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2013/12/10

Socialismo é possível

Apesar da sabotagem electrica, alimentar e económica, e da desestabilização em geral, a oposição de direita ao governo chavista de Nicolas Maduro não tem conseguido vencê-lo.

Os resultados eleitorais de domingo passado deixaram a MUD* de Capriles atrás do PSUV* de Maduro com 9% de diferença, se considerarmos a soma nacional dos votos. Vitória do governo progressista e bolivariano, portanto, se quisermos extrair uma leitura nacional destas eleições regionais como pretendeu fazer o MUD durante a campanha eleitoral.

Os resultados municipais propriamente ditos só confirmam esta leitura: 234 municípios para o PSUV e 53 para a MUD, isto é, 76% contra 20%.


Estas eleições confirmaram a popularidade das políticas chavistas, isto é, soberanistas e populares, patrióticas e revolucionárias, bolivarianas e socialistas.

É, sem dúvida, uma inspiração para a região sul-americana mas também para os povos que noutros continentes necessitam resistir contra os poderes económicos e financeiros que bloqueiam o seu progresso e bem-estar da população.

É a demonstração de que há formas socialistas de governar que colhem apoio popular num quadro democrático, apesar da forte hostilidade dos poderes económicos e dos interesses estrangeiros.


*PSUV - Partido Socialista Unido de Venezuela;
MUD - Mesa de la Unidad Democrática.
Na foto: Hugo Chavez, Nicolas Maduro... e a Constituição.

2012/04/23

Lenine, Vasco Lourenço e nós


2010
Há dois anos, Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de abril, defendeu num jantar comemorativo da Revolução, que Portugal "precisa de um novo 25 de Abril pela justiça social".

2011
Há um ano, Otelo Saraiva de Carvalho afirmava que "não teria feito o 25 de Abril se pensasse que iamos cair na situação em que estamos actualmente". Mais contava: «Todos os dias, quando ando na rua, pedem-me para fazer outro 25 de Abril. São os taxistas, são os populares. O povo está sempre à espera que alguém faça alguma coisa. O povo está sempre nas encolhas, e dizem: É preciso que vocês façam, que nós apoiamos»

2012
Este ano, a Associação 25 de Abril que congrega desde o início, a esmagadora maioria dos militares que se envolveram no golpe militar (cerca de 95%) distancia-se das respectivas comemorações programadas para a Assembleia da República, por considerar que "a linha política seguida pelo atual poder político deixou de refletir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril".

2013
Cá estaremos para ver o que acontece, na certeza de que dependerá menos de Otelo e Vasco Lourenço do que do povo português. Como sempre.

Já dizia Lenine que uma greve ou uma insurreição, podem programar-se; uma revolução, não!

2011/09/01

A crise da crise

De cépticos a cínicos
por: Emir Sader
O cepticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cómodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.

Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalacho: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o cepticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis.
(...)
Ser optimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas (...)
31 de Agosto de 2011

* De origem libanesa, Emir Sader é sociólogo e cientista político brasileiro e membro do conselho editorial do periódico inglês New Left Review.

Escreve no blogue CARTA MAIOR


As imagens foram acrescentadas

2011/02/18

Revoluções e tecnologias

«Las nuevas tecnologías son una herramienta para luchar contra las dictaduras, pero no son nada si no hay detrás unos valientes que levanten la voz».

«La historia del cibermilitante Wael Ghonim, de 30 años, ilustra la importancia de esos nuevos actores que hacen temblar las dictaduras árabes.

A pesar de su alto cargo en la oficina de Google para Oriente Medio, con sede en los Emiratos, Wael fue secuestrado en plena calle a finales de enero por la policía secreta egipcia. Habían descubierto que, bajo el seudónimo de el shahid (mártir), ese egipcio había creado un perfil de Facebook para convocar, con mucho éxito, a manifestaciones contra la dictadura.


Además, administraba una página en honor de
Jaled Said (foto ao lado),
un joven bloguero asesinado por la policía en junio pasado en Alejandría».


