Hoje, 12 de Junho, a Misericórdia de Paris vai estar presente nas Festas dos Santos Populares da Rádio Alfa, com um stand para a apresentação das actividades de apoio aos portugueses emigrados. Ao que parece, Marcelo Rebelo de Sousa também lá estará pelas 13 horas.
Ainda tenho esperança que o Presidente da República e o Primeiro Ministro de Portugal aproveitem para “passar revista” aos portugueses sem sorte nem fortuna. E que lhes desculpem se não estiverem muito bem trajados…
Paris, Junho de 2016. Enquanto o Presidente da República de Portugal elogia os portugueses em geral e condecora alguns em especial, acompanhado pelo chefe do Governo português, o provedor da Misericórdia local, Joaquim Silva Sousa, observa que “a história da emigração, infelizmente, não são só casos de sucesso, também há muitos casos de insucesso e é necessário que alguém se ocupe dessas pessoas.
A Misericórdia de Paris tem agido para evitar que algumas destas pessoas fiquem sem alojamento, o que não evitou alguns casos de portugueses a dormir nas ruas. “Neste momento, temos pessoas que perderam o emprego, que tiveram acidentes de trabalho e que não sabem tratar de questões administrativas, encontrando-se muito facilmente em situações em que não podem pagar a renda. Temos também situações de casais que precisam de alojamento e de trabalho, e alguns problemas de foro psicológico”, descreve o provedor daquela Misericórdia.
São os “lesados do capitalismo”, digo eu, os falidos que não serão "recapitalizados" pelo Estado português. Ou muito me engano...
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2016/06/12
2015/08/29
Maldita carta de condução
Acabo de ver na TVI, uma reportagem sobre as filas de espera no Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT). A reportagem centrou-se em Lisboa mas teria retratado situação idêntica se fosse no Porto.
A propósito, bem se pode dizer que mais depressa se chega de Lisboa ao Porto do que se chega da porta do IMTT ao balcão de atendimento.
Se você precisa duma segunda via da carta de condução, por exemplo, pode dirigir-se à Loja do Cidadão, mas sabe o que encontra? Uma funcionária que se limita a encaminhá-lo para o maldito IMTT. Se pusessem um cartaz com esta informação no balcão, você poupava tempo e o Estado poupava recursos.
Começa aqui o procedimento sádico. Se chegar depois das 10 horas e meia, já não vai a tempo… de tirar uma senha para ser atendido. A reportagem da TVI não refere este duplo martírio: um para tirar a senha, outro para ser atendido conforme a ordem numérica.
Com a senha na mão, prepare-se para passar o resto do dia à espera de ser chamado. A razão que a reportagem também não reporta, é que o balcão onde se trata da renovação da carta, tem quatro cadeiras vazias e uma apenas preenchida por uma funcionária!
Pois, mais duas funcionárias apenas e não haveria filas de espera em desespero, dias de trabalho perdidos por dezenas de pessoas cada dia, sejam particulares, taxistas, motoristas... Mas também não havia o prazer sádico de quem gere aqueles serviços, o sentimento de poder que advém de submeter os outros aos ritos sacrificiais que atestam a sua autoridade. E depois, "há que emagrecer o Estado"... a bem da Nação.
Ouvi dizer que as escolas de condução prestam este serviço sem incómodo para os utilizadores, mas não posso confirmar. Mais, não é credível que haja um entendimento financeiro entre as escolas e o IMTT ou alguém lá colocado. Isso não posso acreditar…
As duas imagens anteriores são de uma reportagem da RTP em Janeiro de 2014! O que segue é um recorte de uma página do Google a partir da pesquisa “IMTT”.
A propósito, bem se pode dizer que mais depressa se chega de Lisboa ao Porto do que se chega da porta do IMTT ao balcão de atendimento.
Se você precisa duma segunda via da carta de condução, por exemplo, pode dirigir-se à Loja do Cidadão, mas sabe o que encontra? Uma funcionária que se limita a encaminhá-lo para o maldito IMTT. Se pusessem um cartaz com esta informação no balcão, você poupava tempo e o Estado poupava recursos.
