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2019/09/16

Venezuela na mira

A vaga de informação lançada há um ano sobre o êxodo em massa de venezuelanos, que estariam a fugir “da fome e da ditadura de Nicolás Maduro”, foi uma campanha de desestabilização organizada e inserida no processo de guerra híbrida comandada pelos Estados Unidos, confirmam agora dados divulgados pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados.

(Estes dados) vêm comprovar a falsidade da campanha. As estatísticas oficiais, relativas a 31 de Dezembro de 2018, revelam a existência de 341 800 refugiados venezuelanos, muitos dos quais já regressaram ao país ao constatarem o logro em que caíram depois de terem sido aliciados por promessas que não se cumpriram.

Excerto de um artigo publicado em O Lado Oculto

2019/04/17

Liberdade de manipulação

"Libertem os recursos [da Venezuela] sequestrados na Europa. Peço ao Governo de Portugal que desbloqueie os 1,7 mil milhões de dólares [cerca de 1,5 mil milhões de euros] que nos roubaram, que nos tiraram. Com isso [os fundos retidos em Portugal] compraríamos todos os medicamentos (...) sobrariam medicamentos e alimentos na Venezuela. Eu faço um apelo ao Governo de Portugal: desbloqueie esses recursos. Porque nos tiram este dinheiro? É nosso"

São palavras de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

Qualquer semelhança entre este texto e o título que lhe dá a publicação   [VER]   é pura especulação jornalística - um certo conceito de liberdade de expressão...
 

2019/03/14

Vale tudo contra a Venezuela

A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros tem em seu poder, há nove meses, cartas de observadores internacionais das últimas eleições presidenciais venezuelanas invalidando toda a argumentação de Bruxelas e de governos de Estados membros sobre a suposta falta de legitimidade da consulta popular.


As posições europeias contra o governo de Caracas “têm apenas motivações políticas, porque não podem ser suportadas por alegadas incorrecções eleitorais, que não existiram”, afirma-se no próprio departamento chefiado pela italiana Federica Mogherini.


Fonte: O LADO OCULTO

2019/02/25

Guaidó nem temido nem amado

Agora que a montanha da oposição contra o regime venezuelano pariu “una rata”, Guaido e EUA dizem “equacionar todas as possibilidades” para retomar a ofensiva golpista.

Com esta retórica pretendem  fazer-nos pensar na possibilidade de uma intervenção militar, leia-se invasão estrangeira – é o argumento do terror. Mas não será irrealista pensar que  “todas as possibilidades” de que ele fala, inclui a redução destes golpistas à condição de Capriles Radonski, Júlio Borges e Leopoldo López que já anteriormente apostaram nos métodos violentos de oposição. 

Maquiavel perguntava se era preferível, para um governante, ser amado ou temido. Ora parece que na Venezuela o regime e a oposição, mesmo que considerada em conjunto, se equivalem em matéria de amor. Já em matéria de temor deveria a oposição avaliar melhor até onde pode ir.


Agora Juan Guaidó refugia-se no Grupo de Lima, as correntes mais reaccionárias da América do Sul acorrentadas, por sua vez, à direcção norte-americana. É um sinal mais de que não conta com apoio interno para as suas pretensões: nem militar nem popular. Dentro do país, portanto, Guaidó não é temido de todo nem amado o suficiente.  


2019/02/24

A invasão dos porcos

La ayuda humanitaria es una trampa cazabobos, un show malo y fracasado – disse Maduro.


Da Ajuda Humanitária à Baía dos Porcos

Ao reflectir sobre esta operação de "Ajuda Humanitária" a gente não pode deixar de se lembrar da invasão da Baía dos Porcos (1)

Em Abril de 1961, um grupo paramilitar de cubanos exilados nos Estados Unidos da América (2) executa uma tentativa de invadir o sul de Cuba para derrubar o governo socialista e assassinar Fidel Castro.

Tal como acaba de acontecer com a tentativa de invasão da Venezuela para derrubar Nicolas Maduro, o golpe de 61 fracassou e as forças comandadas pelos EUA retiraram, então como agora, invadidas por uma tremenda humilhação.

