No lema que definiu para as JMJ em 2023, o Papa escolheu de Lucas 1 o versículo 39: “E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada”.
Que pena não ter escolhido o versículo 52: Deus “depôs dos tronos os poderosos e elevou os humildes”. Se mais não fosse, seria uma ideia mais compreensível. E franciscana.
Quanto ao milagre a que se refere este episódio, é “estranho” que oculte o facto de sua prima Isabel, aquela que Maria foi visitar apressadamente, também fosse objecto de igual milagre do nascimento de um filho “não concebido” por homem.
Diga-se de passagem que o principal suspeito, em ambos os casos!, é um tal Gabriel. Coincidências!
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2023/08/13
2019/01/27
2014/12/24
O Papa e este outro mundo
O Mundo está mudado, o mundo social. Não falo das diferenças
circunstanciais como haver mais ou menos pobres, mais ou menos analfabetos, mais ou menos acesso aos cuidados de saúde; falo do controlo dos poderes, da transparência dos capitais, da independência da Justiça, da participação dos cidadãos nas decisões dos estados.
A denúncia e o combate que o Papa Francisco faz em relação aos comportamentos reprováveis que observa nos doutores do Vaticano, além de real é simbólico destas mudanças porque ocorre na mais conservadora instituição do mundo ocidental.
O discurso e a atitude do Papa, dirigido aos bispos nas vésperas do Natal de 2014,fez lembrar Jesus a expulsar, do Templo de Jerusalém, os cambistas e comerciantes que usavam a “casa do Pai” para fazer os seus negócios, chamando-lhes “salteadores”…
Quando o Papa exaltou os homens e mulheres “invisíveis”, os trabalhadores anónimos, e fez notar que o cemitério está cheio de figuras prestigiadas que se consideravam insubstituíveis, é toda a mensagem social dos evangelhos que emerge do bafiento discurso tradicional e contemporizador em que a Igreja se tem acobardado e beneficiado materialmente.
Se o “conclave” que elegeu o argentino Bergoglio, em Março de 2013, esperava dele o mesmo papel que desempenhou João Paulo II, levando desta vez a uma reversão do curso progressista da América Latina, enganaram-se. O que acabámos de ver há escassos dias, foi uma aproximação entre os EEUU e Cuba com intermediação do Papa Francisco. A favor do regime político cubano? Não. A favor da paz mundial e do bem-estar das populações “invisíveis” que são as vítimas das guerras quentes e frias.
A denúncia e o combate que o Papa Francisco faz em relação aos comportamentos reprováveis que observa nos doutores do Vaticano, além de real é simbólico destas mudanças porque ocorre na mais conservadora instituição do mundo ocidental.
O discurso e a atitude do Papa, dirigido aos bispos nas vésperas do Natal de 2014,fez lembrar Jesus a expulsar, do Templo de Jerusalém, os cambistas e comerciantes que usavam a “casa do Pai” para fazer os seus negócios, chamando-lhes “salteadores”…
Quando o Papa exaltou os homens e mulheres “invisíveis”, os trabalhadores anónimos, e fez notar que o cemitério está cheio de figuras prestigiadas que se consideravam insubstituíveis, é toda a mensagem social dos evangelhos que emerge do bafiento discurso tradicional e contemporizador em que a Igreja se tem acobardado e beneficiado materialmente.
Se o “conclave” que elegeu o argentino Bergoglio, em Março de 2013, esperava dele o mesmo papel que desempenhou João Paulo II, levando desta vez a uma reversão do curso progressista da América Latina, enganaram-se. O que acabámos de ver há escassos dias, foi uma aproximação entre os EEUU e Cuba com intermediação do Papa Francisco. A favor do regime político cubano? Não. A favor da paz mundial e do bem-estar das populações “invisíveis” que são as vítimas das guerras quentes e frias.
2014/02/08
Porque hoje é domingo (46)
O Paraíso Celestial e o Paraíso Fiscal, se não ocupam o mesmo espaço, são bons vizinhos. Por mais que os discursos populares do Papa Francisco reprovem os “excessos” do capitalismo, é mesmo para defender o sistema contra o socialismo, que a Igreja está no mundo. Catolicismo e capitalismo são aliados ideológicos e materiais.
A escolha do Papa tem um papel crucial nesta missão. Viu-se com a eleição do polaco João Paulo II, envolvido descaradamente na militância do movimento Solidariedade, na Polónia; perceber-se-há mais cedo ou mais tarde com o papa Francisco, argentino, para influenciar a corrente progressista que engrossa na América Latina.
A hipervalorização de qualquer palavra, de qualquer gesto, de qualquer atitude do Papa, por mais banal que estes sejam, alimenta o desígnio da Igreja Católica, ela própria promotora desses comportamentos. O “casting” que os bispos realizam na escolha do Papa, garante o sucesso da representação – ninguém melhor para interpretar a linguagem do povo latino-americano do que um latino-americano! Ninguém o faria com tanta convicção e naturalidade.
Entretanto, tudo está justificado à luz da missão da Igreja. Antes de mais porque é suposto que seja o Espírito Santo a inspirar os bispos eleitores. Depois porque a luta contra o socialismo se inscreve na missão de combater o ateísmo. De passagem, digamos assim, a Igreja ganha as alianças e os apoios de que precisa para manter o Vaticano e a sua legião de profissionais espalhados pelo mundo.
