As homilias que os sacerdotes levam às missas neste domingo são as mais criativas, as mais fantasiosas e falaciosas, de tão estéril fonte em que se baseiam. É a religião a funcionar!
O texto que a Igreja invoca hoje (João1,35-39), é apenas mais um para confirmá-lo. Vendo Jesus que estava a ser seguido por três homens, voltou-se para eles e perguntou: ‘O que estais procurando?’ Eles disseram: ‘Rabi, onde moras?’. Jesus poderia suspeitar de um assalto ou mesmo de motivações sexuais, mas cofiou e até os convidou para sua casa. Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. O que aconteceu depois, ficamos sem saber além de que, a partir dali, muitos foram os que seriam aliciados para seguir Jesus. E ainda hoje o são – para seguir Jesus e não menos a mãe dele e o próprio Papa. Este, por sua vez, mora numa residência sumptuosa onde continua a receber visitas que fariam inveja ao próprio "Filho de Deus".
2024/01/14
2023/12/22
O liberalismo no seu labirinto
O período posterior à Primeira Guerra Mundial colocou o projecto liberal entre o movimento socialista e comunista, por um lado, e a ascensão do nazi-fascismo e de outros regimes autoritários, por outro lado.
Neste contexto, o liberalismo continuou a defender sem reservas a propriedade privada, que se transformava cada vez mais num privilégio de grandes capitalistas e banqueiros os quais não hesitaram, tanto em Itália como na Alemanha, em financiar os partidos de extrema-direita perante o avanço dos partidos socialistas e comunistas. Incapaz de interpretar (esta) nova fase e não tendo conseguido dar resposta à crise de 1929/33, o liberalismo foi claramente ultrapassado.
O liberalismo tardou em reconhecer, ou não reconheceu de facto, a incompatibilidade entre capitalismo e democracia nos momentos de grave crise económica, social e política.
Excerto de História Crítica do Pensamento Político – vol.II, pg. 174 / Ed.70
Neste contexto, o liberalismo continuou a defender sem reservas a propriedade privada, que se transformava cada vez mais num privilégio de grandes capitalistas e banqueiros os quais não hesitaram, tanto em Itália como na Alemanha, em financiar os partidos de extrema-direita perante o avanço dos partidos socialistas e comunistas. Incapaz de interpretar (esta) nova fase e não tendo conseguido dar resposta à crise de 1929/33, o liberalismo foi claramente ultrapassado.
O liberalismo tardou em reconhecer, ou não reconheceu de facto, a incompatibilidade entre capitalismo e democracia nos momentos de grave crise económica, social e política.
Excerto de História Crítica do Pensamento Político – vol.II, pg. 174 / Ed.70
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2023/12/07
Liberalismo em crise
As análises sociológicas de Karl Marx, que denunciavam a natureza especuladora e
opressora do capitalismo, há muito que deixaram de poderem ser polemizadas em qualquer
sector da sociedade - são uma evidência, tal como o antagonismo de classes sociais,
o conflito insanável entre os possidentes do poder económico e os seus dependentes.
Uma evidência indisfarçável devido às dimensões escandalosas que atingem, mas também devido à visibilidade que lhes dão os orgãos de informação pública e as redes sociais. A estratégia dos privilegiados já não é esconder, mas inventar explicações bondosas para o fenómeno - a necessidade de refrear a justiça social, a favor do "desenvolvimento económico" de que resultariam benefícios... futuros para todos!!!
Assim, os estados liberais caminham actualmente para o abismo e não conseguem parar a revolta das populações, seja por meios violentos, seja por meios pacíficos. É assim que, na via legal de expressão deste descontentamento, os "partidos moderados" vão cedendo terreno aos "partidos radicais" como se pode aferir nos resultados eleitorais e na consequente instabilidade dos governos.
Uma evidência indisfarçável devido às dimensões escandalosas que atingem, mas também devido à visibilidade que lhes dão os orgãos de informação pública e as redes sociais. A estratégia dos privilegiados já não é esconder, mas inventar explicações bondosas para o fenómeno - a necessidade de refrear a justiça social, a favor do "desenvolvimento económico" de que resultariam benefícios... futuros para todos!!!
Assim, os estados liberais caminham actualmente para o abismo e não conseguem parar a revolta das populações, seja por meios violentos, seja por meios pacíficos. É assim que, na via legal de expressão deste descontentamento, os "partidos moderados" vão cedendo terreno aos "partidos radicais" como se pode aferir nos resultados eleitorais e na consequente instabilidade dos governos.
2023/11/13
2023/08/13
Porque hoje é domingo (136)
No lema que definiu para as JMJ em 2023, o Papa escolheu de Lucas 1 o versículo 39: “E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada”.
