Pongo por caso el del presidente Uribe, Samuel Moreno y toda esa comparsa delirante que fue a pedir la sede de los juegos panamericanos: ¿dónde querían hacer esos juegos? ¿En El Campincito? ¿En la cancha del Gimnasio Moderno? ¿Dónde pensaban hacer las carreras de natación, las competencias de clavados? El único lugar que se me ocurre es la calle 26, cuando se inunda, porque en el Aquapark de la 68 cada estafilococo es del tamaño de un sapo, y en Colombia los sapos son grandes: el más chiquito es Rodrigo Rivera, para que calculen.»

Recortes do seu artigo de 14 de Nov. 2009 em SEMANA.COM

Para não voltar tão cedo à Colômbia, acrescento já aqui uma frase do Presidente, Álvaro Uribe, que Daniel Ospina certamente saberia comentar com ironia:

“Mi insistencia todos los días a mis compañeros de Gobierno es: afecto con amor al pueblo colombiano, porque de pronto hacen falta los recursos, hay déficit y endeudamiento, pero desde que haya amor a la Patria, afecto desbordado al pueblo colombiano, vamos saliendo adelante, apreciados compatriotas”

2009/11/09

Escutas ilegais e outras guerras


Quem gostou da novela das escutas telefónicas à Presidência da República de Portugal, pode acompanhar agora outra idêntica mas desta vez “baseada em factos reais” que ocorre na Colômbia.

... Hace 21 meses el país se escandalizó al conocerse que, sin órdenes judiciales, desde la Dirección de Inteligencia de la Policía se estaban ‘chuzando' teléfonos de influyentes políticos de oposición, periodistas, abogados y hasta parapolíticos.


El asunto fue tan grave que causó remezón en la Policía y 11 generales fueron descabezados. El espectro de los ‘chuzados' regresa, pero esta vez es el círculo de confianza del presidente Uribe el escuchado... ( El Espectador )

"Lo que se quería era generar un mayor choque de trenes entre el Presidente de la República y el presidente de la Corte", dijo la ex fiscal a La W. Es decir, que las 'chuzadas' y los seguimientos ilegales de magistrados de la Corte que se le atribuyen al DAS eran sólo un montaje para poner a pelear a los dos poderes. ( Semana.com )


Por seu lado, Hugo Chavez diz que está a preparar a Venezuela para a guerra com a Colômbia, tendo em conta a ameaça que representa o acesso das Forças Armadas norte-americanas a sete bases militares colombianas, segundo acordo recente entre estes dois países.

E enquanto uma guerra mata a outra, Uribe vai vivendo... em paz.

2009/01/14

Bush ainda vomita

Uma vez que Pinochet já morreu, digo eu, foi o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quem recebeu a medalha «da Liberdade» do presidente Bush.

Nem o medalhado teve vergonha de receber uma condecoração de um chefe de estado estrangeiro, numa escandalosa atitude de subserviência, nem o presidente mais odiado dos EUA teve vergonha de "premiar" o presidente de um país que persegue e mata os seus opositores políticos utilizando para isso forças paramilitares.


Bush não consegue sair da Casa Branca sem deixar o caminho vomitado.