Da crise à troika (I)

Para responder à recessão económica dos EUA em 2001, foi adoptada uma estratégia de facilidades de crédito que se revelou perigosa.

O entusiasmo da procura criado pelas facilidades de crédito, fez subir os preços e os juros, especialmente no sector da construção civil, o que gerou endividamento dos proprietários e retracção dos potenciais compradores. Em 2004 os juros estavam já em 5,25%. Mas com a execução das hipotecas, os imóveis retomados pela banca voltam a ser colocados à venda, agora por baixos preços, o que agrava ainda mais a crise da indústria de construção.

Foi um desastre para o sector imobiliário e automóvel, especialmente, que deixaram de vender e de cobrar os empréstimos. Mas, além disso, deixaram de alimentar a banca que acabou por apresentar falta de liquidez – é a crise financeira de 2008.

Neste processo teve um papel importante a negociação de títulos que ofereciam taxas altas mas também grandes riscos (subprime) e que deixaram de merecer a confiança dos investidores.

Retracção do crédito, crise de liquidez, falências de empresas imobiliárias que ficam na posse da banca com os seus prejuízos, falência no próprio sector bancário!

Em 2008, o Lehman Brothers, o quarto maior banco de negócios dos Estados Unidos, declarou falência. Começava assim o colapso do sistema financeiro norte-americano. A falência do banco centenário,que perdeu mais de 4 mil milhões de dólares foi anunciada depois da administração Bush ter decidido não intervir no sistema bancário.


Ao verificar os efeitos desastrosos desta não intervenção do Estado, a administração norte-americana teve que inverter a sua estratégia e logo nacionalizou a maior seguradora do mundo, a AIG. Afinal era o Estado quem podia resolver os problemas e não o livre funcionamento dos mercados! «Depois do colapso, o governo norte-americano foi o campeão dos apoios públicos para enfrentar a crise, ao libertar 3.6 milhares de milhões de dólares para dinamizar a economia».

Depois do Lehman Brothers, outros bancos importantes, nomeadamente o Bank of America, o Citigroup e Wells Fargo foram afectados pela crise económica.

O governo americano aprovou em outubro de 2008 um pacote de ajuda de 700 milhares de milhões de dólares para ajudar os bancos afetados com os produtos envolvidos no "subprime" (créditos de alto risco) mas também empresas de créditos, montadoras de automóveis, entre outros. Sucessivos pacotes de ajuda de muitos milhões de dólares, destinada a sectores fundamentais da economia como o sector automóvel, nomeadamente a General Motors e a Chrysler, ou destinadas a obras de infraestrutura, sem perder de vista o combate à elevada taxa de desemprego, foram disponibilizados pelo Estado ultraliberal, isto é, pelos impostos dos cidadãos norte-americanos, para resolver o problema financeiro criado pela desregulamentação.

É a lógica dos mercados... a falhar!

Próximo post: Parte II

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