Que pena não ter escolhido o versículo 52: Deus “depôs dos tronos os poderosos e elevou os humildes”. Se mais não fosse, seria uma ideia mais compreensível. E franciscana.
Quanto ao milagre a que se refere este episódio, é “estranho” que oculte o facto de sua prima Isabel, aquela que Maria foi visitar apressadamente, também fosse objecto de igual milagre do nascimento de um filho “não concebido” por homem.
Diga-se de passagem que o principal suspeito, em ambos os casos!, é um tal Gabriel. Coincidências!
Quanto ao milagre a que se refere este episódio, é “estranho” que oculte o facto de sua prima Isabel, aquela que Maria foi visitar apressadamente, também fosse objecto de igual milagre do nascimento de um filho “não concebido” por homem.
Diga-se de passagem que o principal suspeito, em ambos os casos!, é um tal Gabriel. Coincidências!
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2023/08/04
A histeria das massas e dos mass-media
(Imagem do site oficial JMJ Lisboa 2023 / Franciscanos)
Vem de longe a consciência de que a colectividade é uma realidade distinta dos indivíduos e da sua mera soma.
Freud assinala, na psicologia de massas, duas características típicas: o sentimento de desresponsabilização individual – se tantos fazem, eu também posso ou devo fazer– e o seguidismo – a obediência a um líder cujo carisma legitima o comportamento colectivo. A irracionalidade do populismo ou da crença religiosa, por exemplo, encontram neste mecanismo psicológico uma grande parte da sua explicação. A demagogia é o seu instrumento promocional – digo eu.
Ortega y Gasset fala da divisão entre duas classes de criaturas: as que exigem muito de si e acumulam sobre si mesmos dificuldades e deveres, e as que não exigem de si nada de especial, pois para elas viver é ser em cada instante o que já são, sem esforço de aperfeiçoamento em si mesmas, bóias que andam à deriva.
De outro ponto de vista, talvez haja uma consciência mais profunda do que pode parecer: a consciência de que “o caminho é melhor do que o destino”, como dizia Cervantes. E, sendo assim, o objectivo anunciado assume uma importância secundária ou é apenas um pretexto para a caminhada. O que é mais exaltante na descoberta da América, é a América ou é a viagem de Colombo?
No contexto da vinda do Papa a Portugal por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, penso que os “peregrinos” estão pouco interessados no Papa e menos ainda em Jesus Cristo do que na peregrinação em si mesma com tudo o que oferece de diversão e convívio. E a própria motivação da Igreja é menos a evangelização do que o recrutamento de aderentes, numa fase da História em que a evolução cultural e informativa das pessoas deixa cada vez menos espaço à irracionalidade e à ignorância, logo, à mensagem religiosa. Resta a seu favor a vantagem de oferecer o conforto psicológico da alienação, a que outros chamaram “o ópio do povo”. O que, no entanto, não é pouco.
Vem de longe a consciência de que a colectividade é uma realidade distinta dos indivíduos e da sua mera soma.
Freud assinala, na psicologia de massas, duas características típicas: o sentimento de desresponsabilização individual – se tantos fazem, eu também posso ou devo fazer– e o seguidismo – a obediência a um líder cujo carisma legitima o comportamento colectivo. A irracionalidade do populismo ou da crença religiosa, por exemplo, encontram neste mecanismo psicológico uma grande parte da sua explicação. A demagogia é o seu instrumento promocional – digo eu.
Ortega y Gasset fala da divisão entre duas classes de criaturas: as que exigem muito de si e acumulam sobre si mesmos dificuldades e deveres, e as que não exigem de si nada de especial, pois para elas viver é ser em cada instante o que já são, sem esforço de aperfeiçoamento em si mesmas, bóias que andam à deriva.
De outro ponto de vista, talvez haja uma consciência mais profunda do que pode parecer: a consciência de que “o caminho é melhor do que o destino”, como dizia Cervantes. E, sendo assim, o objectivo anunciado assume uma importância secundária ou é apenas um pretexto para a caminhada. O que é mais exaltante na descoberta da América, é a América ou é a viagem de Colombo?
No contexto da vinda do Papa a Portugal por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, penso que os “peregrinos” estão pouco interessados no Papa e menos ainda em Jesus Cristo do que na peregrinação em si mesma com tudo o que oferece de diversão e convívio. E a própria motivação da Igreja é menos a evangelização do que o recrutamento de aderentes, numa fase da História em que a evolução cultural e informativa das pessoas deixa cada vez menos espaço à irracionalidade e à ignorância, logo, à mensagem religiosa. Resta a seu favor a vantagem de oferecer o conforto psicológico da alienação, a que outros chamaram “o ópio do povo”. O que, no entanto, não é pouco.
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