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2020/05/18

Costa apoia Marcelo

Com o apoio apressado de António Costa a Marcelo ficam debilitadas candidaturas do PS que ele não deseja.

2019/12/08

Eleições paradoxais no PSD


As eleições directas de Janeiro que irão escolher o futuro presidente do PSD podem ter uma importância que transcende muito a organização interna do partido. 

Se a presidência for entregue a Rio, haverá pesca de eleitores do centro e, assim, paradoxalmente, o PS é prejudicado. 

Se a presidência for entregue a Montenegro, o PSD irá pescar nas águas do CDS e até do Chega, pelo que, nesta medida e também paradoxalmente, haverá menos radicalismo no domínio da direita.

Agora sim, venha o diabo e escolha!

(Foto-montagem original mas livre)

2019/10/06

O X do próximo governo


Maioria absoluta de deputados: 116

116 = PS + X
X = PAN ou PCP ou PSD


O PAN conviria ao PS uma vez que não pretende colocar nenhum elemento seu no Governo nem teria exigências políticas difíceis de satisfazer, seja por falta de ideologia consistente, seja por falta de competência. E, pelo lado do PAN, tal solução dar-lhe-ia um relevo político muito acima do que ele próprio alguma vez imaginou.

Não sendo suficientes os deputados do PAN, o PS poderia tentar alguma espécie de acordo com o PCP. No entanto, tal acordo só interessaria à CDU como forma de impedir um governo PS-PSD. Mas é difícil imaginar os termos de um tal entendimento que não comprometessem seriamente o futuro do PCP... ou o futuro de António Costa!

Uma terceira alternativa seria a formação de um governo com a participação ou o apoio do PSD. A partilha de ministérios, em última instância, além de ser tolerável para António Costa, até poderia agradar a uma parte do PS e a uma parte do PSD, mas seria prejudicial sobretudo para este que concorre com o PS para voltar a ser o partido principal da política portuguesa. Um simples apoio de incidência orçamental, mediante condições negociadas, para evitar a solução PS-CDU, não é de excluir completamente mesmo que seja rompido depois do primeiro orçamento...

O mais provável e o que mais conviria a António Costa, se não tiver maioria absoluta, é conseguir esta maioria com os deputados do PAN e de mais algum que venha de fora do quadro parlamentar anterior.

A expectativa aumenta e o povo não aguenta!

2017/01/23

Concertação e representação

Uma questão que se tem colocado a propósito da redução da TSU, é saber do valor que têm ou não têm os acordos firmados na “Concertação Social”, sendo que as conclusões daquele orgão não têm nunca um carácter deliberativo – eles apreciam, opinam e propõem mas não decidem nem mesmo nas matérias em que a consulta prévia é obrigatória.

A “Concertação Social” está a cargo do Conselho Económico e Social (CES) e da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), orgão autónomo em relação à CES. Aqui para nós, a distinção prática entre as duas instituições, não é fácil…!
O assunto remete para o grande e eterno tema da representação social e política, da democracia representativa, da legitimidade dos representantes eleitos e – pasme-se ao que chegamos – do mandato de Donald Trump!!!

O que compete a um representante eleito: representar a vontade subjectiva dos seus eleitores ou representar os interesses deles – admitindo que todos eles tenham os mesmos interesses...?

Aparentemente e porque se aproxima mais da democracia directa, a primeira versão será a mais adequada: o eleito como simples porta-voz dos eleitores. Mas na realidade as matérias em apreciação (p. e. TSU) são mais complexas do que escolher entre um aumento ou não do salário mínimo, por exemplo, e aí é forçoso que o representante tome uma decisão à luz da sua própria razão e interpretação de interesses.

Neste sentido cabe, nomeadamente, saber se um objectivo de longo prazo – como derrubar um governo indesejado – é ou não mais importante do que um objectivo imediato – como compensar os seus representados, da subida do salário mínimo.

Chegamos assim a um factor ainda não considerado no critério de representação: o interesse geral. Isto é: a eleição para um orgão de poder carrega não só uma responsabilidade perante os seus eleitores com seus interesses parciais, mas também uma responsabilidade perante toda a comunidade, a qual decorre de partilhar o poder geral.

Este problema vai-se colocar no dia 23 aos deputados do PS especialmente. É que não basta reconhecer “a coerência do BE, do PCP e do PAV” mas confrontar-se com os seus argumentos.

