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2016/08/31

Cadê os votos do povo?

(Clique na imagem para ampliar)

2016/06/14

Fora Temer

É uma versão muito livre e muito a propósito da actualidade brasileira, da imortal "O Fortuna" (Carmina Burana). Aconteceu!

2016/05/14

O que querem os brasileiros?

Mais serviços públicos e com melhor qualidade, nomeadamente em matérias de saúde, educação e segurança pública. Este é o desafio declarado de Michel Temer.

A confiança e a unidade do povo brasileiro, que ele elegeu como objectivos no seu primeiro discurso como presidente (não eleito), não significarão nada se o seu governo ilegítimo não mostrar avanços nestes domínios, e será bom ter presente que os governos (eleitos) de Lula e de Dilma deram passos gigantescos nesse sentido sem que isso impedisse a destituição desta.

Dir-se-ia que é tudo uma questão de “conjugação de forças”… mediáticas.

Tanto quanto alguns a imaginam, a agenda política de Temer que lidera um governo provisório, carece de uma revisão da Constituição, o que exige a adesão de 3/5 dos deputados, o que não seria de estranhar que conseguisse, tendo em conta os dois terços conseguidos na assembleia parlamentar. Mas daqui a seis meses virá o tempo de confirmar se o número de conspiradores se mantém. É a prova da viabilidade do seu projecto.

Dilma chama 
"farsa jurídica" ao processo da sua destituição: “Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes”.A oposição acusa-a de violação da lei fiscal com implicações graves na economia. O certo é que o Supremo Tribunal Federal validou o processo de impeachment . Mas o que conta, para efeitos políticos, é o que vai acontecer agora, com este “governo de facto”… e de fato. 

Mesmo aqueles brasileiros que não dão muita importância à seriedade dos novos governantes ou à falta dela, como parece, irão dar importância à distribuição da riqueza, aos impostos, ao emprego, à segurança social, à qualidade da saúde, do ensino, dos transportes…

E não há campanha mediática que chegue para anestesiar uma população que se confronta com a realidade.

2016/04/30

América Latina ameaçada

O processo democratizador progressista que viveu nos últimos anos a América Latina, lá onde confluiram regimes populares por via eleitoral, tornou-se insuportável para os sócios da NATO residentes nos Estados Unidos da América e na União Europeia.

O entendimento dos países da região sobre o direito à própria soberania, sobre o direito autónomo dos povos a decidirem dos seus próprios destinos, era demasiado democrático para os seus interesses.

O crescimento de uma corrente progressista particularmente dinamizada por Hugo Chavez, da Venezuela, e em que participavam Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, Pepe Mujica, do Uruguai, Cristina Kirchner, da Venezuela Raul Castro, de Cuba, ou Lula da Silva, do Brasil, era demasiado assustador para as ambições hegemónicas das potencias ocidentais dominantes e seus aliados submissos.

É por isso, além de mais, que a coligação imperial manda Obama dar o beijo de Judas a Raul Castro, alimenta a desestabilização política e económica na Venezuela, envenena o ambiente na Argentina, e conspira contra Dilma. Não distingue entre regimes democráticos e regimes autoritários mas sim entre regimes submissos, os bons, e regimes soberanos, os maus.

É neste contexto que ocorre a crise na Venezuela de Nicolás Maduro. Uma crise que nasce da guerra económica – armazenamento e desvio clandestino de produtos para desabastecimento do mercado –, sabotagens, contestação violenta (guarimbas), acusações caluniosas e desqualificação dos governantes.

Na Venezuela como no Brasil, o que menos lhes importa é quem ganha as eleições e quais os benefícios sociais distribuídos pela população; o que interessa é que o regime seja servil às conveniências estratégicas, económicas e ideológicas das potências coloniais do novo mundo – este! Nem que seja preciso reeditar um Pinochet, criados os pretextos e recuperadas que vão sendo as condições para isso.

Entretanto, a terra continua a girar, fazendo andar os dias e os anos que estão cada vez menos de feição para aventuras imperialistas. Assim o sol ilumine os povos.

