2008/03/30

Liberdades desportivas

Pelo respeito que tenho pela eurodeputada Ana Gomes foi com alguma tristeza que li um trecho da sua intervenção na Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu:

“Porque me interesso pelos direitos humanos na China e no Tibete, eu não apoio os apelos a um boicote dos Jogos Olímpicos em Pequim. Seria desmasiado conveniente para aqueles que contam com a indiferença do mundo para continuar a oprimir chineses e tibetanos. Em vez disso, cabe-nos a nós todos, como cidadãos do mundo, tornar estes Jogos em Pequim em verdadeiras Olimpíadas pelos Direitos Humanos. Pela liberdade no Tibete e pela liberdade na China".

Quanto a mim, este é o vício central desta campanha com origem na CIA-EUA: pretender que os Jogos Olímpicos são espaço privilegiado para a luta política. Ou pretende Ana Gomes que amanhã os jogos da Selecção Nacional portuguesa sejam invadidos por uma manifestação de professores, ou de sub-contratados, ou de desempregados, ou de indignados com a corrupção na alta-finança...

Pelo que é conhecido de Ana Gomes admito que se trate de um dos seus excessos, frutos de genuino entusiasmo, como aquele em que considerava Jorge Sampaio indigno do PS, mas fico triste por vê-la peder a razão. É o que acontece de quem se gosta. E não é só por ser aquariana...


O que nos cabe a todos , portanto, neste domínio, é respeitar o caracter universal e a liberdade desportiva dos Jogos Olímpicos.

AG co-escreve em http://causa-nossa.blogspot.com/

2008/03/23

a guerra, la guerre, the war


S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer


Fernando Botero - Colômbia - 1973

2008/03/22

Lama contra a China

Nos dias de hoje, a ajuda financeira e política aos exilados tibetanos parte de um poderoso braço da CIA, a National Endowment for Democracy, organismo criado a partir de 1984, sob a administração Reagan, que patrocina e subsidia movimentos pró-americanos ao redor do planeta, como os que recentemente derrubaram os governos da ex-Iugoslávia em 2002, Geórgia em 2004 e Ucrânia em 2005.

O trabalho da NED, desde a década de 1990, é propalar os discursos e ações ''pacifistas'' do dalai-lama ao redor do planeta.
(Publicado em : Pravda 2008-03-21- Prima no título para aceder)

Pequeno historial (da mesma origem)

... Em 1956, o dalai-lama assumiu a presidência do comitê provisório encarregado de organizar a região autônoma do Tibete. As relações entre os governos central e local estavam, portanto, normalizadas.

O conflito ressurgiu quando se cogitou em promover a reforma democrática do Tibete, separando a religião do Estado, abolindo a servidão rural e a escravidão doméstica, e redistribuindo a propriedade das terras e dos rebanhos, monopolizada pela aristocracia civil e pelos mosteiros.

Após o exílio, o dalai-lama, cercado pelas forças antichinesas e por separatistas tibetanos, traiu completamente sua posição patriótica original. A facção pró-ocidental, aproveitando-se da insatisfação entre lamas e nobres, retomou a ofensiva.

Agitando as bandeiras separatista e religiosa, e apoiada pela CIA cada vez mais desinibidamente, como hoje se reconhece, essa facção fundou uma organização política, a ''Quatro Rios e Seis Montanhas'' e uma organização militar, o ''Exército de Defesa da Religião' e iniciou, em 1956, ataques armados a funcionários e prédios públicos, a obras de infra-estrutura e, até mesmo, a tibetanos que apoiassem o movimento democratizador.

2008/03/18

Prós e prós...


A propósito do programa "Prós e Contras" de 17/3 que parece ter sido encomendado para tentar restabelecer a confiança dos portugueses... no Governo ( tal é a bronca ) cito um parágrafo de uma reflexão por mim editada em http://www.manifestomarxista.blogspot.com/


«... A conflitualidade de interesses, porém, e para contrariedade dos capitalistas, provoca a conflitualidade social, as manifestações, as greves, as acções violentas se as outras não resultam.


Até um certo ponto, os diques podem reprimir a torrente do descontentamento, mas quando estas irromperem, mais cedo ou mais tarde, nem elas próprias saberão conter-se.


Tal como na Física, também na Sociedade há uma só forma de evitar o movimento – é criar o equlíbrio ! »





2008/02/29

Galiza e Portugal

Tenho a ideia de que Don Afonso Henriques se "enganou" no caminho, ao expandir o Condado Portucalense para baixo e não para cima ou até para o lado, considerando as afinidades culturais. Mas compreendo que o homem era um bruto, um inculto, pouco ou nada sensível a estas questões.

O facto é que a simpatia recíproca entre as comunidades nortenhas de Portugal e a Comunidade Autónoma de Galiza tem sido um fenómeno persistente. Um recente episódio desse namoro é esta notícia recente:

«Em resposta ao deputado do Bloco Nacionalista Galego (BNG) Francisco Rodríguez o presidente do governo espanhol José Luís Rodriguez Zapatero declarou no parlamamento espanhol que «o Governo espanhol está aberto a estudar a possibilidade de planificar um novo multiplex autonómico adicional para poder difundir a televisão portuguesa na Galiza».

