2008/10/15
2008/10/12
Lógica das massas
«...Milhares de peregrinos estão já no Santuário de Fátima, para participarem nas cerimónias que assinalam os 91 anos das aparições de N. Senhora aos pastorinhos...». Notícia de 2008-10-12 (JN)
Estima-se que em 12 e 13 de Maio 2007, o número de pessoas que se deslocaram ao Santuário tenha atingido o meio milhão !
Digo eu:
Quer caminhem para o Santuário de Fátima ou para qualquer outro, as multidões, as massas, são convocadas por um mito salvador da Humanidade, é certo, mas são sempre movidas por sentimentos íntimos; respondem a uma mobilização colectiva, é certo, mas motivadas por razões subjectivas - na melhor das hipóteses, por convicções pessoais, mas em última análise, por egoismo. Juntam-se para lutar contra um inimigo comum, é certo, mas não é por ser comum, é por ser o "seu" inimigo.
O encontro colectivo proporciona as condições materiais e o pretexto, um clima favorável e o simbolismo justificativo. Mas creio que é nas profundezas psicológicas, nas cavernas secretas da mente que se encontram as motivações de tamanha exaltação.
Depois, há a festa, a celebração da comunhão, da solidariedade, mas que responde sobretudo ao humano sentimento de insegurança que busca, na pertença, protecção e afecto.
Irei longe demais se acrescentar que muitos namoros começam assim, nestes rituais? Já Ovídeo, na Arte de Amar, aconselhava a que se procurassem os espaços povoados... Mas voltemos ao discurso “correcto”!
O papel das grandes concentrações de massas em celebrações políticas ou religiosas é de amplificar o grito individual, por um lado, e legitimá-lo. Um grito que não raras vezes se esgota em si mesmo.Isto para o comum dos participantes, para as massas. Para os promotores é sobretudo espaço de afirmação da sua autoridade moral ou política, e da sua força. A relação que uns estabelecem com os outros é de confiança na direcção ideológica e organizativa.
Em nada disto vejo a mão de Deus nem a mão do Diabo; vejo a lógica das massas. E nem tenho a certeza.
2008/10/06
Obama e o outro
No imaginário dos cidadãos, Obama vale mais por aquilo que representa do que por aquilo que é.
Ele representa um desejo de ruptura com um modelo de sociedade que exalta o sucesso dos ricos e poderosos e que despreza os desafortunados; que sobrepõe os interesses egoístas e os métodos cruéis de uma super-potência, aos direitos legítimos de outros povos preservarem a sua soberania, escolherem as suas políticas, prosseguirem o seu desenvolvimento. Isto é, Obama representa a ruptura com um modelo que oferece os ombros aos privilegiados e o peso das botas aos expoliados do sistema.
Falo por metáforas, em parte, mas não seria mais benevolente falar com os factos. Falo de desejos, é certo, mas é esse desejo colectivo que pode criar os símbolos, a direcção e a força que opera as mudanças.
Obama é, ele próprio, uma criação do imaginário negro e do imaginário popular, das camadas mais livres, evoluídas e generosas. Obama transcende Obama.
Sabemos que além de Obama, há... o outro. E isso remete para a questão de saber se o eleitorado que elegeu Bush por duas vezes ( ! ) muda de cabeça com tanta facilidade quanto a História exige. Dizem as notícias que «A um mês das eleições, marcadas para 4 de Novembro, as sondagens revelam que o eleitorado confia mais em Obama que (no outro) para erguer a economia norte-americana».
Outra questão é saber – passe a ironia – se a vitória, nesta conjuntura económica, não será um presente envenenado para o partido vencedor. O que se pode esperar, no caso do Partido Democrata vencer, é que o veneno não seja mortal. Ele há até quem diga que alguns venenos curam.