2016/04/22

Brasil no dia seguinte

Se a propaganda da Direita não encontrasse eco na desilusão e revolta de importantes camadas da sociedade brasileira, não teria força nem coragem para levar a cabo o golpe antidemocrático e reaccionário que está em curso.

Já não falo da lama dos processos judiciais como “o mensalão” ou o “lava jato” que salpicaram ou sepultaram dirigentes do PT e dirigentes sindicais, além de membros dos partidos que apoiavam os governos de Lula e de Dilma.

Falo daquilo que é determinante na avaliação popular das políticas e dos políticos, como o emprego e a qualidade dos serviços prestados à população, seja no domínio da saúde ou dos transportes, da habitação ou da segurança.

A população não analisa gráficos económicos, analisa as favelas e o saneamento, as filas de espera e a violência nas ruas. E não compara a situação geral do país com a situação do passado, mas compara o que tem, com aquilo que precisa e em que acreditou.

Por mais milhões de empregos que tenham sido criados, sobram sempre críticas quanto à qualidade e garantias de estabilidade, além de serem sempre menos que os necessários e esperados. Se foram levados à prática programas sociais tão importantes como o Bolsa Família e Fome Zero , as exigências da população, confrontada com a dimensão da corrupção e das carências de um país com duzentos milhões de habitantes, oferecem sempre pretextos à oposição política.

Aqui chegados, a questão é saber se a nova resposta virá de uma direita reaccionária golpista e truculenta, de uma extrema-esquerda populista ou do governo de Dilma Rousseff, mais limpo e mais comprometido com as camadas carenciadas da população.

2016/04/20

Talvez Dilma

Os deputados desordeiros da direita golpista no Brasil vieram confirmar a tese marxista de que a classe trabalhadora, os desfavorecidos sociais, não podem chegar ao Poder pela via pacífica porque sempre encontrarão a reacção violenta da Direita.

O governo de Lula significou um recuo estratégico da Direita, numa conjuntura em que convinha à própria classe dominante uma distensão relativa, para que “a corda” não quebrasse, para evitar, enfim, a justiça popular. Uma estratégia que encontrou cumplicidades, porventura estratégicas também, do outro lado do conflito. Era a guerra fria interna do Brasil.

A estratégia de Lula para ocupar o Poder, incluiu cedências tais como a entrega de ministérios inteiros às forças conservadoras, a nomeação de um banqueiro neoliberal para o Ministério das Finanças, a nomeação de uma latifundiária para o Ministério da Agricultura, o congelamento da Reforma Agrária…

As negociações com parlamentares corruptos, em troca de apoio político só resultam, porém, enquanto e na medida em que elas favoreçam as políticas e as práticas corruptas desses deputados.

Garantidas que estão as contradições entre estes e os interesses das populações, tais cumplicidades entre forças progressistas e forças conservadoras ou reaccionárias acabam numa ofensiva destas para depor o poder que as constrange. Nestas circunstâncias, a crise de poder que se instaura, encontra as supostas forças progressistas sem credibilidade para mobilizar o Povo a seu favor. Estão criadas as condições para o golpe.

Os discursos de Dilma Roussef, por mais justos e assertivos que sejam, ainda vão a tempo de evitá-lo? E bastarão? Resistirá o PT a tão grande desgaste de confiança? E se assim não for, haverá alguém ou alguma organização com força moral e capacidade política para recuperar o ímpeto popular de que beneficiou inicialmente Lula da Silva?

Se a contestação social não for equivalente à contestação política, Dilma Rousseff poderá mesmo ser a alternativa a Dilma Rousseff! Com uma nova estratégia, mais arrojada, mais radical e não menos. E sem a sombra de Lula, talvez. Talvez.

2016/04/19

Nem Ordem nem Progresso

Foi uma assembleia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha.

O que se passou ontem, 17 de Abril, no Congresso do Brasil, foi de uma falta de dignidade que ultrapassa tudo o que é expectável.

