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2024/06/26

Israel não é um país democrático

Uma das grandes mentiras do sionismo é que Israel é um Estado “democrático e progressista”. Nada mais falso. Desde a sua fundação, se constituiu como um Estado racista, por sua ideologia e suas leis destinadas à expropriação das casas e terras dos palestinianos.
Israel é oficialmente um “Estado judeu”. Quer dizer, não é um Estado de todos os que residem no país ou nasceram nele, mas somente podem ser cidadãos aqueles que se consideram de fé ou de descendência judaica.
Noventa por cento das terras se reservam exclusivamente para os judeus, através do Fundo Nacional Judeu, cujo estatuto define que essas “terras de Israel” pertencem a essa instituição e não podem ser vendidas, arrendadas ou nem sequer trabalhadas por um “não judeu”. Os palestinianos estão proibidos de comprar ou, inclusive, arrendar as terras anexadas pelo Estado desde 1948.
Desde a fundação do país, existe um sistema de discriminação racial que domina absolutamente todos os destinos das vidas dos palestinianos. O que se poderia dizer hoje de um país cuja política oficial foi a expropriação de terras dos judeus ou que simplesmente proibisse que alguém judeu pudesse se assentar nele se se casasse com uma não judia? Obviamente, dir-se-ia que se trata de um flagrante caso de discriminação anti-semita e poderia ser comparado com o nazismo ou com o apartheid sul-africano. No entanto, esse critério é legal em Israel, através de uma série de instituições e leis que afectam apenas os habitantes não judeus.
A “lei de nacionalidade” estabelece claras diferenças na obtenção da cidadania para judeus e não judeus. Pela “lei de cidadania”, nenhum cidadão israelita pode se casar com uma residente dos territórios ocupados. Caso isso aconteça, perde os direitos de cidadão israelita, e a família, se não é separada, deve emigrar.
Pela “lei de retorno”, qualquer judeu do mundo, se vai para Israel, pode ser cidadão israelita e obter um sem-número de privilégios que os nativos não judeus não possuem. Mas os familiares dos palestinianos do Estado de Israel que vivem no estrangeiro (muitos deles expulsos de suas terras na Palestina ou seus descendentes) não podem obter o mesmo benefício somente pelo fato de não serem judeus.
A “lei do ausente” permite a expropriação das terras que não tenham sido trabalhadas durante um tempo. Mas nunca foi expropriada a terra de um judeu. A maioria das expropriações realizou-se contra refugiados palestinianos no exílio, palestinianos habitantes de Israel e todo palestiniano que reside na margem ocidental do rio Jordão e tenha terras na área ampliada de Jerusalém.

Texto recortado de Secretariado Internacional da LIT-QI (Brasil 12Maio2008)>José Goulão em:

2019/05/24

O farol da União Europeia

No princípio deste mês de Maio, Gérard Araud, embaixador cessante de França nos Estados Unidos, afirmava: Israel é um Estado que pratica o apartheid; e a União Europeia é cúmplice dessa situação aviltante para os direitos humanos agindo como um súbdito dos Estados Unidos e da política terrorista de Israel.

Não é o único diplomata de Estados membros da União que pensa assim. E daí? O que faz a sagrada organização? O que fazem os seus respeitáveis 28 governos?

A colonização da Cisjordânia está prestes a transformar-se em anexação e a União Europeia, proclamando-se "farol da democracia", não projecta um raio de luz, um alerta, para impedir que tal aconteça.

E depois admiram-se...

ADENDA HISTÓRICA
Os Territórios Palestinianos compreendem três regiões não contíguas - a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Após a extinção do Mandato Britânico da Palestina, esses territórios foram capturados e ocupados pela Jordânia e pelo Egito durante a Guerra árabe-israelense de 1948. Durante a Guerra dos seis dias (1967), foram ocupados por Israel.


2019/04/24

Israel é uma democracia?

Quando os criminosos são “os nossos” criminosos, não há crime. E não serve de nada que dezenas de organizações portuguesas subscrevam o seu protesto. Silêncio!

