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2012/02/08

Eles compram países

O problema da dívida soberana dos países da União Europeia, já não é uma questão financeira, é uma questão política e social.

Os grandes credores representados pela “Troica” não se limitam a exigir o pagamento dos empréstimos… e dos juros; exigem mudanças na legislação e na cultura dos países, exigem perda de soberania e degradação da vida dos cidadãos. Não são credores, são ocupantes.

A proposta de criar um comissário internacional para acompanhar as medidas tomadas pelos governos nacionais, não é uma fantasia passageira, é um elemento coerente com o papel que a "troica" se reserva.


Alguns aceitarão a justificação de que os credores têm o direito de controlar a forma como os países estão a garantir o pagamento das suas dívidas… e dos juros. Alguns aceitam tudo. Mas é altura de nos perguntarmos se os credores não têm responsabilidade na avaliação dos riscos que correm quando emprestam dinheiro. Porque não desconfiaram dos países, antes de lhes emprestarem o dinheiro? Porque aceitaram correr riscos de incumprimento?

Eles podem não recuperar algum do capital emprestado, ou não cobrar todos os juros que estabeleceram, mas com esse preço estão a submeter as economias e as políticas, os governos e as soberanias dos países devedores, estão a comprar barato a independência das nações e os seus recursos próprios. Tudo sem ter que dar um tiro. Nem receber.

Afinal eles não emprestam dinheiro, eles compram países!
Assim vale a pena "correr riscos" !

2011/12/26

Descubra as diferenças

TEXTO A

«Durante os anos de ditadura (1966-1973), a Argentina foi regida pelo Estatuto de la Revolución Argentina, colocado no mesmo nível jurídico que a Constituição Nacional. As expectativas de um prolongado governo dos militares golpistas estavam reflectidas numa das suas mais repetidas frases, a que afirmava que a Revolução Argentina tem objectivos mas não prazos. Neste período, proibiram-se os partidos políticos, assim como todo o tipo de participação política da cidadania».

TEXTO B:

Durante os anos de intervenção alemã (2011- ...), através da “troica” - FMI, BCE e FEEF -, Portugal foi regido pelo "Memorando de Entendimento", colocado no mesmo nível jurídico que a Constituição Nacional. As expectativas de um prolongado governo estrangeiro estavam reflectidas numa das suas frases, a que afirmava que “ a solução para a crise financeira que a Europa enfrenta não será rápida, e que levará anos a ser concluída”. (FONTE)

Por outras palavras: a intervenção estrangeira tinha objectivos mas não prazos !

Neste período inibiram-se os partidos políticos de ter qualquer influência nas decisões, assim como todo o tipo de participação política da cidadania era apenas considerado como um respeitável direito democrático; passou-se de forma permanente ao estado-de-sítio financeiro e viram cortados direitos sociais e políticos, e votado ao desprezo ou atacado como “defesa de interesses corporativos”, todo o tipo de participação política da cidadania.

2011/12/16

A Europa de Noé

Conforme a tradição bíblica, o bom Deus decidiu... destruir o mundo! E como não tivesse sido ainda inventada a bomba atómica, ficou-se por um “tsunami” global – daqueles que afogam tudo e todos, incluindo governantes e economistas, advogados e até jornalistas e comentadores políticos.

É claro que Deus tinha uma razão. Afinal, se nem os capitalistas têm prazer em fazer sofrer os trabalhadores, muito menos prazer teria o Criador em sacrificar suas ovelhas por mais tresmalhadas que elas fossem. A razão de Deus para inflacionar a Terra com uma inundação colossal, era fazer que as criaturas pagassem as suas dívidas morais, era acabar com a perversidade que se havia instalado entre os humanos. (Para mais detalhes, leia-se Génesis 6-12)

Magnânimo como sabemos que é, quis Deus, porém, poupar a este terrorismo, um homem, e um só, por ser o único justo desta Terra. Desengane-se quem pense que era Passos Coelho. Era sim um tal Noé que nos nossos dias já ninguém sabe quem é, de tal modo a Justiça também perdeu... o crédito.

Disse o Senhor, em privado e em segredo, ao justo privilegiado: «Vem aí uma grande borrasca e nem a Angela Merkel se vai salvar. Portanto, tu constrói uma arca bué da grande (tradução para português actual), enfia lá o gado que tiveres à mão e põe-te ao largo até passar a crise.

Uma fuga de informação que está ainda a ser investigada, fez saber aos “pigs”, em português, porcos, o golpe que se estava a tramar, pelo que estes foram os primeiros a correr para a embarcação, armados em espertos.

Vendo Deus aqueles “bêbados” * encher de “lixo” a arca sagrada, ou vendo simplesmente o mal que ia causar às suas fracas criaturas, ou sendo persuadido pelo próprio Noé, arrependeu-se da infeliz decisão e “obrigou as águas a recuarem e as terras a secarem” e tudo o mais que adivinhar se pode.

A história termina com um tratado de paz que até hoje nunca foi revisto – é conhecido por Acordo da Aliança e tem o arco-íris por bandeira, cumprindo-se o que foi então assinado: "Sempre que houver nuvens sobre a terra e o arco aparecer nas nuvens, eu me lembrarei da eterna aliança entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies sobre a Terra".


Esta não é a única versão. Outros jornais de referência dizem que a missão destruidora se cumpriu e que apenas se salvou a arca com os animais e a família de Noé por ser "honrada e limpa" - para usar a linguagem da Santa Inquisição. Mas o que nos importa, tantos séculos passados, para que possa servir-nos de lição, é saber o que aconteceu aos porcos.