Começa aqui o procedimento sádico. Se chegar depois das 10 horas e meia, já não vai a tempo… de tirar uma senha para ser atendido. A reportagem da TVI não refere este duplo martírio: um para tirar a senha, outro para ser atendido conforme a ordem numérica.
Com a senha na mão, prepare-se para passar o resto do dia à espera de ser chamado. A razão que a reportagem também não reporta, é que o balcão onde se trata da renovação da carta, tem quatro cadeiras vazias e uma apenas preenchida por uma funcionária!
Pois, mais duas funcionárias apenas e não haveria filas de espera em desespero, dias de trabalho perdidos por dezenas de pessoas cada dia, sejam particulares, taxistas, motoristas... Mas também não havia o prazer sádico de quem gere aqueles serviços, o sentimento de poder que advém de submeter os outros aos ritos sacrificiais que atestam a sua autoridade. E depois, "há que emagrecer o Estado"... a bem da Nação.
Ouvi dizer que as escolas de condução prestam este serviço sem incómodo para os utilizadores, mas não posso confirmar. Mais, não é credível que haja um entendimento financeiro entre as escolas e o IMTT ou alguém lá colocado. Isso não posso acreditar…
As duas imagens anteriores são de uma reportagem da RTP em Janeiro de 2014! O que segue é um recorte de uma página do Google a partir da pesquisa “IMTT”.
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Desemprego,
Governo PSD-CDS,
IMTT
2015/08/14
2015/08/11
Estatistica(mente)
Cada português caminha em média 440 km por ano e bebe 26 litros de vinho, segundo estudos da Universidade Técnica de Lisboa e da Associação Médica de Coimbra, respectivamente.
Isso significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja, não é tão gastador como se apregoa!
Se há matéria em que as estatísticas se têm revelado particularmente problemáticas é o emprego/desemprego.
Se, por um lado está tudo melhor, por outro lado está tudo pior. Ele há o lado das previsões e o lado das verificações, o lado dos contratos duradouros e o lado dos temporários, o lado “do país”… e o lado dos cidadãos.
Leio de David Dinis, citando números do INE, que a descida do desemprego acontece em todas as regiões do país, com redução do trabalho a tempo parcial e do sub-emprego, e que há mais portugueses, com Ensino Superior, com emprego, também mais empregados em todas as faixas etárias (com uma excepção). Tudo isto com a população activa a subir, ligeiramente, no último trimestre. Mas há outros dados a reter, para não nos enganarmos: o segundo trimestre é, pelo menos desde 2011, o melhor do ano, tendendo a ser corrigido depois. (…)
E do que leio no El Pais (Espanha), para não ir mais longe, percebo que estes dados positivos não são um fenómeno português. São o efeito de uma oportunidade conjuntural, nomeadamente a redução da factura energética devida à descida do preço do petróleo, a depreciação do euro em relação ao dólar, a receita sazonal do turismo acentuada pela instabilidade nos países do Mediterrâneo, a emigração…
Depois leio algures que "entre o 2º trimestre de 2011 e o 2º trimestre de 2015, Portugal perdeu 194 mil postos de trabalho...
Conclusão a reter:
5,9 litros de vinho aos 100, não está mal.
Para quem não estiver ainda suficientemente baralhado, recomendo informação mais completa no Observador.
Isso significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja, não é tão gastador como se apregoa!
Se há matéria em que as estatísticas se têm revelado particularmente problemáticas é o emprego/desemprego.
Se, por um lado está tudo melhor, por outro lado está tudo pior. Ele há o lado das previsões e o lado das verificações, o lado dos contratos duradouros e o lado dos temporários, o lado “do país”… e o lado dos cidadãos.