2015/11/22

Porque hoje é domingo (74)

Profetas, há muitos; deixem-no andar – diziam as autoridades. Até que alguém alertou: - Ele diz que é rei!

É aqui que as coisas mudam de figura. Uma coisa é ter ideias e opiniões, ainda que conflituam com as “verdades” dominantes; outra coisa é desafiar o Poder! Uma coisa é contestar um governo; outra coisa é pretender substituí-lo. Este é o evangelho da direita política.

No caso de Jesus que é invocado neste domingo nos púlpitos católicos (Evangelho Jo 18,33b-37), o profeta recuou para “O meu reino não é deste mundo”. É como se o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista dissessem: “O programa do governo PS que nós apoiamos não é o nosso programa”. Mas nem Pilatos nem Cavaco Silva vão em conversas. Eles preparam-se para crucificar os profetas da boa-nova, por falta de provas!

A desvantagem do Presidente da República é que ele não pode lavar as mãos como Pilatos, consultando a opinião de economistas e banqueiros.

De Jesus, sabemos no que isto deu; de António Costa, ainda vamos ter que aguardar algumas horas ou até alguns dias. Oremos!

2015/09/15

É pró debate, é pró debate!

António Costa faz questão de não prometer… porque não sabe se as condições em que herdar a governação se revelarão diferentes das actuais.

Admitamos. Mas pode dizer o que fará se as condições forem as que hoje se conhecem! Se também não diz, isso não gera a apregoada Confiança dos eleitores.
Passos Coelho faz questão de não esclarecer como irá poupar 600 milhões de euros (por ano!) em "pensões públicas"… porque “depende daquilo que for a negociação que nós queremos ter com o PS sobre essa matéria". 

Mas pode dizer o que tem vontade de fazer, isto é, o que quer propor nessas negociações. Poder, pode. E deve. Mas não diz. Nós sabemos porquê.

2015/03/05

Filosofia política à portuguesa

Até António Costa dizer que o país estava diferente (no sentido de que estaria melhor), ninguém queria saber do que ele foi dizendo ao longo de meses, fosse nas entrevistas dispersas, fosse no programa de televisão Quadratura do Círculo, fosse, sobretudo, na Moção Política sobre as Grandes Opções de Governo apresentada por ele em Julho de 2014, na oportunidade das primárias do PS. Mas assim que cometeu um erro retórico, há dias, cumpriu-se a Lei de Vile para Educadores: “Ninguém está a ouvir o que dizemos até cometermos um erro”.

A mancha de que agora é acusado irá agarrar-se ao líder do PS até às eleições? Sim! E isso tem algum efeito nas opções de voto? Não! Porquê? Porque será um incidente diluído em muitos outros de que a dívida de Passos Coelho à Segurança Social é apenas um exemplo.

Aplica-se agora a lei de Imbesi, da Conservação da Sujidade: “Para que uma coisa fique limpa, outra coisa qualquer terá de ficar suja”. Para limpar a imagem do PSD – por exemplo – alguém vai ter que continuar a fazer serviço sujo, seja Marco António Costa ou Carlos Abreu Amorim ou!

Para todos os efeitos, nada disto é relevante para o julgamento dos portugueses que conhecem as personagens por detrás destas representações, para os portugueses cujos problemas são outros e cujos candidatos também podem ser… 

Lá porque o futuro nunca deu provas, não temos que ficar agarrados ao passado.

2015/02/28

O País está… diferente!

António Costa disse aos chineses que o país estava melhor do que em 2011. Mas falou em português, isto é, convencido de que os chineses não entendiam patavina do que ele falava.

Este parece-me ser o único argumento de que os activistas do PS não se lembraram para justificar aquelas declarações.


Mas também não me parece mal o argumento do “contexto”… Sobretudo ao visionar os dois excertos seguintes das suas declarações para o canal da internet dedicado à comunidade chinesa em Portugal, CCTV:




Está-se literalmente a ver que o António Costa estava a pensar em tudo menos em política.

Imagens recortadas de vídeo publicado no Observador.pt

2015/02/10

Augusto Santos Silva desilude

O dirigente do PS acima mencionado, é um homem do Porto e é inteligente. Duas razões para que eu gostasse de ouvi-lo – razões subjectivas, eu sei. Mas quanto mais o ouço em “Política Mesmo” da TVI24, mais me desgosta.

