Porque hoje é domingo (49)

Servem as minhas homilias aqui publicadas, para desconstruir a retórica enganadora que os sacerdotes católicos difundem aos domingos pelos altares de todo o mundo. Para denunciar a hipocrisia das suas mensagens piedosas e os malefícios históricos da sua Igreja.
Os profissionais da religião fazem-se passar por porta-vozes de um Deus que eles próprios inventam à imagem das sua conveniência institucional, sectária ou de grupo – como se quiser dizer. É o argumento da autoridade.
Por outro lado, ameaçam com os “castigos divinos” (quando o contexto histórico não lhe oferece outros meios) aqueles que não reconhecem o Deus deles, a Igreja deles e a eles próprios, a sua ideologia e as suas normas de comportamento. É o argumento do medo.

Ao mesmo tempo oferecem um lugar “à direita de Deus-Pai”, no céu – seja o que for que isso seja e signifique…! E, para o caso de não ser um prémio muito convincente, oferecem a cura das suas doenças, a prosperidade dos seus negócios, a vitória dos seus clubes… É o argumento da recompensa.

Frequentar os ritos religiosos, rezar e fazer promessas, servem apenas para alimentar e fortalecer o espírito de seita; o objectivo fundamental, uma vez condicionados psicologicamente, é que os pobres se consolem com o “orgulho de ser pobres”, que os oprimidos renunciem à violência contra os repressores – é submeter a justiça ao poder dominante: “A César o que é de César!”

Na passagem do Evangelho (Mt 11,25-30) que a Igreja invoca neste domingo, “Jesus nos ensina que o caminho que nos leva à salvação é o caminho da humildade”. Não é reclamação da justiça, não é a luta contra a corrupção e a exploração – por muito que a Igreja as condene em teoria – mas sim a humildade, isto é, a subordinação na prática.

A referida passagem do Evangelho, tal como descreve Mateus, cita estas palavras de Jesus: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, assim como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho queira revelar”. Julgam que isto é um disparate sem pés nem cabeça? Desenganem-se porque há sempre um profissional da Igreja para explicar: “Essas palavras deixam claro que somente através de Jesus podemos chegar ao Pai, na Glória Celeste. Não existe outro caminho”.

Se “ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho queira revelar”, como posso estar interessado em “chegar ao Pai”? Quanto à “Glória Celeste”, se não é nome de mulher, uma viagem espacial ou um paraíso fiscal, não moverei um dedo para alcançá-la.


Mal por mal, espero pelas próximas eleições e o próximo campeonato de futebol, a ver se as coisas melhoram.

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