As estações de televisão, que nos hipnotizam constante e obsessivamente com futebol e discussões infantiloides sobre o mesmo, não têm espaço para debater ou sequer noticiar os guantánamos deste mundo que, no caso, ocorrem em Israel de Netanyahu. Entre as redes das balisas e as grades das prisões, o jornalismo "independente, pluralista e democrático" faz as suas escolhas.

Em Fevereiro de 2019, havia nas cadeias israelitas 5440 presos políticos palestinos, incluindo 493 a cumprir sentenças de mais de 20 anos de prisão e 540 condenados a prisão perpétua.

A detenção administrativa, sem julgamento nem acusação, permite ao exército israelita deter uma pessoa por um período de até 6 meses, renovável indefinidamente. Neste momento estão em detenção administrativa 497 palestinos, incluindo 3 deputados. A tortura é prática corrente.
O crime? O crime é resistirem à ilegal ocupação israelita e por lutarem pela dignidade e liberdade do seu povo.

Neste caso ninguém pergunta se aquilo é uma democracia...!

Ver mais AQUI

2019/04/21

O destino das esquerdas oportunistas

Sobre as eleições de 2019 que renovaram e reforçaram o poder de Netanyahu em Israel, ou sobre as derivas oportunistas em movimentos de esquerda, recomendo a leitura na íntegra de um artigo de Alexandra Lucas Coelho [AQUI] de que transcrevo o seguinte excerto.

“Estas eleições, e a diminuição do poder tanto dos Trabalhistas como do Meretz na política israelita, mostram que a estratégia da esquerda sionista, de ajustes superficiais em vez de mudanças radicais, se virou contra ela mesma. A incapacidade dos partidos sionistas de esquerda de lidarem não só com os seus falhanços mas com a ideologia que desalojou milhões de palestinianos, os transformou em refugiados, e expropriou as suas terras, significa que eles nunca vão transcender as suas contradições originais. Enquanto não decidir se tem mais medo de formar uma aliança real com os palestinianos ou com aqueles que querem desapossar os palestinianos, a esquerda sionista continuará a mirrar na sua própria irrelevância.”

2019/03/06

A mensagem de Osíris no Telemóvel

Set assassinou o seu irmão Osíris e usurpou-lhe o seu trono. Entretanto a esposa de Osíris, Ísis, reconstituiu o corpo da vítima ... e  tal.


Se Osíris representa a Palestina, Set representa Israel e o trono representa o território palestiniano, a metáfora está perfeita, a mensagem é genial. Mas se a canção “Telemóvel” que um tal Osíris leva ao Festival da Canção, na Palestina, é apenas um chorrilho de disparates gerados numa noite de bebedeira, parta o telemóvel de uma vez e, a seguir, entregue-se à fúria de Set.

2015/10/16

Refugiados

«Sonhei que a minha mãe estava viva, na Síria.
Eu acordei mas não a encontrei  aqui.»

Poderia perguntar aos ideólogos da Europa muralhada, o que fariam se o seu país, a sua cidade, a sua família estivessem a ser bombardeados. Mas não quero perturbar a sua tranquilidade.



2014/08/03

A guerra da Informação sobre Gaza

Hora e meia após o início do cessar-fogo, Israel fez bombardeamentos na área de Rafah que causaram a morte de mais de 60 pessoas e ferimentos em centenas. Quanto ao ataque palestiniano, terá causado dois militares mortos  segundo o próprio porta-voz de Israel.

Considerando o espaço temporal entre o rompimento de um e a resposta do outro, a ser assim, e considerando os efeitos provocados por cada um dos ataques, ficamos na dúvida se é Gaza ou “gansa” o que faz falar as autoridades de Israel e os seus porta-vozes entre políticos e jornalistas.

As atrocidades provocadas por Israel foram de tal modo explosivas que o próprio presidente norte-americano se sentiu obrigado a reprová-las ainda que num fraseado ambíguo.