A notícia é de há 2 meses apenas, 31 de Dezembro de 2007, e vem reportada neste vídeo. Mas o assunto foi também tratado na SIC (canal 3 da televisão portuguesa) como se pode ver aqui!


No momento em que José Sócrates anuncia um 5º canal aberto (eu acredito mais facilmente no 5º Império mas se é para acabar com os outros 4...) e em que Menezes do PSD reabre o ataque à sobrevivência económica da RTP, haja alguém que nos queira bem.

2008/02/27

Colômbia com Uribe

As questões da libertação de prisioneiros pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, FARC, e a crise de relações com a Venezuela associadas a estas questões, se têm servido as FARC para lhes dar visibilidade e importância, não menos servirão ao presidente colombiano.

(A Uribe) ha servido para silenciar o disminuir las consecuencias políticas, jurídicas y sociales de los procesos de la llamada “parapolítica” que adelantan la Corte Suprema de Justicia y la Fiscalía contra congresistas, gobernadores y alcaldes cómplices de las acciones criminales de los grupos paramilitares y beneficiarios de sus manipulaciones electorales. El gobierno y el presidente han sido los principales interesados en tender un manto de silencio sobre esas investigaciones que afectan ya a más de 46 congresistas elegidos en el 2006, de los cuales 16 se encuentran en la Cárcel. El 90% de los implicados pertenecen a partidos Uribistas y muchos de ellos han tenido gran cercanía con el propio presidente, como el ex senador Mario Uribe, primo del mandatario.

Entre los implicados en la investigación en los últimos meses se encuentran destacados “caciques” o jefes clientelistas del Partido Conservador como los senadores Luis Humberto Gómez del departamento del Tolima, Ciro Ramirez de Boyacá y Juan Manuel Corzo de Norte de Santander.

Varios de los parlamentarios detenidos se han acogido a sentencia anticipada, aceptando la validez de los cargos de la Corte. Entre los primeros sentenciados se encuentran el ex representante de Sucre, Eric Morris condenado a seis años de prisión y el ex senador Dieb Maloof condenado a 4 años y 9 meses de prisión.

Mientras tanto los procesos contra los jefes paramilitares avanzan a paso de tortuga sin que sus revelaciones sobre infinidad de crímenes cometidos contra la población civil despierten entre los mismos comentaristas de los medios de comunicación y líderes religiosos y políticos que denuncian los delitos de los grupos guerrilleros igual o parecida indignación.

Las informaciones sobre la marcha de esos procesos tienen un lugar secundario , mínimo en los periódicos y los noticieros de radio y televisión no se ocupan en absoluto de los mismos. De hecho pareciera que buena parte de la población se hubiera paramilitarizado ideológicamente y que justificara o disculpara las horrendas acciones de los jefes paramilitares, que como ellos mismos lo han declarado han incluido métodos criminales tan perversos y demenciales como prácticas de descuartizamiento en vivo de personas, canibalismo y todo tipo de torturas y sufrimientos para sus víctimas.

Un punto importante es que algunos de esos “capos” a solicitud del congresista de los Estados Unidos, William De la Hunt, entregaron información muy minuciosa sobre la ayuda que recibieron de empresarios norteamericanos y colombianos para organizar sus aparatos criminales. Esta información que compromete a círculos empresariales muy allegados al gobierno será sin duda alguna otro palo en la rueda para la aprobación del tratado de libre comercio con los Estados Unidos.

El presidente Uribe , por su lado, ha tratado de intimidar a los magistrados de la Corte Suprema que adelantan las investigaciones sobre los parapolíticos y denunció ante la Comisión de Acusaciones de la Cámara al propio presidente de ese tribunal, César Julio Valencia, por calumnia , ya que este se atrevió a ratificar en un reciente reportaje que Uribe le había hecho una llamada telefónica en la que en entre otras cosas le expresó su preocupación por la suerte de su primo , el ex senador Mario Uribe.

En la práctica, lo que quiere hacer el presidente es un linchamiento del presidente de la Corte, ya que bien sabe que la Comisión de Acusaciones está conformada en un 70% por parlamentarios amigos del gobierno.

Además, el gobierno sigue empeñado en que los paramilitares sean juzgados no por el delito de concierto para delinquir, sino por el de sedición que les devolvería el carácter de delincuentes políticos, salvando a los jefes de esos grupos de una posible extradición a los Estados Unidos donde muchos de ellos son requeridos por los tribunales por delitos relacionados con el narcotráfico. Para lograr este objetivo presidente y ministros siguen moviendo fichas e influencias en el Congreso de la República.

Mientras tanto , a pesar de la publicitada desmovilización , muchos de los grupos paramilitares continúan actuando criminalmente en varias regiones del país bajo otro nombre y otros líderes pero con el mismo propósito de hacerse al control de los laboratorios procesadores de cocaína, de las rutas de exportación de ese tóxico, de los contratos de obras públicas, de las apuestas legales.

Félix Posada Rojas
Revista ENCUENTRO Nª 117. www.myshkin.org
Republicado em http://alainet.org/active/22289