Leio de David Dinis, citando números do INE, que a descida do desemprego acontece em todas as regiões do país, com redução do trabalho a tempo parcial e do sub-emprego, e que há mais portugueses, com Ensino Superior, com emprego, também mais empregados em todas as faixas etárias (com uma excepção). Tudo isto com a população activa a subir, ligeiramente, no último trimestre. Mas há outros dados a reter, para não nos enganarmos: o segundo trimestre é, pelo menos desde 2011, o melhor do ano, tendendo a ser corrigido depois. (…)
E do que leio no El Pais (Espanha), para não ir mais longe, percebo que estes dados positivos não são um fenómeno português. São o efeito de uma oportunidade conjuntural, nomeadamente a redução da factura energética devida à descida do preço do petróleo, a depreciação do euro em relação ao dólar, a receita sazonal do turismo acentuada pela instabilidade nos países do Mediterrâneo, a emigração…
Depois leio algures que "entre o 2º trimestre de 2011 e o 2º trimestre de 2015, Portugal perdeu 194 mil postos de trabalho...
Conclusão a reter:
5,9 litros de vinho aos 100, não está mal.
Para quem não estiver ainda suficientemente baralhado, recomendo informação mais completa no Observador.
2014/08/18
2014/02/19
2013/05/07
Impostos pagam a corrupção
Na conferência realizada ontem no Rivoli, promovida pela APRe/Porto, Paulo Morais demonstrou mais uma vez que a crise económica em Portugal não se deve ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, mas se deve à corrupção.
Citou, nomeadamente:
a EXPO98 foi o pior investimento de toda a História de Portugal desde D. Afonso Henriques,
o EURO2004 enterrou os recursos do Estado em 10 estádios de futebol e correspondentes acessibilidades e edificação urbana do interesse das imobiliárias,
o processo APITO DOURADO de que só restam os árbitros e as prostitutas,
que o negócio dos submarinos trouxe uma boa ajuda a este panorama,
que do BPN resta uma enorme fonte de prejuízos para o Estado, exactamente como foi prevista pelo próprio Estado...
que as PPP (Parcerias Público-Privadas) custaram mais do dobro dos 799 milhões de euros que estavam previstos inicialmente, e que são um negócio a que se dedicam umas dezenas de deputados da Assembleia da República,
que é tudo isto e mais, o que os trabalhadores, reformados e pensionistas são obrigados a pagar com desemprego, impostos, austeridade.
"Seis a sete por cento dos recursos do Orçamento de Estado vão para grandes grupos económicos", disse Paulo Morais, referindo o grupo Espírito Santo, o grupo Mello e o grupo Mota Engil, como alguns dos principais beneficiários.
Ao contrário do que se diz, esta política está a dar resultados! Para grandes empresas exportadoras, à custa da queda dos salários e do desemprego em curso.
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Impostos,
Paulo Morais
2013/03/10
Porque hoje é domingo (33)
(versão acrescentada)
Para servir de metáfora à crise económica em curso, Jesus inventou uma história que a Igreja invoca neste quarto domingo da Quaresma.
Trata-se da conhecido episódio imaginário do filho pródigo que pediu ao pai que lhe adiantasse o dinheiro que lhe caberia da herança, a fim de deixar a casa e fazer-se à vida, emigrar como aconselhava o Governo de Passos Coelho.
O pai passou-lhe para a mão uns tantos euros e, ai que se faz tarde, o miúdo pôs-se na alheta, cheio de confiança. Com isto ficava a casa aliviada de uma boca, e a Segurança Social também.
Depressa o rapaz perceberia que a emigração não era solução porque a crise alastrava pelos outros países do sul, e os do norte não queriam ajudar mas explorá-lo até à exaustão. Ele já se contentava com a comida dos porcos (PIGS) – versículo 16 do capítulo 15 de S. Lucas – mas como ninguém lhe dava nada, teve que regressar à terra que o viu nascer e onde poderia, em última instância, acolher-se na casa do pai como fez o irmão mais velho e mais avisado, que não foi na conversa do Governo, deixando-se ficar na casa dos pais como são obrigados a fazê-lo tantos jovens, hoje em dia.
Mais conta S. Lucas, agora no versículo 28, que o irmão mais velho não achou piada à ideia de ter que partilhar de novo o pão do lar. Estava instalado um conflito no seio dos próprios jovens, ambos desempregados, ambos vitimizados pelo mesmo sistema, disputando as migalhas que havia em casa.