Dilma Roussef não está incriminada em nada; é a destituição de uma presidente, sem qualquer base jurídica nem constitucional para tal. É de arrepiar!

Nada disto vai resolver a situação brasileira, nem sequer a questão económica. Vai apenas deixar os brasileiros completamente divididos; a Economia vai paralizar, não sei como o governo vai funcionar e, olhando para o passado, as  coisas estão maduras para um golpe militar.

Excertos do feliz comentário de Miguel Sousa Tavares na SIC/Jornal da Noite de 2016-04-18.

2015/03/17

Brasil na mira (1)

Nos últimos dias, multidões de brasileiros participaram em manifestações em várias cidades do Brasil. Muitos milhares em defesa da presidente Dilma Rousseff e muitos milhares críticando o governo.

Procuro os argumentos anti-Dilma, e o que encontro?

Num carro de som, fazem-se críticas à condução do PT no governo, pede-se o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e o fim da corrupção. Nos cartazes"Socialismo dura até que acabe o dinheiro dos outros" , "A nossa bandeira jamais será vermelha", "S.O.S. Forças Armadas" , "Intervenção militar já".

Procuro os organizadores das manifestações contra o Governo e o que encontro?

Uns tantos “movimentos” sem organização nem representação significativa e sem programa ou argumentário reconhecível, que se exprimem através do Facebook. Entre eles, porventura os mais intervenientes, o movimento “Vem pra Rua”, o O grupo “Revoltados On Line” e o Movimento Brasil Livre (MBL)”.

O movimento “Vem pra Rua” foi constituído em setembro de 2014, durante as eleições, tendo apoiado o candidato derrotado Aércio Neves e está identificado com o mundo empresarial e financeiro. Na convocatória para uma manifestação, lia-se este “forte” argumento: "Motivos para o dia 15/03 não faltam. Seja qual for o seu, vem pra rua”.

O grupo “Revoltados On Line” conta com a coordenação de cerca de 20 pessoas e foi formado pelas redes sociais. Dizem-se contrários à corrupção e pedem o “impeachment” (cessação de mandato) de Dilma Rousseff. O seu fundador afirmou: “Dilma Rousseff odeia o Brasil, é uma terrorista que infelizmente está no poder nesse país”. Já foram defensores de um golpe militar, mas retiraram esta reivindicação, assim como referências religiosas, por razões táticas.

O “Movimento Brasil Livre (MBL)”, com maior dimensão, é formado por liberais e conservadores, e defende a privatização de serviços básicos como a educação e a saúde e a diminuição da intervenção do Estado na sociedade. Está directa ou indirectamente associado a interesses de grandes grupos empresariais brasileiros e meios de comunicação e associado a outros think thanks internacionais.

Em todo o caso, as expressivas manifestações recentemente realizadas, revelam mais do que estes movimentos “apartidários” representam. Independentemente destas movimentações mais ou menos dispersas e corpusculares, e porventura de movimentações altamente organizadas a nível nacional e internacional, apostadas na desestabilização política do Brasil e da região, os protestos encontram em largas camadas da população brasileira, sentimentos de descontentamento que importa compreender. 

A isso iremos noutra oportunidade.

2014/10/23

Força Brasil. Avante Uruguai

Pepe Mujica, como é carinhosamente tratado o presidente que doa 90% de seu salário para ONGs e pessoas carentes, termina agora o seu mandato de cinco anos.

No próximo domingo, há eleições no Uruguai, actualmente um dos países mais progressistas da América Latina. Tabaré Vázquez, o candidato melhor colocado nesta primeira volta, para suceder a Mujica, provém da mesma família política, a coligação Frente Amplio. Ele foi o primeiro presidente de esquerda da história do Uruguai, de 2005 até 2010.

No mesmo dia e no único país que faz fronteira com o Uruguai, o Brasil, Dilma Rousseff (na foto, com Mujica) disputará o próximo mandato presidencial,  com o candidato social-democrata Aécio Neves.