E enquanto houver quem precise de acreditar em milagres, no perdão dos seus "pecados" ou na ajuda discriminatória de Deus para os seus dramas pessoais, não faltará o apoio popular.
“Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – lembra a Igreja neste domingo, invocando o Evangelho (Mt 5,13-16). "Mas nós, Igreja, somos quem decide o prato e o caminho!" – isto não dizem nem precisam dizer os apóstolos da privação dos sabores e da razão.
A escolha do Papa tem um papel crucial nesta missão. Viu-se com a eleição do polaco João Paulo II, envolvido descaradamente na militância do movimento Solidariedade, na Polónia; perceber-se-há mais cedo ou mais tarde com o papa Francisco, argentino, para influenciar a corrente progressista que engrossa na América Latina.
A hipervalorização de qualquer palavra, de qualquer gesto, de qualquer atitude do Papa, por mais banal que estes sejam, alimenta o desígnio da Igreja Católica, ela própria promotora desses comportamentos. O “casting” que os bispos realizam na escolha do Papa, garante o sucesso da representação – ninguém melhor para interpretar a linguagem do povo latino-americano do que um latino-americano! Ninguém o faria com tanta convicção e naturalidade.
Entretanto, tudo está justificado à luz da missão da Igreja. Antes de mais porque é suposto que seja o Espírito Santo a inspirar os bispos eleitores. Depois porque a luta contra o socialismo se inscreve na missão de combater o ateísmo. De passagem, digamos assim, a Igreja ganha as alianças e os apoios de que precisa para manter o Vaticano e a sua legião de profissionais espalhados pelo mundo.
E enquanto houver quem precise de acreditar em milagres, no perdão dos seus "pecados" ou na ajuda discriminatória de Deus para os seus dramas pessoais, não faltará o apoio popular.
“Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – lembra a Igreja neste domingo, invocando o Evangelho (Mt 5,13-16). "Mas nós, Igreja, somos quem decide o prato e o caminho!" – isto não dizem nem precisam dizer os apóstolos da privação dos sabores e da razão.
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2013/08/04
Porque hoje é domingo (42)
S. Lucas é porventura o repórter de Jesus Cristo mais citado pela Igreja nas homilias dos domingos. Desta vez conta ele (Lc 12, 13-21) que alguém, no meio de uma multidão, pediu a Jesus para intervir num conflito relacionado com uma herança.
Não seria politicamente correcto que o filho de Deus virasse as costas à multidão, dizendo “deixem-me em paz que a minha vida não é esta, eu tenho mais em que pensar”… Mas não querendo desiludir os crentes, enveredou por lendas e metáforas, contando que “um homem rico gastou sua vida acumulando bens, e com isto não construiu aqui na terra, a sua morada no Céu!”.
Entre os comentadores houve quem achasse que aquilo era a lenda da cigarra e da formiga contada ao contrário, por assim dizer, mas também houve quem visse naquelas palavras um apêlo à modéstia e à austeridade. Entre estes que tomaram o partido do empobrecimento, houve até quem puxasse da notícia de S. Lucas para sublinhar a seguinte citação do Senhor: “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.
Se Jesus Cristo fosse interrogado na sinagoga, pelos deputados, decerto esclareceria que as suas palavras eram uma crítica aos fariseus e não ao povo humilde que o seguia - como se deduz de outras notícias - mas sendo os fariseus que dominavam o parlamento, a questão nunca foi expressamente esclarecida e cada escriba faz das palavras de Deus o que mais convém à sua condição.
O Papa Francisco parece estar, ele próprio, envolvido nesta questão, com a sua apologia da simplicidade. Veremos pela prática o que isso quer dizer no plano da disputa entre os senhores da Terra e os seus súbditos.
Não seria politicamente correcto que o filho de Deus virasse as costas à multidão, dizendo “deixem-me em paz que a minha vida não é esta, eu tenho mais em que pensar”… Mas não querendo desiludir os crentes, enveredou por lendas e metáforas, contando que “um homem rico gastou sua vida acumulando bens, e com isto não construiu aqui na terra, a sua morada no Céu!”.
Entre os comentadores houve quem achasse que aquilo era a lenda da cigarra e da formiga contada ao contrário, por assim dizer, mas também houve quem visse naquelas palavras um apêlo à modéstia e à austeridade. Entre estes que tomaram o partido do empobrecimento, houve até quem puxasse da notícia de S. Lucas para sublinhar a seguinte citação do Senhor: “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.
Se Jesus Cristo fosse interrogado na sinagoga, pelos deputados, decerto esclareceria que as suas palavras eram uma crítica aos fariseus e não ao povo humilde que o seguia - como se deduz de outras notícias - mas sendo os fariseus que dominavam o parlamento, a questão nunca foi expressamente esclarecida e cada escriba faz das palavras de Deus o que mais convém à sua condição.
O Papa Francisco parece estar, ele próprio, envolvido nesta questão, com a sua apologia da simplicidade. Veremos pela prática o que isso quer dizer no plano da disputa entre os senhores da Terra e os seus súbditos.
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