O equilíbrio do mêdo

depois do “equilíbrio do terror”

Para que se dencadeie uma revolução - aprende-se na cultura marxista – é necessário que se reunam as condições objectivas (degradação da situação nacional) com as condições subjectivas (descontentamento popular).

Ora, continuando o assunto do meu último artigo, conhecida a ausência de todas as liberdades políticas, culturais, de informação e de expressão em Cuba ou na Coreia do Norte, por exemplo, a par com a manifesta falta de desenvolvimento económico, mas também o descontentamento amordaçado da população, interrogamo-nos sobre o que faltará para que uma revolução nacional deflagre contra a “revolução” pessoal dos respectivos líderes.

Quem viveu sob ditadura, como nós no tempo de Salazar e Caetano, é fácil perceber a explicação: é o mêdo da repressão e, em parte, o mêdo da alternativa que sustentam o regime.

Por outro lado, a profunda injustiça objectiva que constituem as alegadas remunerações escandalosas entre outras mais ou menos ocultas de gestores e grandes accionistas, à custa da “contenção” das remunerações dos trabalhadores em geral; as receitas de “apoios às empresas” e sacrifícios “às famílias”, em regimes políticos com liberdade de informação e de expressão como o nosso, também acolhem a resignação política dos cidadãos, o que impõe a mesma pergunta sobre o que faltará para que uma revolução nacional deflagre contra a democracia corrupta e injusta. E uma vez mais a resposta é fácil: é o mêdo que sustenta o regime. Ainda que neste caso seja apenas o mêdo da alternativa que se revela nos regimes atrás mencionados.

Dupla resposabilidade, pois, desses regimes e das alternativas que noutros países com eles se irmanam.

Entretanto, enquanto as prováveis alternativas vão aprendendo a andar e a falar, o mundo finge-se estável, como alguém que habita uma casa em espaço sísmico mas não tem outro para viver. Até porque, mesmo quando há sismos, não morre toda a gente...

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