Interpelado sobre a falta de esclarecimentos de António Costa quanto aos objectivos deste como candidato, Augusto Santos Silva contou que, a caminho da TVI , tinha visto um cartaz do PCP onde se lia “Por uma política patriótica e de esquerda”, o que, a seu ver, não significava nada!

Que uma política de esquerda não signifique nada para o dirigente do PS, já não me espanta, mas que nem sequer faça sentido para ele “política patriótica”, particularmente num tempo em que o país aliena tudo quanto é património e estrutura produtiva nacional, e em que o Governo actual é um submisso cordeiro da Alemanha, isso é um escândalo.

Que Augusto Santos Silva não tenha resposta para a questão colocada pelo jornalista, é uma coisa; que queira fazer de nós parvos é, no mínimo, uma desilusão.

Para a troca, aqui deixo um recorte de um folheto do PCP que encontrei "a caminho de casa", onde se resumem posições do Partido Comunista Português que a miopia de ASS o impede de ver:

NOTA para quem já foi Ministro da Educação e Ministro da Cultura e gosta de citar figuras clássicas:
Aristóteles caracterizava a demagogia como a corrupção da democracia. Toma e embrulha! - isto digo eu.

2015/02/02

António Costa no divã


Catherine Millot foi a última amante oficial de Jackes Lacan, prestigiado estudioso da psicanálise e promotor do regresso ao verdadeiro pensamento de Freud.

Catherine estava com Lacan no momento em que este morreu. Depois disso surgiu todo um mito que ela alimentou, obviamente, de que Lacan, exactamente antes de morrer, lhe teria revelado uma fórmula secreta, o máximo da sabedoria. Todos ficaram na expectativa de que ela dissesse que fórmula era essa. Até hoje!

Isto faz-me lembrar – ou será o contrário? – a pressão que o líder do PS está a receber de dentro e de fora do partido, para revelar o seu programa político com vista a um próximo e eventual governo do Partido Socialista.

Esta pressão não é recente. Lembro as interrogações de Alfredo Barroso em Julho passado: "que novas 'teorias' António Costa irá inventar, para se furtar ao debate da questão do Tratado Orçamental, da questão da renegociação e/ou reestruturação da dívida, da questão das privatizações e da questão da promiscuidade entre o PS e os negócios?"

Estamos (ainda) ao nível das conferências ou seminários lacanianos, das abordagens parciais, não das grandes revelação ansiadas pelos cidadãos e, menos ainda, do compromisso? Talvez António Costa esteja a protelar estrategicamente a grande revelação, até para evitar histerias jornalísticas, mas há quem receie que a morte política o surpreenda entretanto.

O certo é que o candidato a primeiro-ministro nem mesmo no divã se entrega completamente.


2015/01/03

António Costa e Papandreu,
a mesma luta !



Para que o Partido Comunista, em Portugal, e o Syrisa, na Grécia, não beneficiem do descontentamento popular que é gerado pelas políticas neo-liberais dos partidos social-democratas (PSD e PS), os partidos “Socialistas” dos dois países introduzem no panorama partidário um elemento de confusão, uma suposta alternativa às verdadeiras alternativas – uma nova direcção ou um novo partido, “agora sim”, para corresponder aos sentimentos e anseios dos cidadãos.

“É tempo para construir, em conjunto, uma nova casa política que acolha os valores progressistas, os valores que nos unem”, diz Geórgios Papandreu como se o Syrisa não fosse claramente essa nova casa, com a vantagem de já acolher a confiança dos cidadãos, de já ter construído um espaço capaz de disputar com vantagem o próximo Governo da Grécia. Mas Papandreu, divergindo oficialmente do seu partido socialista, o Pasok, faz de conta que o Syrisa não existe!

Nas eleições parlamentares de Maio de 2012, o Pasok foi fortemente reprovado pelos eleitores, ficando-se por 12,28%, devido à sua política de alinhamento com a “troika” internacional e às violentas políticas anti-populares associadas. O Syrisa ascendeu então a uma posição inesperada e apresenta-se agora com fortes possibilidades de vencer as eleições de 25 de Janeiro.

O SYRISA (Coligação da Esquerda Radical), com uma ideologia anti-liberal e de ruptura com o sistema bi-partidário, não sendo um partido comunista, afigura-se para os partidos social-democratas como um seu equivalente nas circunstâncias actuais.

