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2014/11/11

anexar ou reunificar

A reaparição de Michael Gorbatchov, agora para comemorar com Merkel a queda do muro de Berlim em Novembro de 1989, e as referências dele a Putin, fizeram-me pensar se lhe terá ocorrido uma comparação com o que aconteceu na Crimeia em Março de 2014.

Isto é, será que a integração da República Democrática da Alemanha na república Federal Alemã foi uma “anexação”, ou a integração da Crimeia na Rússia foi uma “reunificação”?

Pela minha parte, penso que ambas as integrações foram legítimas, independentemente das circunstâncias históricas que as "desintegraram" originalmente. A abertura do dique, num e noutro caso, mostrou em que sentido corria a torrente popular.

2014/04/09

O poder "democrático" de Kiev

Não é demais reproduzir aqui uma imagem muito elucidativa de como funciona o novo poder imposto à Ucrânia.

"Sinopse":
Fazendo uso da palavra como deputado, Petro Symonenko denuncia no parlamento que o que se está a passar no leste do pais é resultado do golpe de estado e do "Euromaidan", e que os activistas pró-russos têm o direito a mostrar a sua indignação, e estão a fazer o mesmo que fizeram os activistas do "Euromaidan" em Kiev. Afirma ainda que os interesses americanos e de traidores ao seu serviço destruíram a Ucrânia.

Vai daí, a resposta democrática a esta opinião... é a que se vê no final deste vídeo:


Quanto à matéria em discussão, faço minhas as seguintes palavras recortadas nos comentários de outro blogue e que resumem tudo:

O Ocidente interveio activamente na Ucrânia, não do lado da legalidade mas do lado dos seus interesses, que eram o de depor o governante eleito e instaurar um regime pró-Ocidental. A Rússia contra-atacou ocupando a Crimeia (que é e sempre foi russa) e obviamente está a apoiar as manifestações, tão legítimas como as da Maidan, no Leste e Sul da Ucrânia. Caso não o fizesse, teria a NATO às portas.

Eu só acrescentaria que a atitude da Rússia em relação à Crimeia foi ao encontro da vontade dos seus habitantes, o que pode ter "alguma" importância.

Recomendo sobre o assunto ESTE POST publicado no blogue do José Milhazes mas em conflito com as opiniões deste.

2014/04/05

As empresas na política



NOTÍCIAS

«A cadeia de fast-food McDonald's encerrou "temporariamente" a actividade dos três restaurantes que existiam na península da Crimeia.

A cadeia vai mais longe e oferece aos trabalhadores das lojas agora encerradas a "oportunidade" de trabalharem noutro restaurante McDonald's situado na Ucrânia».

«A Universal Postal Deutsche Post's, com sede em Genebra, anunciou que já não aceita distribuir cartas da Crimeia nem assegura a entrega na península».

COMENTÁRIOS

Qualquer semelhança com as estratégias da ITT na política interna dos países anti-imperialistas, isto é, dos países soberanos, não é pura coincidência.

Esse foi justamente o tema do meu tríptico recente neste blogue: “América Latina na mira dos EUA 1/2/3”.

Dívida pública, credores, ajustamento económico, etc., são armadilhas da sua "guerra fria" mundial, do boicote económico. É o imperialismo capitalista de peito aberto.

No caso do confronto com a Rússia, porém, é só fumaça. Mais: a Crimeia deve até agradecer, quer por razões de higiene, quer por razões de concorrência económica.

2014/03/19

Sob o manto diáfano da Democracia

Uma das consequências menos invocada mas cada vez mais relevante da implosão da União Soviética em 1991, foi certamente a implosão do acordo em vigor desde a Conferência de Yalta, na Crimeia.

Nessa Conferência, Roosevelt, pelos Estados Unidos da América, Churchill, pela Grã-Bretanha, e Estaline, pela URSS, decidiram o destino da Europa, nomeadamente quanto à sua estabilidade futura e quanto à repartição das zonas de influência entre o Leste e o Oeste. Era Fevereiro de 1945.

Desde então vigorou uma relação de conflito não assumido entre o “Leste” e o “Ocidente” que ficou conhecido por “guerra fria” e que deixaria de fazer sentido, aparentemente, a partir dos acontecimentos de 1991 no “Leste”. Mas o que aconteceu foi que, por detrás das motivações ideológicas se desvelaram as razões económicas.

Face ao desiquilíbrio de forças instalado, face ao domínio unipolar dos Estados Unidos da América, adeus tratados! Daqui em diante a política internacional dos EUA é orientada para a conquista de influência nas regiões que antes escapavam ao seu domínio. Um único problema se lhe colocava – se coloca – que é o sentimento nacionalista e o interesse próprio dos povos e das nações.

A Europa está-lhe no papo mas não é tanto assim na América Latina e no Médio-Oriente - para resumir. Isto explica a dimensão dos grandes focos de destabilização em curso, nomeadamente na Ucrânia mas também na Síria ou na Venezuela, para mencionar os mais recentes.

É “a nudez crua da verdade sob o manto diáfano” dos Direitos Humanos e da Democracia. E da Comunicação Social “livre”.

No domínio da Informação formatada pelo "Ocidente", é sintomático que se transcrevam na íntegra as opiniões do jogador de xadrez Kasparov, por exemplo, sobre os acontecimentos na Crimeia, enquanto as declarações de Putin - presidente da Rússia! - sobre o mesmo assunto são silenciadas ou reduzidas a meia dúzia de palavras inócuas retiradas do discurso. E não é o mesmo com Nicolás Maduro, na Venezuela? E não é assim em todas as situações em que o imperialismo norte-americano se confronta com dirigentes insubmissos de outros países?

Entre os nossos jornalistas e "analistas" mais visíveis, mais exibidos, é manifestamente dominante a submissão a esta matriz. Mas a única coisa que deve espantar é o meu espanto, reconheço. pois não são eles próprios que proclamam (expressamente)que andam "há quarenta anos a fazer opinião"?