Agora como então, o chefe do governo atacado bem pode declarar vitória sobre o imperialismo americano e cuspir na cara do presidente da Colômbia, do excitado presidente do Chile, Sebastián Piñera, e de muitos jornalistas de aquém-e-além-mar que continuarão a espumar de raiva disfarçada de indignação.

Mas se Guaido não vai aprender nada com esta experiência humilhante, devido à sua arrogância e às suas ambições pessoais, Nicolas Maduro pode e deve aproveitar para reavaliar o seu estilo de comunicação, os seus métodos de gestão política e sobretudo a sua estratégia económica.

(1) Conhecida em Cuba como La Batalla de Girón)
(2) Chamado Brigada de Assalto 2506

2019/02/09

O Cavalo de Tróia na Venezuela

Estados Unidos da América e União Europeia, com uma suspeita autoridade moral, alertam contra o caracter desumano de Nicolas Maduro ao rejeitar a "ajuda humanitária" que querem fazer entrar na Venezuela e que é composta de alimentos, medicamentos (e armamentos).

E a gente lembra-se do "generoso" embargo contra Cuba por parte dos EUA, do "pacífico" episódio da Baía dos Porcos e até do lendário Cavalo de Tróia.

2019/01/27

Negócios de jornais

Hoje, mais do que nunca talvez, os jornais são jornais de negócios. Mas o "Jornal de Negócios" por vezes exagera. É o caso da sua “notícia” segundo a qual “Maduro tentou retirar mil milhões em ouro do banco de Inglaterra"!

O jornal dos grandes negociantes mente e insulta despudoradamente.

Qualquer depositante retira os seus depósitos de um banco que deixa de dar garantias de solvência.

A operação era legítima e conveniente para e economia venezuelana e não para Maduro! Com a sua recusa em pagar, a Inglaterra está a roubar um depositante que confiou nela e que é um país soberano.

Depois, dizer que o regime venezuelano “levou uma nega”, é de uma baixeza que conspurca o jornalista e o jornal.

Lembra bem um articulista, em resistir.info, ao referir que «o ataque à Venezuela no plano financeiro segue o roteiro praticado na Ucrânia, onde em 2014 – após o golpe de estado do Maidan – os EUA roubaram secretamente 40 toneladas de ouro do Banco Central da Ucrânia».

2018/08/16

Parem de choramingar

A América Latina está a viver uma época de reversão do sentido político. Depois da esquerda ter ocupado o poder dominante na região, com Chavez, Lula, Correa e Morales, Mujica e Cristina Kirchner, circunstâncias diversas fizeram a Venezuela e o Brasil, o Equador e a Argentina caírem nas mãos das direitas desses países. O regime cubano resiste à sua maneira...  mas já não constitui, na prática, um apoio efectivo aos movimentos progressistas mundiais - a sua imagem actual não os prestigia e a sua capacidade de influência não os fortalece. 

Com 12 anos e seis meses no poder, o presidente da Bolívia Evo Morales, esse sim, mantém uma popularidade que até Marcelo Rebelo de Sousa invejará - mutatis mutandis!!! 

Neste contexto e com a decisiva agravante da crise petrolífera, a grave situação  da Venezuela passou da insegurança para a falência económica. Assim o discurso político, popular em Hugo Chavez e populista em Nicolás Maduro,  já não resiste aos sinais evidentes  de degradação das condições e esperança de vida. A tal ponto que o próprio presidente Maduro se vê obrigado a declarar no IV Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela que afinal: "Os modelos produtivos que temos tentado até agora falharam e a responsabilidade é nossa, é minha". 

O mais curioso deste discurso é talvez aquela parte em que ele pede aos seus próprios ministros que parem de "choramingar". E acrescenta: "Que o imperialismo nos agride? Chega de choramingarmos (...) cabe-nos produzir com agressão ou sem agressão ". 

Se ele o diz... 

