2008/02/26

Y todavia...

PCP felicita “eleição” de Raúl Castro...

«O Secretário Geral do PCP (Jerónimo de Sousa) expressou ao novo Presidente de Cuba a confiança dos comunistas portugueses "no prosseguimento dessa fascinante obra de construção colectiva do povo cubano - a sua revolução socialista - que continua a inspirar e a servir de exemplo a todos aqueles que no Mundo prosseguem a luta pela paz, o progresso, a democracia e o socialismo". Confirmando a "profunda amizade e solidariedade" dos comunistas portugueses Jerónimo de Sousa reafirmou a Raúl Castro a "inabalável determinação dos comunistas portugueses em promover os mais profundos laços de amizade e cooperação entre os nossos dois partidos, povos e países»
Avante online 2008-02-25




Comentário:

Assim como o PCP veio depois da implosão do bloco pró-soviético, "explicar" que nunca copiou o modelo da URSS e que se distanciava do unipartidarismo ali vigente, etc., também o fará em relação a Cuba no dia em que aquele povo for obrigado a apoiar o regime que virá ocupar o espaço deixado em ruínas pela monarquia castrista.

Para se perceber como a demagogia pseudo-comunista da actual direcção do PCP se continua a inspirar e a seguir o exemplo da "democracia" cubana, transcrevo a seguir uma passagem da Constituição de Cuba em comparação com uma passagem dos Estatutos do PCP. E também para se perceber como é compreensível a desconfiança, logo a fragilidade eleitoral, logo a inaptidão para o poder, de um partido que devia fazer por merecer essa confiança das amplas massas a que se dirige.

Isto é: os textos parecem democráticos, todavia...

Asamblea Nacional del Poder Popular (Parlamento)

El 15 de Febrero de 1976, mediante un Referendo, el 97,7 % de los cubanos, hombres y mujeres mayores de 16 años, aprobaron en las urnas, en votación libre y secreta, el texto de la Constitución Socialista de la República de Cuba .
En esa Ley Fundamental de la República, queda claramente definido que los órganos del Estado se integran, funcionan y desarrollan su actividad sobre la base de los principios de la unidad de poder y la democracia, los cuales se manifiestan de la forma siguiente:
a) todos los órganos representativos de poder del Estado, sus órganos ejecutivos y todos los tribunales, son electivos y renovables periódicamente;
b) las masas populares controlan la actividad de los órganos estatales, de los diputados, de los delegados y de los funcionarios;
c) todos los elegidos tienen el deber de rendir cuenta de su actuación ante sus electores y éstos tienen derecho a revocarlos cuando no justifican la confianza puesta en ellos;
ch) cada órgano estatal desarrolla ampliamente, dentro del marco de su competencia, la iniciativa encaminada al aprovechamiento de los recursos y posibilidades locales, y a la incorporación de las organizaciones sociales y de masas a su actividad;
d) las disposiciones de los órganos estatales superiores son obligatorias para los inferiores;
e) los órganos estatales inferiores responden ante los superiores y les rinden cuenta de su gestión;
f) la libertad de discusión, el ejercicio de la crítica y autocrítica, y la subordinación de la minoría a la mayoría, rigen en todos los órganos estatales colegiados.

Artº 16º dos Estatutos do PCP:
1. A estrutura orgânica e o funcionamento do Partido assentam em princípios que (...) visam assegurar simultaneamente, como características básicas, uma profunda democracia interna, uma única orientação geral e uma única direcção central.
2. São princípios orgânicos fundamentais:
a) a eleição dos organismos dirigentes do Partido, da base ao topo, e o direito de destituição de qualquer eleito pelo colectivo que o elegeu;
b) a obrigatoriedade de os organismos dirigentes prestarem regularmente contas da sua actividade às organizações respectivas e considerarem atentamente as opiniões e críticas que estas exprimam como contribuição para a sua própria reflexão e respectivas decisões e melhorar o funcionamento colectivo;
c) o carácter vinculativo para todos os organismos das decisões dos organismos de responsabilidade superior tomadas no âmbito das respectivas atribuições e competências e a obrigatoriedade de todos os organismos prestarem contas da sua actividade aos organismos de responsabilidade superior;
d) a livre expressão das opiniões e a sua atenta consideração e debate, procurando que, no trabalho, na reflexão, decisão e acção colectivas dos organismos e organizações do Partido, participe o maior número possível de membros e sejam inseridos os contributos individuais;
e) o cumprimento por todos das decisões tomadas por consenso ou maioria;
f) o trabalho colectivo e a direcção colectiva;
g) o poder de decisão e a mais ampla iniciativa de todas as organizações do Partido na sua esfera de acção, no quadro dos princípios estatutários, da linha política do Partido e das resoluções dos organismos de responsabilidade superior;h) o cumprimento das disposições estatutárias por todos os membros do Partido e a não admissão de fracções - entendidas como a formação de grupos ou tendências organizadas - que desenvolvam actividades em torno de iniciativas, propostas ou plataformas políticas próprias.

2008/02/23

Ética política

A “ética” neoliberal se reduz às virtudes privadas dos indivíduos. Ignora a visão de institucionalidade ética.
Reforça, assim, a atitude paralisante do moralismo, que a reduz à ilusória perfeição individual.

Ora, se a sociedade é estruturada, a ética é imprescindível para se configurar o mundo histórico. Portanto, exige uma teoria política normativa das instituições que regem a sociedade.

Não basta falar em ética na política. A crítica às instituições geradoras de injustiças e negadoras de direitos exige ética
da
política.


