Talvez Dilma

Os deputados desordeiros da direita golpista no Brasil vieram confirmar a tese marxista de que a classe trabalhadora, os desfavorecidos sociais, não podem chegar ao Poder pela via pacífica porque sempre encontrarão a reacção violenta da Direita.

O governo de Lula significou um recuo estratégico da Direita, numa conjuntura em que convinha à própria classe dominante uma distensão relativa, para que “a corda” não quebrasse, para evitar, enfim, a justiça popular. Uma estratégia que encontrou cumplicidades, porventura estratégicas também, do outro lado do conflito. Era a guerra fria interna do Brasil.

A estratégia de Lula para ocupar o Poder, incluiu cedências tais como a entrega de ministérios inteiros às forças conservadoras, a nomeação de um banqueiro neoliberal para o Ministério das Finanças, a nomeação de uma latifundiária para o Ministério da Agricultura, o congelamento da Reforma Agrária…

As negociações com parlamentares corruptos, em troca de apoio político só resultam, porém, enquanto e na medida em que elas favoreçam as políticas e as práticas corruptas desses deputados.

Garantidas que estão as contradições entre estes e os interesses das populações, tais cumplicidades entre forças progressistas e forças conservadoras ou reaccionárias acabam numa ofensiva destas para depor o poder que as constrange. Nestas circunstâncias, a crise de poder que se instaura, encontra as supostas forças progressistas sem credibilidade para mobilizar o Povo a seu favor. Estão criadas as condições para o golpe.

Os discursos de Dilma Roussef, por mais justos e assertivos que sejam, ainda vão a tempo de evitá-lo? E bastarão? Resistirá o PT a tão grande desgaste de confiança? E se assim não for, haverá alguém ou alguma organização com força moral e capacidade política para recuperar o ímpeto popular de que beneficiou inicialmente Lula da Silva?

Se a contestação social não for equivalente à contestação política, Dilma Rousseff poderá mesmo ser a alternativa a Dilma Rousseff! Com uma nova estratégia, mais arrojada, mais radical e não menos. E sem a sombra de Lula, talvez. Talvez.

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