2017/08/06

O lado esquerdo da Venezuela (3)

Enquanto Álvaro Uribe governou a Colômbia à imagem de Hitler, o jornalismo europeu andava tão distraído... Mas agora que está de pé uma campanha despudorada contra o regime venezuelano, campanha com que o próprio Uribe está activamente solidário, claro, aqui del rei capitalista liberal que há um tirano potencial a governar a Venezuela.

Que se cuidem os agressores contra o governo da Venezuela: se a situação se extrema pode acontecer uma nova Cuba na região. Ofertas de apoio de países desalinhados, não faltarão.

Sei que é um processo polémico, mas não como a campanha desinformativa o pinta. Tem faltado o famigerado "contraditório" cuja lacuna modestamente venho contribuindo para superar. O que segue é um exemplo.

2017/08/02

O lado esquerdo da Venezuela (2)


A histeria anti-socialista da informação dominante participa com todos os seus recursos políticos na batalha que se trava na Venezuela. Não por causa de Nicolás Maduro e da sua suposta ambição de poder, mas por causa da opção socialista do regime.

Num programa de televisão dos EUA o jornalista entrevista Leopoldo Lopez - um dos líderes venezuelanos… da oposição, claro. Este reivindica o caracter pacífico das manifestações “anti-Maduro”, etc., etc., do que a foto acima é esclarecedora!!! No final da entrevista, o jornalista deseja ao opositor venezuelano, “muita sorte” para a sua luta política!

A imprensa e a televisão espanhola, francesa, etc., por sua vez, não se cansam de dar voz, também elas, a L. Lopez e Henrique Capriles, estes dois fervorosos “democratas”. O que menos lhes interessa informar sobre a Venezuela são os argumentos do Presidente da República.

Para deitar alguma água na fogueira há quem escreva, fora destes domínios, coisas assim:

«…não há nenhuma revolta popular na Venezuela. Apesar da guerra económica, a grande maioria da população vai para as suas ocupações, trabalha, estuda, sobrevive. É por isso que a direita organiza as suas marchas com início nos bairros ricos. É por isso que recorre à violência, ao terrorismo e se localiza nos municípios de direita. Os bairros venezuelanos são em 90%, bairros populares. Compreende-se a enorme lacuna: os media transformam as ilhas sociológicas das camadas ricas (alguns % do território) em "Venezuela". E 2% da população em "população"…»

O texto integral pode ler-se AQUI em português e com muitas referências de fontes.
O texto original, de Thierry Deronne, encontra-se AQUI

Todos os autores são parciais, uns menos, outros mais. O que se pode esperar é que tragam outras luzes ao espaço sombrio da informação. E que as não desperdicemos, dominados por preconceitos.

2017/07/01

O lado esquerdo da Venezuela

Enquanto a oposição "pacífica" ataca o regime bolivariano no campo de batalha da Venezuela, à pedrada, aos tiros, à granada, e os seus ecos europeus - orgãos de informação - calam o discurso oficial e ampliam a gritaria dos "respeitáveis" opositores Capriles e Leopoldo Lopez, ainda há quem se interrogue sobre o que está em causa.

(Pressionar na imagem para ampliar)




2016/04/30

América Latina ameaçada

O processo democratizador progressista que viveu nos últimos anos a América Latina, lá onde confluiram regimes populares por via eleitoral, tornou-se insuportável para os sócios da NATO residentes nos Estados Unidos da América e na União Europeia.

O entendimento dos países da região sobre o direito à própria soberania, sobre o direito autónomo dos povos a decidirem dos seus próprios destinos, era demasiado democrático para os seus interesses.

O crescimento de uma corrente progressista particularmente dinamizada por Hugo Chavez, da Venezuela, e em que participavam Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, Pepe Mujica, do Uruguai, Cristina Kirchner, da Venezuela Raul Castro, de Cuba, ou Lula da Silva, do Brasil, era demasiado assustador para as ambições hegemónicas das potencias ocidentais dominantes e seus aliados submissos.

É por isso, além de mais, que a coligação imperial manda Obama dar o beijo de Judas a Raul Castro, alimenta a desestabilização política e económica na Venezuela, envenena o ambiente na Argentina, e conspira contra Dilma. Não distingue entre regimes democráticos e regimes autoritários mas sim entre regimes submissos, os bons, e regimes soberanos, os maus.