As instituições devem garantir a justiça distributiva - a partilha dos bens a que todos têm direito -, e a justiça participativa, a presença de todos (democracia) no poder que decide os rumos da sociedade.O grande desafio ético hoje é como criar instituições capazes de assegurar direitos universais. Isso supõe uma ruptura com a atual visão pós-moderna, neoliberal, de fragmentação do mundo e exacerbação egolátrica, individualista.
...
Neste mundo desesperançado, apenas a imaginação e a criatividade são capazes de livrar a juventude da inércia, a classe média do desalento, os excluídos do sofrido conformismo. Isso requer uma ideologia que resgate a ética humanista do socialismo de inspiração cristã e abandone toda interpretação escolástica da realidade. Sobretudo toda atitude que, em nome do combate à velha ordem, faz a esquerda agir mimeticamente ao incensar vaidades, apegar-se a funções de poder, ceder à corrupção, reforçar a antropofagia de grupos e tendências que se satisfazem em morder uns aos outros.O pólo de referência de todos que pretendem alcançar “um outro mundo possível”, em torno do qual precisam se unir, é somente um: os direitos dos pobres.


- Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Paulo Freire e Ricardo Kotscho, de “Essa escola chamada vida” (Ática), entre outros livros.

Artigo recortado em : http://alainet.org/active/20839&lang=es

2008/02/21

Kosovo 2002

America’s plans to control Caspian oil

Camp Bondsteel, the biggest “from scratch” foreign US military base since the Vietnam War, is near completion in the Yugoslav province of Kosovo. It is located close to vital oil pipelines and energy corridors presently under construction, such as the US sponsored Trans-Balkan oil pipeline. As a result defence contractors «in particular Halliburton Oil subsidiary Brown & Root Services» are making a fortune.

In June 1999, in the immediate aftermath of the bombing of Yugoslavia, US forces seized 1,000 acres of farmland in southeast Kosovo at Uresevic, near the Macedonian border, and began the construction of a camp.

Camp Bondsteel is known as the “grand dame” in a network of US bases running both sides of the border between Kosovo and Macedonia. In less than three years it has been transformed from an encampment of tents to a self sufficient, high tech base-camp housing nearly 7,000 troops, three quarters of all the US troops stationed in Kosovo.

By Paul Stuart29 April 2002
Posted by Hannah at http://hannah.smith-family.com/ November 25, 2005


Em 1999, durante a Guerra do Kosovo, a OTAN e os EUA bombardearam Belgrado, a 250km da zona de conflito, por 78 dias sem parar: centenas de civis foram mortos.
A OTAN atacou a Iugoslávia em 24 de março de 1999, dando início à Guerra do Kosovo. A Otan atacou alvos iugoslavos, seguiram-se os conflitos entre a guerrilhas albanesa e as forças sérvias e se formou um grande número de refugiados.
Em 3 de junho de 1999, líderes ocidentais e iugoslavos chegaram a acordo para o fim à guerra. Em 10 de junho, foi assinado o acordo para encerrar o conflito. A província tem sido administrada pelas Nações Unidas, através da Missão de Administração Interina, e pela OTAN desde a guerra de 1999 entre os sérvios e albaneses étnicos separatistas. Em 27 de dezembro de 2007 o Parlamento sérvio votou, por ampla maioria, uma moção de condenação contra qualquer tentativa de independência do Kosovo. (Wikipedia)

2008/01/24

Homenagem

As fotos foram por mim "roubadas" ao Victor Dias, do seu blogue tempodascerejas.blogspot.com

2008/01/18

Ingerência na Informação


A RTP arquivou o processo contra José Rodrigues dos Santos decorrente da denúncia que este fez da ingerência directa da administração na gestão da Informação da RTP.

Fez mal a RTP. Muito mal! Pois não era de esperar que se apurasse das responsabilidades de quem fez ingerência e de quem a aceitou? Não era isso que interessava? Ou era saber quantas vezes e a que horas é que o JRS passava o dedo pelo controlador electrónico da entrada?

Opps, acabo de saber que o presidente do PSD faz ingerências partidárias públicas na programação dos canais todos da Televisão. Afinal isso é normal. É que eu sonhei que já estávamos num regime democrático. Ou o regime democrático é isto? O melhor é perguntar ao Presidente da República que é o garante blá blá blá.


(O que tem a foto de Putin a ver com isto? Elementar, meus caros. Elementar.)

2008/01/12

Promessas

À esquerda, um filósofo grego; à direita, um filósofo alemão.


1.Consta que a irmã do alemão falseou os seus escritos após a sua morte, para apoiar uma causa anti-semita, o que lhe valeu, à irmã, morrer confortavelmente sob a tutela nazista. Com efeito há quem sustente que os escritos de Nietzsche revelam repulsa ao anti-semitismo.
Moral da história: a mentira compensa!


2.Durante toda a vida, o alemão tentou explicar o insucesso da sua literatura, chegando à conclusão de que nascera para os leitores do porvir. Isto é, que só no futuro se haveriam de compreender sentenças como: «o homem é o animal que pode fazer promessas».
Moral da história: mentir é humano!

3. Parafraseando o grego Sócrates : «A razão porque não deves mentir» ao povo nas campanhas eleitorais não é apenas porque isso é falsa concorrência baseada em publicidade enganosa, é sobretudo «porque tu vais ter que viver com o trapaceiro durante a vida toda! Moral da história: ó bem que és sério, ó bem que és primeiro- ministro!

Para Karl Marx, "república parlamentar" não é sinónimo de "democracia", como pretende a filosofia política do liberalismo. A república parlamentar não garante "a liberdade"; antes constitui uma forma de dominação. Ao contrário da monarquia ou da ditadura militar (onde apenas um sector da burguesia domina), na república parlamentar é a burguesia no seu conjunto que exerce o domínio através do Estado e das suas instituições "representativas".