2011/02/11

À espera dos militares (recuperado)


Não parece haver muitas dúvidas de que serão as Forças Armadas quem irá decidir, em última instância, o desfecho da revolta no Egipto. E a aparente neutralidade com que se tem posicionado, pode ser interpretada como distanciamento em relação ao poder instituído, antes de mais, e em relação a forças para-militares como a polícia que apoia o governo, o que denuncia aproximação em relação à Oposição. Às oposições!, entre as quais se identificam a "Irmandade Muçulmana" e a "Associação Nacional para a Mudança", de ElBaradei.

É provável que a Oposição esteja a aliciar e a negociar com as Forças Armadas no sentido de assegurar a sua colaboração e que estas estejam “a contar armas” no seu seio, e a aguardar o momento oportuno para intervir decisivamente. Se assim fôr, o que se espera é que as forças pró-governamentais não mostrem capacidade para oferecer qualquer resistência.

Ao contrário do pretendido pelos apoiantes de Mubarak*, o agravamento das tensões e a provocação violenta dos pro-governamentais, irão acelerar o processo, visto que tal situação colocará ao Exército o imperativo de intervir.
2011 Fev 03, às 09h30

* Segundo resistir.info, «Não há manifestantes nenhuns a favor de Mubarak. Há, sim, polícias à paisana e marginais por ela recrutados, armados e pagos».

Mubarak e o poder


A ver vamos quem ri no fim...
(Ainda que o fim seja apenas o princípio)

2011/02/07

Greves e bom-senso

O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça, apelou ao “bom-senso” e ao “sentido de responsabilidade” dos intervenientes.

Esperemos que José Sócrates o ouça!


2011/01/30

A Palavra Revolução

31 de Janeiro de 1891. Faz 120 anos, portanto. Foi no Porto. Ainda guardo aquele envólucro de granada que tu levaste da Praça da Batalha para casa, avô. Dourada e com umas flores dentro, fez-se jarra e está agora na minha sala onde há também um quadro com aquele poema do José Gomes Ferreira...

2011/01/28

Obamanias e obamofobias

No seu tom de chefe de família que fala aos filhos com autoridade e com afecto, Barack Obama convence pela sedução mesmo antes de fazê-lo pelos argumentos.

Mas não se pense por esta imagem que ele passa das marcas mesmo na presença da própria esposa. Ao contrário do que parece, entre ele e Hillary Clinton há talvez meio metro de distâcia no momento desta foto.

Mais tarde, esvaziada a sala, há aspectos curiosos de análise quando se revê o discurso a frio. Cada um terá os seus pontos de vista; a mim revela-se com particular relêvo um fantasma chinês de duas caras, a China capitalista que ameaça a economia norte-americana e a China comunista que ameaça o mito do liberalismo.
Obama destapa por momentos o fantasma chinês quando diz: «É certo que alguns países não têm este problema. Se o governo central quer um caminho de ferro, consegue-o nem que tenha que derrubar uma quantidade de casas. E se não quer que apareça uma informação desfavorável nos jornais, não se escreve essa informação. No entanto, por muito barulhenta, frustrante e caótica que possa ser às vezes a nossa democracia, sei que não há aqui uma única pessoa disposta a trocar por nenhum outro país do mundo».

Nada que eu mesmo não dissesse de mim próprio a respeito de Portugal, é certo!

Desde a sua candidatura à presidência dos Estados Unidos da América, Obama tem sido “caricaturado” pelas correntes mais retrógradas do pensamento americano, como um perigoso socialista! E há neste seu discurso de 25 de Janeiro, algumas passagens particularmente representativas dos pretextos que ele pode dar neste sentido.«Antes de tirar dinheiro às escolas e às bolsas dos estudante, devemos pedir aos millonários que renunciem às suas isenções fiscais. Não se trata de castigá-los pelo seu êxito; trata-se de promover o êxito dos Estados Unidos».

É claro que não há nestas passagens do discurso qualquer simpatia por Mao, por Marx ou até Proudhon, mas a realidade é uma só, e por mais que Obama proclame as virtualidades do sistema capitalista, a natureza comunitária da nação impõe-lhe «promover o êxito dos Estados Unidos» e da sua população global. Por isso... há um “mas” inevitável na “livre iniciativa” . Um "mas" que se revela cada vez mais incontornável no decurso da História e que ameaça desmontar a estrutura retórica do discurso.

Por enquanto, só alguma reacções pontuais e silenciosas como a expressão destes militares quando confrontados com os cortes no orçamento da Defesa:

2011/01/26

vícios públicos
e negócios privados

Em Cuba, os negócios privados foram abolidos en 1968 por Fidel Castro na chamada "ofensiva revolucionaria" e autorizados em 1993 para responder à crise em que caíu o país, arrastado na queda do regime soviético.

Em Outubro de 2010 o Congresso do partido-único (PCC) decidiu retomar a tese e avançar com algumas medidas naquele sentido. Mas os fantasmas que povoam as mentes dos legisladores e alguma incompetência à mistura geram uma confusão pouco estimulante. Da economia planificada para a economia desfigurada, o caminho revela-se árduo de percorrer.

«¿Qué está permitido o qué no?. La confusión es tal que la emisora oficial Radio Rebelde abrió el micrófono al público durante varios días, con expertos del ministerio de Trabajo en la cabina.

Hilda llamó desde Camagüey para que le "orientaran" qué puede o no vender en su merendero; Maribel, de Granma, preguntó si para elaborar dulces debe llevar autorización de la escuela donde es maestra; y Adrián, de Holguín, si puede salir a ratos del taller y dejar a su ayudante vendiendo el calzado.

Pese a la incertidumbre, unos 85.000 cubanos pidieron un permiso de trabajo por cuenta propia desde que Raúl Castro lo autorizó en 178 oficios, en un intento de dar salida a los 500.000 empleados que, en una primera fase, serán despedidos del sector estatal hasta marzo.

En las oficinas de licencias, funcionarios aún piden requisitos y numerosos documentos que antes exigían para los contados negocios por cuenta propia. "Dos fotos y carné de identidad. ¡Nada más!", se cansan ahora de repetir las autoridades.

El gobierno intenta presentar la nueva apertura de licencias como un cambio de mentalidad. "Debemos defender los intereses de los trabajadores por cuenta propia, igual que hacemos con cualquier otro ciudadano (...) Hay que transformar conceptos erróneos e insostenibles acerca del socialismo", dijo Raúl Castro en un discurso en diciembre pasado».

Sobre estas medidas, publiquei AQUI um artigo mais desenvolvido, noutra oportunidade.

O texto em castelhano foi recortado em diario de cuba