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2015/08/02
2015/02/26
Até Freitas
O que menos interessaria nas negociações do governo grego com o Eurogrupo, é saber quem “leva a bicicleta”. O resultado deste jogo está à vista: a Alemanha salva a sua face e a Grécia salva a sua tesouraria.
A narrativa corrente, segundo a qual “o governo grego teve que ceder em toda a linha”, obriga porém a uma resposta. E para quê invocar Marx, Lenine ou Rosa Luxemburgo, se Freitas do Amaral explica tudo e bem e em português?
A Alemanha recuou muito mais que a Grécia:
- o governo grego acabou com o tabu de que a política neoliberal da União Europeia não podia ser discutida ou modificada, e pôs toda a europa a discutir os méritos e deméritos dessa política;
- o governo grego conseguiu mais 5 milhões de euros de financiamento para a banca grega, como pretendia;
- o governo grego “dobrou a Alemanha” que não queria qualquer acordo e foi obrigada a aceitar um acordo
As medidas propostas pelo governo grego foram aprovadas por todo o eurogrupo – é a reforma do Estado!
Vai haver disciplina orçamental, sim, mas a austeridade pura e dura morreu. Como morreu a troika – as discussões deixam de ser ao nível de funcionários e passam a fazer-se ao nível de ministros.
(2015-02-26 Freitas do Amaral em “Grande Entrevista / RTP Info.)
Na foto:
Margarida Marante modera debate com Freitas do Amaral, Pinto Balsemão, Mário Soares e Álvaro Cunhal
A narrativa corrente, segundo a qual “o governo grego teve que ceder em toda a linha”, obriga porém a uma resposta. E para quê invocar Marx, Lenine ou Rosa Luxemburgo, se Freitas do Amaral explica tudo e bem e em português?
A Alemanha recuou muito mais que a Grécia:
- o governo grego acabou com o tabu de que a política neoliberal da União Europeia não podia ser discutida ou modificada, e pôs toda a europa a discutir os méritos e deméritos dessa política;
- o governo grego conseguiu mais 5 milhões de euros de financiamento para a banca grega, como pretendia;
- o governo grego “dobrou a Alemanha” que não queria qualquer acordo e foi obrigada a aceitar um acordo
As medidas propostas pelo governo grego foram aprovadas por todo o eurogrupo – é a reforma do Estado!
Vai haver disciplina orçamental, sim, mas a austeridade pura e dura morreu. Como morreu a troika – as discussões deixam de ser ao nível de funcionários e passam a fazer-se ao nível de ministros.
(2015-02-26 Freitas do Amaral em “Grande Entrevista / RTP Info.)
Na foto:
Margarida Marante modera debate com Freitas do Amaral, Pinto Balsemão, Mário Soares e Álvaro Cunhal
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2015/01/12
Ser ou não ser Charlie
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2014/11/11
anexar ou reunificar
A reaparição de Michael Gorbatchov, agora para comemorar com Merkel a queda do muro de Berlim em Novembro de 1989, e as referências dele a Putin, fizeram-me pensar se lhe terá ocorrido uma comparação com o que aconteceu na Crimeia em Março de 2014.
Isto é, será que a integração da República Democrática da Alemanha na república Federal Alemã foi uma “anexação”, ou a integração da Crimeia na Rússia foi uma “reunificação”?
Pela minha parte, penso que ambas as integrações foram legítimas, independentemente das circunstâncias históricas que as "desintegraram" originalmente. A abertura do dique, num e noutro caso, mostrou em que sentido corria a torrente popular.
Isto é, será que a integração da República Democrática da Alemanha na república Federal Alemã foi uma “anexação”, ou a integração da Crimeia na Rússia foi uma “reunificação”?
Pela minha parte, penso que ambas as integrações foram legítimas, independentemente das circunstâncias históricas que as "desintegraram" originalmente. A abertura do dique, num e noutro caso, mostrou em que sentido corria a torrente popular.
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2011/12/08
Sair ou não sair do euro,
eis a questão!
Se a UE tivesse soluções, há muito que as teria tomado.
