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2016/11/17

As 7 diferenças

Tenho para mim que Donald Trump não é pato. Nem pato Donald. É mais Tio Patinhas.

Com quem não se parece é com Obama, como este acaba de dizer na oportunidade da visita à Grécia. Isso desafia-nos para o tradicional passatempo de descobrir "as 7 diferenças" mais relevantes.

Imagem composta para este blogue

2011/01/28

Obamanias e obamofobias

No seu tom de chefe de família que fala aos filhos com autoridade e com afecto, Barack Obama convence pela sedução mesmo antes de fazê-lo pelos argumentos.

Mas não se pense por esta imagem que ele passa das marcas mesmo na presença da própria esposa. Ao contrário do que parece, entre ele e Hillary Clinton há talvez meio metro de distâcia no momento desta foto.

Mais tarde, esvaziada a sala, há aspectos curiosos de análise quando se revê o discurso a frio. Cada um terá os seus pontos de vista; a mim revela-se com particular relêvo um fantasma chinês de duas caras, a China capitalista que ameaça a economia norte-americana e a China comunista que ameaça o mito do liberalismo.
Obama destapa por momentos o fantasma chinês quando diz: «É certo que alguns países não têm este problema. Se o governo central quer um caminho de ferro, consegue-o nem que tenha que derrubar uma quantidade de casas. E se não quer que apareça uma informação desfavorável nos jornais, não se escreve essa informação. No entanto, por muito barulhenta, frustrante e caótica que possa ser às vezes a nossa democracia, sei que não há aqui uma única pessoa disposta a trocar por nenhum outro país do mundo».

Nada que eu mesmo não dissesse de mim próprio a respeito de Portugal, é certo!

Desde a sua candidatura à presidência dos Estados Unidos da América, Obama tem sido “caricaturado” pelas correntes mais retrógradas do pensamento americano, como um perigoso socialista! E há neste seu discurso de 25 de Janeiro, algumas passagens particularmente representativas dos pretextos que ele pode dar neste sentido.«Antes de tirar dinheiro às escolas e às bolsas dos estudante, devemos pedir aos millonários que renunciem às suas isenções fiscais. Não se trata de castigá-los pelo seu êxito; trata-se de promover o êxito dos Estados Unidos».

É claro que não há nestas passagens do discurso qualquer simpatia por Mao, por Marx ou até Proudhon, mas a realidade é uma só, e por mais que Obama proclame as virtualidades do sistema capitalista, a natureza comunitária da nação impõe-lhe «promover o êxito dos Estados Unidos» e da sua população global. Por isso... há um “mas” inevitável na “livre iniciativa” . Um "mas" que se revela cada vez mais incontornável no decurso da História e que ameaça desmontar a estrutura retórica do discurso.

Por enquanto, só alguma reacções pontuais e silenciosas como a expressão destes militares quando confrontados com os cortes no orçamento da Defesa:

2010/09/15

Sectários-gerais [2]

Embora nos viéssemos a conhecer pessoalmente, era sobretudo pelas suas críticas de televisão que eu e a maioria das pessoas conhecia Mário Castrim.

Desassombrado e combativo, assumia um estilo militante na denúncia e inteligente na forma, que suscitava respeito e admiração geral, acho eu, mas também o epíteto carinhoso de “sectário geral” até entre camaradas do PCP.

Falecido em 2002, não conheci ninguém que melhor pudesse herdar-lhe o título, do que Miguel Urbano Rodrigues, também ele jornalista, escritor e militante comunista. Com uma diferença que reputo de grande importância – não cola bem com este último o adjectivo de carinhoso.

Inteligente, informado e sedutor mas sobretudo manipulador de informação como testemunha o seu jornal electrónico – “site” se quiserem – a que chamou “resistir”, significativamente porque é essa a sua luta: resistir contra tudo e contra todos ás novas lições da História, ao tempo e ás suas revelações, servindo-se para isso da própria actualidade para subverter-lhe o sentido sempre que dá jeito à diabolização dos inimigos de estimação.

A reprodução no seu jornal, de artigos como “A biografia oculta dos Obama” de Wayne Madsen, é a “cara chapada” do seu próprio estilo de fazer política. Um artigo, digo talvez melhor um ensaio, que mais parece um relatório secreto de uma qualquer polícia política, profusamente apoiado em relatórios da CIA que era suposto não serem credíveis..., e em que a figura de Obama é colada grotesca e artificialmente a questões a que é inteiramente alheio.

