Porque hoje é domingo (33)

(versão acrescentada)

Para servir de metáfora à crise económica em curso, Jesus inventou uma história que a Igreja invoca neste quarto domingo da Quaresma.

Trata-se da conhecido episódio imaginário do filho pródigo que pediu ao pai que lhe adiantasse o dinheiro que lhe caberia da herança, a fim de deixar a casa e fazer-se à vida, emigrar como aconselhava o Governo de Passos Coelho.

O pai passou-lhe para a mão uns tantos euros e, ai que se faz tarde, o miúdo pôs-se na alheta, cheio de confiança. Com isto ficava a casa aliviada de uma boca, e a Segurança Social também.

Depressa o rapaz perceberia que a emigração não era solução porque a crise alastrava pelos outros países do sul, e os do norte não queriam ajudar mas explorá-lo até à exaustão. Ele já se contentava com a comida dos porcos (PIGS) – versículo 16 do capítulo 15 de S. Lucas – mas como ninguém lhe dava nada, teve que regressar à terra que o viu nascer e onde poderia, em última instância, acolher-se na casa do pai como fez o irmão mais velho e mais avisado, que não foi na conversa do Governo, deixando-se ficar na casa dos pais como são obrigados a fazê-lo tantos jovens, hoje em dia.

Mais conta S. Lucas, agora no versículo 28, que o irmão mais velho não achou piada à ideia de ter que partilhar de novo o pão do lar. Estava instalado um conflito no seio dos próprios jovens, ambos desempregados, ambos vitimizados pelo mesmo sistema, disputando as migalhas que havia em casa.

Para que tudo fosse ao seu lugar, o pai explicou-lhes que não deviam discutir entre eles mas sim unir as suas energias para combater as políticas do Governo – versículos 31 e 32, adaptados!!!

E assim fizeram. Primeiro, juntaram-se em manifestação aos muitos milhares de outros que tinham os mesmos problemas. Depois decidiram que não voltariam a votar nos partidos que tinham culpa na situação e resolveram dar o seu apoio aos partidos de esquerda que contestam, como eles, estas políticas: o mais velho vai votar PCP e o mais novo e aventureiro vai votar no BE. O pai, um velho resistente anti-fascista, nem precisou de mudar a intenção de voto.

Quanto à mãe não existe nesta história como se pode conferir na versão de S. Lucas acima mencionada.

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