O “casamento” do direito civil com a doutrina religiosa seria, por si só, matéria para uma fecunda reflexão, mas não me quero afastar da questão concreta a que se refere a citação do Evangelho nas homilias de hoje: o episódio da “mulher adúltera” (Jo. 8:1-11).
Jesus perdoou “o pecado” pelo qual a mulher vinha acusada, mas não o fez em nome da liberdade individual, e sim por piedade. É isto que eu não perdoo ao Filho de Deus! – passe o atrevimento!
O adultério aparece como sendo a violação, transgressão da regra de fidelidade conjugal imposta aos cônjuges pelo contrato matrimonial, cujo princípio consiste em não se manterem relações carnais com outrem fora do casamento. Tal contrato matrimonial traduz-se de facto num contrato patrimonial em que uma pessoa prescinde do seu livre arbítrio em favor de outrem, em que alguém se faz propriedade de outra pessoa.
Esta minha reprovação da fidelidade contratual não interfere com a vontade livre dos cônjuges manterem uma relação exclusiva ditada por sentimentos genuínos mais ou menos duradouros, mas sim na fixação legal e social de tais comportamentos. Esta exclusividade voluntária é tão legítima quanto a abstinência amorosa. Que ela configure um compromisso e não uma circunstância, já me parece “adulterar” a verdade da relação, isso sim. E é uma pena...
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2022/04/03
2022/03/20
Porque hoje é domingo (115)
Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então, disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a!’
Esta parábola atribuida a Jesus, que a piedosa Igreja de Francisco invoca neste domingo, mostra o pendor criativo do Criador, mas não menos a sua crueldade, considerando a comparação que faz das figueiras com as pessoas.
A ideia de pecado, cujo sentido a Igreja vai definindo conforme as suas conveniências históricas, acirra o medo nos cérebros humanos para controlar os seus comportamentos. Nada que os tiranos de todos os tempos e geografias não saibam usar com mais ou menos artifícios e outras armas.
Qualquer semelhança dos métodos religiosos com "lavagem ao cérebro" não é coincidência.
Esta parábola atribuida a Jesus, que a piedosa Igreja de Francisco invoca neste domingo, mostra o pendor criativo do Criador, mas não menos a sua crueldade, considerando a comparação que faz das figueiras com as pessoas.
A ideia de pecado, cujo sentido a Igreja vai definindo conforme as suas conveniências históricas, acirra o medo nos cérebros humanos para controlar os seus comportamentos. Nada que os tiranos de todos os tempos e geografias não saibam usar com mais ou menos artifícios e outras armas.
Qualquer semelhança dos métodos religiosos com "lavagem ao cérebro" não é coincidência.
2017/02/12
Porque hoje é domingo (85)
Falando do tempo em que Jesus falava sem intermediários, o intermediário Mateus conta de ouvir contar (Mateus 5,17-37), que o Mestre terá dito aos seus discípulos coisas como estas que a Igreja Católica invoca neste domingo sem qualquer preocupação com o rigor histórico das citações.
(5,21-22) «Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno».
Quem se lembra do comportamento de Jesus na “expulsão dos vendilhões do templo” fica preocupado com a sorte do Mestre. Para já não falar dos “mimos” com que insultou não poucas vezes os seus apóstolos e outra gente que o seguia, por não terem fé!
Como nenhum desses episódios merece grande credibilidade, fica a intenção da Igreja na gestão dos bons costumes ou até dos chamados direitos humanos.
Já a ameaça com o fogo do inferno me parece mais grave pelos efeitos traumatizantes que provoca nos crentes. E quem de vós não tem razões de queixa nesta matéria, que me atire a primeira pedra – passe a metáfora!!!
Outra passagem do texto invocado, refere esta sentença de Jesus: (25-26) «Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo».
Aqui Jesus esquece que não veio “para mudar a Lei mas sim para cumpri-la”, segundo rezam as escrituras, mas isso que importa se as suas contradições são bem intencionadas? – isto já eu aprendi nos discursos políticos nossos contemporâneos!
Mas nem tudo é aceitável à luz das boas intenções, nas apreciações legislativas de Jesus – digo eu. Cito apenas e sem comentar, a seguinte passagem do texto de hoje que a Igreja teria dificuldade em justificar se os fiéis tivessem a coragem de questioná-la:
(32) «Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério».
Só para que não restem dúvidas sobre o tipo de ameaças com que Jesus e/ou a Igreja nos vem traumatizando desde a infância, deliciem-se com estes exemplos que fazem parte do mesmo capítulo do Evangelho de Mateus (5,29-30):
«Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno.
E assim vive o crente permanentemente ameaçado pelo sentimento de culpa mais inconsistente, pelo traumatismo mais doloroso, pela ameaça mais perturbadora, de inferno em inferno.
Rejubiem, meus irmãos – digo eu – porque no Inferno, pelo menos pode-se fumar à vontade!
(5,21-22) «Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno».
Quem se lembra do comportamento de Jesus na “expulsão dos vendilhões do templo” fica preocupado com a sorte do Mestre. Para já não falar dos “mimos” com que insultou não poucas vezes os seus apóstolos e outra gente que o seguia, por não terem fé!
Como nenhum desses episódios merece grande credibilidade, fica a intenção da Igreja na gestão dos bons costumes ou até dos chamados direitos humanos.
Já a ameaça com o fogo do inferno me parece mais grave pelos efeitos traumatizantes que provoca nos crentes. E quem de vós não tem razões de queixa nesta matéria, que me atire a primeira pedra – passe a metáfora!!!
Outra passagem do texto invocado, refere esta sentença de Jesus: (25-26) «Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo».
Aqui Jesus esquece que não veio “para mudar a Lei mas sim para cumpri-la”, segundo rezam as escrituras, mas isso que importa se as suas contradições são bem intencionadas? – isto já eu aprendi nos discursos políticos nossos contemporâneos!
Mas nem tudo é aceitável à luz das boas intenções, nas apreciações legislativas de Jesus – digo eu. Cito apenas e sem comentar, a seguinte passagem do texto de hoje que a Igreja teria dificuldade em justificar se os fiéis tivessem a coragem de questioná-la:
(32) «Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério».
Só para que não restem dúvidas sobre o tipo de ameaças com que Jesus e/ou a Igreja nos vem traumatizando desde a infância, deliciem-se com estes exemplos que fazem parte do mesmo capítulo do Evangelho de Mateus (5,29-30):
«Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno.
E assim vive o crente permanentemente ameaçado pelo sentimento de culpa mais inconsistente, pelo traumatismo mais doloroso, pela ameaça mais perturbadora, de inferno em inferno.
Rejubiem, meus irmãos – digo eu – porque no Inferno, pelo menos pode-se fumar à vontade!
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