Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens

2024/09/15

Porque hoje é domingo (139)

A Igreja Católica invoca e interpreta hoje, nos seus incontáveis templos reais e virtuais, uma das três versões do Evangelho sobre o mesmo episódio. Nesta narrativa, Marcos 8,27-35, conta-se que Jesus perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem os homens que eu sou?’. Eis a resposta: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias, outros, ainda, que és algum dos profetas”.

“Algum dos profetas” exprime claramente uma realidade histórica que passa geralmente despercebida aos cristãos: que Jesus era apenas mais um dos muitos profetas daquela época como de épocas anteriores.

“E vós, quem dizeis que eu sou?” “Tu és o Messias” – terá respondido Pedro.

Neste ponto convém esclarecer que o Messias que os judeus esperavam era um guerreiro, um libertador, um restaurador do reino de David - uma expectativa que foi alimentada por muitos séculos, desde a época do exílio!

Jesus, porém, frustrou essa esperança ao esclarecer que não veio para restaurar o reino de Davi, mas para implantar “o Reino de Deus”, o que causou discussão, mas que ali mesmo ficou sanada – a discussão, não sabemos se a convicção!

E eu pergunto se esta frustração de expectativas não terá alimentado a fúria daqueles populares que uns anos mais tarde apelaram à sua crucificação.

2023/04/02

Porque hoje é domingo (132)

O povo de Israel e outros povos vizinhos representados pelos "reis magos" sentiram-se traídos por Jesus e, daí, condenaram-no à morte.
Eles verificavam que o profeta em quem depositavam confiança para a sua libertação do império romano, se refugiou numa narrativa estritamente religiosa, o que pode ser resumido na sua declaração "a Deus o que é de Deus e a César o que é de César!". Ao contrário de Jesus Cristo, o desempenho histórico da Igreja tem sido mais o de atribuir-se o papel que cabe a César - um papel político.

Desta questão trata, em termos menos claros, o evangelho invocado no presente domingo (João 19:19-37).

2022/05/08

Porque hoje é domingo (119)

Se Jesus morreu por nós, há que reconhecer que muitos mais morrem por ele. Hoje e sempre, aqui e em toda a parte.
Sobre o tema: https://revistagalileu.globo.com/

2022/03/06

Porque hoje é domingo 114

Neste domingo, 6 de Março, a Igreja invoca mais uma reportagem de Lucas (Lc 4,1-13).

A cena passa-se no deserto, quando Jesus regressava do Jordão era conduzido a vários lugares em que era tentado pelo diabo. Como o evangelista começa por dizer que o Senhor era conduzido pelo Espírito Santo, ficamos sem saber ao certo quem conduzia Jesus, mas não ficamos menos perplexos por saber que o Filho de Deus se deixava conduzir pelo mafarrico! E como Lucas não esclarece quem testemunhou o acontecimento em que apenas estavam presentes as duas personagens, mais ninguém, temos que admitir que a informação lhe pode ter sido dada pelo demo de quem se espera que diga mentiras.

Adivinhando sem dificuldade que o companheiro de viagem “sentiu fome” ao fim de quarenta dias sem comer – a famosa quarentena – o diabo aproveitou para desferir a primeira tentação: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. E Jesus respondeu: “Não só de pão vive o homem” – coisa que todos nós já dissemos também algum dia.

Segue-se que o diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isto foi entregue a mim e posso dá-lo a quem quiser. Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”. «Aqui a notícia carece de exatidão» - digo eu, parafraseando Xico Buarque. Em que lugar da Terra é que se avistam todos os reinos do mundo? E quem podia ter entregue tanta riqueza ao malvado para com ela tentar subornar o próprio Criador?

Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! E Jesus, apesar de acompanhar o diabo, obedientemente, terá avaliado o risco da queda – isto sou eu que digo! – e recusou dizendo: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”. Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno – conta o Lucas – que é todo o tempo, como nós próprios podemos testemunhar.

Mas esta história absurda remete para outra reflexão mais abrangente: de que nos serviria Deus se o diabo não existisse?

2021/12/19

Porque hoje é domingo 111

Naqueles dias, Maria dirigiu-se a uma cidade da Judeia. “Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel”, sua prima. Ambas haviam sido engravidadas pelo Espírito Santo; ambas foram “informadas” disso por um tal Gabriel; ambas reproduziam uma história que tinha acontecido a 25 de Abril, ao que consta, mas com Mitra que viveu muitos séculos antes. Mas é Natal e ninguém leva a mal

(Baseado na homilia católica de hoje que invoca o evangelho de Lucas 1,39-45)

2021/12/12

Porque hoje é domingo (110)

Perante estas declarações de João Baptista, que são invocadas nas homilias de hoje, é inevitável perguntar se ele era comunista ou liberal:

As multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo».
Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito».

Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo».
(Lc 3,10-18)

2021/10/24

Porque hoje é domingo 108

Segundo Marcos (Mc 10,46-52), Jesus ia numa arruada quando um cego e mendigo que estava sentado à beira do caminho lhe rogou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. Então Jesus perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

Ao ouvir isto eu pensei na falta que me tem feito a fé para conseguir o tratamento oftalmológico de que estou tão precisado. Que egoista eu sou por não ter pensado, isso sim, nas doenças, genocídios e calamidades que tanta dfesgraça espalham pelo mundo e que não chegam nunca aos ouvidos do Senhor...

2021/09/26

Porque hoje é domingo (105)

Há dias em que um líder diz coisas imprudentes. Agora foi Marcelo R. de Sousa ao afirmar que estas são as eleições mais importantes de sempre – é caso para perguntar se já era vivo em 1975. Houve tempos em que Vasco Gonçalves disse que quem não é por nós é contra nós e Jesus Cristo terá afirmado que quem não é contra nós é por nós (Mc 9,38-45).

Quem está ainda sem saber como votar, tire daqui as suas conclusões.

Na referido capítulo dos Evangelhos, Jesus também terá dito, com aquela bondade,aquela tolerância e aquele amor que se lhe atribui: Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas pró um jumento e o lançassem ao mar.
Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga.
E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena.
E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo não se apaga».

2021/09/12

Porque hoje é domingo (103)

Hoje a Igreja Católica invoca uma passagem do Evangelho (Mc 8,27-35) em que Jesus é apresentado como o Messias libertador. Nada que não fosse frequente na época. Com efeito, o estatuto de Messias era reivindicado por muitos profetas portadores de diferentes narrativas. Como diria o outro: eu é que sou...

Que Jesus diga aos discípulos que "o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida", parece-me uma crítica ao CR7 e um elogio do suicídio, mas o que acho mais estranho é que chame Satanás ao S. Pedro e, mais ainda, que fale da cruz num sentido que esta só viria a tomar... após a sua morte.

2021/08/22

Porque hoje é domingo (101)

Os influencers da Igreja Católica, espalhados e organizados pelo mundo inteiro sobretudo a partir das ocupações coloniais, invocam nesre domingo as seguinte palavras de Jesus: «Ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai» É assim que S. João as recorda numa passagem do Evangelho que consta em Jo 6, 60-69 ! A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele. Isto dá que pensar, não acham?

2018/09/09

Porque hoje é domingo (96)

“Ele até põe os surdos a ouvir e os mudos a falar" – disseram aqueles que assistiram ao milagre de Jesus (Marcos 7, 31-37). Em rigor, Jesus não pôs os surdos a ouvir e os mudos a falar; apenas terá posto um surdo a ouvir e um mudo a falar – o que não é pouco, reconheço, embora muito menos do que fazem os médicos.

Desta vez vou perfilhar a homilia da Igreja Católica tal como ela interpreta as palavras de Jesus. Sim, também acho importante denunciar a incapacidade mental para ouvir, essa surdez voluntária que nos inibe de compreender o pensamento dos outros, os sinais da Natureza e até outros, quem sabe.

Não levarão a mal que foque a minha homilia no domínio político, seja para criticar a surdez intelectual, seja para silenciar aquilo que se ouve, nomeadamente nos orgãos de informação (vulgo: Comunicação Social). E, tal como Jesus – passe a presunção! – aproveite um pretexto da actualidade.

O pretexto do dia é a notícia do The New York Times
segundo a qual «A Administração norte-americana reuniu secretamente com militares rebeldes da Venezuela no sentido de discutir planos de um golpe de Estado contra o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Sim, a Venezuela atravessa uma grave crise social, política e económica, que já levou à fuga de mais de dois milhões de venezuelanos para o estrangeiro, desde 2015. Sim, o regime e nomeadamente o presidente tem uma enorme responsabilidade nesta situação. Mas fica mal ao jornalismo audiovisual português emudecer sobre o assunto, ele que assim faz de nós surdos e mudos sobre a complexa realidade venezuelana.

2018/04/01

Porque hoje é domingo (94)

Que perigo representava Jesus para as autoridades da época, que as levou a persegui-lo até à morte? Afinal, profetas como ele que se diziam ser o Messias anunciado no Antigo Testamento, havia e houvera muitos. E ele nem sequer ambicionava tomar o poder – o poder político, entenda-se. Ou sim?