É neste contexto que ocorre a crise na Venezuela de Nicolás Maduro. Uma crise que nasce da guerra económica – armazenamento e desvio clandestino de produtos para desabastecimento do mercado –, sabotagens, contestação violenta (guarimbas), acusações caluniosas e desqualificação dos governantes.

Na Venezuela como no Brasil, o que menos lhes importa é quem ganha as eleições e quais os benefícios sociais distribuídos pela população; o que interessa é que o regime seja servil às conveniências estratégicas, económicas e ideológicas das potências coloniais do novo mundo – este! Nem que seja preciso reeditar um Pinochet, criados os pretextos e recuperadas que vão sendo as condições para isso.

Entretanto, a terra continua a girar, fazendo andar os dias e os anos que estão cada vez menos de feição para aventuras imperialistas. Assim o sol ilumine os povos.

2015/01/17

Não digam a ninguém (2)

Ele anda aí, e é dos que "comem criancinhas". Chiu!

2014/03/16

Revolução eleitoral


Enquanto outros apoiam com informação manipulada ou com dinheiro sujo, grupos violentos para destabilizarem regimes democráticos e progressistas na América Latina e outras regiões, os povos apoiam, nas eleições, os candidatos que lhes oferecem realmente confiança.
É assim na Venezuela, com Nicolás Maduro eleito em Abril de 2013; no Chile, com Michelle Bachelet eleita em Dezembro de 2013; em El Salvador, com o ex-guerrilheiro Salvador Sánchez Cerén, eleito no passado domingo, 9 de Março. (Por esta ordem na foto tríptica da esq. para a dir.)

Nas eleições europeias de Maio próximo, os cidadãos da União Europeia terão a sua oportunidade para se afirmarem como agentes de paz e de progresso, comprovada que está a importância dos processos eleitorais na revolução política.

2014/02/25

Quem combate Maduro no terreno

Depois da derrota eleitoral de Henrique Capriles como líder de toda a oposição venezuelana, começaram a surgir expressões de divergência no seio desta coligação de direita.

Para que as manifestações sangrentas da oposição não façam perder os opositores mais pacíficos, Capriles coloca-se agora na reserva, aparentemente. Nesta fase, pretende fazer-se passar como um opositor mais brando e negociador, como se esperaria do seu partido "social-democrata" onde se afirmam valores humanistas e progressistas. Mas o passado de Capriles denuncia o seu verdadeiro carácter.

Com efeito, participou activamente do Golpe de Estado  de Abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez. Acusado de ter sido cúmplice da invasão da embaixada de Cuba, em Baruta, e do espancamento de Ramón Rodríguez Chacín, então Ministro do Interior e Justiça, Capriles foi preso por quatro meses, de forma preventiva por escapar à justiça.


Capriles com López (da esq. para dir.) em Fever. de 2012
Leopoldo López Mendoza pertence a uma das famílias mais tradicionais e ricas da Venezuela, ligada aos setores alimentício e petroleiro. Na juventude, estudou economia nos EUA, na Universidade de Harvard.

Também López participou activamente nas mobilizações de rua que deram lugar ao golpe de Estado de Abril de 2002, e esteve implicado no ataque à casa do ministro do Interior e Justiça, que vivia ali com a esposa e dois filhos de 6 e 9 anos de idade. Rodríguez Chacín seria sequestrado e agredido, sem oferecer resistência,

Agora, em Fevereiro de 2014, Leopoldo López é quem encabeça acções violentas que configuram uma tentativa de golpe de estado, a partir de manifestações de um sector universitário.

Acusado e mandado prender por Nicolas Maduro, López entregou-se à polícia com grande aparato na terça-feira, 18 de Fevereiro (foto acima). Um juiz determinou na madrugada de quinta-feira, que López continue preso sob acusações penais que incluem incêndio criminoso e incitação criminosa associada à organização de uma grande manifestação em 12 de Fevereiro.

Argumentário da oposição