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2015/08/30

Crise de informação

Já não é só esconder as figuras progressistas e os seus discursos, é subverter os seus argumentos e promover as figuras e os discursos dos ditadores e genocidas. É assim com as notícias sobre a Ucrânia ou sobre a Venezuela, para falar de dois regimes opostos.

«Ao longo das últimas horas, pelo menos sete soldados ucranianos foram mortos e 13 ficaram feridos em confrontos com os separatistas pró-russos, no leste da Ucrânia». É assim que a Euronews lançava ontem a notícia.

Sobre um confronto entre forças armadas ucranianas e activistas pró-russos, fala-se do número de vítimas das primeiras mas omite-se facciosamente o número de vítimas dos segundos! De resto, valoriza-se sempre a pessoa e as palavras de Poroshenko, como se este não tivesse chegado ao poder na sequência de um golpe de estado que depôs o anterior presidente eleito.

A Euronews é um paradigma. De algum modo se poderia dizer que é a Telesur ao contrário. Mas não se equiparam duas “centrais de informação” facciosas, quando a primeira obedece a padrões neo-liberais e a segunda protege valores socialistas, quando a primeira promove os lucros dos privilegiados, e a segunda promove a justiça social e os interesses populares.


A Euronews e as suas discípulas nacionais substituem descaradamente a legitimidade eleitoral de um país, pela "legitimidade" editorial das suas direcções ideológicas.


A Venezuela é outro caso paradigmático. Pouco importa se Hugo Chavez, antes, e Nicolás Maduro, actualmente, foram eleitos por maiorias expressivas em eleições incontestavelmente democráticas.

Para combater os dirigentes progressistas, a contra-informação ao serviço da Direita, dá notícia da falta de produtos à venda nas lojas venezuelanas, omitindo que isso se deve ao boicote económico promovido pela ultra-direita do país e concretizada por traficantes desses produtos com destino à Colômbia.


Com efeito, os contrabandistas desviam esses produtos para o país vizinho onde os vendem muito mais caro, beneficiando dos baixos preços que o governo da Venezuela pratica a favor da população. Beneficiam os contrabandistas, a Oposição venezuelana… e a má-língua euro-liberal.


De tudo isto, o que vemos na informação europeia é que «falta quase tudo na Venezuela»! Uma espécie de slogan que já se lê há vários anos, nomeadamente na nossa imprensa.

O que não vemos é a notícia de que «Los comerciantes de Cúcuta, al noreste de Colombia, afirmaron este martes que el 80 por ciento de los alimentos y productos que venden llegan desde Venezuela a través del contrabando»

O que não vemos, também, é a notícia de que «Los presidentes de Venezuela y Colombia, Nicolás Maduro y Juan Manuel Santos, respectivamente, llamaron a consultas a los embajadores de sus países en el marco del cierre de la frontera y el estado de excepción para acabar con el paramilitarismo y el contrabando de extracción». 

Em vez disto, a Informação dominante na Europa apregoa: "Agrava-se a crise entre a Colômbia e a Venezuela".

Em contrapartida, Álvaro Uribe, promotor de raptos e massacres enquanto presidente anterior da Colômbia, é agora mostrado e feito ouvir nas televisões de Portugal, no prosseguimento da sua veia conspirativa contra a Venezuela.

E se falássemos da Síria? Teríamos de perguntar quem e quando se ouviu o presidente Assad expor os seus argumentos, lá onde crescem contra si os mesmos movimentos terroristas que atacam na Europa e na América. Disto falaremos num próximo artigo.

2012/11/17

Merkel dá mais pica

Na passada segunda-feira, dia 12, dona Angela Merkel era a estrela de S. Julião da Barra, trazendo no regaço um cesto de promessas, esclarecendo, porém, que a “ajuda financeira” não era de sua autoria mas sim da “troica” – talvez para acalmar a investida sedutora de Passos Coelho. Nem pão, nem rosas, mas palavras:«Farei tudo para que Portugal tenha um futuro feliz».
Como se nós não o soubessemos já…


Deste concurso de mentiras vale a pena acrescentar a “convicção” de Passos Coelho de que as “reformas estruturais” que estão a ser levadas a cabo em Portugal irão transformar o país «numa das economias mais dinâmicas da Europa».
Quem duvida?!