Para que tudo fosse ao seu lugar, o pai explicou-lhes que não deviam discutir entre eles mas sim unir as suas energias para combater as políticas do Governo – versículos 31 e 32, adaptados!!!
E assim fizeram. Primeiro, juntaram-se em manifestação aos muitos milhares de outros que tinham os mesmos problemas. Depois decidiram que não voltariam a votar nos partidos que tinham culpa na situação e resolveram dar o seu apoio aos partidos de esquerda que contestam, como eles, estas políticas: o mais velho vai votar PCP e o mais novo e aventureiro vai votar no BE. O pai, um velho resistente anti-fascista, nem precisou de mudar a intenção de voto.
Quanto à mãe não existe nesta história como se pode conferir na versão de S. Lucas acima mencionada.
Para servir de metáfora à crise económica em curso, Jesus inventou uma história que a Igreja invoca neste quarto domingo da Quaresma.
Trata-se da conhecido episódio imaginário do filho pródigo que pediu ao pai que lhe adiantasse o dinheiro que lhe caberia da herança, a fim de deixar a casa e fazer-se à vida, emigrar como aconselhava o Governo de Passos Coelho.
O pai passou-lhe para a mão uns tantos euros e, ai que se faz tarde, o miúdo pôs-se na alheta, cheio de confiança. Com isto ficava a casa aliviada de uma boca, e a Segurança Social também.
Depressa o rapaz perceberia que a emigração não era solução porque a crise alastrava pelos outros países do sul, e os do norte não queriam ajudar mas explorá-lo até à exaustão. Ele já se contentava com a comida dos porcos (PIGS) – versículo 16 do capítulo 15 de S. Lucas – mas como ninguém lhe dava nada, teve que regressar à terra que o viu nascer e onde poderia, em última instância, acolher-se na casa do pai como fez o irmão mais velho e mais avisado, que não foi na conversa do Governo, deixando-se ficar na casa dos pais como são obrigados a fazê-lo tantos jovens, hoje em dia.
Mais conta S. Lucas, agora no versículo 28, que o irmão mais velho não achou piada à ideia de ter que partilhar de novo o pão do lar. Estava instalado um conflito no seio dos próprios jovens, ambos desempregados, ambos vitimizados pelo mesmo sistema, disputando as migalhas que havia em casa.
Para que tudo fosse ao seu lugar, o pai explicou-lhes que não deviam discutir entre eles mas sim unir as suas energias para combater as políticas do Governo – versículos 31 e 32, adaptados!!!
E assim fizeram. Primeiro, juntaram-se em manifestação aos muitos milhares de outros que tinham os mesmos problemas. Depois decidiram que não voltariam a votar nos partidos que tinham culpa na situação e resolveram dar o seu apoio aos partidos de esquerda que contestam, como eles, estas políticas: o mais velho vai votar PCP e o mais novo e aventureiro vai votar no BE. O pai, um velho resistente anti-fascista, nem precisou de mudar a intenção de voto.
Quanto à mãe não existe nesta história como se pode conferir na versão de S. Lucas acima mencionada.
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homilia
2012/05/14
Desemprego e oportunidade
O presidente do partido vencedor das últimas eleições e, por força disso, Primeiro-Ministro de Portugal, disse que «Estar desempregado (…) tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida».
Eu diria apenas que Passos Coelho perdeu uma grande oportunidade para ficar calado, mas àqueles cuja fé inquebrantável na Direita ainda pode ser iluminada pela razão, recomendo a leitura do artigo que segue.
A Zona do Euro está à beira dos 11 por cento de desemprego (10,9 por cento) e a União Europeia aproxima-se dos 25 milhões de desempregados, segundo os dados oficiais da UE divulgados na última quarta-feira pelo Eurostat.
Portugal é agora o terceiro país com a mais elevada taxa de desemprego na União e na Zona do Euro – 15,3 por cento. A Grécia está com 21,7 e a Espanha com 24,1, números relativos a janeiro deste ano. Em termos absolutos, o número de pessoas desempregadas na União Europeia aumentou 2,1 milhões entre março do ano passado e deste ano, 1,7 milhões das quais na Zona do Euro.