Mas ainda não arrefeciam os corpos das dezenas de mortos, ainda não tinham sido assistidas as centenas de feridos, ainda agonizavam homens, mulheres e crianças atingidos pelos ataques israelitas, e já Netanyahu, essa fonte “insuspeita”, fornecia a Obama e este às agências de notícias e estas aos jornais de todo o mundo, que «o Hamas foi o primeiro a romper as tréguas acordadas». 

Servil e irracional, a comunidade jornalística, lambendo o sangue que escorria das mãos  do primeiro-ministro de Israel, subscreveu a sua versão remendada.

O número dois do Hamas, disse que “qualquer operação que o Hamas tenha feito ocorreu antes do início do cessar-fogo”? Esquece! O papel da comunidade informativa “ocidental” é o de contar a versão “ocidental”. Missão cumprida.

Última hora:
A ONU revelou que já morreram neste conflito cerca de 300 crianças palestinianas. E eu, sabe-se lá porque sentimento pueril, não tenho coragem de inserir aqui a imagem de uma “só” que seja.


Foto inicial recolhida em aljazeera.com 

2011/12/19

Paradoxos cristãos

Somos muito pequenos diante da Alemanha? E daí? Em tempo de celebrar o nascimento de Jesus Cristo, vale a pena aprender, com a sua história, como isso do tamanho é uma desculpa para quem não tem coragem ou vontade. Está tudo na Bíblia.

Jesus é apresentado como descendente do rei David. Ora este é o tal que derrotou Golias apesar da grande desvantagem física do primeiro. Esclarecida esta relação entre a coragem e a resignação, vamos aos pormenores.

Um gigante chamado Golias desafiou o exército israelita a enviar um homem para enfrentá-lo. Os israelitas tiveram medo do gigante. David, indignando-se da vergonha que Golias trazia a Deus e a todo exército de Israel com suas palavras, decidiu enfrentá-lo, munido apenas de uma funda e algumas pedras. Logo no começo da batalha, David acertou na testa de Golias, com uma pedrada. Golias caiu e David arrancou-lhe a cabeça com sua própria espada.

Após esta vitória, David foi bem sucedido em todas as suas missões e ganhou fama entre o povo. Saul, o primeiro rei daquele povo unificado, passou a invejá-lo e temeu que o poder lhe escapasse a favor de David. Mas quando Samuel foi secretamente ungir o novo rei para Israel, foi David que ele escolheu apesar deste ser o mais novo de sete irmãos. Assim, e sempre “por vontade de Deus”, David sucede a Saul. (De tudo isto falam os livros de Samuel).

David conquistou Jerusalém, que transformou em capital do Reino Unido de Israel, de acordo com a Bíblia hebraica. No judaísmo, David, é o Rei de Israel e do povo judaico.

Depois de muitas gerações de homens com nome, e mulheres desconhecidas, anuncia-se o nascimento de Jesus. O anúncio é feito por um anjo. Mais tarde, com a criação dos Correios, Telégrafos e Telefones, mas sobretudo com a internet, os anjos deixaram de ser necessários, razão pela qual nunca mais houve notícia de aparições semelhantes.

Acho que a Virgem "ficou para a vida", espantada mesmo, respondendo ao S. Gabriel que ela nunca tivera relações com homem, que S. José era apenas namorado. Que isso não tinha importância, foi o que o anjo lhe respondeu, e que acreditasse no milagre de Deus. De tanto insistir o anjo, resignou-se a Senhora com estas palavras textuais: “Eis aqui a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”.

Naquele tempo... uma mulher que engravidasse de homem com quem não fosse casada, seria condenada à morte. Seria esse o destino de Maria, noiva mas não casada com José, se as autoridades duvidassem da versão da rapariga ou se isso não estorvasse a narrativa cristã. Esteve bem, portanto, a Virgem - por assim dizer.

Diga-se de passagem que também José, o noivo de Maria, foi visitado em sonho, por um anjo, para o acalmar com estas palavras: “José, filho de David, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo". Qualquer de nós, se sonhasse com um anjo a dizer que não nos importassemos com a gravidez suspeita da nossa namorada, virava-se para o outro lado e continuava a dormir descansado. Assim terá feito José.