Aqui já se trata da segunda volta, em que Aécio conta com o apoio expresso da candidata Marina Silva, afastada na 1ª volta – apoio da candidata mas não necessariamente de muitos dos seus apoiantes.


Ao invocar os valores da esquerda para atrair o apoio popular, nomeadamente em matéria de “compromissos sociais e económicos e fortalecimento do serviço público” Aécio reconhece que é nesses valores, e não nos seus ou dos seus aliados, que o Povo confia. O que em Lula e Dilma foram realizações económicas e sociais, em Aécio são promessas eleitorais que não correspondem ao seu ideário – para ele, as empresas estão primeiro!

As vitórias de Dilma, no Brasil, e Tabaré Vázquez, no Uruguai, a confirmarem-se, representarão o prosseguimento de um rumo de independência e progresso que não só beneficiará a América Latina como outras regiões onde domina a colonização económica e o retrocesso civilizacional – nomeadamente a Europa.

1ª foto: epocanegocios.globo.com

2014/10/10

Brasil já escolheu

No “campeonato nacional” das presidenciais, do passado domingo, o Brasil escolheu: Dilma Rousseff ganhou as eleições com 41,59% enquanto Aécio Neves teve 33,55% e Marina Silva teve 21,32%. Dilma recebeu mais oito milhões de votos do que o segundo classificado.
Mas…


Mas Dilma não é da família política do PS nem do PSD, como são Marina e Aécio, respectivamente. 
Logo…

Logo, as notícias em Portugal não são a vitória de Dilma Rousseff mas sim…

QUE Dilma Rousseff, do PT, conseguiu a vitória, mas não os votos suficientes para evitar uma 2ª volta.
QUE Aécio Neves vence primeira volta… em Portugal.
QUE Aécio e Dilma decidem presidência do Brasil na segunda volta

Agora, a notícia é que o Partido Socialista brasileiro vai apoiar o social-democrata Aécio Neves na segunda volta das eleições presidenciais, a 26 de Outubro, para impedir a reeleição de Dilma Rousseff.

E a (minha) previsão é que os órgãos de Informação em Portugal já afiaram as unhas para arranhar o  Partido dos Trabalhadores. Mais certa do que a previsão da Datafolha!

O Instituto Datafolha, um dos principais centros de sondagens e estudos do país, divulgava em 10 de Setembro a sua sondagem, em que Dilma Rousseff surgia com 36% dos votos, seguida de Marina Silva com 33% e do social-democrata Aecio Neves com 15%.

Quanto à segunda volta, Datafolha já está a fazer o seu trabalho...


Nota: A primeira volta das eleições gerais brasileiras de 2014, realizadas no dia 5 de outubro destinaram-se a escolher não só o presidente da República, mas também os vinte e sete governadores das unidades federativas, um terço dos membros do Senado Federal, a totalidade dos membros da Câmara dos Deputados e os representantes dos poderes legislativos estaduais.

2014/02/02

Direito à informação

Dilma Rousseff foi notícia em Portugal por ter feito uma discreta escala em Lisboa, vinda de Davos, e por ter visitado Fidel Castro, um ou dois dias depois em Havana.

Dilma não foi notícia por ter ido a Cuba participar na reunião anual da CELAC que este ano decorreu em Havana. Isto é, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos que reuniu 33 presidentes ou chefes de governo, não foi notícia!


Sim, Fidel recebeu Dilma. Como recebeu Rafael Correa, Evo Morales, José Mujica, Peña Nieto... E Cristina Kirchner, ela que tem sido alvo de especulações acerca do seu estado de saúde visto que não saía da Argentina desde a neurocirurgia a que foi submetida em Outubro passado.

Sim, Dilma Rousseff jantou em Lisboa e pagou do seu bolso em vez de usar da prerrogativa que lhe concede a condição de Presidente da República em viagem de trabalho!

Sim, A CELAC existe e cumpre um papel de excepcional importância para a paz, o progresso, a independência dos povos e a democracia na região! E não é por ser censurada na matriz de informação europeia, que deixa de cumprir a sua missão.

(imagem relativa à reunião do ano anterior)