Estes são os efeitos da austeridade enquanto as instituições europeias e os governos continuam a considerar que tal política é compatível com a criação de emprego.
A Espanha e a Grécia são os países mais afetados pelo flagelo do desemprego. A taxa subiu na Espanha de 20,8 para 24,1 entre março de 2011 e janeiro de 2012, calculando-se que se situe atualmente nos 24,4 e ultrapasse os 25 por cento no final do ano. Na Grécia cresceu de 14,7 para 21,1 entre março de 2011 e janeiro de 2012 – a elevação mais rápida em termos absolutos no país onde as políticas de austeridade correspondem a dois processos de resgate em condições impostas pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, FMI).
O desemprego em Portugal, de acordo com os dados do Eurostat, está atualmente em 15,3 por cento, o terceiro mais elevado na União e na Zona do Euro, contra 12,4 por cento há um ano. Em apenas um mês, de fevereiro para março deste ano, subiu 0,3 pontos – ritmo idêntico ao dos países com taxas mais elevadas. Mais da metade dos jovens com menos de 25 anos estão desempregados na Grécia (51,2 por cento) e na Espanha (51,1 por cento), mas em Portugal a taxa já atingiu os 35,4 por cento, uma elevação de 7,8 pontos percentuais em apenas um ano. O desemprego feminino em Portugal cresceu de 12,9 para 15,1 num ano e o masculino aumentou de 12 para 15,5 por cento.
Ao nível da União Europeia a taxa de desemprego entre os jovens atingiu os 22,6 por cento, com 22,1 por cento na Zona Euro. Há 5,5 milhões de jovens com menos de 25 anos desempregados na União Europeia, 3,35 milhões dos quais na Zona do Euro. O desemprego na União Europeia está em progressão constante desde o segundo trimestre de 2008, coincidindo com o período de lançamento das políticas de austeridade e de reformas das leis trabalhistas em vários países, registrando-se apenas uma ligeira inflexão conjuntural no primeiro trimestre de 2011.
Fonte: BE Internacional. Artigo integralmente copiado de ANNCOL-Brasil com realçados meus.
Outra de muitas fontes: sapo.pt (11 de Maio)
Eu diria apenas que Passos Coelho perdeu uma grande oportunidade para ficar calado, mas àqueles cuja fé inquebrantável na Direita ainda pode ser iluminada pela razão, recomendo a leitura do artigo que segue.
A Zona do Euro está à beira dos 11 por cento de desemprego (10,9 por cento) e a União Europeia aproxima-se dos 25 milhões de desempregados, segundo os dados oficiais da UE divulgados na última quarta-feira pelo Eurostat.
Portugal é agora o terceiro país com a mais elevada taxa de desemprego na União e na Zona do Euro – 15,3 por cento. A Grécia está com 21,7 e a Espanha com 24,1, números relativos a janeiro deste ano. Em termos absolutos, o número de pessoas desempregadas na União Europeia aumentou 2,1 milhões entre março do ano passado e deste ano, 1,7 milhões das quais na Zona do Euro.
Estes são os efeitos da austeridade enquanto as instituições europeias e os governos continuam a considerar que tal política é compatível com a criação de emprego.
A Espanha e a Grécia são os países mais afetados pelo flagelo do desemprego. A taxa subiu na Espanha de 20,8 para 24,1 entre março de 2011 e janeiro de 2012, calculando-se que se situe atualmente nos 24,4 e ultrapasse os 25 por cento no final do ano. Na Grécia cresceu de 14,7 para 21,1 entre março de 2011 e janeiro de 2012 – a elevação mais rápida em termos absolutos no país onde as políticas de austeridade correspondem a dois processos de resgate em condições impostas pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, FMI).