Cabe lembrar que já naquela altura a Palestina lutava contra um ocupante – não Israel, como agora, mas o Império Romano. E que Jesus nasceu na pátria ocupada.

Jesus, com mais legitimidade do que Trump, dirigia-se para Jerusalém, no dia que hoje se celebra, sendo então proclamado Rei. Não é de estranhar que isto tivesse um significado político se nos lembrarmos que o rei David, de quem Jesus era descendente, a seu tempo conquistou Jerusalém! – a fazer fé no que diz a Bíblia.

Se existe uma cidade que possa designar-se capital da violência religiosa, talvez seja Jerusalém. Donald Trump, esse profeta apocalíptico tal como Jesus e João Baptista, proclamou por estes dias, ele próprio, que Jerusalém é capital de Israel.

Esforça-se a Igreja em interpretar que no caso de Jesus se tratava de um reinado meramente espiritual – o reino de Deus. Um Jesus político destinado a resgatar a independência dos judeus, como sugere a inscrição que será afixada sobre a sua cruz “JNRJ” (Jesus Nazareno Rei dos Judeus), entraria em contradição com a sua afirmação “a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”. Isto para já não falar do descontentamento que causaria aos republicanos (futuros) a ideia de que o Filho de Deus era monárquico...

Fosse por razões políticas ou religiosas ou ambas, andavam os sacerdotes e os escribas atarefados em perseguir Jesus. Foi então que Judas Iscariotes, traindo aquele que seguia até aí como apóstolo, se prestou a indicar aos perseguidores quem eles procuravam. Nada que o perseguido não tivesse previsto e anunciado: "Em verdade vos digo: Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me".

Portanto, o que ficou sempre a intrigar alguns entre os quais me incluo, é se esta morte, que veio a ocorrer, se deveu a razões religiosas ou políticas, como já referi. Mas certamente que Donald Trump nos virá esclarecer no seu twitter.

(Este post foi refeito às 23h00 de 1 de Abril de 2018)

2017/03/05

Porque hoje é domingo (87)

Dia 5 de Março de 2017

A Igreja tenta a nossa inteligência, o nosso discernimento até, com disparates os mais inverosímeis e infantis.

Neste domingo invoca-se o episódio fantasioso das tentações de Jesus no deserto: “Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.” (Mateus 4:1)

E a gente pergunta, com espanto:
1) tratando-se de um encontro de Jesus com o diabo no deserto, quem o testemunhou para que seja narrado nos Evangelhos oficiais de Mateus, Marcos e Lucas?
2) que sentido tem que “o Espírito” conduzisse Jesus “para ser tentado”? Deus não tinha confiança no seu Filho?
3) que pacto tinha Deus com um tal “diabo” para que entre eles organizassem esta sessão-teste?
4) que coisa é essa, “o diabo”, por quem Jesus aceitava ser interrogado?

“Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo…” “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto…” (Mateus 4:5e8)

Será que vale a pena continuar a analisar o texto “sagrado” em que se baseiam as homilias deste domingo? Não é demasiado ridículo?

Só há uma explicação para que a Igreja mantenha esta narrativa absurda: é que ninguém a leva a sério! Trata-se afinal, na melhor hipótese, de um conluio de mentirosos bem-intencionados que se destina a anestesiar as dores morais ou psicológicas do “povo de Deus”.

Como terá dito Karl Marx em defesa desta tese benigna, trata-se do ópio do Povo.

2017/02/19

Porque hoje é domingo (86)

A liturgia católica deste Domingo, 19 de Fevereiro, reúne duas passagens da bíblia. Uma é retirada do Novo Testamento e outra é recolhida no Velho Testamento. A primeira menciona a ressurreição de Jesus (Mc 9,2-10). A segunda (Gn 22,1-2.9-13.15-18) revela uma das muitas crueldades do Deus “todo misericordioso”.

Transcrevo esta última.

«Naqueles dias, Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: “Abraão!” E ele respondeu: “Aqui estou”. E Deus disse: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar”.

Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha, em cima do altar. Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou”. E o anjo lhe disse: “Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único”.

Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho. O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, e lhe disse: “Juro por mim mesmo — oráculo do Senhor —, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, eu te abençoarei…».

E agora digam-me, diante de tal exigência de Deus ainda que revogada depois mas não na memória da criança, certamente, o que é terrorismo! Quem leu o meu artigo do domingo anterior, não tem que estranhar – a religião alimenta-se do medo, não da fé.