2008/10/05
Toma e embrulha (2)
Notícia da TSF em 10-05-08:
«Dois helicópteros Blackhawk UH-60 despenharam-se e caíram num campo militar em Adhamiyah (norte de Bagdad) cerca das 20:55 desta noite» . (...) Segundo um balanço feito pela France Press, 4.177 soldados norte-americanos morreram no Iraque depois da invasão em Março 2003».
É caso para dizer:
primeiro, empenham-se; depois, despenham-se!
É caso para dizer:
primeiro, empenham-se; depois, despenham-se!
A foto é de arquivo mas, para os mais curiosos em desgraças ocorridas com estes helicopteros norte-americanos, pode consultar o respectivo rol, AQUI !
2008/10/04
Mais fumo que fogo
Porém o manipulador da comunicação, em causa, parece conhecer aqueles princípios quando os aplica à produção de opinião; só que neste caso é suposto obedecer aos critérios contrários. O resultado é desastroso.
Mais uma vez na Sábado que parece particularmente vocacionada para estes exercícios de mau-gosto, lemos:
« Durante todas as presidências, socialistas, social-democratas e centrista, em vereações com o PCP ou sem ele, ou seja, na prática com todos os partidos, as casas da Câmara foram atribuídas discricionariamente».
É notório o esforço para meter o PCP nisto, ele que não sente a falta do PCP num programa semanal onde estão representados PSD, PS e CDS.
Mas quando diz...:
«Sabendo nós muito bem como as coisas são feitas, e toda a gente na Câmara Municipal de Lisboa tinha que o saber, a começar pelos Presidentes antigos e actual, a maioria das casas devia ser entregue a quem de direito o justificava e uma minoria, presumo que considerável, existia ou para fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais».
... dá para comentar:
1) se sabe muito bem como as coisas são feitas, conte à gente;
2) o que é uma “minoria considerável”?
3) “fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais” é demasiado exaustivo para quem não falou com Santana Lopes antes de escrever o artigo... Favores pessoais? Diga tudo, cara!
E ainda: que desta vez há fumo a mais para o fogo. Para os fogos.
2008/10/02
Cinema sem futuro

Na minha modesta opinião, ninguém "melhor" para discutir os NOVOS CAMINHOS para o cinema iberoamericano do que... o centenário Manuel de Oliveira. Veja-se este recorte do El Pais:
El I Congreso de Cultura Iberoamericana busca nuevos caminos para el sector (del cine)
(...) Pero fue sin duda la intervención, cálida y amable, de Manoel de Oliveira, que el próximo mes de diciembre cumplirá 100 años, la que despertó mayores entusiasmos. Oliveira fue el primero que puso sobre la mesa el nombre del cineasta que ronda alrededor de todo el congreso: Luis Buñuel. Oliveira defendió el cristianismo de Buñuel: "Daba la impresión de que no creía en Dios, pero no es verdad, sólo le molestaban las cosas malas que suceden en nuestra humanidad". "La rebeldía de Buñuel contra Dios era sólo aparente", continuó el cineasta portugués, quien se despidió del público con estas palabras: "No sé cómo he llegado hasta aquí. Ya no me siento capaz de hablar más".
El I Congreso de Cultura Iberoamericana busca nuevos caminos para el sector (del cine)
(...) Pero fue sin duda la intervención, cálida y amable, de Manoel de Oliveira, que el próximo mes de diciembre cumplirá 100 años, la que despertó mayores entusiasmos. Oliveira fue el primero que puso sobre la mesa el nombre del cineasta que ronda alrededor de todo el congreso: Luis Buñuel. Oliveira defendió el cristianismo de Buñuel: "Daba la impresión de que no creía en Dios, pero no es verdad, sólo le molestaban las cosas malas que suceden en nuestra humanidad". "La rebeldía de Buñuel contra Dios era sólo aparente", continuó el cineasta portugués, quien se despidió del público con estas palabras: "No sé cómo he llegado hasta aquí. Ya no me siento capaz de hablar más".
Texto da notícia, de Rocío García (enviada especial) - México - 02/10/2008
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