Foto de Wael-Ghonim recortada do Facebook. Texto recortado AQUI

2011/01/30

A Palavra Revolução

31 de Janeiro de 1891. Faz 120 anos, portanto. Foi no Porto. Ainda guardo aquele envólucro de granada que tu levaste da Praça da Batalha para casa, avô. Dourada e com umas flores dentro, fez-se jarra e está agora na minha sala onde há também um quadro com aquele poema do José Gomes Ferreira...

2010/04/27

Percursos das revoluções

No dia 25 de Abril decorreram, eleições municipais em Cuba!

Para perceber um pouco melhor que coisa é essa, recomendo ESTE artigo de Yoani Sanchez sobre a sua experiência pessoal neste processo, com mais de 3.200 comentários. Livres!

(Na certeza de que esta minha recomendação será vista por Albano Nunes, dirigente do PCP, e alguns fervorosos dirigidos, como uma atitude “de contornos fascizantes”).

25 de ABRIL

Sem pretender estabelecer uma relação com o referido acima, gostaria também de destacar das minhas consultas blogueiras de hoje, ESTE artigo de José Milhazes que além de referências pessoais interessantes, extrai uma conclusão bastante pertinente sobre os resultados do 25 de Abril e outras revoluções com propósitos democratizadores:

«A ressaca não surge porque se conclui que esses acontecimentos não valeram a pena, mas porque, quando a festa termina, os líricos são substituídos por cínicos. Na linguagem destes últimos, chamam-se “pragmáticos”».

Salvaguardado no título que as revoluções são diversas e os percursos também, resta-me discordar da palavra "líricos" no citado texto de JM. Porque "valeram a pena", como reconhece o próprio autor. Trata-se, é certo, de uma compreensível expressão irónica, além de que dá jeito para o efeito fonético. Porque líricos, em rigôr, mais se poderia dizer de quantos ficam à espera da "mudança de mentalidades" para que a sociedade mude.

2010/03/18

Reaccionários das próprias ideias



Pablo Milanés em entrevista ao EL MUNDO :

El Mundo - ¿Qué han hecho los revolucionarios con la Revolución (cubana)?

P.Milanés - Quedarse en el tiempo. Y la Historia debe avanzar con ideas y hombres nuevos. Se han convertido en reaccionarios de sus propias ideas. Por eso he dicho que hace falta otra revolución, porque tenemos manchitas. El sol enorme que nació en el 59 se ha ido llenando de manchas en la medida en que se va poniendo viejo.

2010/03/09

O equilíbrio do mêdo

depois do “equilíbrio do terror”

Para que se dencadeie uma revolução - aprende-se na cultura marxista – é necessário que se reunam as condições objectivas (degradação da situação nacional) com as condições subjectivas (descontentamento popular).

Ora, continuando o assunto do meu último artigo, conhecida a ausência de todas as liberdades políticas, culturais, de informação e de expressão em Cuba ou na Coreia do Norte, por exemplo, a par com a manifesta falta de desenvolvimento económico, mas também o descontentamento amordaçado da população, interrogamo-nos sobre o que faltará para que uma revolução nacional deflagre contra a “revolução” pessoal dos respectivos líderes.

Quem viveu sob ditadura, como nós no tempo de Salazar e Caetano, é fácil perceber a explicação: é o mêdo da repressão e, em parte, o mêdo da alternativa que sustentam o regime.

Por outro lado, a profunda injustiça objectiva que constituem as alegadas remunerações escandalosas entre outras mais ou menos ocultas de gestores e grandes accionistas, à custa da “contenção” das remunerações dos trabalhadores em geral; as receitas de “apoios às empresas” e sacrifícios “às famílias”, em regimes políticos com liberdade de informação e de expressão como o nosso, também acolhem a resignação política dos cidadãos, o que impõe a mesma pergunta sobre o que faltará para que uma revolução nacional deflagre contra a democracia corrupta e injusta. E uma vez mais a resposta é fácil: é o mêdo que sustenta o regime. Ainda que neste caso seja apenas o mêdo da alternativa que se revela nos regimes atrás mencionados.

Dupla resposabilidade, pois, desses regimes e das alternativas que noutros países com eles se irmanam.

Entretanto, enquanto as prováveis alternativas vão aprendendo a andar e a falar, o mundo finge-se estável, como alguém que habita uma casa em espaço sísmico mas não tem outro para viver. Até porque, mesmo quando há sismos, não morre toda a gente...