Entre as reformas em curso está, como se sabe, a alienação do património nacional (e dos próprios portugueses), onde se inclui a venda da TAP. Interessado nesta companhia aérea e em promover “o comércio, o investimento e o turismo”, também andou por aí um outro visitante com igual peso diplomático mas não económico apesar de ser a 3ª maior economia da América Latina: Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia.

Na foto, os dois presidentes e suas Marias

Santos esteve cá dois dias, 15 e 16 de Novembro, um dos quais coincidiu com a Greve Geral da CGTP, o que obrigou o presidente português a furar a greve para recebê-lo. O presidente que em boa hora sucedeu a Álvaro Uribe - o “implacável exterminador” de sindicalistas e opositores políticos – foi recebido com simpatia e honras protoculares, mas os nossos orgãos de informação, ignorantes ou pouco sensíveis à América Latina que extravasa o Brasil, mal deram por quem nos convidava “a participar no grande programa de construção, ampliação e manutenção de infra-estruturas que Bogotá quer concretizar”.

Esta aproximação ou estreitamento de relações económicas de Passos Coelho e Paulo Portas, com a Colômbia social-democrata, parece rivalizar com as negociações económicas de José Sócrates e Manuel Pinho, a seu tempo, com a Venezuela socialista. Mas é manifesta a diferença de vantagens entre a venda da TAP e a venda dos computadores Magalhães – passe o exemplo a título simbólico.

Santos promove negociações de paz com as FARC, em Cuba; Santos abraça o projecto “integrador” da América Latina e Caribe, promovido pela Venezuela para a descolonização económica da região; Santos respeita a soberania dos outros países; Santos não anda cá para nos tramar como frau Merkel… E isso não dá pica.

2012/10/20

Da censura à propaganda

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)

Eis senão quando, o Jornal das Sete da SIC Notícias fala da América Latina. Fala mal! Para dizer que o representante das FARC nas conversações de paz afirmou que o conflito armado não cessava durante estas negociações.

Pois foi, senhor jornalista, mas isso porque o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, já o havia afirmado alguns dias antes, ‘tá a ver? O que foi hoje reafirmado pelo representante do Governo: "No habrá despeje, no habrá cese de operaciones militares, la fase dos no es una negociación tradicional, no se trata de que el Estado entregue una serie de competencias suyas a cambio de las ideas de las Farc, porque eso no sería, entre otras cosas, digno", aseguró De la Calle.

"Con estas palabras, De la Calle parecía advertir a sus contrarios en la mesa de negociación que el Gobierno se sigue negando a considerar un pronto cese del fuego, como sí lo ha pedido la guerrilla".

No dia seguinte àquela “notícia” o mesmo "jornalista" da Sic anuncia que Fidel Castro está moribundo ou semi-morto ou lá o que lhe apeteceu anunciar.

O "jornalista" nem se deu conta de que Fidel já estava morto há vários anos. A crer nas notícias, as suas mortes mais recentes ocorreram em 2009 e 2010, como pode certificar-se AQUI

Quantas vezes é que o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda publicou que Fidel Castro teria morrido? Bem pode Alex Castro, filho de Fidel, desmentir a notícia, afirmando que o líder da Revolução Cubana "está bem, fazendo suas atividades diárias, lendo, praticando exercícios". Desde quando é que o filho de Castro sabe mais sobre o pai do que o cangalheiro dos líderes de esquerda da América Latina?

É claro que algum dia o "coma-andante", como lhe chamam alguns, há-de morrer e a morbidez de alguns jornalistas há-de acertar. Mas isso não é jornalismo, é propaganda abusiva. E olhe que quem lhe diz isto já terá atacado politicamente Fidel Castro e o seu regime mais vezes do que você. Mas reportando-me a factos e não a desejos. A Sic Notícias merece melhor e tem melhor, como eu também já disse aqui.

2010/12/30

Ano Novo... especial

De todos os cartões de Ano Novo que já vi até agora, este é o que mais me... impressionou!

2010/11/20

Colômbia e Venezuela aproximam-se

Hugo Chavez, praticamente orfão do seu mentor ideológico, Fidel Castro, abriu os braços desmesurados e imprevisíveis, em 10 de Agosto, ao novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que foi braço-direito do ex-presidente Uribe, ambos carrascos dos opositores políticos e que ficaram muito conhecidos pelo mundo no âmbito da operação de resgate de Ingrid Betancourt. (Na foto, ela ao centro e Santos à direita, de camisa branca)

Santos e Chavez comprometem-se a buscar o consenso e evitar divergências. Fazem acordos de cooperação no combate ao narco-tráfico. A troca de prisioneiros é já uma realidade.

