Porque hoje é domingo (52)

O que mais me impressiona na narrativa deste domingo, da Igreja Católica, reportado por Mateus (16, 21-27), é a crueldade com que Jesus se dirige aos seus discípulos, nomeadamente a Pedro que será considerado o primeiro Papa.

Quando Jesus anunciou os sofrimentos que lhe estavam reservados por Deus-Pai (mais cruel ainda do que o Filho), Pedro teria tomado Jesus à parte e comentado: "Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!".

A resposta de Jesus teria sido esta: "Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!".

O resto é retórica com que os profissionais da religião se encarregam de valorizar de forma acrítica os santos paradoxos bíblicos, desenvolvendo-os e enfeitando-os. Mas é uma retórica perigosa que apela ao fanatismo.


Quando Jesus diz: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga, pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”, em que é que isto é diferente do que dizem os combatentes do chamado Estado Islâmico (IS), por exemplo? Em que é que o suicídio de Jesus, em obediência aos "planos de Deus", é diferente do suicídio bombista dos terroristas islâmicos?

Além de que assentam ambos no medo e num negócio: “o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta".

Que Deus lhes perdoe – aquele outro heterónimo de Deus que proclama a caridade e a tolerância.

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