Só para dar uma ínfima ideia do que trata, reproduzo apenas um curto recorte deste texto insano e vomitativo que já vai em parte-três:

«Há muitos volumes de material escrito sobre o passado de George H.W. Bush na CIA e atividades relacionadas com a CIA, de seu pai e seus filhos, inclusive do antigo presidente George W. Bush. Barack Obama, por outro lado, sabiamente mascarou suas próprias conexões com a CIA, assim como as de sua mãe, de seu pai, de seu padrasto e de sua avó (conhece-se muito pouco sobre o avô de Obama, Stanley Armou Dunham, que supostamente trabalhava no ramo de mobiliário no Havaí depois de servir na Europa durante a Segunda Guerra Mundial).

Não sei nada sobre os avós e bisavós de Miguel Urbano nem isso me interessa para avaliar do caracter deste, mas tenho excelente opinião sobre o prestigiado Urbano Tavares Rodrigues, seu irmão, de quem sou amigo pessoal com muito orgulho. Será que não devia???


Como se pode ver por comparação com um outro artigo meu de 2008, a minha consideração por Miguel baixou muito. Mas em vez de ocultar esta diferença de opinião, cabe-me exprimir esta alteração. Não sou dado a cristalizações mentais, talvez.

Segunda imagem: Do filme "El Labirinto del Fauno" de Guillermo Del Toro.

2009/11/03

Obama e o Afeganistão

Recomendo também:
OBAMAFOBIA SEGUNDO KARL MARX

Comparando a reacção dos Estados Unidos à falsa eleição de Karzai no Afeganistão, com aquela que tiveram em relação ao caso Zalaya nas Honduras, percebe-se muito sobre a trágica desilusão que a administração Obama agora prenuncia em matéria de política externa, seja por opção própria ou por cedência tactica interna e externa - que também é opção.

DAS NOTÍCIAS:
«Felicitamos o presidente Karzai pela sua vitória nesta eleição histórica e continuaremos a trabalhar com ele, com a sua nova administração, com o povo afegão e com os nossos parceiros da comunidade internacional para apoiar o progresso do Afeganistão, as reformas institucionais, a segurança e a prosperidade», indicou a embaixada (norte-americana).
[TSF]

«... el secretario general (ONU) añadió un borrón de corrección política a su biografía: felicitó a Karzai por su reelección.
«... la llamada Comisión de Quejas Electorales (CQE), que a la postre fue la que forzó la segunda vuelta al descontar cerca de un millón de votos fraudulentos.
«... Abdulá, que ha pedido a sus seguidores que no salgan a calle y se abstengan de realizar manifestaciones, calificó lo ocurrido este lunes de golpe de Estado, y dijo que un Gobierno que alcanza el poder sin elecciones es ilegítimo.
«... Ahora todo será mucho más difícil en Afganistán. También para las tropas extranjeras que empiezan a ser percibidas, como sucediera en Irak en 2004 y 2005, como parte del problema, más que una solución».
EL PAIS

«Mr. Abdullah rejected any suggestion of joining Mr. Karzai’s government, and he clearly signaled that he was positioning himself as a future player in Afghan politics. In a news briefing later at his home, he said: “I did it with a lot of pain, but at the same time with a lot of hopes towards the future. Because this will not be the end of anything, this will be a new beginning.” »
NYTIMES

Esta "paciência" política de remeter a grande atitude para o futuro, faz lembrar mais uma vez as Honduras, isto é, a tactica capitulacionista de Zalaya. Ou seja, o que está a dar é "presidentes de facto"!

2009/10/10

Pre'mio e castigo para Obama

Este premio puede ayudarle, pero también dañarle. Es un aguijón. Y una amplificación todavía mayor de su proyección internacional, además del reforzamiento de esta marca tan potente. Pero también una elevación sideral de las expectativas y, en consecuencia, de las posibilidades de decepción y de fracaso. Lo peor sería que se lo creyera. Que se diera por satisfecho con la que ha hecho hasta ahora. Nadie se lo perdonaría. Ni él mismo.

Recortado de El Pais /LLUÍS BASSETS, em 10 Out 2009

2009/01/26

Obama soma e segue (2)

NOVA FILOSOFIA POLÍTICA

«"This is not just a short-term program to boost employment. It’s one that will invest in our most important priorities like energy and education; health care and a new infrastructure that are necessary to keep us strong and competitive in the 21st century(...)"

(Texto completo AQUI , e sobre Política Internacional AQUI )

Nunca pensei que alguma vez eu desse tanto crédito a um presidente norte-americano!... Porque será? Eu que continuo a pensar como muitos, que os EUA são um país imperialista; eu que concordo com Fidel Castro em que Obama parece sincero mas o sistema capitalista o confrontará com inevitáveis contradições... Mas eu que também concordo com Karl Marx quando diz que «as mudanças quantitativas operam mudanças qualitativas».

Será que perdi a noção da realidade ou que «o mundo mudou e nós temos que mudar com ele», como diz o novo presidente norte-americano?