O que interessa é que a descendência do rei David, onde se insere de forma pouco clara o nascimento de Jesus, era a dinastia mais famosa de Israel, e o povo sonhava com aqueles tempos em que o rei David impunha respeito, tempos em que o seu país era uma nação temida e respeitada pelas demais, e não insultada e humilhada como seria a Grécia e Portugal dois mil e onze anos se passassem - isto não diz a Bíblia, digo eu.

Assim se compreende a necessidade de um descendente que tivesse a missão de libertar o povo massacrado e infeliz de Israel. E assim surgiu o Salvador, "Jesus Nazareno Rei dos Judeus" como seria designado por estes. Assim se explica a visita dos reis vizinhos, os "reis magos".

Incenso, mirra e ouro não é prenda que se dê a um menino pobre, não é o mesmo que dar uns carapins, umas fraldas, uma camisolinha. Logo por aqui se via, também, que se tratava de um grande líder para a região e só instrumentalmente para a religião.

Incoerência

O Novo Testamento qualifica Jesus como descendente de David e é nisto que acredita o Judaísmo Ortodoxo. Mas alguns detectam nesta história uma incoerência: se Jesus era filho de Maria e do Espírito Santo e nenhum dos dois era descendente de David, como podia sê-lo Jesus? ”. No meio de tantas outras incoerências, contradições e paradoxos a que os "escritos sagrados" nos habituaram, a coisa até passa despercebida. Mas é notório que o Salvador desiludiu os desígnios dos reis magos.

“Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacob, e o seu reino não terá fim”- diz o livro dos cristãos. Outra coisa seria dizer "o seu rei não terá fim". É a diferença entre um discurso político que se refere ao futuro de Israel, e um discurso religioso em sentido restrito. Falar de jacob remete novamente para o mito da vitória do mais fraco sobre o mais forte, mas o que nos interessa é chegar a Passos Coelho!


A questão política do reinado, portanto, é obsessiva na missão de Jesus. O que parece é que Ele não aceitou essa missão e se confinou às questões religiosas, deixando “a César o que é de César”, o que não lhe valeu de muito.

De resto, a sua Igreja fez e faz questão de se entender com César ao longo da História. Pena é que a Senhora de Fátima não gere um Salvador para Portugal, um David que se bata contra os vendilhões da Pátria.

2009/01/10

A matança dos inocentes


Quando os reis Magos se deslocaram a Belém para visitar o menino Jesus, perguntaram pelo “rei dos judeus”. Ora isso não agradou a Herodes que era quem ocupava esse cargo à época. Este, vendo em Jesus uma ameaça ao seu próprio poder, e não tendo conseguido localizá-lo para o matar, “mandou massacrar, em Belém e nos seus arredores, todos os meninos de dois anos para baixo”!

Já o Faraó havia mandado matar todos os recém nascidos dos hebreus, como conta o Antigo Testamento, mas salvou-se Moisés, que depois libertou o povo.

Esta crueldade que se reproduz hoje na Faixa de Gaza por vontade do governo israelita, tem os seus defensores. E não é preciso ir longe nem falar línguas para os ouvir. Ainda há dois dias Pacheco Pereira, corroborado pelo “democrata-cristão” Lobo Xavier e não contrariado pelo “socialista” António Costa, subscrevia a matança actual de inocentes palestinianos com a mesma frieza com que falaria dos mais banais gestos humanos.

Para não falar do que há de repugnantemente imoral nesta avaliação da tragédia social, a que os psicopatas são indiferentes, fico-me pela questão da “ lógica estricta” em que os pachecos julgam poder-se analisar os fenómenos políticos.


Assim, se um suposto criminoso se intrometer em casa de Pacheco Pereira, lá onde habitam a sua mulher e filhos e outra mais família talvez, o que a Polícia deve fazer é lançar uma bomba na casa – a morte do criminoso justifica as outras mortes, incluindo a sua, porventura.

Aqui deixo o meu apêlo:

salvem Pacheco Pereira; não ouçam o que ele diz!