02/06/2008

quem guarda os guardas ?


«Os Estados Unidos têm prisioneiros em “prisões flutuantes”, navios em alto mar onde mantém os acusados de terrorismo sem que se saiba quantos estão nestas condições nem onde. ...

Os EUA reconhecem ter 26 mil pessoas detidas ainda sem julgamento em prisões secretas. Mas a informação recolhida diz que o número de detidos pode atingir os 80 mil, de 2001 até hoje. A Reprieve reivindica informação sobre esses prisioneiros: quem são, onde estão e o que lhes é feito. ... »
(Público 2008-06-02)


Ao longo de cinco anos Murat Karnaz foi espancado abundantemente, objecto de simulações de afogamento, algemado de pés e mãos durante semanas, suspenso pelos pulsos durante cinco dias e cinco noites ao longo dos quais era regularmente espancado (neste caso, um médico verificava de seis em seis horas que ele podia continuar a suportar a tortura, o que inevitavelmente lembra os médicos torcionários e da PIDE), longamente privado da visão mediante a aplicação de um capuz, decerto ainda o mais que não nos foi contado e que nós não podemos imaginar.

Com tudo isto, queriam que ele confessasse pertencer à Al Qaeda. Mas essa confissão não podia ele fazê-la porque seria falsa.

... Afinal havia sido preso no Afeganistão porque ali se dirigira, parece que como muitos outros, numa espécie de turismo confessional, visando aperfeiçoar-se como crente islâmico, talvez um pouco como muitos cristãos visitam Roma e outros lugares santos do catolicismo para se sentirem reforçados na sua fé. Só que, para desgraça de Murat Karnaz, o 11 de Setembro ocorrera havia pouco, os Estados Unidos haviam declarado guerra ao «terrorismo» e pagavam a tantos dólares por cabeça quem denunciasse suspeitos de pertença à Al Qaeda.


Murat foi, pois, denunciado por um qualquer afegão sem escrúpulos resolvido a embolsar uns dólares que lhe fariam jeito, e é improvável que tenha sido o único a ir para Guantámano nessas circunstâncias. ...
(Correia da Fonseca – Avante 2008-05-29 )

Fonte original dos 2 recortes: http://www.guardian.co.uk/world

Sem comentários: