2019/11/08
Jornalismo cúmplice
(Recortado em SIC Notícias)
São as causas e os métodos da chamada oposição a Evo Morales por este ter vencido as eleições recentes na Bolívia. Nada que mereça grande alarme nos noticiários dos nossos canais de televisão, megafones portugueses das oposições mais violentas a progressistas eleitos na América Latina.
2018/08/16
Parem de choramingar
Com 12 anos e seis meses no poder, o presidente da Bolívia Evo Morales, esse sim, mantém uma popularidade que até Marcelo Rebelo de Sousa invejará - mutatis mutandis!!!
Neste contexto e com a decisiva agravante da crise petrolífera, a grave situação da Venezuela passou da insegurança para a falência económica. Assim o discurso político, popular em Hugo Chavez e populista em Nicolás Maduro, já não resiste aos sinais evidentes de degradação das condições e esperança de vida. A tal ponto que o próprio presidente Maduro se vê obrigado a declarar no IV Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela que afinal: "Os modelos produtivos que temos tentado até agora falharam e a responsabilidade é nossa, é minha".
O mais curioso deste discurso é talvez aquela parte em que ele pede aos seus próprios ministros que parem de "choramingar". E acrescenta: "Que o imperialismo nos agride? Chega de choramingarmos (...) cabe-nos produzir com agressão ou sem agressão ".
Se ele o diz...
2014/10/14
Não digam a ninguém
Desta vez o governo português não pôde impedi-lo e os orgãos de Informação tiveram que conjugar “discrição” com insinuação a fim de ensombrar as evidências.
Lá onde isso mais importa, porém, a vitória de Evo Morales confirma a confiança e o apoio popular de que gozam as suas políticas anti-imperialistas ou de defesa da soberania nacional, se assim preferirmos dizer.
Essas políticas manifestam-se, a nível internacional, na forte vinculação à corrente progressista e bolivariana (de Bolívar) que predomina na actual América Latina, e ao movimento “integrador” dos países da região, gerado desde Hugo Chavez sem carácter politico-ideológico.
A nível nacional boliviano, a vitória eleitoral de Evo Morales exprime a aprovação popular de uma linha política em que a economia se subordina aos interesses do Estado. Neste sentido, o presidente nacionalizou parte de alguns sectores estratégicos, nomeadamente nos hidrocarbonetos, telecomunicações e mineração.
A sua política de inspiração socialista, desenvolvida ao longo de oito anos, levou estabilidade e rigor fiscal ao país, fez crescer fortemente a economia nacional e tirou milhões de pessoas da pobreza.
O Presidente financiou grandes obras de infraestruturas, a construção de escolas e de áreas desportivas. Entretanto, ao contrário de alguns receios manifestados no domínio empresarial, reconhece a importância do sector económico privado e nega a intenção de aumentar as nacionalizações, nomeadamente na banca e nas empresas com participação estrangeira.
Evo Morales provém de uma família muito humilde de província. Sem formação académica superior, foi pastor, pedreiro e músico. Activista sindical, iniciou por essa via a actividade política.
2008/09/19
Pacheco à bruta
Num momento de inconti- nência verbal em que certos palradores deixam estilhaçar o verniz, a cera, tornando sin-cera a sua verborreia, José Pacheco Pereira esparramou no "Abrupto" um texto vergonhoso.Homens como Pacheco Pereira «são perigos públicos em qualquer parte do mundo. Estes homens, em nome das ideias» mais retrógradas, antidemocráticas e falaciosas, uma mistura de anticomunismo e traumatismo psicológico, mais vaidade exacerbada e reverência aos poderes políticos mundiais mais arrogantes, destemperado por um verbalismo fácil mas bem cotado no mercado de ignorantes e enganados que ele explora, arrota os seus vitupérios a rodos, empestando o país em que vivemos.
E como é habitual, há orgãos de difusão (chamados de comunicação) que o acolhem e projectam com complacência e com nojenta admiração. Também alguma esquerda, cúmplice da sua grande cruzada, deixa-se confundir com algumas verdades inócuas ou descentradas dos seus objectivos de fundo. Ele leu Aleixo e sabe que «para a mentira ser segura e atingir profundidade tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade».Coisas do género « É verdade que (Chavez e Morales) foram legitimamente eleitos, mas...». Mas... são progressistas e marxistas, que merda! De uribes é que a América Latina de Pacheco, precisa. Até porque na sua estratégia de silêncios manhosos se parece mais com a sua eleita, Leite.
«Infelizmente tudo isto é clássico» na arrogância verbal, não só de Pacheco Pereira mas de uma longa história da difusão social, criada na escola de gente como ele, propagandistas da direita caceteira e belicista - conforme a escala geográfica.
Pacheco não contabiliza os mortos e as bombas no Iraque cuja invasão continua a defender; contabiliza as palavras feias de Chavez. Santos destes acabariam no inferno se o houvesse, mas Pacheco não deve acreditar, logo, sente-se à vontade para dizer as alarvidades que lhe apetecer.
2008/09/12
América Latina resiste !
«Lula da Silva y Cristina Fernández no reconocerán a ningún golpista que pretenda sustituir al legítimo gobierno constitucional de Bolivia. Hugo Chávez apoyará movimientos armados si Evo Morales es derrocado. El secretario general de la OEA dijo que los autonomistas no tienen derecho de apoderarse de bienes públicos.
... Brasil no reconocerá "a ningún gobierno que sustituya o pretenda sustituir al legítimo gobierno constitucional de Bolivia". El presidente de Venezuela Hugo Chávez y la mandataria argentina Cristina Kirchner ratificaron su pleno e incondicional respaldo al gobierno constitucional de Morales y tampoco aceptarán un quiebre democrático.
Organizaciones internacionales apoyan a Bolivia
El secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA) José Miguel Insulza repudió la violencia de grupos civiles que tomaron instalaciones gubernamentales y atacaron a las fuerzas armadas, "en una clara actitud de provocación y de agresión". "No es aceptable para nadie el que, por mucho que se reclamen autonomías, determinados grupos se sientan con el derecho de apoderarse de bienes públicos", reflexionó Insulza.
El secretario general de la Comunidad Andina (CAN) Freddy Ehlers censuró la violencia y llamó a las autoridades y a todas las fuerzas políticas a dialogar en resguardo de la democracia y en el marco del respeto a las normas constitucionales.
El presidente de la Comisión de Representantes Permanentes del MERCOSUR Chacho Álvarez manifestó su profunda preocupación por las actitudes divisionistas y separatistas de algunos sectores, y ratificó su solidaridad con Bolivia en "esta terrible situación de violencia"
La Oficina en Bolivia del Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos condenó la espiral de violencia desatada en departamentos del oriente y sur del país, y los cada vez más frecuentes ataques a organizaciones indígenas e instituciones que promocionan los derechos campesinos e indígenas. El organismo llama a las autoridades nacionales, departamentales y locales a garantizar el respeto de los derechos humanos y cumplir con su deber legal de adoptar medidas razonables para prevenir más violaciones.
La Federación Latinoamericana de Periodistas (Felap) condenó el acoso y los ataques a periodistas y medios de comunicación estatales, acciones que responden a un plan concertado y auspiciado por el imperialismo que busca, a través de la oligarquía boliviana, descarrilar el proceso democrático que encabeza el Presidente Morales.
"La Felap y sus organizaciones miembros están en permanente vigilancia ante los salvajes ataques a los que están siendo sometidos periodistas y medios de comunicación que rehúsan plegarse a los 'buitres' que pretenden engullirse a Bolivia, para mantener a las grandes mayorías de su pueblo en la más abyecta de las miserias mientras se apropian de su riqueza", declaró el periodista argentino Juan Carlos Camaño, presidente de la Felap.
El gobierno argentino pide a la comunidad internacional que se pronuncie a favor del respeto al orden constitucional y la integridad territorial de Bolivia; que condene las acciones violentas impulsadas por autoridades locales, así como todo intento de desestabilización de los gobiernos populares de Sudamérica elegidos democráticamente en elecciones libres».
bolpress.comESTE TEMA JÁ FOI ABORDADO NESTE BLOGUE EM «Bolívia resiste» e em «América do Sul resiste».
E, noutro blogue, em «Domingo 9 na Bolívia».
2008/08/11
Vitória do Povo na Bolívia
2008/05/05
Bolívia resiste
"No le tengo miedo a esos oligarcas cruceños. Ellos no representan nada que no sea sus mezquinos intereses. Dejemos que el pueblo levante su voz de repudio", dijo el jefe de Estado.
(elmundo.es 2008-05-05).
Por detrás do referendo ilegal que decorreu na província de Santa Cruz, em 4 de Maio de 2008, e dos conflitos entre os apoiantes e os oponentes da consulta regional, está a tentativa de golpe de estado das forças conservadoras derrotadas nas eleições nacionais que conferiram o mandato a Evo Morales em Dezembro de 2005 : 53,74% dos votos, frente a 28,59% do seu principal opositor.
"La oligarquía perdió el poder nacional y se refugia en las regiones" – diria Evo Morales que saudou «"la rebelión" de los sectores que resistieron a "un estatuto ilegal"». (Clarin.com 2008-05-04)
O referendo de Santa Cruz é reconhecidamente ilegal e anticonstitucional. Não é em nome da legalidade ou da democracia que se move o governador local – o protagonista mais visível deste conflito.
Com efeito, os próprios representantes do movimento pela autonomia, afirmam que o importante é dar a "largada" na realização dos referendos, já que, mesmo sem base jurídica, estas votações terão "base política".
A argumentação política defende a autonomia política, administrativa e financeira em relação ao governo central; que o governo “departamental” passe a ser o responsável pelo direito de propriedade, administração e distribuição de terras.
Os recursos gerados por Santa Cruz, a região mais rica da Bolívia, deixariam de ser enviados em sua totalidade para o governo central e passariam a ser administrados pela gestão departamental. [A província é responsável por 30% do PIB da Bolívia] .
Acompanhando esta argumentação fraccionária e egoista, são conhecidas as motivações ideológicas:
- “El gobierno dictatorial de Evo Morales (...) se ha aliado con Hugo Chávez para convertir al país en una réplica de Cuba".
- "Hoy en Santa Cruz ha triunfado la democracia; el marxismo ha fracasado"
( Rubén Costas citado por elmundo.es 2008-05-05 ).
Contra o estatuto:A autonomia reforçará a divisão atávica entre a Bolívia próspera (a da região chamada "Oriente" que reúne Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando) e a do "Ocidente" (onde vive a maior concentração de povos indígenas, nos Departamentos de La Paz, Oruro, Potosi, Chuquisaca e Cochabamba).
Teme-se que, com a autonomia, a região rica não transfira recursos para as menos favorecidas. Além disso, os governadores passariam a ter poder de gestão muito maior do que têm hoje, com maior independência para tomar medidas políticas e administrativas. ( folha.uol.com.br / BBC Brasil 2008-05-05 )
Na prática e nas palavras dos que promoveram ilegalmente este referendo, já se vê, trata-se de fraccionar e enfraquecer o poder central, para impôr uma política nacional contrária à vontade popular expressa democraticamente. Porque tudo serve para fazer valer os tais "interesses mesquinhos" dos poderosos, contra os interesses mais justos. [segue]
Notícia :
O prémio Nobel da Paz argentino, Adolfo Pérez Esquivel, disse hoje [6 de Maio]que o referendo sobre o estatuto autônomo realizado no domingo no departamento boliviano de Santa Cruz é uma "tentativa de golpe de Estado disfarçado".
Pérez Esquivel, que acaba de voltar da Bolívia, afirmou em entrevista coletiva que o plebiscito foi organizado por "fazendeiros" cuja intenção é "desestabilizar o Governo e gerar uma situação de confronto".Além disso, chamou a atenção para "o alto índice de racismo" das classes dirigentes em Santa Cruz e também alertou que os veículos de comunicação bolivianos "assumiram uma opção clara pelo estatuto e por privilegiar o capital financeiro sobre a vida do povo".
Buenos Aires, 6 mai (EFE)
RECORTE DE ALAINET :
Cuando Evo Morales fue candidato a la presidencia de Bolivia, los pueblos indígenas y la multitud urbana organizada le dijeron, desde El Alto: si el Movimiento al Socialismo, MAS, no nacionaliza los hidrocarburos y si no convoca a una Asamblea Constituyente te retiraremos el apoyo y exigiremos en las calles que abandones la presidencia como lo hicimos antes con los presidentes González de Lozada y Meza. Una vez elegido presidente, Evo Morales cumplió su compromiso. Logró que el Estado boliviano reciba el 82% de lo producido por las grandes empresas y que éstas se conformen con el 18 % restante. Invirtió las proporciones porque antes de su gobierno las empresas multinacionales se llevaban el 82 % y al Estado le quedaba solo el 18 %. Por esa osadía política los neoliberales que controlan gran parte de los medios de comunicación en el continente anunciaron la inminente catástrofe y desaparición de Bolivia. Por su lado, los dueños de Santa Cruz y el oriente boliviano amenazaron con dividir el país. Luego de la nacionalización de los hidrocarburos, las empresas multinacionales no se fueron del país, se quedaron porque con el simple 18 % sus negocios siguen siendo rentables.
El segundo compromiso del gobierno fue convocar a una nueva Constituyente para que por primera vez en la historia republicana de Bolivia la carta nacional sea aprobada con la participación de los pueblos indígenas y exprese plenamente sus derechos. Si desde 1825 hasta hoy la constitución sólo representa a una de las naciones bolivianas, el momento había llegado para que Bolivia sea definida como un Estado Multinacional en el que todas las naciones del país -aimara, quechua, guaraní y otras de la Amazonía- sean tomadas en cuenta y se respete sus derechos colectivos. En otras palabras, con una constitución nueva de ese tipo, terminaría el omnímodo poder de los “q’aras” (españoles y criollos) o calatos de la derecha boliviana que siempre tuvieron el poder.
Por estas dos grandes decisiones políticas la derecha boliviana quiere que el “indio” Evo Morales, ese “indio maldito” como lo llaman en Santa Cruz y en Tarija, pague su atrevimiento, sea echado de la presidencia y “se muera” si las circunstancias lo permiten. Hasta ese punto de fractura llegan el viejo racismo colonial y la política reaccionaria de la derecha sin medias tintas ni hipocresías.
http://alainet.org/active/23971