Colômbia e Venezuela compartilham 2.219 quilômetros de fronteira. Chavez, há um ano, mandava avançar as tropas para a fronteira com a Colômbia devido à suposta ameaça desta atacar a Venezuela. "Estamos dispuestos a todo" dizia Chavez na televisão em Novembro... de 2009. Antes da tomada de posse de Juan manuel Santos, Chavez ainda assumia a relação conflituosa com a Colômbia de Uribe. Este acusava o presidente da Venezuela de "ocultar a guerrilleros en su territorio" e anunciava "que llevará el asunto a la Organización de Estados Americanos (OEA)".

Agora que Santos assume a presidência colombiana, Chavez ainda quer lá as tropas mas é para evitar que traficantes colombianos utilizem ou se refugiem no seu país – o que responde, afinal, à preocupação de Álvaro Uribe.

A Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína, e a Venezuela é tida como um importante entreposto na rota do tráfico para a Europa e os Estados Unidos. Os seus acordos internacionais para combate ao narco-tráfico não se limitam à Venezuela. Ainda há dias o presidente Santos esteve na Jamaica* com o mesmo propósito declarado, além dos acordos económicos e de cooperação nas áreas da educação e do desporto.

É nítido o esforço do novo presidente colombiano para desenvolver e melhorar as relações diplomáticas com outros países e a diferença de atitude em comparação com o seu antecessor. Será um lado positivo da crise económica mundial?


* A Jamaica situa-se a cerca 145 quilômetros ao sul de Cuba. É uma monarquia parlamentarista e o chefe de estado é o monarca - actualmente é a Rainha Isabel II do Reino Unido.

2009/11/30

Que eu me engane, América Latina !

Nas eleições que decorreram este domingo, 29/9, nas Honduras, para vários cargos, o resultado mais esperado em relação ao cargo presidencial, não é sobre o candidato mais votado mas sim o grau de afluência às urnas, face ao contexto e às circunstâncias em que decorreram. Um contexto de golpe de estado em que o presidente deposto à força apela à abstenção, e numas circunstâncias de repressão policial e participação da Igreja Católica.

A UE, o Brasil e a Venezuerla já declararam a sua recusa em reconhecer a legitimidade das eleições; os EUA , Canadá, Panamá, Costa Rica y Perú, terão manifestado a intenção de aceitar os resultados.

Falta saber que influência terá na situação, a Cimeira Ibero-Americana que decorre em Lisboa por estes dias. Tendo em conta a ausência de Cuba e Venezuela, a divisão de posições atrás referida e o silêncio esperado de Portugal e Espanha, refugiados na sua condição de membros da União Europeia, o mais provável é que a Cimeira terá tanta influência nesta questão como na estratégia “da Inovação e do Conhecimento”, isto é, nenhuma. Que eu me engane!

Quem aposta forte nesta Cimeira é Uribe, o presidente da Colômbia,que aproveitou a vinda a Portugal para recolher propaganda destinada a uso interno: «En el Santuario de la Virgen de Fátima el Jefe de Estado oró por la paz de Colombia»
Fonte da citação e da foto: http://web.presidencia.gov.co/

Se Chavez fosse a Fátima poderia replicar por sua vez a Nossa Senhora que «... todo o arsenal bélico ianque, contemplado no acordo, responde ao conceito de operações extraterritoriais... torna o território colombiano num gigantesco enclave militar ianque..., a maior ameaça contra a paz e a segurança da região da América do Sul e de toda Nossa América». E que seria uma traição contra a própria Venezuela que o seu presidente não defendesse o país - como explica noutro local.

E se Uribe falasse com Chavez e deixasse a senhora... em paz?

2009/11/16

Como acabar com as guerras

Daniel Samper Ospina, colombiano, explica porque não se importa que haja uma guerra entre a Venezuela e a Colômbia. E convida os presidentes a acabarem cada um com o seu próprio país, para evitar o trabalho de destruir o outro...

«Soy pacifista. Invito a los dos presidentes a que cada uno acabe con su país, como lo han hecho con gran éxito, para evitarse la fatiga de destruir al otro.