Nota *
O chefe máximo do Banco Central alemão (Bundesbank), sr. Jens Weidmann, disse há poucos dias que os países endividados estão viciados na dívida e, tal como não se deve dar mais álcool a um bêbado, também não se deve emprestar mais dinheiro a um endividado, porque isso só fará piorar o seu vício.

2011/07/10

Porque hoje é domingo (6)

Veio a troika com os seus milhões e começou a semear. Umas sementes caíam à beira do caminho e uns transeuntes que andam sempre por ali como quem não quer a coisa, aproveitaram a oportunidade.

Outros milhões caíram em terrenos pedregosos, improdutivos, mais propensos ao lucro do que ao investimento. E houve alguns que caíram entre espinhos, lá onde ninguém vai, espaço protegido e alimentado por leis, burocracias e taxas de juro.

Finalmente houve também muitos milhões que caíram em terra boa e deram fruto. Então vieram os oportunistas de sempre com seus grandes alforges, e levaram-nos.

«A vós é dado conhecer os mistérios do Reino», leitores deste blogue. Em dia de homilia, falo por parábolas como Jesus falava, sabendo embora como ele sabia que só os eleitos me entenderão.

Texto inspirado no Evangelho segundo S. Mateus 13,1-23.

2010/12/16

Destruir a produção nacional



... para reconstruir a produção nacional



As coisas que eles inventam em Bruxelas!
Pelo caminho fica a segurança social e o emprego, as soberanias nacionais e as suas riquezas. Porreiro!

Aqueles que mais cedo tomaram consciência do que não vale a amizade dos vizinhos ricos, e afrouxaram as rédeas deles e das suas organizações, prosseguindo políticas próprias, como os países da América Latina, crescem em tempo de crise global.

Pois não seria evidente que uma associação de países só faria sentido para defender os mais fracos? Se não é para isso, é para quê? E se é para isso, porque é que são os mais fortes que ditam as regras? As coisas que eu não sei!...

2010/10/31

Produzir, produzir, produzir!


Da Espanha veem pêssegos, pimentos e batatas; da Itália, uvas; do Uruguai, laranjas e limões; alho francês... da Bélgica; bifes, da Irlanda e eu sei lá que mais. Será que só nos restam as couves e os tomates?

Entretanto...

«A Madeira exportou o ano passado mais 10% de flores, com as importações a caírem 28,7%. Contribui para esta inversão dos indicadores um aumento gradual da produção e comercialização local, que nos últimos anos cresceu 39,5%.

Tendo beneficiado ao longo do último quadro comunitário de apoios da União Europeia que permitiram trinta e dois novos projectos florícolas, no valor de 4,6 milhões de euros, a Madeira conseguiu reduzir em 85% o número de flores importadas, tendo com isso beneficiado a produção local.

No histórico da actividade, o ano de 2009 fica marcado pelo primeiro em que as exportações superaram as importações, tendo sido produzidas na Madeira cerca de 4,7 milhões de flores, que geraram um volume de negócios de 2,5 milhões de euros».


Esta notícia do dnoticias.pt é de Abril mas não é a actualidade da notícia que interessa aqui, é o exemplo do que se pode fazer e do que a União Europeia pode ajudar a fazer para equilíbrio da Balança Comercial dos países membros. Produzir para empregar, produzir para reduzir as importações, produzir para permitir as exportações. Produzir, produzir, produzir. E consumir produtos nacionais.

2010/10/24

Importa que não se importe

2010 Outubro 24

Todos os dias e em toda a parte, os políticos e economistas com voz nos orgãos de difusão, insistem na necessidade de aumentar as exportações como medida para reduzir o défice da nossa Balança Comercial e assim reduzir a dívida externa.

Parece que faz sentido! Mas atendendo às enormes dificuldades de exportar quando os outros países estão “em contracção”, eles a braços com problemas da mesma natureza, e quando o nosso “aparelho produtivo” tem sido destruído por decisão política nacional e europeia, esta parece ser uma questão retórica.

Tal discurso exprime mais desejo do que viabilidade, mas há um "efeito colateral" que não passa despercebido: ele serve de pretexto para defender a diminuição dos apoios sociais e do rendimento dos trabalhadores “a fim de diminuir os custos de produção e tornar os nossos produtos mais competitivos no mercado”.
Claro que as exportações têm que ser promovidas e não sou eu quem venha desmoralizar o Primeiro-Ministro num dia forte de vendas à Venezuela, mas há sinais, e nem a minha formação económica me habilita a dizer mais, de que há muito a fazer “do lado” das importações numa sociedade onde o consumo supérfluo foi incentivado com grande sucesso por parte das empresas, dos bancos e dos governantes.

Parece evidente que é prioritário, por razão de eficiência, contrariar os consumos supérfluos e muitas vezes sumptuários dos governantes (a Direita diria “do Estado”), dos empresários e dos cidadãos mais abastados. No caso dos governantes, de forma coerciva, aos restantes através de desincentivos a esse tipo de consumo – aqui sim, talvez seja o IVA um instrumento de correcção onde não venha agravar custos de produção nacional.

Desculpem, mas é que ainda faltava eu dizer qualquer coisinha...

Nota:
«No período de Junho a Agosto de 2010, as saídas de bens registaram um aumento de 14,2% e as entradas de 10,0% face ao período homólogo (Junho a Agosto de 2009), resultando, ainda assim, no agravamento do défice da balança comercial em 161,2 milhões de euros.» - INE