A Alemanha não pode ajudar ninguém e dificilmente se ajuda a ela própria. Os elevados recursos de que precisa para sustentar o seu grau de competição com os EUA e o Japão na corrida das tecnologias avançadas, com taxas de retorno muito reduzidas no curto prazo, exigem-lhe recursos de capital que não se compadecem com políticas generosas ou solidárias.
O que a Alemanha precisa é que os seus bancos transformem em capital real o capital fictício de que estão atulhados, e precisam de mão-de-obra barata de países empobrecidos e controlados na UE.
Por outro lado, fora da Europa a UE não tem aliados.
Os EUA transformaram a Europa num satélite: ao mesmo tempo que se servem dela para a sua política de dominação territorial global, movem-lhe uma guerra financeira na competição do dólar contra o euro.
Os BRIC, por seu lado, já demonstraram que ignoram os problemas do euro. A China e a Rússia não têm qualquer interesse estratégico em fortalecer à sua custa os que estão incondicionalmente do lado dos Estados Unidos da América.
Os custos da nossa saída da zona euro seriam temporários, ao passo que os custos de permanecermos serão inultrapassáveis pois apenas aprofundaremos a situação a que chegámos – sem riqueza, sem emprego e sem soberania.
Dizer que passaríamos a viver com 25 ou 40% menos é errado. É confundir o valor dos bens com a sua expressão monetária. Os bens transaccionáveis manteriam o seu valor expresso em euros ou noutra moeda. Põe-se o problema, sim, de como pagar as importações, que se reduziriam. Mas como pagá-las, estando na zona euro? Endividando-nos sem fim.
Ficando no euro, a dívida em 2013 será superior à de 2010 e em 2012 os juros atingem 8 800 M€. Daqui a tal promessa (ou antes, ameaça) de Markel de que dentro de 10 anos…
A questão é, pois, produzir bens transaccionáveis. Ora, com o euro não o conseguimos, como está mais que provado; a única forma de o fazer é de facto negociar a saída da zona euro.
Adaptação e resumo de “Ficar ou sair da zona euro”,
de Daniel Vaz de Carvalho, publicado em resistir.info
Recomendo do mesmo autor: EURO E ESCOLHAS
A Alemanha não pode ajudar ninguém e dificilmente se ajuda a ela própria. Os elevados recursos de que precisa para sustentar o seu grau de competição com os EUA e o Japão na corrida das tecnologias avançadas, com taxas de retorno muito reduzidas no curto prazo, exigem-lhe recursos de capital que não se compadecem com políticas generosas ou solidárias.
O que a Alemanha precisa é que os seus bancos transformem em capital real o capital fictício de que estão atulhados, e precisam de mão-de-obra barata de países empobrecidos e controlados na UE.
Por outro lado, fora da Europa a UE não tem aliados.
Os EUA transformaram a Europa num satélite: ao mesmo tempo que se servem dela para a sua política de dominação territorial global, movem-lhe uma guerra financeira na competição do dólar contra o euro.
Os BRIC, por seu lado, já demonstraram que ignoram os problemas do euro. A China e a Rússia não têm qualquer interesse estratégico em fortalecer à sua custa os que estão incondicionalmente do lado dos Estados Unidos da América.
Os custos da nossa saída da zona euro seriam temporários, ao passo que os custos de permanecermos serão inultrapassáveis pois apenas aprofundaremos a situação a que chegámos – sem riqueza, sem emprego e sem soberania.
Dizer que passaríamos a viver com 25 ou 40% menos é errado. É confundir o valor dos bens com a sua expressão monetária. Os bens transaccionáveis manteriam o seu valor expresso em euros ou noutra moeda. Põe-se o problema, sim, de como pagar as importações, que se reduziriam. Mas como pagá-las, estando na zona euro? Endividando-nos sem fim.
Ficando no euro, a dívida em 2013 será superior à de 2010 e em 2012 os juros atingem 8 800 M€. Daqui a tal promessa (ou antes, ameaça) de Markel de que dentro de 10 anos…
A questão é, pois, produzir bens transaccionáveis. Ora, com o euro não o conseguimos, como está mais que provado; a única forma de o fazer é de facto negociar a saída da zona euro.
Adaptação e resumo de “Ficar ou sair da zona euro”,
de Daniel Vaz de Carvalho, publicado em resistir.info
Recomendo do mesmo autor: EURO E ESCOLHAS
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Zona Euro
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