2017/01/15

Porque hoje é domingo (84)

Porque hoje é o segundo domingo do Tempo Comum, na agenda da Igreja Católica, invoca-se João Baptista. Ele que foi ou não primo de Jesus; ele que era ou não mais velho seis meses do que este; ele que perdeu a cabeça ou tão só a banda que usava à volta da cabeça - conforme o tradutor para "kephalë" - por capricho de uma tal Salomé; ele que terá baptizado Jesus ali para os lados da Jordânia que há perto de um mês sofreu um ataque, terrorista ou não…

Mas de nada disto falarão os profissionais da Igreja nas suas homilias. Pegarão no tema do baptismo para dizer que João Baptista anunciou a sua chegada – lá de onde andou fugido de casa ou não, para aprender a ser Deus.

Invocando uma profecia das antigas escrituras, outras seitas anunciaram a chegada do Salvador, antes e depois de João, pelo que não faltou quem duvidasse de Jesus e quem o acusasse de impostor, mas João Baptista teve o empenho, o mérito ou a sorte de ver o seu familiar singrar no partido, mal podendo adivinhar, talvez, quão dramática e frustrante veio a ser a morte do seu Messias.

Já a Igreja Católica não tem razões de queixa, a avaliar pelo poder temporal que exerceu e exerce no mundo. Mas deste assunto não tratarão as homilias deste dia, que o marketing do Vaticano sabe como cortar a cabeça aos fiéis, isto é, destitui-los de saber e de pensar.

2016/12/21

Natais há muitos…


Por inconfidência de Pedro Barahona de Lemos  fiquei a saber que o dia 25 de Dezembro celebra Mitra e não Jesus de Nazaré. Segundo os estudos em que se apoia o autor de Todos Somos Lázaro, esse tal Mitra que viveu muitos anos antes de Jesus, nasceu de uma virgem, morreu e foi sepultado numa gruta, tendo ressuscitado ao terceiro dia, etc., etc., etc..

Muitas “virgens” pariram antes de Maria, e também no dia 25 de Dezembro. Muito corpo de Deus em forma de pão foi repartido e comido, nomeadamente no Egipto; muitos presentes foram oferecidos a pretexto de outros natais que não vingaram porque lhes faltou o profissionalismo, o poder e a manha da Igreja Católica.

Mas ensina a técnica ficcional, que não se deve estragar uma boa história só porque a verdade é outra.

2016/12/04

Porque hoje é domingo 81

Era um tempo em que havia mais profetas do que hoje há comentadores políticos ou políticos comentadores e, tal como estes, dedicavam-se a prever o futuro e anunciar desgraças.

Entre eles aparece um tal João Batista de que fala a homilia deste domingo. Lê-se (Mat. 3, 1-12) que ele avisou da chegada do “reino dos céus” e daquele que viria depois dele, referindo-se a Jesus ao que tudo indica.

Duvido que o profeta João Batista tivesse profetizado a sua própria desgraça, ele que seria preso por delito de opinião e extremismo revolucionário, “arrastando multidões” atrás de si.


Mais duvidam alguns historiadores que tenha sido decapitado por capricho duma gaja da corte de Herodes. O certo é que há registo “fotográfico” e a cores, destes horrores à maneira jihadista.

Quanto à mensagem do falecido, ainda em vida - se era vida andar pelo deserto vestido com pelos de camelo e “alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre” - o que ele anunciava era o que nós sabemos que “vai acontecer” daqui a menos de um mês: o nascimento de Jesus!

Não foi grande proeza ter ele profetizado "a vinda" de Jesus, uma vez que eram primos com apenas seis meses de diferença. Pela mesma razão podemos nós “profetizar” que toda a história à volta do “enviado de Deus” é um conluio familiar em que participam os dois protagonistas anteriores e as suas mães, Maria e Isabel, sem esquecermos um tal Gabriel a que chamaram anjo mas que tudo indica estar demasiado relacionado com o emprenhamento destas duas irmãs.

E por aqui me fico antes que uma Salomé qualquer peça a minha cabeça.

2016/11/27

Porque hoje é domingo (80)

Jesus, Passos Coelho e o diabo

Quando Passos Coelho anunciou que vinha aí o diabo, isto é, o cataclismo económico, não fez mais do que aplicar à política o método que Jesus aplicou à religião quando este ameaçou com a vinda de um novo dilúvio "numa hora em que vocês menos esperam", que traria o “Filho do homem” para o trágico juízo final.