... Sé que no es fácil reconocerlo, pero voy a tomar impulso: la verdad sea dicha, no me parece tan grave que haya guerra con Venezuela. No me parece preocupante, de verdad. ¿Qué puede dañar un misil si cae por acá? ¿La Caracas? ¿El Monumento de los Héroes? ¿Mesitas del Colegio? Seamos francos: nadie notaría si cae una bomba en la autopista norte: desde hace 35 años está como si le hubiera caído la bomba atómica.

... Digámonos la verdad: en términos generales, Colombia es un país de irresponsables. Pongo por caso el del presidente Uribe, Samuel Moreno y toda esa comparsa delirante que fue a pedir la sede de los juegos panamericanos: ¿dónde querían hacer esos juegos? ¿En El Campincito? ¿En la cancha del Gimnasio Moderno? ¿Dónde pensaban hacer las carreras de natación, las competencias de clavados? El único lugar que se me ocurre es la calle 26, cuando se inunda, porque en el Aquapark de la 68 cada estafilococo es del tamaño de un sapo, y en Colombia los sapos son grandes: el más chiquito es Rodrigo Rivera, para que calculen.»

Recortes do seu artigo de 14 de Nov. 2009 em SEMANA.COM

Para não voltar tão cedo à Colômbia, acrescento já aqui uma frase do Presidente, Álvaro Uribe, que Daniel Ospina certamente saberia comentar com ironia:

“Mi insistencia todos los días a mis compañeros de Gobierno es: afecto con amor al pueblo colombiano, porque de pronto hacen falta los recursos, hay déficit y endeudamiento, pero desde que haya amor a la Patria, afecto desbordado al pueblo colombiano, vamos saliendo adelante, apreciados compatriotas”

2009/11/09

Escutas ilegais e outras guerras


Quem gostou da novela das escutas telefónicas à Presidência da República de Portugal, pode acompanhar agora outra idêntica mas desta vez “baseada em factos reais” que ocorre na Colômbia.

... Hace 21 meses el país se escandalizó al conocerse que, sin órdenes judiciales, desde la Dirección de Inteligencia de la Policía se estaban ‘chuzando' teléfonos de influyentes políticos de oposición, periodistas, abogados y hasta parapolíticos.


El asunto fue tan grave que causó remezón en la Policía y 11 generales fueron descabezados. El espectro de los ‘chuzados' regresa, pero esta vez es el círculo de confianza del presidente Uribe el escuchado... ( El Espectador )

"Lo que se quería era generar un mayor choque de trenes entre el Presidente de la República y el presidente de la Corte", dijo la ex fiscal a La W. Es decir, que las 'chuzadas' y los seguimientos ilegales de magistrados de la Corte que se le atribuyen al DAS eran sólo un montaje para poner a pelear a los dos poderes. ( Semana.com )


Por seu lado, Hugo Chavez diz que está a preparar a Venezuela para a guerra com a Colômbia, tendo em conta a ameaça que representa o acesso das Forças Armadas norte-americanas a sete bases militares colombianas, segundo acordo recente entre estes dois países.

E enquanto uma guerra mata a outra, Uribe vai vivendo... em paz.

2009/01/14

Bush ainda vomita

Uma vez que Pinochet já morreu, digo eu, foi o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quem recebeu a medalha «da Liberdade» do presidente Bush.

Nem o medalhado teve vergonha de receber uma condecoração de um chefe de estado estrangeiro, numa escandalosa atitude de subserviência, nem o presidente mais odiado dos EUA teve vergonha de "premiar" o presidente de um país que persegue e mata os seus opositores políticos utilizando para isso forças paramilitares.


Bush não consegue sair da Casa Branca sem deixar o caminho vomitado.

2008/12/18

Por que te calas
RTP SIC TVI etc

É preciso ler El PAIS (2008-12-18) para saber que...

«La Cámara de Representantes de Colombia aprobó en la madrugada del miércoles el proyecto de convocatoria de referéndum que permitirá al presidente, Álvaro Uribe, repetir mandato en 2014. El texto fue aprobado en una sesión extraordinaria convocada por el Gobierno en el último día del año legislativo, lo que se interpreta como una señal clara del deseo de Uribe de ser reelegido en 2010».

E também que ...

«la justicia penal y disciplinaria está investigando a ministros, ex ministros y funcionarios de este Gobierno por dar prebendas a favor de votos vitales para sacar adelante la primera reelección. Y tampoco está claro aún cómo se financió la campaña de recolección de firmas para este segundo intento».

Porque se calam os jornais portugueses?