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2010/10/03

Guerra e paz na América Latina

A evolução mais recente na região da América Latina, se tem algum elemento comum é talvez e apesar de tudo, a tendência para a pacificação.

Na Colômbia, a saída de Uribe, símbolo do odioso que recai sobre a direita mais assumida da região, rendido por um ex-colaborador muito próximo que não tendo as mãos limpas calça luvas para não parecer tão agressivo, e beneficiando também de alguma desarticulação das FARC, acalmam-se os ódios de Chavez que na Venezuela já tem com que se entreter devido à oposição que lhe tentam fazer as forças conservadoras e outras simplesmente inquietas com a agressividade do seu estilo.

As oposições no interior de um e outro país não se renderam, mas enquanto conspiram em segredo, deixam pairar a sensação de uma certa acalmia. Também porque já ninguém dá muito crédito aos alarmes de Chavez, comparáveis aos alarmes de seu mentor, Fidel.

Mas a Direita solene, aristocrática, envernizada, tende a estilhaçar sempre que os privilégios da classe possidente são condicionados.


Rafael Correa à esqª; Manuel Zelaya à dirª

O caso Zelaya, isto é, o golpe que destituiu o presidente das Honduras em Junho de 2009, com um desfecho pouco honroso para ele e para a Democracia, deve ter animado o golpe contra o presidente Correa, do Equador, este ocorrido agora, dia 30 de Setembro, a pretexto de reivindicações salariais dos polícias.

Além de um pretexto, que é o mais fácil, há apenas mais duas condições necessárias para derrubar um poder instituído: descontentamento social e colaboração nas forças armadas. Ora aconteceu que o movimento revoltoso não contou com um envolvimento militarizado suficiente nem com a vontade do Povo. E o próprio pretexto era muito frágil e inexpressivo, apenas se tornando perigoso devido a envolver directamente um grupo armado.

Outro elemento que destoa do golpe contra Zelaya é a fragilidade política e até pessoal deste em compraração com a força de caracter e a determinação de Rafael Correa. Para já não falar do contexto internacional – um golpe tão sujo não podia esperar a colaboração de Obama, o silêncio de Zapatero ou a tolerância de Lula da Silva. E não é Pinochet quem quer...

2009/07/05

Pacto de silêncio "democrático"

Um pacto de silêncio e cumplicidade entre as forças da direita política mais retrógrada, em todo o mundo, a Igreja e os grandes meios de “Comunicação Social” (leia-se difusão), sai inequivocamente denunciado do actual conflito na Honduras. As forças que mataram Salvador Allende já cheiram o sangue de novas vítimas – em nome de Deus, do Lucro e dos privilégios de classe. Vestem fatos caros e batina, mas debaixo das botas de verniz escondem aguçadas e letais pontas de ferro. Sempre que as democracias investem contra os seus privilégios ou ameaçam simplesmente, espumam como bestas – são bestas!

Felismente há
EL PAIS e, apesar de tudo!, telesur e cubavision… Da autoridade moral do governo cubano para reclamar o funcionamento da democracia formal e as liberdades de informação noutros países, é outro dossier...

Do lado dos golpistas nas Honduras, alinha-se um argumentário que também não deve ser silenciado mas que sob o manto diáfano da legalidade constitucional, esconde mal o sofisma com que pretende justificar-se. É que a proibição constitucional se reporta ao plebiscito mas nenhuma norma constitucional, em parte alguma do mundo, pode proibir a revisão da própria Constituição - e era no sentido de auscultar o sentimento popular em relação a uma eventual revisão da Constituição que o presidente promovia esta consulta - consulta que, como ele próprio declarou, não teria quaisquer efeitos vinculativos.

E, em última análise, haveria sempre que perguntar qual é a gravidade de o presidente de um país fazer uma pergunta ao seu povo, comparada com a gravidade de sequestrar, exilar e depôr insurrecionalmente o próprio presidente eleito.

2008/09/19

Pacheco à bruta

Num momento de inconti- nência verbal em que certos palradores deixam estilhaçar o verniz, a cera, tornando sin-cera a sua verborreia, José Pacheco Pereira esparramou no "Abrupto" um texto vergonhoso.


Homens como Pacheco Pereira «são perigos públicos em qualquer parte do mundo. Estes homens, em nome das ideias» mais retrógradas, antidemocráticas e falaciosas, uma mistura de anticomunismo e traumatismo psicológico, mais vaidade exacerbada e reverência aos poderes políticos mundiais mais arrogantes, destemperado por um verbalismo fácil mas bem cotado no mercado de ignorantes e enganados que ele explora, arrota os seus vitupérios a rodos, empestando o país em que vivemos.

E como é habitual, há orgãos de difusão (chamados de comunicação) que o acolhem e projectam com complacência e com nojenta admiração. Também alguma esquerda, cúmplice da sua grande cruzada, deixa-se confundir com algumas verdades inócuas ou descentradas dos seus objectivos de fundo. Ele leu Aleixo e sabe que «para a mentira ser segura e atingir profundidade tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade».Coisas do género « É verdade que (Chavez e Morales) foram legitimamente eleitos, mas...». Mas... são progressistas e marxistas, que merda! De uribes é que a América Latina de Pacheco, precisa. Até porque na sua estratégia de silêncios manhosos se parece mais com a sua eleita, Leite.

«Infelizmente tudo isto é clássico» na arrogância verbal, não só de Pacheco Pereira mas de uma longa história da difusão social, criada na escola de gente como ele, propagandistas da direita caceteira e belicista - conforme a escala geográfica.

Pacheco não contabiliza os mortos e as bombas no Iraque cuja invasão continua a defender; contabiliza as palavras feias de Chavez. Santos destes acabariam no inferno se o houvesse, mas Pacheco não deve acreditar, logo, sente-se à vontade para dizer as alarvidades que lhe apetecer.

2008/05/25

América do Sul une-se



Parte 2 :



Mas se preferir uma visita ao Peru em vez de ficar fechado a assistir à "cumbre", pode fazê-lo POR AQUI !