Nas palavras aterradoras de Jesus, “Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro deixado. Duas mulheres estarão trabalhando num moinho: uma será levada e a outra deixada” (Mateus 24:43-44).

Esta ameaça de que se aproxima o dia em que 50% dos trabalhadores irão morrer ou, metaforicamente, cairão no desemprego, seria sintoma de sadismo apenas, se não fosse acompanhado da receita para evitar o terrível acontecimento. E a receita é servir o senhor que ameaça, obedecer à sua vontade por via da fé - já que a razão é uma maçã envenenada.

No fim desta missa ouve-se o cântico seguinte:


2016/11/20

Porque hoje é domingo (79)

A Igreja Católica invoca neste domingo uma troca de palavras entre alguns cidadãos presentes na crucificação de Jesus e de outros condenados, bem como os comentários dos próprios crucificados que o rodeavam.

O que mais indignava alguns populares, era que Jesus fosse identificado numa tabuleta como sendo “rei dos judeus” e, mais ainda, que se apresentasse como o enviado de Deus anunciado no Antigo Testamento. Se ele é quem diz que é, que se salve a si mesmo – proclamavam os seus detractores.

As opiniões dividiam-se nesta matéria, e até os dois condenados que ao seu lado sofriam a mesma pena, exprimiam opiniões diferentes em tom coloquial como se estivessem à mesa de um bar.

Dois mil anos passados sobre aquela história mal contada, o que pensamos nós? O que pensamos nós, distraídos e entediados, fazendo zapping nos 300 canais de televisão que nos oferecem crimes variados, chacinas, atentados, crianças a morrer sem saberem porquê…

O que tem a história de Jesus de mais trágico e apelativo do que a via-sacra dos refugiados da guerra ou da miséria, naufragando aos milhares e milhares no abismo infernal dos nossos mares, eles que não ambicionam outro paraíso que não seja… a Alemanha?!

Já é tempo de perguntarmos aos porta-vozes de Deus-todo-misericordioso, porque não salva ele estas criaturas já que não quiz salvar-se ele próprio.



Foto da ONU.br

2014/12/21

Porque hoje é domingo (64)

Tão difícil como plantar-se o fantasma de Maria no cimo duma azinheira, e tão difícil como ter Jesus nascido de uma virgem, é que um anjo tenha ido (de onde?) até Belém para ter uma conversa séria com a Senhora… de Fátima. Mas foi. Mas falou. Mas era mesmo um anjo. Dizem.

Não é difícil imaginar a cena. Estando Maria a pensar na tristeza de vida que levava, é surpreendida por um ser incorpóreo, espiritual, destituído de boca, portanto, que lhe fala e diz «Olá, eu chamo-me Gabriel e sou um anjo». E antes que a senhora caísse de susto, atalhou Gabriel com um largo sorriso na sua boca de anjo: «Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo». Desta fala nos dá conta Lucas, evangelista, no versículo 28 do primeiro capítulo.

«Ai Jesus!», diria ela se o nomeado já fosse nascido ou sequer anunciado. Mas, em vez disso, deu-lhe a perturbação para se pôr a pensar, diz o mesmo evangelista, no que significaria aquela saudação.

Antes que a senhora começasse a dar asas à imaginação, o anjo pôs as cartas na mesa dizendo (versículos 30 e 31): «Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus».

Não me perguntem o que teria ela a temer por Gabriel lhe dizer que o Senhor estava com ela. De temer, de entrar em pânico, isso sim, eram as palavras que o anjo pronunciou a seguir… para a acalmar: «conceberás e darás à luz um filho»! Não porque a senhora não quisesse ter um filho, não se sabe, mas porque nunca tinha feito nada nem deixado fazer que o justificasse.

Acredito que a senhora tenha ponderado se em algum momento, inadvertidamente, teve contacto com fluido fecundador de homem, o que a levou a defender-se: «Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?»

O anjo vinha preparado para essa pergunta, e logo respondeu, apaziguador: «Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há-de nascer, será chamado Filho de Deus». E, mais adiante, acrescentou a voz: « … para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas». Ao que Maria terá respondido (vers. 38): «Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra». O anjo deu-se por satisfeito e «se ausentou dela» que é como quem diz “voltou pelo caminho que o trouxe”.

Como se fosse preciso dar algum sentido a esta história inverosímil, houve necessidade de contar como foi que José reagiu. Disso se encarregou o evangelista Mateus (I,18-19, Bíblia de Jerusalém) que inventou mais um anjo para acalmar o noivo de Maria e compensando-o com o título de santo e, mais tarde, de padroeiro da classe operária.