A questão é que, na Grécia, é o Syrisa que ameaça o sistema, e não o Partido Comunista Grego. Este foi reduzido a 4,5% nos resultados eleitorais de 2012, enquanto o Syrisa, com 26,89%, ficou a menos de 3% de distância do partido mais votado e tudo indica que ganhará as próximas eleições.


A estratégia dos partidos “Socialistas” para desviar as correntes revolucionárias, nomeadamente para filtrar a influência dos partidos comunistas nas “massas populares”, já vem de longe. Vem da fundação da II Internacional em 1889, posteriormente designada “Internacional Socialista”.

No contexto português em curso, o lançamento de António Costa para contrariar a tendência de crescimento do PCP já iniciada nas eleições europeias, é a expressão dessa estratégia do Partido Socialista. Por isso é tão bem tolerado pela direira.

António Costa e o PS estão no seu direito, entenda-se. Em democracia, todos os partidos e movimentos têm o direito de defender os seus programas e de se oporem politicamente aos outros. O que não têm é a mesma moral. Era disto que falava Álvaro Cunhal quando invocava “a superioridade moral dos comunistas” – moral de classe, entenda-se. E não cabe aqui apenas um juízo de valor, é sobretudo um juízo de facto sobre o apoio das bases do PS e sobre a própria vontade de A. Costa.

A foto inicial é uma montagem para este blogue.

2014/09/29

Socialismo como quem diz

Com esta aposta em António Costa, o PS matou dois coelhos, aliás dois PC's: Passos Coelho e o Partido Comunista. Se não matou, ameaçou.

Para que a ameaça se concretize, à direita, o PS não precisa fazer nada - o Governo já faz. Mas para filtrar o fluxo dos descontentes que encontram no PCP a verdadeira alternativa, o PS terá que ultrapassar-se - e eu duvido que António Costa queira ir tão longe, ou possa.

Pois bem se pode dizer em Portugal como se diz em França, que no PS já ninguém sabe exactamente o que é o socialismo - «au PS, plus personne ne sait au juste ce qu'est le socialisme». Voilá!

2014/09/28

Porque hoje é domingo (56)

«Havia um homem que tinha dois filhos. Chegando ao primeiro, disse: 'Filho, vá trabalhar hoje na vinha. E este respondeu: 'Não quero!'. Mas depois mudou de ideias e foi! Depois o pai chegou ao outro filho e disse a mesma coisa e este respondeu: 'Sim, senhor!'. Mas não foi!».

Depois de contar esta pequena história (Mt 21,28-32), Jesus perguntou: «Qual dos dois fez a vontade do pai?».

Ora aí está!

Pode o António Costa não ter avançado mais cedo, mas quando viu que o trabalho do "irmão" estava a dar muita parra e pouca uva, avançou! E a vinha medrou.

Agora há que saber se vem aí bom vinho...

NOTAS:
1) A parábola aqui invocada é aquela que serve de tema às missas deste domingo.
2) Este post é publicado quando as votações ainda estão no início (10H30)
3) A pintura é de MURILLO (1617/18–1682)

2014/09/25

António Costa à varanda

Como António José Seguro vê António Costa

Quando o presidente de um partido diz que os respectivos autarcas fazem política à janela da Câmara Municipal, envergonha quem quer que o apoie. E perde quaisquer condições para continuar a dirigir o partido.

A não ser que se trate do PS!...

2014/09/11

A palavra "traição"

«Fica-te mal», António José Seguro, insultar o teu camarada António Costa de traição e deslealdade. É porventura o maior insulto que se pode fazer ao carácter de alguém. É-o seguramente em relação a um político. 

Não me recordo de ter ouvido tais impropérios de Seguro contra os seus adversários partidários, desde Passos Coelho a Salazar. Tanto mais grave que esse insulto atinge inevitavelmente Mário Soares, Almeida Santos, Manuel Alegre e tantos, tantos outros.

Em política, não é traição concorrer com os companheiros de partido, especialmente quando estes estão a prestar, reconhecidamente, um mau serviço; traição é defender o seu lugar no trono em vez de defender o sucesso do seu partido e do seu ideal, na disputa eleitoral. Para já não falar do que isso significa a nível nacional.

Nem Seguro é Jesus, nem Costa é Judas. Nem Costa jurou fidelidade a Seguro, nem Seguro é o PS. E o futuro irá mostrar inevitavelmente que “a traição nunca triunfa porque, se triunfasse, ninguém mais ousaria chamá-la de traição", como disse J. Harington.

