2009/09/09

Asfixia da gramática

A ver se nos entendemos: asfixia democrática ou democracia asfixiada? Ou tanto faz? Socialismo democrático ou democracia socialista é a mesma coisa? E grande mulher é o mesmo que mulher grande? Manuela Ferreira Leite quer a verdade acima de tudo ou tudo acima da verdade? Ou tanto lhe faz?


Poderia fazer sentido para George Bush que ele qualificasse como asfixia democrática a forma como assassinou Sadam Hussein, mas será disso que estamos todos a falar, políticos, jornalistas, doutores e gente de mais humilde condição?

2009/09/08

Agora é que percebi

Paulo Portas no debate com Jerónimo de Sousa:
“O meu adversário é este Governo”;
“O meu adversário não é Jerónimo de Sousa, é o ministro Jaime Silva”.

Mas seria preciso confessá-lo? A gente não lhe via na cara uma serenidade que era mais do que desprezo, uma simpatia que era mais do que agradecimento pela sorte que cabe à Direita ter um antagonista tão inofensivo como Jerónimo de Sousa?

Agora é que eu percebi porque é que Jerónimo é tão amado por todos, da extrema esquerda à extrema direita – porque ele não cria dificuldades a ninguém. E quanto mais grita nos comícios, mais dócil nos parece nos debates. Um contraste patético que até Luis Delgado confessa apreciar.

2009/09/06

A rainha vai nua

Já não pelo caso mas pelo que dele fizeram jornalistas e políticos, volto ao assunto para recomendar ESTE divertido artigo onde se faz um making-off do filme em produção sobre a Rainha Santa Manuela. A que eu acrescento apenas que a rainha vai nua no pior sentido. E não vai longe. Que nem o CDS a vai querer de volta como aconteceu em 1996, quando foi deputada.

2009/09/03

Rainha Santa Manuela

Eu tinha chegado da RTP-Porto havia menos de um ano, mas já era suficientemente crescido para reter “para memória futura” a imagem de Manuela Moura Guedes, deslumbrante e deslumbrada, a visitar as instalações do Lumiar na companhia de Fernando Pessa.

Fernando Pessa, de quem se continuavam a fazer rasgados elogios públicos, seria literalmente encostado a uma parede da redacção, lá onde encontrou a sua secretária, um dia, estávamos já na Cinco de Outubro. Manuela ia fazendo o seu percurso que completou às costas de José Eduardo Moniz.

Depois, foi o que se viu: “do alto inacessível das suas alturas”, por razões de que não tem que se gabar, ascende a todos os lugares que podia reclamar ao marido. Vendo-se ao espelho, não se achou bonita – como se veio a perceber - mas achou-se raínha. Julgou que lhe vinha do sangue, digo do sangue de seus ascendentes, a nobre condição a que as circunstâncias a guindaram. Sentiu-se com direitos e competências que não tinha – é uma doença própria des estrelas de televisão, com que eu fui obrigado a lidar profissionalmente.

Demitida (do cargo de editora e apresentadora do jornal das sextas-feiras, da TVI) por indecente e má figura, jornalisticamente falando, devido à sua arrogância e domínio indecoroso das opiniões no jornal que geria, mais parecendo uma bandeira que uma jornalista, suscita uma geral hipocrisia nacional que nunca tendo apreciado o seu “estilo”, de rainha a convocam para santa. Nasce assim a lenda da Rainha Santa Manuela Moura Guedes, a que não dá pão aos pobres nem engana o marido com flores.

Que o Mário Crespo tenha dedicado horas dos seus espaços noticiosos e dos seus convidados, a tratar da canonização da sua colega, desiludiu-me. Mas jornalista é assim.

2009/09/02

É obra !

«Uma em cada cinco escolas secundárias vai abrir o ano lectivo em obras. Num total de 450 escolas, 92 ainda estão com cenário de estaleiro e 45 mil alunos vão começar o ano em 1800 contentores», diz o Expresso.

O que ressalta daqui é o estado em que se apresentam os estabelecimentos de ensino (e da Justiça, etc.) em contraste com a basófia modernista.

Também ressalta a oportunidade política das obras.

Nada de estranhar para quem levou com cinco anos de vias cortadas enquanto se arrastavam as obras de prolongamento da linha vermelha do Metro de Lisboa.

Ou era por ser vermelha?

2009/09/01

Guantánamo entre nós

Um artigo de Mário Crespo (JN 31 JUL 2009) abanou em mim algumas ideias e é bem possível que abane outros. Por isso e por mais, tomo a liberdade de transcrever uma passagem a seguir.

Com os meus cumprimentos ao autor de quem recordo com respeito os penosos passos perdidos pela 5 de Outubro durante o seu conflito com a RTP.

... «Sabe-se que Portugal participou nesse horror. Não se sabe até que ponto. Será esta concessão de asilo uma forma de pagamento a Washington pelo silêncio? Pode muito bem ser. Os americanos, seja qual for a administração do momento, são impiedosos e oportunistas nestas questões.

Claro que a obrigação do governo de Obama era encerrar o campo de concentração de Guantanamo ressarcindo as vítimas e acolhendo-as no seu próprio território se elas assim o desejassem. Mas não, a América de Obama decidiu tratar os indesejáveis que raptou e que "militam em organizações radicais" como trata resíduos tóxicos. É mais cómodo e barato mandar para o outro lado do mar do que assumir responsabilidades.
Assim, este acolhimento não é resultado de uma preocupação humanitária do Governo de Portugal. Houve, tudo o sugere, oportunismo e conveniência de parte a parte.

Como cidadãos, temos o direito de saber tudo sobre esta transacção. Há mais. Na noite de sexta-feira, ao noticiar a chegada a Lisboa dos dois sírios, a Rádio France não referiu o Governo de Portugal. Disse que a vinda dos detidos era resultado de um "acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos". Esta sucinta maneira de descrever o que se está a passar ilustra a transferência real de soberania dos governos portugueses para os seus credores e patrões em Bruxelas e Washington. De dívida em dívida as exigências são já imposições».

A foto acima foi "surripiada" do blogue «Praça Stephans» num POST de Dez de 2008 que vale a pena ler.