O desemprego em Portugal, de acordo com os dados do Eurostat, está atualmente em 15,3 por cento, o terceiro mais elevado na União e na Zona do Euro, contra 12,4 por cento há um ano. Em apenas um mês, de fevereiro para março deste ano, subiu 0,3 pontos – ritmo idêntico ao dos países com taxas mais elevadas. Mais da metade dos jovens com menos de 25 anos estão desempregados na Grécia (51,2 por cento) e na Espanha (51,1 por cento), mas em Portugal a taxa já atingiu os 35,4 por cento, uma elevação de 7,8 pontos percentuais em apenas um ano. O desemprego feminino em Portugal cresceu de 12,9 para 15,1 num ano e o masculino aumentou de 12 para 15,5 por cento.
Ao nível da União Europeia a taxa de desemprego entre os jovens atingiu os 22,6 por cento, com 22,1 por cento na Zona Euro. Há 5,5 milhões de jovens com menos de 25 anos desempregados na União Europeia, 3,35 milhões dos quais na Zona do Euro. O desemprego na União Europeia está em progressão constante desde o segundo trimestre de 2008, coincidindo com o período de lançamento das políticas de austeridade e de reformas das leis trabalhistas em vários países, registrando-se apenas uma ligeira inflexão conjuntural no primeiro trimestre de 2011.
Fonte: BE Internacional. Artigo integralmente copiado de ANNCOL-Brasil com realçados meus.
Outra de muitas fontes: sapo.pt (11 de Maio)
2012/05/10
Rescisões em tempo de nomeações
A propósito de uma mensagem que circula na Net, denunciando que há 29 assessores/adjuntos de ministérios, com idades entre os 24 e os 25 anos, que auferem cerca de 2 a 3 mil euros/mês ao serviço deste Governo PSD/CDS, ocorre-me publicar uma carta que enviei a um antigo colega de trabalho quando ele decidiu rescindir o seu contrato de trabalho:
Amigo, companheiro, granda malandro, PARABÉNS! Estou convencido que tomaste a decisão acertada ao rescindires com a empresa. Há nessa decisão um significado implícito de os mandar para o..., que a corja bem merece.
Esses... que se governam com o nosso trabalho, que se pavoneiam com a nossa subordinação e que se abotoam com os nossos descontos e impostos, não vão poupar ninguém e tanto lhes faz que um gajo trabalhe ou que seja "pensionista" desde que não sejamos da sua "família" - eles não sabem de nós, usam um filtro intelectual como os polícias de choque usam viseiras que distorcem a imagem daqueles a quem agridem. Por muito mal que façam, por muita injustiça que cometam, esse filtro mental com que se distanciam das suas vítimas, convertidas em números, dá-lhes coragem para se banquetearem sem vergonha nem arrependimento à mesa do orçamento que nós somos coagidos a pagar.
Metem nojo quando discursam diariamente com poses sacerdotais, esses abades sebosos que tanto proclamam o emagrecimento do Estado, para engordarem as suas empresas de forma ilimitada, mas que vão roendo tudo o que o Estado ainda possui, na orgia da sua governança de casta.
Quanto mais longe estivermos das empresas e dos organismos que eles dominam, menos sujos nos sentimos. E tu que sempre soubeste da condição de marginal que a maior parte de nós não quer reconhecer, estarás simbolicamente mais longe dessa porcaria encerada, estando afastado dos mecanismos de dominação e controlo pessoal que eles exercem. Já que não somos seus cúmplices morais, não temos que dar a cara por eles.
Desculpa esta incontinência literária mas com tantos purgantes verbais que nos inoculam pela "comunicação " social, uma pessoa chega a um ponto em que não contém as palavras.
Abraço amigo.
Amigo, companheiro, granda malandro, PARABÉNS! Estou convencido que tomaste a decisão acertada ao rescindires com a empresa. Há nessa decisão um significado implícito de os mandar para o..., que a corja bem merece.
Esses... que se governam com o nosso trabalho, que se pavoneiam com a nossa subordinação e que se abotoam com os nossos descontos e impostos, não vão poupar ninguém e tanto lhes faz que um gajo trabalhe ou que seja "pensionista" desde que não sejamos da sua "família" - eles não sabem de nós, usam um filtro intelectual como os polícias de choque usam viseiras que distorcem a imagem daqueles a quem agridem. Por muito mal que façam, por muita injustiça que cometam, esse filtro mental com que se distanciam das suas vítimas, convertidas em números, dá-lhes coragem para se banquetearem sem vergonha nem arrependimento à mesa do orçamento que nós somos coagidos a pagar.