Sim, António José Seguro, é o futuro que conta. E quando lá chegarmos bom será, para o PS e para si, que não tenham sido destruídas as pontes necessárias a reagrupar o seu partido. Nada que me incomode, confesso. Mas eu não sou seu amigo, logo, nem sequer posso traí-lo.

2014/09/03

O que preocupa o PS

(Carregar sobre a imagem para ampliá-la)

Correndo o risco de baralhar um pouco mais os "espíritos simples", faço questão de esclarecer que prefiro o capitalismo de António Costa, ao socialismo de Jerónimo de Sousa - se é que isso interessa a alguém. 

Mas que não sei se teria a mesma opinião no caso de estar privado de rendimentos, de ganhar ao nível do ordenado mínimo, de não ter condições para sustentar e educar os filhos...

2014/08/05

PS bom e PS mau

É inevitável fazer uma leitura do que se passa no Partido Socialista português, à luz do que se passa no Banco Espírito Santo.  A ideia de que existe um BES BOM e um BES MAU pode ser comparado à percepção que os "socialistas" têm do seu partido.

Neste sentido existe um PS BOM e um PS MAU - a ideia de um NOVO PS não é totalmente descartável mas a História desaconselha-a.

Sim, existe um PS Seguro e um PS Costa, ou vice-versa, para contentar a populaça. Mas de uma coisa não se livrará o PS que vingar nas eleições internas: a contaminação das suas bases predominantemente conservadoras.

Os comportamentos políticos de Mário Soares na história da nossa democracia, são talvez a forma mais simbólica de representar a ambivalência do Partido Socialista, em que um certo pragmatismo, digamos assim, rivaliza despudoradamente com as pulsões revolucionárias, em desfavor destas.
Soares em 1975, com Frank Carlucci (director da CIA)

Soares em 2014, nas comemorações não-oficiais do 25 de Abril

P.S. (post-scriptum):
Ao falar do "pragmatismo" de Mário Soares, é justo sempre lembrar o seu papel na resistência à ditadura, para evitar confusões com outros pragmatismos.

2014/06/26

O Costa de quem toda a gente gosta

Em 29 de Janeiro de 2013, publiquei AQUI que “nas próximas eleições, antecipadas ou não, o PS segura o Seguro na direcção do Partido Socialista e empurra o Costa para candidato a primeiro-ministro”. Chegados aqui, é caso para dizer como no cartaz...


No dia 9 de Outubro de 2013, publiquei AQUI
um texto sobre a posição estratégica de António Costa. Dizia eu: “António Costa, revela que avisou o secretário-geral do partido, na Comissão Política Nacional, que “ou havia um conjunto de condições que era possível reunir para unificar o partido” ou que se “sentia na obrigação de avançar para a liderança”. E mais recentemente, a propósito dos resultados para as autárquicas, considerou: - Ganhámos em votos, ganhámos em câmaras, mas há ainda bastante caminho a fazer.

Era o aviso ou a ameaça de António Costa sobre o lançamento da sua candidatura. Os resultados do PS nas eleições europeias recentes, por sua vez, definiram o momento de passar da ameaça à prática.


Quanto à estratégia do PS para a governação nacional Augusto Santos Silva, outra figura destacada do PS, defendia (TVI24, 2013-10-08) , “um consenso pluripartidário assente noutras bases”, isto é, com “outra liderança”. Santos Silva concretizava: uma coligação que integre o Partido Socialista, uma parte do CDS (na linha de Pires de Lima) e parte importante do PSD – aqui reunindo, nomeadamente, a linha de Rui Rio e de Cavaco Silva!

Agora chegados à re-arrumação do PS com vista às próximas eleições legislativas, Santos Silva que já foi ministro em três governos, afirma que "José Seguro vive no passado e tem dificuldade em perceber o que é o Governo e o que é ser primeiro-ministro.

Se a bizarra estratégia de Santos Silva exprime um posicionamento representativo entre os apoiantes de António Costa, adivinha-se que este vai ter que combater não só os adversários assumidos como também combater ou distanciar-se de algumas companhias comprometedoras. Sob pena da sua ascensão aos céus da popularidade arder no ar como um balão de S. João. E vir cair, pesado e triste, sobre as cabeças dos seus admiradores.

Quanto à re-arrumação do PSD, de que já se vislumbra alguma agitação, muito depende da clarificação do quadro descrito anteriormente no Partido Socialista.