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2013/04/05

Os partidos de rabo na boca

Relvas foi-se, Gaspar vai-se e Passos Coelho não se sente seguro. E Seguro? Melhor: e o PS? Estará preparado para oferecer uma alternativa? Não digo um programa eleitoral alternativo, porque para isso bastaria copiar o que serviu ao PSD para ganhar as últimas eleições. Ou o de Hollande, há um ano. Digo uma alternativa política e económica.

Admitindo que Seguro II, o que saiu do acordo interno do PS, ou outro que se lhe meta à frente – e quem diz “à frente”, diz “A. Costa” – queira mudar o rumo da política nacional, estará disposto a confiar na base social dos portugueses indignados e na base política de esquerda, para questionar o roteiro da Alemanha?

Mais facilmente o fariam Relvas ou Gaspar, movidos pela arrogância, do que alguém do PS movido pela coragem – que da convicção há pouco a esperar. A rotatividade dos partidos do carrocel do poder, dos partidos de rabo na boca, é o que nos espera até ao dia em que os eleitores se desprendam do medo.

Entretanto, vamos por partes: Relvas "deu à sola" como canta o Vasco, AQUI. Gaspar dá corda aos sapatos e Passos Coelho aproveita a boleia.

2012/08/30

Públicos ou privados (actualizado em 2/Set.)

Sim, sr. António Borges, há sempre "interesses estabelecidos". Por vezes são interesses nacionais.

Sim, os senhores estão "a combater os interesses estabelecidos”...  pela Constituição da Repúlica - que estorva tanto os vossos interesses como a Democracia estorva.

Sim, extinguir a RTP dava-lhes muito jeito para que toda a rádio e televisão ficasse apenas nas mãos de grande "empreendedores" que, obviamente são da sua família... política.

Sim, «diminuir os salários não é uma política mas uma urgência» (1Jun2012) se estiver a falar dos "salários" milionários de muitos gestores que obviamente são da mesma família. E de alguns profissionais da RTP, certamente, mas pelas mesmas razões - esses (ou essas?)que escolhem convidados "convenientes" e tratam "convenientemente" os "grandes temas da actualidade".


A propósito, transcrevo um trabalho de 2007 (para não deixar o PSD sozinho)  que mostra como funcionam estas coisas dos negócios privados à custa dos Estados que se querem magrinhos.

«É suposto um privado assumir o risco do seu negócio. Em Portugal, porém, há uma classe de privados especial: assumem o risco com os dinheiros públicos. Nada que lhes macule a alma genuinamente empreendedora ou lhes desinflame o discurso em prol do mercado livre.

NÚMEROS

176 923 608,339 euros foi o total de verbas transferido pelo ME para colégios e instituições privados durante o segundo semestre de 2006.

63 203 637,54 euros foi o valor encaminhado pela tutela para as escolas da Direcção Regional de Educação de Lisboa.

157 400 euros foi o valor que a Know How, empresa da escritora Maria João Lopo de Carvalho, recebeu para o ensino de Inglês.

1 260 017,35 euros foi o valor atribuído pelo ministério às instituições sociais e escolas da região algarvia, a menos afectada pelas verbas».

Diana Ramos in "Privados recebem verba do Estado",
publicado pelo Correio da Manhã em 10 de Junho 2007
(quando outro "partido responsável" era quem mandava no Governo, por acaso).

A propósito: António Hespanha demitido por dizer coisas do género!

2012/08/26

Porque hoje é domingo (22)

Há duas versões para esta história: umas vezes se diz que se passou na presença de uma multidão que seguia Jesus, outras vezes se diz que se passou numa reunião restrita dos apóstolos - a Última Ceia. Mas o que se conta é que Jesus terá convertido pão e vinho na sua própria carne e no seu próprio sangue, sem que o pão e o vinho deixassem de parecer aquilo que eram.

Terá havido até muita gente que, não querendo ser tomada por parva, lhe virou as costas e foi retomar o trabalhinho que era de onde vinha o sustento realmente (João 6, 60-69).

Mas, ao contrário do que se julga, esta técnica de nos fazer crer que aquilo que vemos e sabemos não é o que vemos e sabemos, continua a ter os seus actores e o seu público.

Basta ver, entre nós, o descaramento dos governantes e a popularidae do Governo. Com um eleitorado tão dócil, bem pode Relvas continuar a sua perversa missão, que mais tempo Salazar governou Portugal. E que Deus nos perdoe!

2012/07/06

Anestesia política

A indiferença dos cidadãos perante as mentiras dos governantes, a tolerância perante a incompetência e a corrupção, e a apatia perante o abuso de poder, são os efeitos perversos da repetição, da persistência no erro.

O México é um laboratório trágico mas revelador dos extremos efeitos anestesiantes da crueldade continuada.

Dezenas de corpos decapitados, com mãos e pés decepados, foram encontrados e removidos na rua de uma cidade do Norte do México. Entretanto, mais adiante, na mesma rua, andavam casais a passear de mãos dadas, crianças brincavam... Todos os dias as pessoas passam pelas bancas de jornais onde se exibem fotografias chocantes dos corpos mais recentes. Os mexicanos acostumaram-se com o número de mortos que cresce continuamente em cada cidade.

Protestos, manifestações e iniciativas artísticas homenageando as muitas vítimas, pouco contribuiram para alterar a realidade.


Quando o escândalo se vulgariza, já não escandaliza. É a “anestesia política” a fazer efeito.