Metem nojo quando discursam diariamente com poses sacerdotais, esses abades sebosos que tanto proclamam o emagrecimento do Estado, para engordarem as suas empresas de forma ilimitada, mas que vão roendo tudo o que o Estado ainda possui, na orgia da sua governança de casta.
Quanto mais longe estivermos das empresas e dos organismos que eles dominam, menos sujos nos sentimos. E tu que sempre soubeste da condição de marginal que a maior parte de nós não quer reconhecer, estarás simbolicamente mais longe dessa porcaria encerada, estando afastado dos mecanismos de dominação e controlo pessoal que eles exercem. Já que não somos seus cúmplices morais, não temos que dar a cara por eles.
Desculpa esta incontinência literária mas com tantos purgantes verbais que nos inoculam pela "comunicação " social, uma pessoa chega a um ponto em que não contém as palavras.
Abraço amigo.
2010/09/27
Chá das cinco
Tudo começou por causa da Boazona que era uma delas e que ninguém se atrevia a identificar com aquele palavrão senão à socapa. Mas não se ponham já a imaginar um conto erótico porque a vantagem da senhora era apenas, para o que aqui nos trás, suscitar o mêdo do marido, de contrariá-la. O risco de perdê-la seria para ele, antes de mais e acima de tudo, perder uma vantagem sobre os seus pares que em tudo o resto eram iguais a ele em capitais fixos e flutuantes, casas, iates e talvez amantes – isto não está provado.
Um dia, uma noite em que o marido saía de casa para o encontro mensal dos cinco amigos, por assim dizer, a Boazona puxou discretamente a saia mais para cima e reivindicou: se eles podiam reunir-se sozinhos, então elas também podiam organizar um chá por mês, só para mulheres. Dadas as circunstâncias e a atenuante de pensar que o chá seria à tarde como é tradição, ele fez de conta que achava muito bem, que até já tinha pensado nisso, que era justo... E se havia homem justo, era ele. Aqui para nós, ele não levava muito a sério o que dizem as mulheres, pelo que levou aquilo à conta de queixume, uma pequena cena de ciúmes sem consequências.
Depressa as mulheres se organizaram – como é próprio das mulheres – e no mês seguinte, quando ele se preparava para sair para a tal reunião, a que os empregados do bar chamavam o G5, ela perguntou se ele podia levá-la para o chá das senhoras. Surpreendido, gaguejante, mas ponderando o mêdo de perder a mulher, ou a sua consideração, o que ia dar ao mesmo, fez uma ou duas perguntas inúteis e dispôs-se a dizer que sim, não sem conferir primeiro que a saia estava à altura conveniente.
Quando chegou ao bar, espaço discreto inserido nos bairros de vivendas da Boavista, a Boazona já encontrou uma das convivas, a Dona Constança, alta e magra como os eucaliptos que o seu marido transformava – mandava transformar – em pasta para papel. Esta combinação entre “pasta” e “papel” dominava a vida dele desde o primeiro dia em que tomou consciência da sua existência.
Dona Constança não era muito dada a falar do marido, se é que havia alguma coisa para dizer além do que eu próprio acabei de contar, mas aquela penumbra aluarada, aquele envolvimento dos arbustos à entrada do bar, puxava às confidências. Daqui a desabafar que o marido andava angustiado por causa do filho, foi o tempo de fumar um cigarro.
Ele exprimiu um sorriso da cor do seu whiski como se aceitasse por bom o que diziam. Mas, na verdade, não era nisso que pensava. Apenas fazia contas a quantos empregados teria que despedir para comprar uma mota e um Ferrari.
Era 28 de Setembro, a véspera das manifestações promovidas pela CGTP/Intersindical Nacional para Lisboa e Porto. Na Imprensa, na Rádio e na Televisão a opinião dos políticos, dos economistas e até dos jornalistas era unânime: "o país" precisava de medidas mais sérias de austeridade!
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